Mineração brasileira cresce 6% no trimestre, puxada por ouro e cobre

Alta no faturamento, explosão no ouro e avanço das exportações reforçam o peso do setor na economia, enquanto importações estratégicas e concentração geográfica expõem desafios estruturais.

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A mineração brasileira iniciou 2026 com expansão no valor da produção, que alcançou R$ 77,9 bilhões, um crescimento de 6% em relação ao mesmo período de 2025, de acordo com números do IBRAM.

De acordo com a análise do Instituto, o dado, por si só positivo, revela uma dinâmica mais complexa quando analisado em profundidade: o avanço foi sustentado por um conjunto restrito de commodities — com destaque para o ouro e o cobre — enquanto o minério de ferro, principal produto do setor, apresentou retração. Essa dualidade ajuda a explicar o momento atual da mineração brasileira: expansão consistente, porém cada vez mais dependente de ciclos de preços e de uma pauta concentrada.

O principal vetor de crescimento no trimestre foi o ouro, já que o faturamento saltou 45%, alcançando R$ 13,5 bilhões, impulsionado por aumento de volume e, sobretudo, forte valorização internacional — com o preço médio subindo mais de 70%.

O cobre também apresentou desempenho expressivo, com alta de 28% no faturamento, refletindo tanto a demanda global quanto o papel crescente do metal na transição energética.

Em contrapartida, o minério de ferro — responsável por 48% do faturamento total — registrou queda de 3%, mesmo com preços relativamente estáveis. O dado indica uma possível desaceleração na demanda ou ajustes de produção. Essa mudança relativa de protagonismo sugere que a diversificação da pauta mineral brasileira, ainda que gradual, começa a ganhar tração.

Exportações disparam em valor, mas não em volume

As exportações minerais, por sua vez, totalizaram US$ 11,4 bilhões, com avanço expressivo de 21,5%, enquanto o volume cresceu apenas 0,9%, alcançando 87,9 milhões de toneladas. O descolamento entre valor e volume evidencia o papel determinante dos preços internacionais, especialmente no caso do ouro e do cobre, cujas exportações em dólares cresceram 89,3% e 65,7%, respectivamente. Mesmo assim o minério de ferro segue dominante, respondendo por 53,9% das exportações, embora com crescimento modesto.

Outro ponto crítico é a forte concentração de destinos: a China absorveu cerca de 66% das exportações em toneladas, mantendo-se como eixo central da demanda mineral brasileira.

O saldo da balança comercial mineral alcançou US$ 9,29 bilhões, crescimento de 20%, representando 66% de todo o superávit brasileiro no período. O dado reforça o papel estratégico da mineração na estabilidade macroeconômica do país — especialmente em um cenário global volátil. No entanto, essa relevância também amplia a exposição a riscos externos, como desaceleração chinesa, tensões geopolíticas ou mudanças estruturais na demanda por commodities.

Mas o Brasil segue altamente dependente da importação de insumos minerais estratégicos. As importações cresceram 29% em valor (US$ 2,1 bilhões) e 15,1% em volume, com destaque para: potássio (50% das importações); carvão (29%); e Enxofre (7%). A forte dependência de potássio — essencial para fertilizantes — evidencia um gargalo crítico, especialmente para o agronegócio.

Além disso, a origem dessas importações revela riscos geopolíticos: Estados Unidos, Colômbia, Canadá e Rússia estão entre os principais fornecedores.

Outros números

O setor alcançou 230.011 empregos diretos em fevereiro de 2026, com geração de 9.029 novas vagas desde janeiro de 2025. Embora positivo, o crescimento do emprego é relativamente modesto frente à expansão do faturamento, indicando ganhos de produtividade, automação e maior intensidade de capital.

A concentração geográfica reforça assimetrias: a atividade mineral segue altamente concentrada em Minas Gerais (38% do faturamento), Pará (35%) e Bahia (6%). Juntos, esses três estados respondem por quase 80% da produção mineral.

Essa concentração também se reflete na arrecadação da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral), com Minas Gerais (44%) e Pará (40%) dominando a distribuição. O dado reforça desigualdades regionais e levanta questionamentos sobre a interiorização do desenvolvimento mineral.

A arrecadação total de impostos e tributos atingiu R$ 26,9 bilhões, alta de 5,5%, enquanto a CFEM somou R$ 1,98 bilhão. O minério de ferro segue como principal fonte de arrecadação, respondendo por 65,8% da CFEM, o que reforça, mais uma vez, a dependência estrutural do setor em relação a essa commodity.

Investimentos avançam

A previsão de investimentos no setor entre 2026 e 2030 alcança US$ 76,9 bilhões, crescimento de 12,5% em relação ao ciclo anterior. Os destaques incluem: Projetos socioambientais (forte crescimento); Logística (infraestrutura como gargalo histórico); Cobre, níquel e fertilizantes (alinhados à transição energética e segurança alimentar). Os chamados minerais críticos devem receber US$ 21,3 bilhões até 2030, indicando uma mudança estratégica relevante. Ainda assim, o minério de ferro permanece com a maior fatia dos investimentos (25,8%), mostrando que a transformação do setor será gradual.

De acordo com os dados apresentados pelo IBRAM, o cenário de preços no primeiro rimestre foi decisivo para a performance dos três primeiros meses de 2026: Ouro: +70%, Cobre: +37,5%, Estanho: +52,9%, Alumínio: +20,5%. O minério de ferro manteve relativa estabilidade (+0,7%), o que ajuda a explicar seu desempenho mais modesto no faturamento.

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