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Baixar áudioMais de 550 mortos, 700 feridos e uma fissura no regime. Esse é o resultado de momento do ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Além das vidas diretamente afetadas, há também impactos indiretos, com pessoas presas nas zonas de conflito no Oriente Médio, impedimento de deslocamento e impossibilidade de comunicação com parentes, devido ao bloqueio de internet e sinal telefônico.
Brasileiros que estavam na região durante os ataques relatam momentos de tensão. Enquanto alguns contam receber constantes avisos sobre o disparo de novos mísseis, outros dizem ter perdido contato com parentes que vivem nos países envolvidos. Cerca de 52 mil brasileiros moram em áreas consideradas de risco, segundo levantamento do Ministério de Relações Exteriores, que recomenda aos cidadãos ficarem em casa e evitar aglomerações.
Se a posição geográfica desses brasileiros é arriscada, a posição diplomática do Brasil se mostra vantajosa. Para a professora de Relações Internacionais do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Fernanda Medeiros, o país pode assumir papel central como mediador do impasse. “O Brasil tem bom trânsito com os americanos e com os iranianos, só não tem um trânsito muito bom com Israel por causa da nossa posição em relação à Palestina. Mas o Brasil tem também bom trânsito com os europeus, Rússia e China. Então, se destaca imediatamente como um ator de relevância por não estar diretamente envolvido no conflito e por ter uma visão mais objetiva do que está acontecendo”, avalia.
O governo brasileiro condenou o ataque que resultou na morte do ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do regime muçulmano iraniano, em meio a negociações para o fim do programa nuclear do país. "O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil", ressalta a nota divulgada pelo Itamaraty.
Medeiro pontua que a posição pacifista e crítica ao uso da violência é uma posição histórica da representação internacional brasileira, e que não significa assumir lados no conflito. “Para nós é fundamental que o conflito não se alargue, não só por questões econômicas, não só pela questão do petróleo – que é muito importante também –, mas porque esses conflitos todos significam, na verdade, um aumento da insegurança no mundo todo”, alerta.
A balança comercial entre Brasil e Irã não é muito relevante. Em 2025, os países movimentaram US$ 3 bilhões, sendo US$ 2,9 bilhões em compras iranianas de produtos agrícolas brasileiros, o que representa menos de 1% de todas as exportações nacionais. Mas as repercussões econômicas do conflito vão muito além disso.
“O Irã é um produtor de petróleo muito relevante, mas os outros países que ele atacou também são: Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. O Estreito de Ormuz é muito importante para a passagem do petróleo extraído ali na região, então fechar aquela parte do Golfo causaria danos imediatos à economia global”, analisa Medeiros.
Foi justamente o que ocorreu. Como controlador do Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, o Irã fechou a passagem após os ataques. Ali passam cerca de 25% da produção de petróleo bruto do mundo, por isso o preço do combustível disparou nesta segunda-feira (2).
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Baixar áudioO presidente dos Estados Unidos já mostrou que não vai desistir das tarifas comerciais como arma política. Mesmo após a Suprema Corte norte-americana suspender a taxa extra de 50% sobre mercadorias estrangeiras, Donald Trump anunciou um novo imposto de importação global de 15% contra países com práticas consideradas por ele como desleais.
Mas para Lucas Portela, professor de Relações Internacionais do Centro Universitário de Brasília (CEUB), o verdadeiro motivo da guerra tarifária de Trump é a corrida por influência travada entre os Estados Unidos e a China. “Principalmente porque agora alguns comércios estratégicos acabam também sendo alvos dessa disputa. Então nós estamos falando, por exemplo, de terras raras, de minerais necessários principalmente para implementação de tecnologias, entre outros, que têm incomodado bastante os Estados Unidos”, avalia o pesquisador.
A medida tem validade por 150 dias. Após esse período, o Congresso norte-americano precisa validar a política ou então suspendê-la. Segundo Portela, a tendência é que o movimento dos Estados Unidos leve a uma nova onda de negociações de acordos bilaterais, mesmo com países que firmaram tratados recentemente. Há a possibilidade, ainda, de uma reorganização dos fluxos comerciais, com as nações procurando parceiros mais estáveis do que os Estados Unidos.
