Energia

08/08/2022 18:13h

Recursos poderão ser captados no mercado privado por meio da emissão de debêntures incentivadas

Baixar áudio

A concessionária dos serviços de iluminação pública de Assis (SP), a Stylux Greentech Sistemas de Iluminação e Energia S.A., poderá captar até R$ 9,5 milhões, por meio de debêntures incentivadas, para a melhoria da eficiência energética do parque de iluminação pública do município. A portaria que autoriza a ação foi publicada na edição desta segunda-feira (8) do Diário Oficial da União (DOU).

Os recursos serão usados na eficientização, expansão e modernização das luminárias. Com isso, busca-se melhoria na segurança pública e qualidade de vida, além da redução dos gastos com operação e manutenção da rede. Mais de 105 habitantes serão atendidos pelas intervenções.

“A emissão de debêntures é um mecanismo importante para a captação de investimentos para obras de infraestrutura, não apenas de iluminação pública, mas também de saneamento básico, irrigação e mobilidade urbana”, afirma o secretário de Fomento e Parcerias com o Setor Privado do MDR, Fernando Diniz.

As debêntures são títulos privados de renda fixa que permitem às empresas captarem dinheiro de investidores para financiar seus projetos. No caso das incentivadas, os recursos são empregados necessariamente em obras de infraestrutura e há isenção ou redução de Imposto de Renda sobre os lucros obtidos pelos investidores.

Copiar o texto
25/07/2022 04:00h

Previsão da Abrasol leva em conta a estimativa de crescimento de 30% da produção do setor este ano

Baixar áudio

O número de empregos no setor de energia solar térmica deve crescer 22% em 2022. É o que prevê a Associação Brasileira de Energia Solar Térmica (Abrasol). Atualmente, o ramo emprega 42 mil trabalhadores direta e indiretamente. Desses, 6 mil foram admitidos em 2021 devido ao aumento da demanda.

Segundo o presidente da Abrasol, Luiz Antônio dos Santos Pinto, este ano, o setor deve crescer em torno de 30%. “Para suprir esse aumento de produção e de instalação, nós vamos precisar de mais pessoas produzindo. O nosso fornecedor de matéria-prima, que nos fornece mais, com certeza vai gerar mais emprego. A indústria de fabricação precisa contratar para poder atender esse aumento de produção. E também instaladores, projetistas; tudo está envolvido.”

Ainda de acordo com a Abrasol, no ano passado, foram comercializados 201.398 reservatórios de água utilizados na produção de energia solar térmica, um aumento de 18,1% na comparação com 2020. Já o volume de produção de coletores solares térmicos somou 1,81 milhão de metros quadrados em 2021, 28% a mais que em 2020.

O professor de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB), Ivan Camargo, defende que a energia solar térmica seja cada vez mais utilizada para racionalizar o consumo de energia elétrica, em um país tropical como o Brasil.

“Muita gente, assim como eu, considera um desperdício usar energia elétrica para esquentar água. Portanto, usar a energia térmica solar, em um país como o nosso, que tem muito sol e muito calor, é uma forma de racionalizar o uso da energia. Isso de certa forma explica esse crescimento do uso da energia térmica no nosso país.”

Diferentemente da energia solar fotovoltaica, que gera eletricidade a partir dos raios solares, a energia solar térmica utiliza o calor do sol para aquecer a água dos edifícios residenciais, comerciais e industriais. Por isso, ela não depende da rede elétrica.

“As pessoas vão tomar banho à tarde e à noite, mesmo dentro do horário de ponta, e não vai impactar em nada na rede elétrica. Então, essa é a grande vantagem para economizar energia”, explica o presidente da Abrasol.

O brasiliense Maikon Lucas de Oliveira instalou um aquecedor solar na piscina da chácara da família. Ele explica que a escolha do equipamento levou em conta a economia de energia.

“Como é chácara, tem muito uso de energia com bomba de poço, chuveiro elétrico, geladeira. E o aquecimento elétrico poderia ser um aumento de despesa. Então, por um lado econômico, optamos por colocar o aquecimento solar.”

