Mineração

12/06/2026 04:00h

Unidade Conceição2, modernizada em 1,5 ano, integra IA, automação e capacitação humana para elevar produtividade, segurança e sustentabilidade — e serve de modelo para expansão a outras operações da empresa.

Itabira (MG), o local que lhe deu origem, foi o endereço escolhido pela Vale para escrever um novo capítulo em sua história de 84 anos. Na cidade que viu nascer a mineradora, a empresa inaugurou a Usina Modelo — nome dado ao projeto de modernização da unidade Conceição2 —, tornando-a a primeira usina de alta tecnologia da companhia no Brasil a integrar Inteligência Artificial (IA) aos processos industriais de beneficiamento de minério de ferro. Com capacidade para produzir 11,2 milhões de toneladas por ano, a unidade passa a funcionar como laboratório vivo e referência para a expansão do modelo a outras operações da Vale no país e no mundo.

O projeto, que demandou investimentos de R$ 200 milhões, levou 1,5 ano para ser implantado e abrangeu 51 soluções para eliminação de gargalos e melhorias operacionais. Foram instaladas mais de 100 câmeras de monitoramento no complexo de prédios da usina, automatizados cerca de 7.300 instrumentos — incluindo novos dispositivos de medições avançadas e sensores — e implantada inteligência de dados capaz de controlar e otimizar mais de 400 variáveis em todas as etapas do tratamento do minério. O resultado, em menos de dois anos de projeto piloto, é um aumento de 25% na produtividade, com a unidade atingindo sua capacidade planejada. Em 2024, a produção foi de 9 milhões de toneladas. Para 2025, a usina já está habilitada a produzir os 11,2 Mt previstos.

Uma nova filosofia de operar

Para a Vale, a Usina Modelo não é apenas uma atualização tecnológica — é a materialização de uma mudança de paradigma. Carlos Medeiros, vice-presidente de Operações da empresa, define o alcance da iniciativa com precisão: "A usina modelo é mais do que um projeto: representa uma nova forma de operar, baseada na aplicação de tecnologias avançadas que redefinem os padrões de eficiência, sustentabilidade e competitividade da mineração. Essa iniciativa posiciona a Vale na vanguarda do que há de mais moderno e inovador em usinas de beneficiamento de minério de ferro no mundo."

Medeiros acrescenta que o programa vai além da tecnologia em si. "O programa Usina Modelo integra tecnologias e uma governança robusta de processos, criando um ambiente mais seguro, previsível e eficiente, com pessoas altamente capacitadas", afirma. A modernização da planta, segundo ele, permite que sistemas com camadas de IA supervisionem centenas de variáveis e realizem ajustes no processo produtivo em tempo real, conforme as características do minério e do produto final — sem necessidade de intervenção humana direta em cada etapa.

Essa abordagem se insere na estratégia maior da empresa, chamada de "mineração do futuro", que tem como pilares operações mais conectadas, sustentáveis e orientadas por dados, com tecnologia e inovação como alavancas para segurança, eficiência e geração de valor.

Tecnologia que entrega resultados concretos

Os números do projeto chamam atenção pela amplitude e pela velocidade com que foram alcançados. Além do salto de produtividade, houve avanços expressivos no mix de produtos. A participação do pellet feed de redução direta — produto premium e estratégico para a descarbonização da siderurgia global — aumentou 40% na usina. Trata-se de um insumo cada vez mais valorizado por siderúrgicas que buscam reduzir emissões de carbono em seus processos, o que posiciona a Vale em um mercado de alto valor agregado e crescente demanda.

A qualidade do produto final também ganhou com a implantação de tecnologia de análise online do teor de minério durante o beneficiamento. A ferramenta permite ajustes imediatos na rota de tratamento mineral, assegurando o melhor aproveitamento do ferro contido no material e reduzindo a geração de rejeito. Em 2026, a média do teor de ferro contido no rejeito foi reduzida para 26% — dado que representa tanto ganho econômico quanto ambiental, ao diminuir o volume de material descartado.

Rafael Bittar, vice-presidente Técnico da Vale, resume o nível de maturidade digital alcançado: "A usina alcançou um novo patamar de maturidade digital, com 100% das decisões operacionais críticas suportadas por sistemas especialistas. Esse avanço combina inovação, tecnologia e conhecimento técnico para ampliar a eficiência, reduzir impactos e aumentar a previsibilidade, com foco nas pessoas."

Segurança: menos risco, mais controle

Um dos eixos centrais do programa é a redução da exposição de trabalhadores a atividades de risco. A automação de motores, válvulas e equipamentos elétricos e mecânicos viabiliza a operação da usina à distância, a partir de salas de controle, com o apoio de imagens e dados em tempo real quando o acesso às instalações se faz necessário. Braços mecânicos foram instalados para substituir intervenções manuais em pontos críticos da planta.

Esse redesenho operacional não apenas protege os trabalhadores, como também transforma a natureza do trabalho na mineração. O operador deixa de ser um agente de campo exposto a riscos físicos contínuos e passa a ser um analista de dados, capaz de tomar decisões com base em informações precisas e em tempo real.

"A materialização da visão de mineração do futuro da Vale é um passo decisivo para uma mineração mais segura, sustentável e competitiva, preparada para os desafios das próximas décadas", afirma Bittar.

Sustentabilidade hídrica: 92% de reaproveitamento

Outro indicador de destaque é o uso da água. Atualmente, 92% da água utilizada na Usina Conceição2 é recirculada. Após a filtragem do minério e do rejeito — etapas finais do processamento —, a água retorna ao ciclo operacional. Trata-se de um resultado relevante para uma indústria historicamente criticada pelo consumo intensivo de recursos hídricos e cujo impacto ambiental é monitorado de perto por reguladores, investidores e comunidades.

Parceiros estratégicos: ABB como integradora tecnológica

A implantação da Usina Modelo contou com a aliança estratégica da ABB, referência global em automação e eletrificação. A empresa atua como integradora tecnológica, garantindo a interoperabilidade entre sistemas e fornecedores — o que representa um dos diferenciais do modelo adotado pela Vale.

"O Programa Usina Modelo demonstra visão extraordinária ao combinar tecnologia de ponta com segurança e excelência operacional. A iniciativa posiciona a Vale na vanguarda da mineração global. Estamos orgulhosos em contribuir com nossa experiência em tecnologias de automação, eletrificação e digitalização para o setor", declara Fausto Almeida, diretor de Mineração da ABB para a América do Sul.

A estratégia de construir um ecossistema de parceiros tem uma lógica econômica clara: otimizar os investimentos já realizados pela Vale, reduzir a necessidade de novos aportes e acelerar a geração de resultados. A ABB garante que tecnologias de diferentes origens se comuniquem de forma eficiente dentro do mesmo sistema, evitando redundâncias e incompatibilidades.

O fator humano: 2.800 horas de treinamento

Se a tecnologia é o meio, as pessoas continuam sendo o centro da operação. Todos os 122 operadores, instrumentistas e líderes da Usina Conceição2 foram capacitados para atuar no novo modelo, somando mais de 2.800 horas de treinamento. O programa inclui simuladores e realidade virtual que reproduzem condições reais de operação, permitindo aprendizado seguro e alinhado às novas demandas digitais.