Isso se a tarifa não for derrubada judicialmente antes disso. A justificativa utilizada por Trump para impor a sanção foi o desequilíbrio da balança comercial norte-americana, ou seja, o país adquire muito mais mercadorias do que vende. Ricardo Inglez de Souza, especialista em Comércio Internacional e Direito Econômico, entende que esse é um argumento frágil. “Porque o déficit na balança comercial e de pagamentos dos Estados Unidos é um fato histórico e é assim que a balança funciona há décadas. Então, seria difícil o governo conseguir sustentar essa fundamentação, por exemplo, numa discussão perante a OMC [Organização Mundial do Comércio]”, afirma.
Até a decisão judicial da última sexta-feira (20), cerca de 20% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estavam sobretaxadas. Eram mais de mil produtos na lista, com destaque para as indústrias têxtil, de calçados, de máquinas e equipamentos, e de produtos processados de madeira, como móveis.
A queda desse imposto de importação tinha potencial bilionário sobre os embarques nacionais. Cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que a suspensão das tarifas adicionais poderia isentar os produtos brasileiros em até US$ 21,6 bilhões, considerando dados da Comissão de Comércio Internacional dos EUA (USITC, na sigla em inglês) de 2024, quando não havia incidência de sobretaxa.
Mesmo com a nova tarifa de 15%, o cenário para os exportadores brasileiros melhora significativamente. Um relatório da Global Trade Alert, organização independente que monitora políticas de comércio internacional, estima que as tarifas médias sobre produtos do Brasil caiam 13,6 pontos percentuais, a maior redução para qualquer país que faz comércio com os Estados Unidos.
Para Inglezm, o tempo também é outro ativo importante que os empresários brasileiros ganharam. “É também uma forma da indústria se preparar e tentar organizar uma ação diplomática para que, ao final dos 150 dias, não venha outra medida, ou venha uma medida modulada de uma forma mais inteligente, mais eficiente, sobre a perspectiva brasileira, obviamente.”
A avaliação também é positiva dentro do governo brasileiro. Autoridades veem as mercadorias nacionais em pé de igualdade competitiva em relação aos concorrentes, pelo menos no quesito tarifário, já que a taxa de 15% é aplicada igualmente a todos os países. Além disso, a viagem de Lula à Washington no mês que vem é tratada como oportunidade para estreitar laços e avançar nas negociações de possíveis isenções.
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Baixar áudioDurante a Conferência de Ministros da Agricultura das Américas 2025, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, assumiu a presidência da Junta Interamericana de Agricultura (JIA). A posse ocorreu nesta terça-feira (4) em Brasília (DF), e marcou o início da 23ª Reunião Ordinária da JIA, que acontece até esta quarta (5).
Com o tema “Uma nova narrativa para a agricultura e os sistemas agroalimentares das Américas”, o encontro busca consolidar uma estratégia conjunta que posicione o continente como protagonista global na segurança alimentar, conservação ambiental e segurança energética.
Fávaro sucede o ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai, Luis Alfredo Fratti Silveira, e, na cerimônia de posse, ressaltou o papel estratégico do Brasil na formulação de políticas voltadas aos eixos centrais da conferência.
“Celebramos não apenas uma agenda institucional, mas reafirmamos nosso compromisso coletivo com o desenvolvimento sustentável, a segurança alimentar e o bem-estar das populações rurais do nosso continente”, destacou.
O evento é promovido pelo Governo do Brasil em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), fundado em 1942. O diretor-geral do IICA, Manuel Otero, evidenciou que o encontro inaugura uma nova fase para o setor: “Uma narrativa que fale de modernidade, sustentabilidade, inovação digital e biológica, responsabilidade e compromisso social.”
A programação inclui palestras e fóruns com especialistas, representantes do setor privado e autoridades do agronegócio.
Durante o evento, também será realizada a eleição do novo diretor-geral do IICA para o mandato 2026-2030, com posse prevista para janeiro do próximo ano.
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Baixar áudioNo contexto dasnegociações do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) participou do evento “Brasil e a União Europeia: desafios e perspectivas comuns”, realizado no Parlamento Europeu, em 16 de outubro.