Preço, tecnologia acessível e consciência ambiental levaram ao crescimento exponencial da energia solar no Brasil, afirma Absolar

ENERGIA SOLAR: Tecnologia "radicalmente nova" para gerar eletricidade

Unidade totalmente suprida com energia solar

Capacitação de profissionais

Para atender ao aumento da produção de energia solar térmica, o presidente da Abrasol recomenda capacitar a mão de obra do setor. 

“O aquecedor solar é um produto técnico. Não é um eletrodoméstico que pluga na tomada e põe para funcionar. Existe todo um conhecimento, desde o dimensionamento, projeto, instalação e manutenção. Então, o profissional que vai fazer essa instalação precisa observar muitos dados. Os coletores solares térmicos e o reservatório térmico solar precisam estar em determinadas posições, para poder ter um melhor desempenho, principalmente no inverno. Alinhamento de tubulação, isolamento térmico, tudo isso afeta a eficiência do produto”, explica.

O professor Ivan Camargo também recomenda a capacitação de profissionais para aumentar o aproveitamento de energia solar térmica no Brasil. “Como é uma área muito pequena, é preciso de novos profissionais, pessoas treinadas, para expandir esse mercado”.

Para dar apoio aos trabalhadores e empresas do setor solar térmico, a Abrasol disponibiliza o programa de treinamento Certificasol. Por meio digital, são oferecidos cursos de gestão financeira, gestão de vendas técnicas, instalação de sistemas de aquecimento solar e sistemas de aquecimento solar de água para processos industriais. Interessados, podem acessar o site do programa.

Copiar o texto
Desenvolvimento Regional
18/07/2022 19:35h

Recursos poderão ser captados no mercado privado por meio da emissão de debêntures incentivadas

Baixar áudio

A concessionária dos serviços de iluminação pública de Aracaju (SE), a Conecta Aracaju S.A., poderá captar até R$ 50 milhões, por meio de debêntures incentivadas, para expansão e modernização do parque municipal de iluminação pública. A portaria que autoriza a ação foi publicada na edição da última sexta-feira (15) do Diário Oficial da União (DOU).

Os recursos serão usados na implantação, instalação, recuperação, modernização, melhoramento, eficientização e expansão da rede municipal de iluminação pública. Está prevista, ainda, a implantação do Centro de Controle Operacional e de um sistema de telegestão, além da iluminação de destaque em pontos turísticos. Mais de 570 mil habitantes serão atendidos com as novas estruturas.

“As debêntures são um mecanismo importante para a captação de investimentos para obras de infraestrutura, não apenas de iluminação pública, mas também de saneamento básico, irrigação e mobilidade urbana”, destaca o secretário de Fomento e Parcerias com o Setor Privado do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), Fernando Diniz.

Sobre as debêntures

As debêntures são títulos privados de renda fixa que permitem às empresas captarem dinheiro de investidores para financiar seus projetos. No caso das incentivadas, os recursos são empregados necessariamente em obras de infraestrutura e há isenção ou redução de Imposto de Renda sobre os lucros obtidos pelos investidores.

Copiar o texto
15/07/2022 17:00h

O podcast Giro Brasil 61 faz uma seleção dos principais fatos e acontecimentos noticiados pelo Brasil61.com durante a semana

Baixar áudio

No episódio desta semana (15), o podcast Giro Brasil 61 traz os detalhes da aprovação do uso emergencial da Coronavac em crianças de 3 a 5 anos. Tem ainda a promulgação das Emendas Constitucionais do estado de emergência, do piso da enfermagem e do filtro de recursos no STJ. Nova lei sancionada pode desacelerar aumento da conta de luz. E você ainda fica sabendo sobre o caso raro de raiva no Distrito Federal, que acende alerta das autoridades de saúde.