A experiência de Ivo Castro, operador de Equipamentos e Instalações de Usina na Vale há 17 anos, ilustra como essa transformação chegou ao chão de fábrica. "A tecnologia veio para somar. Eu não tinha muito conhecimento de sistemas digitais e aprimorei meus conhecimentos durante os treinamentos. Hoje trabalho com mais segurança, informação e agilidade. Antes, atuava o tempo todo em campo, checando as instalações e realizando manobras manuais. Agora consigo monitorar as áreas pelo celular, na palma da mão. Vou para o campo apenas sob demanda", conta Castro, de 43 anos.

O relato de Castro traduz em linguagem concreta o que os executivos da Vale descrevem em termos estratégicos: uma operação em que a tecnologia amplia capacidades humanas, em vez de simplesmente substituí-las.

O que vem pela frente

A Usina Modelo de Itabira é o ponto de partida, não de chegada. O projeto foi concebido como piloto para expansão a outras unidades operacionais da Vale, o que significa que os ganhos observados em Conceição 2 devem se multiplicar à medida que o modelo for replicado. O ecossistema de parceiros — com a ABB no centro — foi estruturado justamente para viabilizar essa escalabilidade com agilidade e eficiência de investimento. A experiência deve ser estendida para duas outras unidades da Vale em Minas Gerais: Brucutu e Vargem Grande.

A escolha de Itabira para sediar essa iniciativa carrega também um simbolismo deliberado. É na cidade mineira, onde a Vale foi fundada em 1942, que a empresa sinaliza sua intenção de reinventar a própria identidade — de uma mineradora tradicional para uma operadora de ativos digitais e inteligentes. O desafio, daqui em diante, será demonstrar que o que funcionou em Conceição 2 pode ser reproduzido em escala, com a mesma eficiência e com impacto social positivo para as comunidades onde a empresa opera. (Francisco Alves)

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09/06/2026 04:00h

Realizado anualmente por Brasil Mineral há mais de uma década, evento se tornou o principal fórum brasileiro dedicado ao diálogo entre indústria mineral e as comunidades impactadas por seus projetos.

“O ESG acabou?”, “Casos práticos de ESG”, “Relacionamento com comunidades tradicionais”, “Projetos colaborativos entre empresas e entes públicos”, “Programas de Apoio e Fortalecimento dos Municípios”, “Institutos e Fundações como diferenciais para a prática do ESG”. Estes são os temas principais que orientarão os debates e apresentações no 11º. Mineração &/X Comunidades, realizado anualmente por Brasil Mineral há mais de uma década e que se tornou o principal fórum brasileiro dedicado ao diálogo entre indústria mineral e as comunidades impactadas por seus projetos.

Este ano, o evento será precedido por um mini-curso sobre “Indicadores e Métricas para o Desenvolvimento Local”, a ser ministrado pela professora Maria Amélia Enriquez, da Universidade Federal do Pará (UFPA) e membro do conselho Consultivo de Brasil Mineral, na manhã do dia 16 de junho. Entre os tópicos a serem abordados no mini-curso, destacam-se: Indicadores de Desenvolvimento Sustentável – o IDSC, suas potencialidades e fragilidades; o IGM do Conselho Federal de Admiração; o Barômetro da Sustentabilidade; os Indicadores de Emprego e Renda (CAGED), de Finanças Públicas (SICONFI) e de Uso da CFEM (TCM). Também serão abordados os indicadores sociais e ambientais como O Atlas da Violência, Indicadores de Pobreza – Observatório da CadÚnico, indicadores ambientais do Mapbiomas e o sistema de emissões de GEE do SEEG.

Integra também a programação do 11º. Mineração &/X Comunidades a premiação dos trabalhos vencedores do 2º. Prêmio Mineração & Comunidades, seguida de uma mesa-redonda com os autores dos trabalhos premiados.

O 11º Mineração &/X Comunidades acontecerá nos dias 16 e 17 de junho, no auditório da Fiemg, em Belo Horizonte e conta com o patrocínio da CMOC, Geosol, Metso, Vale (categoria Ouro), CBA, Anglo American, Nexa, Bemisa, G Mining, Kinross (categoria Prata), e Galvani, Samarco, Aura, Metoric, PLS, Kinross (categoria Cobre). O evento tem o apoio técnico da Integratio, e apoio/parceria do Sindiextra, Fiemg, ABPM, Ibram, Adimb, AMCe e Anepac.

As vagas para o evento são limitadas. Para mais informações, e inscrições, clique aqui.

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06/06/2026 04:00h

O Projeto de Lei, em tramitação na Câmara dos Deputados, transfere competências para a ANM, atualiza o conceito de garimpeiro e propõe leilão social para áreas de menor volume de minérios.

A Câmara dos Deputados aprovou, no dia 3 de junho, urgência para o Projeto de Lei 957/24, que propõe uma ampla revisão das regras que regem a mineração no Brasil. Entre as principais mudanças, o texto transfere para a Agência Nacional de Mineração (ANM) os atos de autorização, concessão e permissão de lavra — atribuições hoje sob responsabilidade do Ministério de Minas e Energia, que manterá a competência apenas sobre minerais estratégicos, como lítio e urânio, por exemplo. O projeto altera o Código de Mineração, em vigor desde 1967, e duas leis complementares (6.567/78 e 7.805/89).

Elaborado por um grupo de trabalho criado em 2022 e coordenado pelo deputado Filipe Barros (PL-PR), o PL tem como relator o deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), já indicado para acompanhar a matéria também no Plenário. Para Barros, a proposta é uma resposta necessária à ineficiência do modelo atual. "O custo da burocracia no setor mineral é muito elevado e interfere diretamente na competitividade dos produtos minerais brasileiros no mercado externo", afirmou o deputado.

Entre os pontos de maior impacto está a atualização do conceito de garimpeiro. A legislação vigente define a garimpagem como trabalho individual realizado com "instrumentos rudimentares, aparelhos manuais ou máquinas simples e portáteis". O PL 957/24 substitui essa definição por uma formulação mais abrangente, que prevê a "exploração de aluvião, depósitos primários e jazidas, independentemente da técnica utilizada e da escala de produção". Barros justifica a mudança ao observar que "há tempos a bateia deixou de ser o único instrumento de trabalho desses profissionais". O projeto também cria o chamado leilão social, mecanismo destinado a ofertar áreas de menor volume de minérios pelo regime de permissão de lavra garimpeira (PLG), com prioridade para cooperativas de garimpeiros no processo seletivo.

O texto traz ainda outras alterações relevantes para o setor. O concessionário passará a ser obrigado a apresentar à ANM, no ato da outorga, garantias financeiras para custear o plano de fechamento de mina — e a agência poderá exigir garantias suplementares em empreendimentos com risco ambiental ou para comunidades adjacentes. A pesquisa mineral poderá ser dispensada de licenciamento ambiental quando a tecnologia empregada não provocar impactos significativos. Além disso, o ministro de Minas e Energia será a última instância recursal contra decisões que indeferirem concessão de lavra ou declararem caducidade ou nulidade de lavra.

Fonte: Câmara dos Deputados 

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05/06/2026 04:00h

Gustavo Lanna, Presidente do Sindiextra, defende associativismo, modernização e visão de longo prazo para um segmento que movimenta 706 milhões de toneladas por ano e ainda opera abaixo do pico histórico de 2013.

O Brasil é o maior país minerador da América Latina, mas há um segmento da cadeia mineral que, apesar de ser o maior em volume de extração no planeta, ainda luta para ter voz, visibilidade e reconhecimento: a indústria de agregados. Foi com esse diagnóstico na mesa — e com uma mistura de autocrítica, dados e provocação — que Gustavo Lanna, presidente do Sindiextra, o sindicato minerador do estado de Minas Gerais, abriu sua apresentação no evento *O Futuro da Mineração*, promovido pela Abimex no final de maio, em Belo Horizonte.