No evento, o chefe de Assuntos Estratégicos da ApexBrasil na Europa, Aloysio Nunes, ressaltou o papel estratégico da agência na preparação de empresas brasileiras para atender às exigências do mercado europeu. Segundo ele, as exportações do país já seguem padrões elevados, demonstrando o compromisso do Brasil com a sustentabilidade e a qualidade.
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Nunes também destacou a relevância da parceria comercial entre Brasil e União Europeia. O bloco é responsável pelo segundo maior estoque de investimento direto no país e representa o segundo maior fluxo comercial brasileiro. Para ele, a assinatura do acordo de livre comércio com a União Europeia aprofundaria ainda mais essa cooperação.
“Com esse acordo, essa relação vai ficar mais forte ainda, porque as nossas exportações terão acesso a um mercado de 450 milhões de pessoas, pessoas com poder aquisitivo alto, e as nossas exportações vão entrar no mercado europeu pagando muito menos tarifa do que pagam hoje. Mais de 90% das nossas exportações entrarão na Europa ou com tarifa zero, ou com tarifa reduzida em relação à tarifa atual”, afirmou.
“Este acordo não se resume apenas à prosperidade comercial ou econômica. Ele também reforça valores e princípios que compartilhamos: democracia, direitos humanos, liberdades fundamentais, inclusão social e desenvolvimento sustentável”, complementou.
Em dezembro de 2024, líderes do MERCOSUL e da União Europeia anunciaram a conclusão das negociações do Acordo de Parceria entre os dois blocos de países. O anúncio, feito Montevidéu, permite a preparação dos textos do acordo para as fases de assinatura e ratificação.
Dados divulgados pelo Ministério das Relações Exteriores revelam que, juntos, MERCOSUL e UE reúnem aproximadamente 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de US$ 22 trilhões.
Considerado um dos maiores acordos bilaterais de livre comércio do mundo, a iniciativa reforçará a diversificação das parcerias comerciais do Brasil, ativo de natureza estratégica para o país, além de fomentar a modernização do parque industrial brasileiro, integrando-o às cadeias produtivas da União Europeia.
O acordo também permite a criação de mecanismo de reequilíbrio de concessões. Com isso, a relação entre ambos os blocos econômicos dá mais garantia e segurança aos exportadores, caso medidas internas da União Europeia comprometam o uso efetivo de vantagens obtidas no acordo.
O ministério também ressaltou que o acordo traz compromissos inovadores, equilibrados e alinhados aos desafios do cenário econômico internacional. Confira alguns deles:
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Baixar áudioA missão empresarial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aos Estados Unidos foi concluída nesta quinta-feira (4), em Washington, com avaliação positiva por parte do presidente da entidade, Ricardo Alban. Segundo ele, os encontros abriram espaço para negociações que podem contribuir para reduzir ou flexibilizar as tarifas impostas às exportações brasileiras.
“Faço um balanço muito positivo. Resumindo em duas palavras: missão cumprida”, declarou Alban. Mas, o dirigente completa que ainda há trabalho a ser feito. “A missão continua. Realizamos um trabalho de diplomacia empresarial, que garante as soluções de continuidade necessárias. [Nosso papel] É sermos facilitadores de uma mesa de negociação, seja para [discutir] redução de tarifas, para exceções ou para novas oportunidades”, relatou.
Entre os temas apresentados pela CNI aos norte-americanos estão projetos de produção de Combustível Sustentável da Aviação (SAF), uso da energia renovável brasileira para data centers e exploração de minerais críticos e terras raras. “Toda crise gera desafios. Todos os desafios geram oportunidade. Dentro desse conceito, trouxemos nesta missão três segmentos que podem ser explorados, que são de fortes interesses mútuos”, destacou o presidente da CNI.
A comitiva reuniu 130 empresários, dirigentes de federações estaduais e líderes de associações industriais dos setores mais afetados pelo tarifaço. Ao longo de três dias, participaram de encontros com parlamentares, representantes do governo norte-americano e empresários locais, além da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Cecília Ribeiro Viotti.
O embaixador Roberto Azevêdo, consultor da CNI, representou a entidade na audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que investiga práticas comerciais brasileiras. “Ficou evidente que o papel do setor privado é muito importante, sobretudo fazendo contatos com as congêneres americanas. Esse diálogo que nós mantivemos foi muito importante para identificar as sinergias que existem entre os setores produtivos do Brasil e dos Estados Unidos”, avaliou Azevêdo.