Copiar o texto
Desenvolvimento Regional
15/07/2022 15:15h

Provenientes do FGTS, recursos serão disponibilizados por meio do Programa Pró-Cidades

Baixar áudio

A cidade de Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, poderá financiar até R$ 9 milhões para modernização do sistema municipal de iluminação pública. Os recursos serão provenientes do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), por meio do Programa Pró-Cidades. A portaria que autoriza a operação foi publicada na edição desta sexta-feira do Diário Oficial da União. Clique neste link para acessar.

Além dos R$ 9 milhões em financiamentos, o município gaúcho também aportará R$ 474 mil de contrapartida, totalizando mais de 9,4 milhões em investimentos, que serão à implementação de tecnologia LED na iluminação pública local.

Lançado em 2019, o Pró-Cidades disponibiliza R$ 2 bilhões por ano, por meio do FGTS, para o financiamento de projetos de reabilitação de áreas urbanas e modernização tecnológica de serviços públicos.

Coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), o programa conta com duas modalidades de financiamento. A “reabilitação de áreas urbanas” é voltada a estratégias para a execução de políticas de desenvolvimento local, com foco na qualificação do espaço público e no estímulo à ocupação de imóveis ociosos em centros urbanos.

Já a “modernização tecnológica urbana” é destinada à implementação e desenvolvimento de soluções e ferramentas tecnológicas para otimizar a prestação dos serviços públicos à população e melhorar a qualidade de vida nos ambientes urbanos.

Podem apresentar propostas estados, municípios, o Distrito Federal ou órgãos das respectivas administrações direta e indireta; consórcios públicos; órgãos públicos gestores e respectivas concessionárias ou permissionárias; empresas participantes de consórcios que desempenhem funções de desenvolvimento urbano local ou regional, como sociedades de propósito específico (SPEs); e entes privados que tenham projetos ou investimentos na área de desenvolvimento urbano, desde que autorizadas pelo poder público respectivo. A aplicação de recursos respeitará a proporção de 70% para operações de crédito com mutuários do setor público e 30% para operações com o setor privado.

O cadastro dos projetos deve ser feito por meio de sistema disponível no portal de serviços do Ministério do Desenvolvimento Regional. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail procidades@mdr.gov.br.

No âmbito do Pró-Cidades – Mutuários Privados podem ser apresentados projetos nas áreas de mobilidade, transportes urbanos e serviços de carros compartilhados; sinalização vertical e horizontal; tratamento da paisagem urbana; segurança pública e sistemas integrados; serviços de saúde e educação intensivos em tecnologia; esgotamento sanitário e soluções de reuso; coleta e tratamento de resíduos sólidos e soluções de economia circular; edificações inteligentes e eficientes; energias renováveis; iluminação pública; abastecimento de água; drenagem; política habitacional e soluções sustentáveis; telecomunicações e acesso à internet de alta velocidade; engajamento comunitário e participação social; governo eletrônico e serviços digitais; sistemas e cadastros georreferenciados, inteligência artificial e Internet das Coisas; e obras voltadas à área de infraestrutura urbana na modalidade de Reabilitação Urbana.

Condições de financiamento

As operações de crédito têm prazo de carência de até 48 meses, contados a partir da data de assinatura do contrato. O prazo máximo de amortização do financiamento é de 20 anos, contados a partir do mês subsequente ao do término do prazo de carência. A taxa de juros cobrada é de 6% ao ano, acrescidos da remuneração do agente financeiro, limitados a 2% ao ano, e de taxa de risco de crédito, limitada a 1% ao ano.

O valor mínimo para as contrapartidas é de 5% do valor total do financiamento, em ambas as modalidades do Pró-Cidades. Elas poderão ser integradas por meio de recursos financeiros próprios dos entes ou terceiros, inclusive internacionais, e de bens imóveis ou serviços economicamente mensuráveis.

Para conhecer a Instrução Normativa n. 35/2021, que regula o Pró-Cidades, acesse este link. Confira também o manual do programa.

Copiar o texto
11/07/2022 04:30h

Norma prevê que as distribuidoras repassem a compensação do PIS/Cofins aos consumidores de energia

Baixar áudio

O aumento na conta de energia elétrica deve desacelerar. Segundo nova lei sancionada (14.385/2022), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve compensar os créditos de PIS/Cofins cobrados indevidamente dos consumidores de energia, por meio da redução das tarifas. 