A palestra, que mesclou trajetória pessoal, números do setor e comparações internacionais, foi um retrato fiel das contradições de um segmento essencial e ao mesmo tempo invisível: o agregado move obras, estradas, metrôs e casas populares, mas ainda enfrenta marginalização política, ciclos econômicos cardíacos e uma distância abissal em relação aos padrões de automação da China e dos Estados Unidos.

Ganhando visibilidade

Lanna começou pelo começo. Há cerca de 12 a 15 anos, o setor de agregados em Minas Gerais era disperso, desunido e invisível dentro da própria cadeia mineral. Quando representantes do segmento tentavam se sentar com legisladores ou o Executivo, a resposta era sempre a mesma.

"Vim falar de agregado. 'Não, quero falar de minério de ferro.' 'Quero falar de ouro.' 'Quero falar de outra coisa.' Então a gente se sentia bem excluído da cadeia da mineração", relatou Lanna.

A virada veio com uma decisão estratégica: buscar abrigo institucional no Sindiextra, que já representava grandes nomes como a Vale, além de produtores de ouro, nióbio, bauxita e calcário. O interlocutor foi Fernando Coura, então presidente executivo da entidade, hoje conselheiro da Petrobras.

"Falei: 'Coura, a gente precisa de representatividade. Eu preciso falar, ter uma voz mais forte para o setor de agregado'", recordou Lanna. A aposta deu resultado. Hoje, das 140 empresas associadas ao Sindiextra, 60 pertencem ao setor de agregados. E Lanna ocupa a presidência da entidade, acumulando também a presidência do conselho.

A trajetória não parou aí. O setor passou a ter representação na ANEPAC em âmbito federal, cadeira no IBRAM, participação no COMIN e vice-presidência na FIEMG, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais. "A gente tem que ter o mesmo discurso perante o Executivo e o Legislativo, independente do estado em que estivermos ", defendeu.

Um setor enorme, que poucos enxergam

Os números apresentados por Lanna ajudam a entender a dimensão do problema — e da oportunidade. O agregado é o bem mineral com maior volume extraído no planeta. No Brasil, a projeção para 2025 é de 706 milhões de toneladas. O país conta com cerca de 2.500 empresas no setor, que geram aproximadamente 75 mil empregos diretos e têm capacidade instalada de 900 milhões de toneladas por ano.

Apesar disso, o consumo per capita brasileiro é de apenas 3,3 a 3,5 toneladas por habitante — número que Lanna usou como termômetro da demanda reprimida e do potencial de crescimento.

"Eu prefiro olhar o copo meio cheio, para entendermos que tem uma demanda reprimida enorme para o setor", disse. A comparação com outros países de território continental e população expressiva é reveladora: enquanto os Estados Unidos consomem muito mais por habitante e a China liderou décadas de expansão infraestrutural, o Brasil ainda está atrás da Índia nesse indicador. "Todo mundo escuta que Índia é um problema, que não está pronto, como quiser, mas estamos piores do que a Índia nesse ponto", afirmou.

Para dar concretude ao que essa defasagem significa, Lanna listou os consumos estimados por tipo de obra: um quilômetro de metrô consome cerca de 50 mil toneladas de agregado; um quilômetro de pavimentação nova, cerca de 10 mil; manutenção de estrada, 3 mil; um edifício, mil e poucas toneladas; e uma casa popular, aproximadamente 68 toneladas. "Quando a gente fala que tá tudo por ser feito, a gente entende qual é o potencial real de demanda do nosso mercado", sintetizou.

Se os números de demanda são alvissareiros no longo prazo, o histórico recente é para fazer qualquer empresário do setor perder o sono. O gráfico de produção que Lanna apresentou — por ele mesmo chamado de "cardíaco" — mostra picos e quedas abruptas que refletem a dependência do setor em relação a políticas públicas de infraestrutura.

O Brasil chegou a 745 e 750 milhões de toneladas de agregados em 2013 e 2014, impulsionado pelos investimentos da Copa do Mundo e do PAC. Em seguida, veio a recessão: uma queda de quase 30% em um único ano. Em 2017, o país havia recuado para níveis de produção equivalentes aos de 2004.

"O setor investiu, preparou a casa, se estruturou para atender uma demanda que é crescente. Mas em vez de crescer, ela despencou", disse Lanna, que trabalha na empresa da família há quase 30 anos. "Eu já vi esse ciclo três vezes aqui na minha região. É uma loucura, isso."

Para ele, o problema central é que o Brasil vive de projetos de governo, não de projetos de Estado. "Se a gente tivesse um projeto de estado, teríamos um gráfico mais contínuo, que seria o ideal para todos os segmentos do país." A retomada existe — o país caminha de volta para a faixa de 706 a 714 milhões de toneladas — mas ainda não recuperou o pico de uma década atrás.

Em Minas Gerais, há um fator adicional que distorceu os números recentes para cima: a demanda por agregados para reposição e reconstituição de barragens após os acidentes de Mariana e Brumadinho. "Minas Gerais, nos últimos cinco anos, teve uma demanda muito grande de agregados para reposição e reconstituição das barragens. É uma característica de Minas."

Minas: exigência alta, reconhecimento baixo

Lanna fez questão de destacar uma peculiaridade do mercado mineiro que passa desapercebida na maioria dos debates setoriais: em Minas Gerais, os produtores de agregado são fiscalizados pelos mesmos órgãos e com os mesmos critérios aplicados à Vale e às grandes mineradoras.

"Quem fiscaliza a nossa empresa é o mesmo que fiscaliza a Vale, o mesmo fiscal", afirmou. "O nível de referência, o nível de exigência e o nível de comparação que o agregado em Minas Gerais sofre em relação a outros minerais, é muito grande."

Esse rigor, segundo ele, força uma evolução tecnológica e ambiental, mas aumenta os custos e piora a competitividade de quem quer fazer certo — especialmente frente a concorrentes informais ou de outros estados com legislação menos exigente. "As maiores empresas fora de Minas Gerais do setor de agregado teriam dificuldade de operar aqui em Minas Gerais", afirmou.

No mercado da Grande Belo Horizonte, o processo de consolidação já é visível: de 24 grupos mineradores de agregados, restam hoje nove. Para Lanna, isso é um sinal positivo. "Nós temos grupos hoje saudáveis economicamente e financeiramente, com capacidade produtiva, grupos que querem fazer o correto, que não querem ter problema ambiental, que não querem ter problema tributário." A redução no número de players, segundo ele, facilitou o diálogo setorial e permitiu uma maior coesão institucional.

Associativismo: a lição da planilha de custos

Um dos momentos mais didáticos da palestra foi quando Lanna descreveu a iniciativa da planilha de custos, desenvolvida em parceria com a ANEPAC e distribuída para produtores de todo o Brasil.

O problema era simples e revelador: produtores do mesmo segmento apresentavam custos completamente diferentes — R$ 15 a tonelada em um caso, R$ 30 em outro — sem entender por quê. A resposta, ao distribuir a planilha, veio das lacunas: campos em branco, porque o produtor simplesmente não media, não controlava, não computava determinados itens. "Então nós fomos para um lado de tentar ensinar esse produtor, ensinar o setor realmente a fazer conta para que ele precifique certo."