Dados da confederação revelam que as tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos impactam cerca de US$ 33 bilhões das exportações brasileiras, em 6 mil produtos. O aumento atinge todos os setores da indústria de transformação, exceto coque, derivados de petróleo e biocombustíveis.
Brasil e Estados Unidos mantêm uma parceria econômica sólida, construída ao longo de mais de 200 anos. Segundo a CNI, nos últimos dez anos, os EUA acumularam um superávit de US$ 91,2 bilhões no comércio de bens com o Brasil, valor que chega a US$ 256,9 bilhões quando incluídos os serviços.
Além disso, a entidade destaca outros resultados gerados pela parceria econômica entre Brasil e EUA:
A parceria também é reforçada pelos investimentos. Entre 2013 e 2023, os EUA foram o principal destino de projetos greenfield brasileiros (aqueles em que empresas estrangeiras iniciam operações no território nacional, a partir do zero), com 142 implantações produtivas anunciadas.
Entre os setores mais afetados da indústria nacional, o de máquinas e equipamentos já sente os efeitos da tarifa de 50% imposta pelos EUA. De acordo com a diretora-executiva de Mercado Externo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Patrícia Gomes, a situação ameaça diretamente a competitividade das empresas brasileiras.
“A tarifa praticada atualmente já é inviável para os exportadores. Acho que o aumento não vai mudar o status, os 50% já são inviáveis para a relação de comércio com os Estados Unidos. Já vemos as empresas com contratos suspensos, com revisão de contratos ou que já estão recolhendo a tarifa, a depender da negociação feita com o cliente, ou até mesmo postergação de entregas. Então, as empresas que exportam já percebem o impacto da tarifa nos seus negócios em relação às exportações”, afirmou Patrícia Gomes, uma das participantes da missão.
A representante relata que a entidade tem atuado em duas frentes: buscar medidas junto ao governo brasileiro – como linhas de crédito, capital de giro e postergação de tributos – e manter o diálogo com os americanos para tentar reduzir as alíquotas. “O que temos de fato solicitado ao governo é continuar buscando a negociação com o governo americano, para termos redução da tarifa ou exceção de produtos do setor, para viabilizarmos o comércio com os Estados Unidos. Esse é o principal objetivo para garantirmos uma competitividade do setor”, pontuou.
Para a Abimaq, a participação na missão organizada pela CNI amplia as oportunidades de aproximação com o setor privado norte-americano, parlamentares e autoridades. “É uma primeira ação – de muitas – que o setor empresarial brasileiro terá que fazer para reduzir a tarifa a um patamar executável, para o setor industrial conseguir exportar e conseguir restabelecer uma relação comercial produtiva com os Estados Unidos”, concluiu a diretora-executiva da associação.
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Baixar áudioO embaixador Roberto Azevêdo, consultor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), fez a defesa da indústria brasileira durante audiência pública no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), nesta quarta-feira (3). A sessão faz parte da investigação aberta em julho com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, que analisa se atos ou práticas de outros países são injustificáveis ou restritivas ao comércio dos EUA.
Na sustentação oral, Azevêdo afirmou que os comentários já enviados pela CNI demonstram de forma clara que o Brasil não adota medidas discriminatórias ou prejudiciais. “A noção de que o Brasil está agindo deliberadamente de forma a prejudicar os Estados Unidos é totalmente infundada. Simplesmente não há evidências de que os atos, políticas e práticas em questão discriminem ou prejudiquem injustamente as empresas americanas. Ao contrário, os fatos mostram que as empresas americanas, em geral, se beneficiaram das políticas brasileiras”, destacou.
A investigação norte-americana envolve seis áreas: comércio digital, meios de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal. Em seu pronunciamento, Azevêdo apresentou argumentos sobre cada um dos pontos e reforçou que o Brasil tem avançado em marcos regulatórios, combate à corrupção, proteção ambiental e garantias jurídicas.