Em 2017, o Supremo Tribunal Federal determinou a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins. A lei sancionada agora fala especificamente da bitributação sobre a energia e determina que o valor cobrado indevidamente deve ser restituído. Dessa forma, a União deve devolver R$ 60,3 bilhões em crédito às distribuidoras de energia. O professor de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília, Ivan Camargo, explica que as distribuidoras devem repassar a restituição aos consumidores.

“Primeiro passo para haver essa devolução é a Receita Federal devolver esses valores cobrados a maior para as empresas distribuidoras. Na verdade, quem entrou na justiça contra essa cobrança maior de imposto foram as empresas distribuidoras. Então, tem que devolver esse dinheiro para as distribuidoras, para as distribuidoras devolverem aos consumidores que pagaram indevidamente essa conta.”

Até agora, R$ 12,7 bilhões já foram repassados aos consumidores em revisões tarifárias, desde 2020, o que impediu que as contas de luz aumentassem, em média, 5%. Outros R$ 47,6 bilhões ainda devem ser ressarcidos aos usuários.

Ivan Camargo explica por que essa devolução é um direito do consumidor.

“A nossa conta de energia elétrica vem sempre com muitos impostos. O mais importante de todos é o ICMS. A decisão do Supremo foi no sentido de que não podemos pagar imposto sobre imposto, ou seja, tira da base do cálculo do PIS/Cofins o imposto já pago no ICMS. Portanto, todo o dinheiro que nós consumidores pagamos ao longo dos anos indevidamente deverá ser devolvido para  quem é de direito: o consumidor.”

Energia elétrica representa em média 23% do preço final da cesta básica

Preço, tecnologia acessível e consciência ambiental levaram ao crescimento exponencial da energia solar no Brasil, afirma Absolar

Consumidor poderá escolher de quem comprar a energia elétrica, se o marco do setor elétrico for aprovado

Em nota enviada ao portal Brasil61.com, a Aneel afirma que, “para as distribuidoras que já passaram por processo tarifário em 2022, a agência aprovará uma Revisão Tarifária Extraordinária, nos termos da referida lei, para calcular o impacto da devolução nas tarifas de energia elétrica. As distribuidoras são: EBO, Light, Enel RJ, CPFL, Santa Cruz, CPFL Paulista, EMT, EMS, ESE, Enel CE, Coelba, Cosern, Celpe e Sulgipe.” A estimativa da Aneel é que haja uma redução de 5,5% nas tarifas. 

“Já para distribuidoras com os processos tarifários que ainda não foram realizados em 2022, a Aneel fará o devido cálculo do impacto da devolução no momento do reajuste/revisão. É o caso da Neoenergia DF (ex CEB), que terá reajuste tarifário em 22 de outubro, ainda a ser calculado. Os processos homologados na semana passada (Cemig, RGE, Copel, EMG e ENF) e os homologados no dia 28 de junho (Enel SP, ETO e Cocel) já levaram em conta os dispositivos da Lei”, afirma o comunicado.

Copiar o texto
Economia
11/07/2022 04:15h

Faturamento real e emprego subiram na comparação com o mês de abril. Apesar de expectativas favoráveis em relação à demanda e compra de matérias-primas, desorganização das cadeias produtivas persiste e escassez e alto custo de insumos continuam

Baixar áudio

Os indicadores de faturamento real, horas trabalhadas na produção, emprego, expectativas de demanda e de compras de matérias-primas da indústria registraram alta em maio. É o que aponta a mais recente pesquisa de Indicadores Industriais e a Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no fim de junho. 

Em maio, o índice que mede o faturamento real da indústria de transformação cresceu 1,8% em relação ao resultado de abril. Trata-se do maior patamar alcançado pelo indicador em 2022. 

O emprego na indústria também cresceu em maio. O índice de evolução no número de trabalhadores do setor subiu 0,1% na comparação com o mês anterior. Apesar da leve alta, o resultado interrompe uma sequência de três meses consecutivos de queda. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a indústria gerou quase 47 mil postos de trabalho em maio. 