A filosofia que sustenta essa postura é, nas palavras do dirigente, a de "nivelar por cima". "A gente não tem que ter medo de concorrente. Temos que ensinar o concorrente o que sabemos de bom, porque na hora que ele fizer certo, vai ter uma legislação maior e ele vai ter um custo parecido com o nosso. E aí é questão de competência, de mercado, de atuação, atendimento, qualidade."

Na própria empresa, a Martins Lanna, essa filosofia se traduz no programa Empresa Aberta, em funcionamento há mais de 15 anos. "Eu recebo 2.500 pessoas por ano na empresa — concorrentes, produtores, legisladores, escolas. Para quê? Para que a gente nivele por cima."

Outro ponto reforçado por Lanna foi a necessidade de separar as disputas comerciais das pautas institucionais — conselho que ele dirigiu também aos participantes do setor de explosivos presentes no evento. "Tentem separar um pouco a questão comercial do setor institucional. O setor de vocês é fundamental para toda a cadeia mineral. Se a gente se sentar numa mesa para discutir comercialmente, isso vai ter desgaste. Comercial a gente não conversa na mesa."

A distância tecnológica e o caminho da automação

A parte final da apresentação de Lanna foi talvez a mais impactante — e a mais desconfortável. Ao comparar os indicadores operacionais do Brasil com os de China, Estados Unidos e Europa, o diagnóstico foi claro: o país está muito atrás em automação, produtividade por trabalhador e modernização de plantas.

Enquanto nos Estados Unidos cada trabalhador do setor produz mais de 1.000 toneladas por ano, e na China o número se aproxima de 700, no Brasil essa produção ainda fica abaixo de 600 toneladas por trabalhador. A taxa de automação brasileira, estimada entre 30% e 40%, é muito inferior à da China (45% a 55%) e à dos Estados Unidos e Europa.

A discrepância em escala de produção é ainda mais gritante. As maiores unidades produtoras de agregados no Brasil operam na faixa de 2.000 a 3.000 toneladas por hora. Na China, há plantas com capacidade de 14.000 toneladas por hora. "É equivalente ao Brasil inteiro produzindo em poucos meses", disse Lanna.

Como exemplo do que é possível, ele descreveu uma visita realizada dias antes a uma operação da Vale (Brucutu) em São Gonçalo do Rio Abaixo: "Fui ver um processo de caminhões autônomos de 260 toneladas, rodando com minério de ferro. Fantástico." E completou: "A tecnologia é acessível. Os caminhões rodando de maneira autônoma é fantástico, 60 km/h para um lado, caminhão parando certinho, manobrando."

Para Lanna, a automação deixou de ser apenas uma escolha estratégica de redução de custos para se tornar uma necessidade imposta pela escassez de mão de obra qualificada. "As empresas que não automatizarem vão estar fora do mercado. E não é porque elas querem não, é porque não vai ter mão de obra."

Rejeitos, drones e o papel dos fornecedores

Lanna também abordou a questão dos rejeitos — um campo em franca transformação no setor. A Martins Lanna foi pioneira ao transformar o pó de pedra, antes descartado como rejeito, em areia comercializável, há mais de 25 anos. Hoje, mineradoras de ferro e ouro começam a percorrer caminho semelhante, reaproveitando rejeitos e, em alguns casos, concorrendo com produtos que o setor de agregados já consolidou no mercado.

"Hoje nós temos areia proveniente de rejeitos de mineração de ferro competindo com uma areia que é produto nosso, que era um rejeito nosso também", disse. O problema, apontou, é que a legislação ainda trata de forma assimétrica os rejeitos de diferentes origens minerais — cabendo ao setor buscar o nivelamento regulatório.

Ao se dirigir diretamente aos participantes do setor de explosivos presentes no evento, Lanna fez um apelo direto à inovação: "É fundamental que o setor de explosivos busque melhorias de processo, de produto, de eficiência e ofereça isso no mercado de outras maneiras." E citou como exemplo o uso de drones para topografia, que reduz desvios de perfuração e o risco de ultralançamento. "O setor de vocês pode e deve contribuir."

O copo meio cheio de quem já viu o pior

Ao encerrar sua participação, Gustavo Lanna voltou ao tema que permeou toda a apresentação: a escolha entre o pessimismo justificado e o otimismo estratégico. Com um setor que ainda consome menos agregado por habitante do que a Índia, que opera abaixo do pico histórico de uma década atrás, que enfrenta informalidade, ciclos imprevisíveis e uma lacuna tecnológica expressiva em relação à China e aos Estados Unidos, seria fácil — e talvez compreensível — ceder ao desânimo.

Lanna recusou essa opção. "A gente tem uma trajetória de muitos anos de setor com evolução. Quando olhamos para trás, vemos que andamos muito, mas quando a gente olha para frente, está muito longe do que precisamos e de onde queremos chegar. Então, não podemos desanimar."

Em um setor acostumado a ser ignorado nas mesas importantes, a mensagem de Lanna foi ao mesmo tempo um balanço e um manifesto: o agregado é a base de tudo que se constrói — e está na hora de construir também a sua própria representatividade. (Por: Brasil Mineral)

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03/06/2026 04:00h

Governo, parlamentares, empresários e especialistas vão debater medidas para ampliar a participação brasileira nesse mercado.

O Seminário Internacional de Minerais Críticos e Estratégicos será realizado nos dias 9 e 10 de junho, em Brasília, para debater acordos bilaterais e multilaterais com outras nações interessadas nos minerais, bem como em parcerias para industrializá-los em território nacional. Os projetos de lei que criam a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) avançam no Senado Federal e podem ser votados ainda no primeiro semestre. Ao mesmo tempo, novas tensões político-econômicas envolvendo Brasil e Estados Unidos, após o governo norte-americano anunciar medidas de pressão econômica por meio da elevação de tarifas, podem influenciar negociações internacionais envolvendo investimentos, industrialização e acesso a mercados.

Em meio à crescente disputa internacional por minerais usados em baterias, semicondutores e tecnologias ligadas à transição energética, governo, parlamentares, empresários e especialistas vão debater medidas para ampliar a participação brasileira nesse mercado. Entre os participantes estão Pablo Silva Cesário, diretor-presidente do IBRAM, que fará a abertura do evento; de Ana Paula Lima Vieira Bittencourt, secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME), que representará o ministro Alexandre Silveira; do deputado federal Arnaldo Jardim, relator do Projeto de Lei nº 2780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos; de Mila Corrêa da Costa, secretária de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais; de Henrique Carballal, presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM); de Osório Coelho Guimarães Neto, diretor do Departamento de Programas de Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); e de Matt Blundell, analista sênior de Geopolítica e Assuntos Internacionais da S&P Global Energy.

As palestras e debates abordarão temas estratégicos como políticas públicas para minerais críticos, geopolítica dos recursos minerais, desenvolvimento industrial, atração de investimentos, inovação tecnológica e fortalecimento das cadeias produtivas ligadas à transição energética. O evento é organizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) e a programação completa pode ser vista aqui.

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02/06/2026 04:55h

Além do amianto, Minaçu possui um dos subsolos mais raros e diversos do Brasil, condição que coloca a região no mapa dos interesses minerais internacionais, e não é de hoje

Minaçu, uma cidade do interior de Goiás, hoje com cerca de 27 mil habitantes, viveu durante 50 anos uma jornada de superação. Isso porque, historicamente, suas riquezas naturais, sua rara diversidade mineral e seu imenso potencial energético sempre atraíram olhares de grandes grupos econômicos que, embora tomados pelo entusiasmo das descobertas geocientíficas reveladas ao longo de décadas, se viam contidos diante de mercados ainda não consolidados e hipóteses consideráveis de riscos.