Na audiência, embaixador Roberto Azevêdo também ressaltou a relevância estratégica da relação bilateral. “Somos as duas maiores democracias deste hemisfério. Deveríamos estar conversando um com o outro, não brigando um com o outro. Quaisquer problemas devem ser resolvidos por meio de diálogo e cooperação contínuos. A CNI apoia iniciativas que fortaleçam os laços entre os Estados Unidos e o Brasil, promovam o crescimento econômico e melhorem as condições de mercado em ambos os países”, afirmou.
O presidente da entidade, Ricardo Alban, ressaltou que os principais argumentos da confederação para as acusações são os fatos. “No caso do etanol, temos uma relação de muitos anos, somos os dois maiores produtores do mundo. Hoje, o etanol é uma grande matéria-prima para a produção do SAF [Combustível Sustentável de Aviação]. Temos que desmistificar também os problemas do desmatamento, dos meios de pagamento – no caso do PIX –, desmistificar o problema de talvez nós não termos as devidas cobranças na parte do Judiciário e mais outros pontos comerciais que são importantes para que a gente possa ter realmente a explicação baseada sempre em elementos, em estatísticas, na condição econômica e comercial.”
A audiência pública no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos compõe a agenda da missão empresarial liderada pela CNI a Washington. O objetivo é abrir canais de diálogo e contribuir com as negociações para reverter ou reduzir o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A comitiva reúne cerca de 130 empresários, dirigentes de federações estaduais e representantes de associações industriais.
A agenda vai até esta quinta-feira (4), com reuniões no Capitólio, encontros bilaterais com instituições parceiras, plenária com representantes do setor público e privado dos dois países.
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Baixar áudioA Confederação Nacional da Indústria (CNI) lidera, nesta quarta (3) e quinta-feira (4), uma missão empresarial a Washington (EUA), com o objetivo de abrir canais de diálogo e contribuir com as negociações para reverter ou reduzir o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A comitiva reúne cerca de 130 empresários, dirigentes de federações estaduais e representantes de associações industriais.
A agenda inclui reuniões no Capitólio, encontros bilaterais com instituições parceiras, plenária com representantes do setor público e privado dos dois países e audiência pública na US International Trade Commission, no âmbito da investigação aberta pelo governo americano contra o Brasil, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O processo avalia práticas comerciais em áreas como comércio digital, serviços de pagamento, tarifas preferenciais, etanol e questões ambientais.
“Estamos trabalhando de forma profissional, eminentemente de forma particular, privada e empresarial. Nesse momento, é muito delicado que nós possamos ter qualquer vontade ou qualquer determinação de aplicar a lei da reciprocidade. Temos momentos tensos, na geopolítica, mas o que nós queremos mesmo é que não seja precipitada nenhuma decisão em que possamos ter essa tratativa e a busca do bom senso”, declarou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Entre os setores mais afetados pelo tarifaço e que estarão representados na missão estão máquinas e equipamentos, madeira, café, cerâmica, alumínio, carnes e couro. Grandes empresas como Embraer, Stefanini, Novelis, Siemens Energy e Tupy também integram a comitiva.
A comitiva conta com a participação de dirigentes de oito federações estaduais da indústria: Goiás (FIEG), Minas Gerais (FIEMG), Paraíba (FIEPB), Paraná (FIEP), Rio de Janeiro (FIRJAN), Rio Grande do Norte (FIERN), Santa Catarina (FIESC) e São Paulo (FIESP).
No dia 3 de setembro, a CNI, representada pelo embaixador Roberto Azevêdo, participará de uma audiência pública no âmbito da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O processo foi aberto com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que autoriza o governo norte-americano a apurar se políticas ou práticas de outros países configuram barreiras injustas, discriminatórias ou restritivas ao comércio dos EUA.
Os EUA abriram investigação contra o Brasil em julho, englobando temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, incluindo desmatamento ilegal.
A CNI, como representante oficial da indústria nacional, apresentou defesa técnica, afirmando que o Brasil não adota práticas desleais ou discriminatórias capazes de prejudicar a competitividade das empresas norte-americanas. A entidade ressalta que não há fundamento jurídico ou factual para justificar novas tarifas e lembra que o comércio bilateral é historicamente benéfico para ambos os países, com superávit para os EUA e tarifas em níveis baixos.