Já as horas trabalhadas na produção cresceram 1,6% em maio. Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, diz que a alta em quase todos os indicadores foi importante diante do desempenho negativo que se observou nos últimos meses. 

“Abril foi um mês de uma atividade mais fraca, interrompendo uma sequência relativamente positiva. Os meses de fevereiro e março mostraram uma indústria andando relativamente favorável. Ainda muito aquém da pré-pandemia, mas estava começando a reverter um longo  período de queda de 2021”, analisa. 

Já a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) foi de 80,9%, 0,1% a menos que em abril. Segundo a CNI, a série retorna ao patamar de janeiro de 2022, o que aponta para um cenário de estabilidade nos cinco primeiros meses do ano. 

Desemprego apresenta queda em diferentes índices e alcança cenários da pré-pandemia

Mais da metade das micro e pequenas indústrias acreditam na alta da inflação para os próximos meses, revela pesquisa

Otimismo

Os empresários industriais também estavam otimistas em relação ao desempenho da indústria no mês de junho. O índice de expectativa de demanda foi de 59,1 pontos, maior valor desde setembro de 2021. Na comparação com o mês anterior, houve alta de 1,8 ponto. 

O índice que mede as expectativas de compras de matérias-primas saltou de 55,6 pontos para 57 pontos. Houve leve melhora nos indicadores de expectativa de quantidade exportada e número de empregados, segundo a CNI. 

Segundo Marcelo Azevedo, a melhora das expectativas de compras de matérias-primas não significa que o desarranjo das cadeias de produção causado pela pandemia da Covid-19 e agravado pela guerra no leste europeu está resolvido. 

“Infelizmente isso não mostra essa normalização [das cadeias de produção]. Esse problema continua muito forte, tanto em matérias de custo, quanto em disponibilidade. A expectativa que a gente vê nessa última sondagem mostra uma necessidade de busca por esses insumos dada uma percepção de melhora na demanda respondendo ao mercado de trabalho, que vem melhorando”, explica. 

Marco Antonio Rocha, professor do Instituto de Economia e pesquisador do Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também diz que é cedo para afirmar, com base na melhora dos indicadores, que a escassez e o alto custo da energia e das matérias-primas necessárias para a indústria ficaram no passado. 

“É um tanto precipitado dizer que já há uma recuperação. A gente precisa de mais alguns meses para ver se essa recuperação se sustenta e se esse otimismo da classe empresarial realmente se converte em realidade. Por enquanto, é um movimento muito parecido com o que a gente viu. Alguns meses de queda, alguma recuperação que vem em seguida, oscila com novos meses de queda, nesse cenário em que a indústria vai andando de lado já faz alguns anos”, avalia. 

O especialista diz que o cenário internacional ainda é turbulento, o que pressiona os custos industriais. Ele acredita que o problema deve se prolongar, ao menos, até o fim deste ano. “Esse cenário deve perdurar porque mesmo que o conflito cesse,  as sanções econômicas devem perdurar e a normalização daquele território e do próprio embarque dos insumos, por exemplo, deve demorar um tempo para se normalizar também, como a questão da energia”, projeta. 

A Sondagem Industrial também aponta que a intenção de investimento dos empresários aumentou 0,3 ponto, alcançando 56,4 pontos. De acordo com a CNI, o resultado mostra intenção de investir relativamente elevada, já que o índice permanece acima da média histórica de 51,1 pontos. 

Copiar o texto
01/07/2022 16:00h

Para uma família com renda mensal de até R$ 1.908, o peso da energia chega a 9,1% do orçamento

Baixar áudio

O custo da energia elétrica representa, em média, 23,1% do preço final da cesta básica no Brasil. A informação consta em um estudo encomendado pela Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace). 

Além disso, o peso da energia é maior para os mais pobres. Para uma família com renda mensal de até R$ 1.908, o gasto com energia chega a 9,1% do orçamento familiar, enquanto para famílias com renda superior a R$ 23.850, corresponde a apenas 3,5%. 