Do tupi-guarani, Minaçu significa “Mina Grande”, talvez assim batizada pelos povos originários em razão da vasta dimensão de serras, morros, rochas e grutas que compunham aquela paisagem. O nome de batismo, quis a história mais tarde que se revestisse de razão, a começar pela descoberta da maior jazida de amianto do Brasil, matéria-prima indispensável por anos à construção civil.

A cidade nasceu ao redor de uma cava gigantesca de amianto, cada ano mais profunda e mais importante para a economia daquele lugar. Afinal, foi da exploração da fibra extraída ali que Minaçu se desenvolveu, gerou empregos e abriu novas fronteiras de arrecadação, embora inúmeras comprovações científicas, disputas jurídicas, debates regulatórios e decisões tardias da Suprema Corte Brasileira tenham reconhecido, 40 anos depois, a nocividade dessa atividade à saúde humana.

Além do amianto, Minaçu possui um dos subsolos mais raros e diversos do Brasil, condição que coloca a região no mapa dos interesses minerais internacionais, e não é de hoje. Além das terras raras, recentemente anunciadas ao mundo, há uma vasta cadeia de outros minérios solo adentro: cianita, estanho, grafita, ilmenita, mica, muscovita, níquel, tântalo, titânio, rutilo, wolframita e zinco. Na área da Serra de Cana Brava reside o Complexo Máfico-Ultramáfico de Canabrava, unidade geológica conhecida principalmente pelo potencial para exploração de níquel, cromo e platina.

Do subsolo à profundidade das águas

Minaçu possui duas grandes hidrelétricas dentro de um município relativamente pequeno: a UHE de Serra da Mesa, gerida por Furnas, e a UHE de Cana Brava, pela Engie. Uma posição rara no mapa energético brasileiro que, ligada ao eixo do Rio Tocantins dão força a um corredor energético: Serra da Mesa, situada a montante, funciona como grande reservatório regulador do sistema; Cana Brava, a jusante, aproveita a sequência hídrica do mesmo rio para geração de energia e cria uma espécie de linha dorsal hidrelétrica, em que reservatório, vazão, barramento e transmissão se articulam em cadeia.

Para chegar até aqui, Minaçu precisou conviver com diferentes chegadas e partidas de ciclos econômicos. Entre as quais, as fases de construção das usinas de Serra da Mesa e Cana Brava, de 1990 a 1996 e 1999 e 2001, respectivamente, períodos em que a cidade se viu tomada por gente de toda parte, novos moradores, operários, famílias inteiras e, naturalmente, por novas demandas de serviço e emprego.

Nos dois períodos, a população saltou de forma exponencial e pouco planejada. Ainda assim, sobretudo para o comércio local, aquele clima de crescimento era visto como oportuno. Afinal, quando a procura por suprimentos, serviços e moradia crescia, aumentava-se o capital e a circulação econômica, o que dava “razão” a majoração de preços e a valorização de bens, pelo menos naquele momento. O “preço” do desenvolvimento, porém, como em qualquer lugar onde um empreendimento dessa natureza é instalado, trouxe consigo problemas de ordem social e exigiu do poder público uma capacidade de resposta imediata, da saúde à educação, da infraestrutura ao amparo social.

E de fato: também houve contrapartidas importantes dessas empresas, muitas delas até hoje incorporadas ao uso contínuo da cidade: escolas, equipamentos, o Hospital Municipal, o Centro Cultural e a construção daquela que se tornou o cartão-postal do norte de Goiás: a Praia do Sol, construída artificialmente a partir do represamento de Cana Brava, em formato de uma ilha oval.

Agora, aos 50 anos, Minaçu volta a atrair os olhos do mundo. Desta vez, pela descoberta e exploração de terras raras, minerais estratégicos para a transição energética, para a indústria tecnológica e para a disputa econômica travada por grandes potências globais.

É ali que reside a única mina desse setor, fora da Ásia, em escala comercial. O projeto Pela Ema, operado atualmente pela Serra Verde, extrai os quatro elementos mais críticos e valiosos do mundo: neodímio, praseodímio, térbio e disprósio. Elementos essenciais para a transição energética e para a fabricação de ímãs permanentes, usados em motores de carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa.

As atenções do mercado no norte de Goiás não se limitaram ao que encontraram até aqui, o que explica a existência de mais 65 alvarás ativos de pesquisa sobre mineração na região de Minaçu. Não é só amianto, não é só terras raras, embora sejam gigantescas as dimensões de tudo isso.

Neste cinquentenário, uma iniciativa voltada ao resgate e valorização da história da cidade pretende reunir, em um livro, a história de Minaçu, contextualizada por 70 autores considerados fundamentais nessa transição. Uma obra que marca essas 5 décadas de desafios históricos pela ótica de quem acompanhou os fatos.

Isso porque reconhecer o passado é entender como a cidade conseguiu atravessar, de forma tão resiliente, os impactos provenientes da extração de suas próprias riquezas.

Poucas cidades brasileiras cresceram marcadas por ciclos tão intensos de prospecção e oscilação de sua economia. E talvez seja exatamente essa resiliência que faça da cidade algo maior do que um território mineral: um lugar que, depois de tantas transformações, ainda encontra força para se reiventar.

Cinco décadas depois, entre as marcas deixadas pela fibra cinzenta, e a descoberta de uma riqueza mais pura, mais cara e substancial, que insere com razão a cidade no radar dos interesses do mundo, a população se vê mais segura. Não deslumbrada, mas consciente do papel que representa. Sabe que não haverá, pelo menos em curto prazo, compensação à altura dos lucros daquela exploração, ou de qualquer outra, que não seja a destinação obrigatória dos royalties e de contrapartidas mínimas oriundas de oscilações de mercado.  Há perceptível, porém, uma sensação de autoestima, de confiança, de oportunidade de se reinventar ao 50, de se redesenhar, de limpar a poeira e de respirar.

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01/06/2026 04:25h

A ANM passa a adotar oficialmente o entendimento de que o direito ao repasse dos royalties só se concretiza quando os recursos entram nos cofres públicos

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Estados e municípios que recebem recursos da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) passarão a ter como referência a data da arrecadação dos valores, e não o momento da exploração mineral, para definição das regras de distribuição dos royalties. 

O entendimento foi consolidado pela Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Mineração (ANM), que aprovou por unanimidade uma súmula administrativa sobre o tema.

A decisão foi tomada durante a 85ª Reunião Ordinária Pública da agência, realizada na última quarta-feira (27). A súmula estabelece que “A distribuição da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) aos entes beneficiários submete-se ao regime de caixa, aplicando-se a legislação vigente na data em que os valores são efetivamente arrecadados.”

Com a definição, a ANM passa a adotar oficialmente o entendimento de que o direito ao repasse dos royalties só se concretiza quando os recursos entram nos cofres públicos. A interpretação pode impactar diretamente os municípios mineradores em casos de alterações nas regras de divisão da CFEM ocorridas entre a atividade de exploração e o recolhimento dos valores.

Redução de conflitos de interpretação

Segundo o diretor-geral da ANM, Mauro Sousa, a adoção de súmulas administrativas busca reduzir conflitos de interpretação e acelerar a tramitação dos processos analisados pela agência.

“Esse instrumento foi criado para permitir que as controvérsias encontrem uma solução mais cedo, sem a necessidade de análise pela Diretoria Colegiada. Por isso, temos conclamado nossos superintendentes e a procuradoria para que se engajem na busca pela pacificação dos entendimentos”, afirma.