A entidade também reforça que medidas unilaterais enfraquecem a parceria estratégica construída ao longo de décadas e defende que as divergências sejam tratadas por meio de diálogo bilateral e cooperação técnica, considerados pela entidade como os caminhos mais eficazes para alcançar resultados de interesse comum.
Estudos da CNI já alertaram que as tarifas adicionais podem gerar um impacto negativo de até R$ 20 bilhões no PIB brasileiro e a perda de 30 mil empregos. Atualmente, 77,8% da pauta exportadora brasileira para os EUA enfrentam sobretaxas, atingindo principalmente setores de vestuário, máquinas e equipamentos e produtos têxteis.
Mesmo com a pressão gerada pelo cenário político, Alban busca equilíbrio para o Brasil não perder a razão nas negociações. “Óbvio que o cenário não é tão favorável, que nós temos muitas pressões, mas precisamos ter um conceito, soberania também tem a ver com o bem-estar de todos, com o bem-estar da sociedade, com o bem-estar do setor produtivo. Isso não significa, de modo nenhum, perder a soberania, mas não vamos perder a razão”, pontuou.
Para mitigar os efeitos da crise no Brasil, a CNI também entregou ao governo federal um conjunto de propostas que inclui linhas de crédito subsidiadas, postergação de tributos e medidas trabalhistas para preservação de empregos.
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Baixar áudioA confiança da indústria exportadora brasileira desabou após a entrada em vigor do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. De acordo com levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do setor exportador caiu de 50,2 pontos, em junho, para 45,6 pontos em agosto, sinalizando a mudança do otimismo para o pessimismo.
O ICEI varia até 100 pontos, sendo que valores abaixo de 50 indicam falta de confiança. A queda foi puxada principalmente pelo Índice de Expectativas, que mede a percepção em relação aos próximos seis meses, e recuou de 52,2 pontos para 47,2 pontos no período.
“As taxas de juros elevadas penalizam o consumo dentro do país. Mas as empresas exportadoras, com a opção de vender para o exterior, contornavam a queda da demanda no mercado doméstico e, por isso, mostravam confiança superior à média da indústria”, explica Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
Além da queda de confiança, um outro estudo da entidade mostra a dimensão do problema. Atualmente, 77,8% da pauta exportadora brasileira destinada aos Estados Unidos enfrenta tarifas extras, algumas chegando a 50%. Os setores mais impactados são vestuário e acessórios (14,6%), máquinas e equipamentos (11,2%) e produtos têxteis (10,4%).
Segundo a CNI, caso as sobretaxas sejam ampliadas, o efeito pode representar um impacto negativo de R$ 20 bilhões no PIB brasileiro e a perda de cerca de 30 mil empregos na indústria.
A CNI está à frente de uma missão empresarial, em Washington (EUA), nos dias 3 e 4 de setembro, voltada a abrir canais de diálogo e buscar a redução das tarifas extras impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A comitiva reúne cerca de 130 empresários e representantes de entidades industriais.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, destaca que a entidade busca diálogo e equilíbrio na relação bilateral. “A proposta eminentemente de empresários para buscarmos lá nos Estados Unidos, a busca de uma relação tão longeva que é a relação bilateral, comercial, cultural, social e econômica entre o Brasil e os Estados Unidos, há mais de 200 anos. Esperamos poder chegar e encontrar um ambiente favorável, onde toda essa questão possa ser feita em uma mesa de negociação e que possamos sensibilizar não só os Estados Unidos, mas mesmo o Brasil nessa complementariedade que nós temos, que é o setor industrial, que é a exportação e importação de produtos manufaturados”, afirmou.
A entidade já apresentou ao governo federal um conjunto de propostas para reduzir os efeitos da crise, entre elas linhas de crédito subsidiadas, postergação de tributos e medidas trabalhistas para preservar empregos.
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Baixar áudioO presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, apresentou ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, a agenda da missão empresarial que será realizada em Washington, nos dias 3 e 4 de setembro. O objetivo é sensibilizar empresários e o governo dos Estados Unidos, e fortalecer a defesa comercial do Brasil diante da investigação aberta pelos Estados Unidos, com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que prevê sobretaxa de 50% sobre exportações brasileiras.