O presidente da Abrace, Paulo Pedrosa, explica por que o preço da energia elétrica e do gás natural são incorporados na produção de mercadorias e serviços.

“Parte dessa energia, por exemplo, é a eletricidade empregada nos frigoríficos para manter a carne e o frango congelados. E nas panificadoras para assar o pão. A energia elétrica também é necessária na fabricação de produtos de higiene e limpeza. E o gás natural é utilizado nos materiais de construção empregados nas reformas. Os preços dos produtos sentem o peso da energia.”

Segundo o estudo, o custo da energia elétrica corresponde a uma parte considerável do preço final dos produtos:

Alimentos

  • 31% do preço final do pão
  • 31,3% do preço final do leite
  • 26,2% do preço final da manteiga, queijo e iogurte
  • 33,3% do preço final das carnes

Material Escolar

  • 35,9% do preço final de um caderno
  • 14,8% do preço final de um lápis
  • 24,5% do preço final de uma borracha
  • 12,4% do preço final de vestuários

Materiais de construção

  • 25,3% do preço final de esquadria
  • 24,5% do preço final de tubos de PVC
  • 24,5% do preço final de vidro e cimento

Bens de consumo duráveis

  • 14,1% do preço final de automóvel
  • 10,6% do preço final de eletroeletrônicos
  • 19,1% do preço de Internet e Softwares
  • 17% do preço final de telefonia fixa e celular

Segundo o presidente da Abrace, o alto custo da energia retarda o crescimento da economia brasileira. “A falta de dinamismo do crescimento econômico considera o aumento das despesas com energia como um de seus fatores. A queda da produção industrial não apenas conteve a taxa de expansão do PIB, como reduziu a demanda por bens e serviços intermediários não produzidos, deixando de gerar renda e emprego no nosso país”.

O deputado federal Benes Leocádio (União-RN) espera que a aprovação da Lei Complementar 194/2022, que limita o percentual do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), possa reduzir o preço final dos produtos e serviços para o consumidor.

“O Congresso está fazendo a sua parte. Os governos estaduais deixarão de arrecadar um pouco mais, mas é compreensível, porque o consumidor, o cidadão brasileiro pagador de imposto não pode ficar sempre pagando o preço e no prejuízo de todas as decisões tomadas e dos resultados das política existentes nessas áreas, tanto de combustíveis, como de energia e de telecomunicações.”

O parlamentar também defende a necessidade de implantar incentivos aos estados produtores de energia limpa.

“Defendemos que os estados produtores de energia limpa, em um futuro próximo, pudessem ter um diferencial na tarifa de energia. Até porque estamos exportando energia e suprindo o mercado nacional com uma energia mais barata e limpa. E até o momento, não faz diferença nenhuma para os estados produtores, principalmente para o nosso Rio Grande do Norte, que é o primeiro produtor hoje em energia eólica e lamentavelmente não goza de nenhum benefício ou diferença de tarifa em relação aos demais”, defende.

Novo marco do setor elétrico pode reduzir impacto tarifário em 2022

Marco legal do setor elétrico

O presidente da Abrace, Paulo Pedrosa, afirma que o marco legal do setor elétrico pode reduzir os preços da energia.

“O projeto de modernização do setor elétrico, que está muito próximo da sua aprovação, é fundamental para reduzir a conta de energia de forma estrutural. Pois ele realmente vai permitir que diversos setores do mercado de energia sejam modernizados. Então, nós podemos ter uma tarifa de energia mais moderna e dinâmica.”

O PL 414/2021 estabelece a ampliação do mercado livre de energia, diminuindo a carga mínima que o consumidor tem que ter para poder escolher o seu fornecedor de energia. Na prática, será como já acontece na contratação de serviços de telefonia, no qual o consumidor escolhe de quem comprar o serviço. 

“O projeto vai permitir aos poucos a redução de alguns subsídios e vai trazer uma competição ainda maior. Espera-se que com essa competição a energia, realmente no longo prazo, se torne cada vez mais barata”, afirma Pedrosa.