VEJA MAIS:

Para embasar a decisão, a Diretoria Colegiada utilizou o parecer nº 313/2019/PFE-ANM/PGF/AGU. O documento sustenta que “O fato gerador da CFEM integra relação jurídica distinta e anterior à relação jurídica referente à obrigação da ANM de repassar os percentuais arrecadados da CFEM”.

O parecer também aponta que a exploração mineral não garante automaticamente o direito ao repasse dos royalties. De acordo com a Procuradoria, essa etapa gera apenas expectativa de direito, enquanto a efetivação do repasse depende do ingresso dos recursos na arrecadação pública.
 

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01/06/2026 04:00h

Esse montante total será limitado a R$ 2 bilhões anuais, que poderão passar para o ano seguinte, até 2031, se não tiverem sido utilizados no ano anterior

A Câmara dos Deputados aprovou Projeto de Lei que concede até R$ 10 bilhões em subsídios, em cinco anos, a fábricas de fertilizantes para novas plantas de produção no Brasil ou expansão e modernização das atuais, utilizando crédito fiscal de tributos federais. De autoria do Senado, o Projeto de Lei 699/23 retorna à Casa devido às mudanças aprovadas na forma do substitutivo do relator, deputado Junior Ferrari (PSD-PA). Segundo o texto, o Poder Executivo definirá quais projetos serão aprovados para contar com os benefícios fiscais do Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). Esse montante total será limitado a R$ 2 bilhões anuais, que poderão passar para o ano seguinte, até 2031, se não tiverem sido utilizados no ano anterior. O período do Profert será de 2027 a 2031.

O substitutivo também prevê a isenção de cobrança do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) entre 2027 e 2031 quando a mercadoria transportada for destinada a projetos aprovados do Profert. O limite anual dessa isenção será de R$ 200 milhões e de R$ 1 bilhão no período (2027 a 2031). A concessão dos créditos será feita por meio de procedimento concorrencial e podem se candidatar as empresas que produzam fertilizantes sintéticos ou minerais, suas matérias-primas, bioinsumos, biofertilizantes e remineralizadores.

A participação no procedimento dependerá de habilitação prévia do projeto no Ministério da Agricultura e a obtenção do crédito será proporcional ao atendimento dos critérios fixados, especialmente quanto à adoção de tecnologias para diminuir ou neutralizar emissões de gases causadores do efeito estufa. Outros critérios de análise são apoio a iniciativas de desenvolvimento local e inclusão social; manutenção de diálogo contínuo e transparente com as comunidades afetadas; e adoção de procedimentos e tecnologias para ampliar a eficiência energética. A concessão dos créditos será limitada a 20% dos gastos da empresa com as atividades de produção de fertilizantes e suas matérias-primas no Brasil. Os créditos obtidos desta forma serão considerados como créditos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e poderão servir para compensar débitos tributários vencidos ou a vencer junto à Receita Federal ou mesmo para pedir ressarcimento em dinheiro.

Caso o projeto não seja implantado, a empresa estará sujeita a multa de 20% do valor liberado e à devolução dos créditos utilizados indevidamente. Para viabilizar os investimentos nos projetos do Profert, o PL 699/23 autoriza a União a criar o Fundo de Estímulo à Produção Nacional de Fertilizantes (FPNF), no qual ficarão os recursos previstos no orçamento. O apoio do fundo poderá ser por meio de concessão de garantias para cobertura de empréstimos, investimento em derivativos ligados aos produtos, investimento em dívida estruturada com equalização parcial de juros e apoio a projetos de pesquisa. Várias de suas regras de funcionamento e a estrutura de governança serão definidas em seu estatuto, assegurada a participação de representantes do setor. Entre critérios de eleição dos projetos devem ser levados em conta: competitividade de custo; intensidade de carbono; maturidade técnica; capacidade de execução; impacto regional; e nível de integração entre as cadeias.

Em razão do aumento dos preços de certos tipos de fertilizantes cujo fornecedor principal é o Irã, o projeto permite o uso de até R$ 1 bilhão em 2026 para evitar repasses na comercialização. Esses créditos financeiros poderão ser direcionados a produtores ou importadores de adubos e fertilizantes se eles deduzirem do preço de venda os créditos recebidos mediante indicação em nota fiscal. Além disso, terão de manter em seus quadros funcionais quantidade de empregados igual ou maior ao verificado na média dos três meses anteriores ao mês em que entrar em vigor a lei derivada do projeto. Ato conjunto dos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio definirá o limite dos créditos a conceder em razão do valor de importação ou venda no mercado interno. Da mesma forma que o crédito fiscal do Profert, a empresa beneficiada poderá utilizar os créditos para pagar tributos ou pedir ressarcimento segundo as regras legais. O crédito será considerado como referente ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), à CSLL e ao AFRMM.

O texto aprovado prevê que o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert) definirá percentual de mistura obrigatória, em volume, de fertilizantes nacionais, sintéticos e minerais, aos fertilizantes comercializados, distribuídos e vendidos no Brasil. A meta começará em 2% com aumento gradual até atingir 10% em 2037. No entanto, se houver interesse público ou se houver impossibilidade de cumprimento da meta, o conselho poderá diminuir para menos de 2% até o restabelecimento das condições de viabilidade. Desde que mantido o percentual volumétrico anual de mistura obrigatória, o Confert poderá estabelecer percentuais desagregados para cada componente do fertilizante. Além disso, terá de realizar análise de impacto regulatório para determinar o percentual anual de mistura obrigatória em razão da disponibilidade, atual ou futura, de fertilizantes sintéticos e minerais; da capacidade das infraestruturas e das instalações de produção ao longo do tempo; da proteção dos interesses do consumidor quanto a preço, qualidade e a oferta firme de produtos; e do impacto do preço da mistura na competitividade da cadeia de valor agropecuária. Caberá ainda ao Confert monitorar e avaliar periodicamente os resultados do Profert, publicando relatório anual contendo, no mínimo: volume de investimentos habilitados e efetivamente executados; capacidade produtiva instalada e ampliada; impacto na redução da dependência externa de fertilizantes e matérias-primas; volume de produção nacional adicional decorrente do programa; e indicadores de competitividade e segurança de abastecimento.

Outra novidade no relatório de Ferrari é a destinação de recursos da União ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o oferecimento de linhas de crédito para os projetos das empresas habilitadas no Profert. As linhas deverão atender a critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica alinhados aos objetivos do programa, seja para modernização, reativação e ampliação das plantas industriais, para atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação na cadeia de produção ou de infraestrutura para a integração de polos logísticos e de viabilização de novos empreendimentos. Tanto o BNDES quanto bancos habilitados assumirão todos os riscos dos empréstimos. Já os encargos financeiros, os prazos e as demais normas serão estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Júnior Ferrari afirmou que a aprovação da proposta é estratégica e necessária para o fortalecimento do setor de insumos agropecuários brasileiro. "Sua implementação é fundamental para reduzir a carga tributária que atualmente onera e compromete a viabilidade econômica de projetos estruturantes voltados ao desenvolvimento e à consolidação da indústria nacional de fertilizantes", disse. As medidas propostas no Profert, de acordo com Ferrari, são resultado de estudos do Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050, para fortalecer políticas de incremento da competitividade da produção de fertilizantes no País e reduzir a dependência externa desses insumos dos atuais 85% para 45% até 2050. "O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo e importamos cerca de 85% a 90% dos fertilizantes. Corremos um risco de falta de alimentos no Brasil e no mundo. É uma questão econômica, mas, muito mais, de segurança alimentar", disse Ferrari. De acordo com Ferrari, a forte dependência externa deixa vulnerável a agricultura brasileira com riscos à segurança alimentar da população, o que requer medidas que viabilizem o aumento da produção nacional de fertilizantes. Apesar de o Brasil ser um dos maiores produtores e exportadores mundiais de alimentos, sua indústria de fertilizantes não é competitiva, devido à falta de incentivos e de um ambiente favorável ao setor. Embora o País responda por 8% do mercado global, cerca de 85% dos fertilizantes utilizados nas lavouras brasileiras são importados.