“A nossa estratégia de reunião, para que não haja nenhum tipo de dicotomia, muito pelo contrário, nós temos que ser um pouco mais convergentes nesse momento, para que tenha uma unicidade. Também a nossa estratégia de tentar buscar o máximo de novas associações possíveis, aquelas que são efetivamente de interesse americano para se sensibilizar de uma forma mais rápida e que talvez não tenham sido contempladas porque não têm representatividade financeira, mas para muitas pequenas indústrias aqui tem uma grande representatividade”, afirmou Alban.
A comitiva reunirá associações setoriais, federações estaduais e grandes empresas para ampliar o diálogo com o governo e o setor produtivo norte-americano. A estratégia inclui buscar exceções à regra tarifária, ampliar a lista de produtos beneficiados e apresentar propostas de cooperação em áreas de interesse mútuo, como biocombustíveis, data centers e minerais críticos.
A programação prevê reuniões na Embaixada do Brasil em Washington, encontros com escritórios de advocacia e lobby, diálogos com lideranças da US Chamber of Commerce e autoridades americanas, além de uma plenária empresarial. A agenda inclui ainda participação em audiência pública no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), onde o Brasil reforçará sua posição.
Além da missão, a CNI discute com o governo federal contribuições para a medida provisória que busca mitigar os efeitos do tarifaço. A confederação pretende conversar com o Congresso Nacional sobre o plano de compensação destinado aos exportadores, que prevê R$ 9,5 bilhões fora do arcabouço fiscal. “Nós temos algumas sugestões, para que a gente possa deixar esses R$ 9,5 bilhões dentro do arcabouço, dando uma referência positiva ao mercado, de credibilidade, que possamos evoluir”, pontua Alban.
“O momento agora é que nós vamos tratar o assunto eminentemente de forma técnica e comercial. Nós queremos evitar possíveis dicotomias nos approaches, nos posicionamentos, mas sempre de uma forma técnica e comercial, para que a gente possa estimular a mesa de negociação”, conclui o presidente da CNI.
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Baixar áudioA Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou, na segunda-feira (18), um documento formal em defesa do Brasil no processo aberto pelo governo dos Estados Unidos, com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. A manifestação, assinada pelo presidente da CNI, Ricardo Alban, foi enviada ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e busca contestar alegações de que o país adota práticas comerciais injustificáveis, discriminatórias ou restritivas.
A investigação foi aberta em julho e reúne seis pontos de preocupação apontados pelos EUA: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, aplicação de leis anticorrupção, propriedade intelectual, mercado de etanol e desmatamento ilegal. Se confirmadas, as alegações poderiam justificar a aplicação de tarifas adicionais ou outras medidas restritivas contra exportações brasileiras.
No documento, a CNI argumenta que não há base jurídica ou factual para que sejam impostas medidas contra o Brasil. A entidade destaca que o comércio bilateral é mutuamente benéfico, com superávit para os EUA, tarifas baixas e empresas norte-americanas operando em condições de igualdade.
Segundo a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, a manifestação tem respaldo amplo do setor produtivo. “A CNI apresenta uma contribuição endossada por mais de 40 entidades empresariais com suas próprias manifestações e mostramos com dados concretos e evidências que o Brasil não adota práticas injustificáveis ou que discriminam as operações das empresas americanas e o nosso relacionamento comercial com os Estados Unidos. Reforçamos que medidas restritivas só podem trazer prejuízos a uma relação que é historicamente de benefícios mútuos e entendemos que o caminho certo é o do diálogo, da cooperação entre Brasil e Estados Unidos e continuaremos trabalhando nesse sentido”, afirmou.
Entre os pontos questionados, a CNI defendeu:
A CNI também indicou o embaixador Roberto Azevêdo como representante da instituição na audiência do processo, marcada para setembro.
A Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974, autoriza o governo norte-americano a investigar práticas de outros países consideradas injustas ou discriminatórias em relação ao comércio com os EUA.
No caso do Brasil, o processo foi aberto em 15 de julho de 2025. Caso se confirme a existência de práticas desleais, o governo norte-americano pode adotar medidas que vão de negociações bilaterais à imposição de tarifas adicionais e sanções comerciais.
Confira a íntegra do documento apresentado pela CNI ao USTR.
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