Copiar o texto
Economia
29/06/2022 21:00h

Em aceno a representantes do setor durante evento da CNI, presidente da República disse que a pasta seria comandada por ministro indicado pelo própria indústria

Baixar áudio

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira (29) que, se for reeleito, vai recriar o Ministério da Indústria. O chefe do Executivo também afirmou que os representantes do próprio setor seriam os responsáveis por indicar o futuro ministro. A declaração foi feita durante evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que ocorreu em Brasília. 

“Pretendemos, conforme sugerido na Fiemg [Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais], em havendo reeleição, recriar [o Ministério da] Indústria e Comércio, cujo ministro seria indicado pelos senhores para ter liberdade para trabalhar”, garantiu. 

O presidente da República pontuou que, durante o seu mandato, o governo adotou medidas para promover a reindustrialização do país, como a redução de até 35% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Bolsonaro também destacou a dificuldade do país em aprovar a reforma tributária, uma das medidas defendidas pela indústria para desonerar o setor e aumentar a competitividade no mercado internacional. 

"Passei 28 anos dentro da Câmara. É uma dificuldade enorme de evoluir nesse tipo de proposta. Então, em vez de ir no atacado, a gente vai no varejo”, disse em referência à diminuição do IPI. 

Além de recriar o Ministério da Indústria, Bolsonaro defendeu o investimento em fontes alternativas de energia, como a eólica offshore, no litoral do Nordeste, para baratear o custo dessa que é uma das matérias-primas mais importantes para a indústria. 

“Não se pode falar em industrialização sem energia. E o importante: a energia tem que estar perto do local onde você vai montar as suas indústrias. Com energia, boas pessoas e bom ministério, a cabeça dos senhores e das senhoras, o Brasil tem tudo para crescer muito”, declarou. 

País deixa de crescer R$ 1,5 tri por ano devido ao Custo Brasil

Aumento do Auxílio Brasil injetaria mais de R$ 10 bi na economia do Nordeste, região mais beneficiada pelo programa

Meio ambiente

O presidente da República também disse que há, de fato, problemas como desmatamento e garimpo ilegais na Amazônia, mas que não na proporção veiculada. Ele pontuou que o Brasil é exemplo quando o assunto é preservação do meio ambiente e que o país deve aproveitar a sua biodiversidade e recursos naturais para se desenvolver de forma sustentável. 

“O Brasil preserva dois terços da sua área. Existe coisa, sim. Nós fazemos o possível, mas não queira que se faça milagre, que venhamos controlar uma área equivalente à Europa Ocidente. E o que tenho orientado aos demais ministros é que temos que agregar valor àquilo que Deus nos deu, em especial na questão mineral”, defendeu. 

Discurso

Assim como a senadora Simone Tebet (MDB-MS) e o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), pré-candidatos à presidência da República, Bolsonaro teve 25 minutos para defender as suas propostas de governo, caso seja eleito novamente presidente do Brasil. 

O chefe do Executivo usou o período para defender as ações do governo durante o primeiro mandato, como a aprovação dos marcos legais do saneamento básico e das startups, da lei de liberdade econômica e a "maior abertura comercial do Brasil nos últimos 30 anos”, por exemplo. 

“A gente vai continuar fazendo aquilo que começamos desde 2019. Somente o estudo avançado do ingresso do Brasil na OCDE é sinal de que o Brasil é bem visto globalmente. O acordo Mercosul e União Europeia, depois de 20 anos, foi dado o sinal verde”, lembrou. 

Evento

O evento “Diálogo da Indústria com os Pré-Candidatos à Presidência da República” foi promovido pela CNI nesta quarta-feira (29). Diante de mais de 1,2 mil empresários, Simone Tebet, Ciro Gomes e Jair Bolsonaro defenderam suas propostas de governo. 

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, destacou a importância do evento. “Nosso objetivo é contribuir para aprofundar o debate eleitoral e a consolidação de um país mais próspero, que ofereça oportunidades de trabalho e renda para todos os brasileiros”. 