O líder do Novo, deputado Gilson Marques (SC), criticou alguns pontos do texto como a mistura obrigatória de fertilizantes. "Isso não tem sentido, nem por ser obrigatória, nem nacional. Tem de ser feita da melhor forma, livre e mais barata", disse. Para o deputado Chico Alencar (Psol-RJ), vice-líder da federação Psol-Rede, a resposta do projeto se estrutura na "velha solução" da renúncia fiscal. "Os gargalos à produção doméstica de fertilizante estão, na verdade, na disponibilidade pequena de gás natural, na nossa baixa capacidade logística", afirmou.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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31/05/2026 04:00h

Com projetos voltados à saúde, cultura, inclusão, geração de renda e relacionamento comunitário, segunda edição do prêmio reconhece iniciativas que fortalecem vínculos entre mineração e sociedade; vencedores serão conhecidos no dia 17 de junho, durante o 11º Mineração & Comunidades, em Belo Horizonte

A Brasil Mineral anuncia os finalistas do 2º Prêmio Mineração & Comunidades, iniciativa criada para reconhecer e valorizar projetos que vêm gerando impacto positivo nas comunidades do entorno de operações minerárias em todo o país. A premiação integra a programação do 11º Mineração &X Comunidades, que será realizado nos dias 16 e 17 de junho, em Belo Horizonte (MG), ocasião em que serão revelados os vencedores de cada categoria.

Mais do que premiar boas práticas, a iniciativa lança luz sobre experiências concretas que mostram como o setor mineral vem ampliando seu diálogo com os territórios onde atua — promovendo desenvolvimento, inclusão, preservação cultural, saúde, educação e fortalecimento comunitário.

Nesta edição, os trabalhos foram avaliados por um corpo de jurados formado por Maria Amélia Enríquez, Vânia Andrade, Arão Portugal, Débora Tocci e Maria José Salum — profissionais com trajetória reconhecida nas áreas de mineração, sustentabilidade, meio ambiente, responsabilidade social e relacionamento com comunidades. Reunindo experiências complementares do setor mineral, da academia e da gestão socioambiental, o grupo conduziu um processo criterioso de avaliação, considerando inovação, impacto social, engajamento comunitário, resultados alcançados e potencial de replicação das iniciativas inscritas. A diversidade de perfis e o rigor técnico empregados na análise reforçam a relevância do prêmio como vitrine das práticas mais transformadoras desenvolvidas pela mineração brasileira nos territórios onde atua. 

Ao todo, são cinco categorias, com três finalistas cada. Conheça os projetos selecionados:

Projetos de Responsabilidade Socioambiental Participativa

  • Biofossas: um projeto de saneamento que une saúde e sustentabilidade — Galvani. Desenvolvido em escolas públicas do entorno da operação Angico dos Dias (BA), o projeto implanta sistemas descentralizados de tratamento de esgoto. A solução alia saneamento rural, educação ambiental e melhoria da saúde pública, com forte potencial de replicação.
  • Programa Saúde na Roça — CMOC Brasil. Voltado a comunidades rurais de Catalão e Ouvidor (GO), o projeto leva atendimento médico e odontológico itinerante diretamente à população. A iniciativa amplia o acesso à saúde preventiva, reduz barreiras territoriais e reforça o cuidado continuado com moradores da zona rural.
  • Projeto Mel da Floresta — Votorantim Cimentos. A iniciativa transforma áreas de reserva legal em espaços produtivos para a apicultura sustentável. Além de gerar renda para famílias da região, fortalece a cadeia do mel, estimula a conservação florestal e cria um modelo de desenvolvimento integrado entre biodiversidade e economia local.

Comunicação, Relacionamento e Engajamento com Comunidades

  • AGP Clima — CBA. A iniciativa apoia municípios na construção de políticas públicas voltadas à adaptação climática. Por meio de diagnósticos, capacitação e governança colaborativa, fortalece a capacidade institucional dos territórios frente aos desafios das mudanças climáticas.
  • Mostra Avante — Grupo Avante. Criada para aproximar empresa e comunidade, a Mostra Avante abre as portas das operações minerárias por meio de experiências educativas e interativas. O projeto promove transparência, escuta ativa e uma compreensão mais ampla sobre a atividade mineral.
  • Projeto Patrulha Rural — CMOC Brasil. Com foco em infraestrutura e qualidade de vida no campo, o projeto atende demandas prioritárias das comunidades rurais vizinhas às operações da empresa. As ações fortalecem a logística local, melhoram a mobilidade e ampliam o diálogo entre empresa e território.

Desenvolvimento, Cidadania e Gestão de Renda

  • Campanha de Arrecadação de Alimentos — Mosaic. A maior ação do Programa Voluntários da empresa mobiliza empregados, parceiros e comunidades em 23 territórios. Combinando arrecadação física e digital, a campanha já soma mais de 1.400 toneladas de alimentos doados, com forte impacto social e territorial.
  • Nexa Transforma – Programa de Fortalecimento Institucional — Nexa Resources. Com foco nas organizações sociais rurais de Vazante (MG), o programa busca consolidar capacidades institucionais locais e fortalecer redes comunitárias. O projeto contribui para o desenvolvimento econômico regional e para a construção de um legado positivo no território.
  • Programa Desenvolvimento Rural — Lundin Mining Chapada. A iniciativa fortalece agricultura e pecuária em propriedades vizinhas à mina Chapada, em Goiás. Com assistência técnica e apoio financeiro, contribui para o aumento da produtividade, geração de renda e sustentabilidade econômica das famílias rurais.

Resgate e Valorização de Culturas e Tradições

  • Bordando a Paz em Serra Pelada — Vale. Por meio do bordado, o projeto promove protagonismo feminino, geração de renda e valorização da memória local em Serra Pelada (PA). A iniciativa ressignifica a história do território a partir das vivências das mulheres e fortalece vínculos comunitários.
  • Projeto Encontro de Congadas — CMOC Brasil. A iniciativa valoriza uma das mais tradicionais manifestações culturais populares de Goiás. Ao fortalecer a memória, a ancestralidade e os saberes das Congadas, o projeto contribui para a preservação do patrimônio imaterial e o fortalecimento dos vínculos comunitários.
  • Projeto Raízes – histórias, memórias e identidades afro-indígenas — Galvani. Voltado à educação antirracista e à valorização da diversidade cultural, o projeto reúne formação de educadores, oficinas e ações artísticas em escolas públicas de Irecê (BA). A proposta amplia o reconhecimento das contribuições afro-indígenas na formação do país.