Copiar o texto
15/06/2022 03:00h

Cada GW é capaz de abastecer uma cidade de 500 mil residências. Isso significa que o Brasil já produz energia eólica suficiente para abastecer o equivalente a mais de 10,8 milhões de casas

Baixar áudio

Neste Dia Mundial do Vento, celebrado em 15 de junho, o Brasil registra 21,65 gigawatts (GW) de potência fiscalizada em geração de energia eólica, ou seja, a quantidade de energia mensurada a partir da operação comercial da primeira unidade geradora. A informação consta no Mapa das Energias Renováveis da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), que traça um panorama mensal do setor, a partir de dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).  

Cada 1 GW é capaz de abastecer uma cidade de 500 mil residências. Isso significa que o Brasil já produz energia eólica suficiente para abastecer o equivalente a mais de 10,8 milhões de casas.

Ainda segundo o mapa elaborado pela FIERN, o país conta com 813 parques eólicos em operação, sendo 218 deles no estado do Rio Grande do Norte. A presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Gannoum, afirma que o estado potiguar, assim como a região Nordeste como um todo, apresenta características geográficas ideais para geração de energia eólica, mas é preciso um ambiente favorável para investimentos.

“No Nordeste, o Rio Grande do Norte é um dos estados que mais se destaca na produção de energia eólica, seja pela sua natureza dos ventos como também pelo fato do estado ter desenvolvido políticas ao longo dos anos que atraíssem os investidores. Então, é muito importante que, além de ter o recurso natural, o estado esteja apto a receber esses investimentos.” 

Segundo a ABEEólica, cada R$ 1 investido em energia eólica gera R$ 2,90 no PIB brasileiro. Elbia Gannoum destaca a capacidade da energia eólica em levar crescimento e desenvolvimento econômico para a região onde for implantada.

“Nós fizemos um estudo que mostra que o PIB da região Nordeste cresceu em torno de 21% devido a chegada dos parques eólicos e que o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal das regiões cresceu da ordem de 20%. Essa chegada dos parques eólicos, principalmente pelo fato de haver o arrendamento das terras, permite que haja uma injeção muito grande de renda nas famílias da região. E essa renda se transforma em consumo, o que chamamos de efeito multiplicador da economia.”

O senador Jean Paul Prates (PT-RN) afirma que, há dez anos, o Rio Grande do Norte fez a própria transição energética do petróleo para a energia limpa, principalmente para a eólica, mas ainda há muito potencial para investimento.

“Em terra, nós temos um terço do nosso potencial eólico explorado, [ou seja] nós temos ainda dois terços a explorar. Portanto, temos um horizonte muito positivo de geração de empregos, de circulação de renda nas cidades e de aproveitamento econômico do recurso que, até antes disso, não era aproveitado absolutamente.”

Energia offshore

A grande promessa em energia eólica é a chamada energia offshore, na qual as turbinas são instaladas no mar, e não em terra (onshore). Atualmente, não há usinas offshore no Brasil, mas o país possui um grande potencial para instalação, como afirma o senador Jean Paul Prates.

“O offshore traz a possibilidade de ventos mais intensos e constantes, utilizando geradores ainda maiores do que os que são usados em terra. Além disso, o Brasil e, especialmente, a costa do Ceará e do Rio Grande do Norte, além de contar com bons ventos, têm um mar tranquilo e com baixa profundidade. Essas características barateiam os investimentos para implantação e reduzem os custos de operação.”

Para regulamentar a produção offshore de energia eólica e de outros tipos e atrair investimentos, tramita no Senado o projeto de lei 576/2021. O senador Jean Paul Prates (PT-RN) é o relator da proposta, e destaca a importância de um marco legal para a energia offshore.

“Com regras claras para o setor e a criação deste marco legal, as empresas devem destravar os investimentos, porque essa é uma indústria que demanda tempo e muitos recursos para se desenvolver. Pouca gente deve se arriscar neste setor aqui no Brasil se não conhecer claramente como o país pretende administrar este setor”, afirma.

Copiar o texto
Brasil 61