Respeito e Harmonia: Equidade, Diversidade e Inclusão

  • Horta Educa — Mosaic. O programa une educação, segurança alimentar e inclusão por meio de hortas escolares acessíveis. Com eixos pedagógico e de infraestrutura, estimula aprendizagem prática, alimentação saudável e valorização do alimento desde a infância.
  • Projeto Ovos da Vila — Vale. Desenvolvido com mulheres da agricultura familiar, o projeto fomenta a avicultura de postura caipira como ferramenta de autonomia financeira e cooperativismo feminino. A iniciativa fortalece a produção local, amplia renda e promove empoderamento econômico no território.
  • Sala de Acomodação Sensorial — Mosaic. Implantada na rede pública de ensino de Uberaba (MG), a iniciativa cria um ambiente inclusivo voltado ao acolhimento de estudantes neurodivergentes e com deficiência. O espaço oferece suporte ao desenvolvimento cognitivo, motor e emocional, promovendo inclusão escolar efetiva.

Expectativa para a premiação

Os vencedores serão anunciados na tarde de 17 de junho, durante o 11º Mineração & Comunidades, encontro promovido por Brasil Mineral que reúne empresas, especialistas, lideranças comunitárias e representantes institucionais para debater os caminhos da mineração e sua relação com os territórios.

A expectativa é de mais uma edição marcada pela troca de experiências, disseminação de boas práticas e discussão qualificada sobre os desafios e oportunidades do relacionamento entre mineração e comunidades.

Participar é uma oportunidade de conhecer de perto projetos inspiradores como os finalistas desta edição — iniciativas que mostram, na prática, como a mineração pode atuar como agente de desenvolvimento territorial e transformação social.

As inscrições para o evento seguem abertas. Mais informações e programação completa estão disponíveis em mineracaoecomunidades.com.br.

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29/05/2026 04:00h

A receita líquida interna somou R$ 13.918 milhões no mês, 26,6% a menos sobre abril de 2025, enquanto o consumo aparente totalizou R$ 27.765 milhões em abril de 2026, recuo de 20,6%.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) divulgou que o setor registrou faturamento de R$ 21.314 milhões em abril de 2026, uma queda de 14,9 % na comparação com o mesmo mês do último ano. A receita líquida interna somou R$ 13.918 milhões no mês, 26,6% a menos sobre abril de 2025, enquanto o consumo aparente totalizou R$ 27.765 milhões em abril de 2026, recuo de 20,6% quando comparado a abril do último ano. As exportações renderam US$ 1.471,55 milhão, um crescimento de 42,7% quando comparado a abril de 2025, enquanto as importações somaram US$ 2.640,07 milhões, um aumento de 1,8% sobre abril do último ano. Com isto, o setor fechou o mês com déficit de US$ 1.168,52 milhão, 25,1% superior ao registrado um ano antes. A Abimaq registrou 415,2 mil pessoas nos postos de trabalho em abril de 2026, um decréscimo de 0,2% na comparação com abril do ano passado.

No primeiro quadrimestre de 2026, o faturamento alcançou R$ 83.087milhões, um recuo de 12% sobre o mesmo período de 2025. Já a receita líquida interna e o consumo aparente somaram R$ 60.378 milhões e R$ 118.7 milhões até abril, o que correspondem a quedas de 16,2 e 13,7%, respectivamente.

As vendas externas alcançaram US$ 4.381 milhões, enquanto as importações ficaram em US$ 10.778 milhões, o que significam altas de 17,1% e 3,6% na comparação com os quatro meses iniciais de 2025. O setor fechou o primeiro quadrimestre com déficit de US$ 6.397 milhões, um decréscimo de 4%. Os postos de empregos, em média, somaram 417,3 mil no primeiro quadrimestre de 2026, um aumento de 2,1% sobre o mesmo período do ano passado.

Além da intensidade da queda nos investimentos em máquinas, o dado do mês de abril preocupa pela sua abrangência. O mês registrou recuo tanto na aquisição de máquinas nacionais (-26,6%) quanto importadas (-13,5%), o que indica um enfraquecimento mais disseminado do investimento produtivo e sugere que a atividade produtiva nacional entrou em uma etapa de demanda estruturalmente mais baixa. O principal vetor para queda da receita líquida continua sendo o mercado doméstico e nele a forte retração dos investimentos ligados à agricultura e à indústria de transformação. Esses segmentos concentram atividades mais dependentes de crédito e vem sendo duramente impactados pelo ambiente mais restritivo de crédito e por juros extremamente elevados. Ademais, a persistência da política monetária restritiva vem produzindo efeitos cumulativos sobre a atividade. O problema já não se resume ao encarecimento do capital de giro e investimentos produtivos: há deterioração da capacidade de investimento das empresas, aumento da cautela na tomada de decisão e priorização de liquidez em detrimento da expansão produtiva.

As exportações avançaram em grande parte por causa de uma base de comparação muito deprimida no início de 2025, especialmente nos Estados Unidos. Na comparação com o último quadrimestre de 2025, houve queda de 20,5%, com a média mensal exportada passando de US$ 1,4 bilhão para US$ 1,1 bilhão no primeiro quadrimestre de 2026. Além disso, o crescimento de abril foi fortemente influenciado pela entrega de um grande projeto destinado a Singapura, envolvendo fabricantes ligados à infraestrutura e componentes industriais, ou seja, trata-se de um movimento concentrado. Outro aspecto importante é que a valorização do real — de cerca de 10,8% no período — continua reduzindo o impacto positivo das exportações sobre a receita em moeda local. Assim, mesmo com crescimento em dólares e em volume, o setor segue vendo sua receita em reais pressionada. Já as importações de máquinas e equipamentos iniciaram 2026 representando 49% do consumo nacional, participação cerca de 1,5 ponto percentual acima da observada em 2025 e 3,6 pontos percentuais acima de 2024. Os dados recentes indicam perda contínua de participação da produção local no mercado doméstico.

As importações mantiveram a tendência recente, com a China como principal país de origem, seguida por Estados Unidos e Alemanha. No acumulado de janeiro a abril de 2026, o crescimento de 3,6% das importações foi puxado pelo avanço das compras de produtos chineses, que aumentaram 13,7%. Em contrapartida, as importações originárias dos demais países recuaram 1,4%. Entre os produtos importados da China, destacaram-se as máquinas voltadas à logística e à construção civil, com alta de 46,2%, além dos equipamentos destinados à indústria de transformação e à agricultura, cujas importações cresceram 19,2% e 19,9%, respectivamente.

O nível de utilização da capacidade instalada caiu para 78,9% em abril, interrompendo a melhora observada em março. Ainda assim, permanece acima do registrado no mesmo período do ano anterior, o que sugere que o ajuste da produção ocorre de forma gradual. A carteira de pedidos ficou estável em 9 semanas, mas segue 4,1% abaixo do nível de abril de 2025. No acumulado do ano, a queda é de 4,8%, sinalizando que o enfraquecimento da demanda deve continuar pressionando as receitas ao longo dos próximos meses. Os dados de abril reforçam a percepção de que a melhora observada em março não representava uma inflexão do ciclo. O setor segue operando sob forte restrição doméstica, baixa confiança para novos investimentos e crescente pressão competitiva externa.

Há, hoje, três movimentos simultâneos em curso: Enfraquecimento persistente da demanda doméstica, especialmente nos segmentos mais dependentes de crédito; Exportações positivas, mas insuficientes compensar a retração interna e Continuidade da perda de participação da indústria nacional, mesmo em um ambiente de desaceleração econômica. Nesse cenário, a indústria de máquinas e equipamentos parece caminhar para um período de queda na atividade produtiva. Setores produtores de bens de capital para fins industriais, não seriados, seguem relativamente mais resilientes, enquanto fabricantes de bens de capitais de uso industrial, seriado, e de uso agrícolas continuam concentrando as maiores quedas.

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