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Baixar áudioO Brasil conquistou oito medalhas na WorldSkills Shanghai 2026, sendo duas de prata e seis de bronze. A delegação brasileira também trouxe para casa 29 medalhas de excelência, concedidas aos competidores que alcançaram pontuação acima da média em suas respectivas ocupações. Na classificação geral por pontos, o país terminou em segundo lugar, atrás apenas da China.
Considerada a maior competição de educação profissional do mundo, a WorldSkills é realizada a cada dois anos e reúne jovens talentos de diferentes países em provas práticas de diversas áreas. A edição de Xangai aconteceu entre os dias 23 e 26 de setembro e reuniu cerca de 1,4 mil competidores de 70 países, que disputaram provas em 64 ocupações.
A delegação brasileira foi representada por 71 competidores, entre alunos e ex-alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Foi a maior delegação brasileira da história da WorldSkills. Os participantes competiram individualmente ou em equipes, de acordo com as características de cada ocupação.
Após quatro dias de provas, os competidores receberam as premiações durante a cerimônia de encerramento, realizada no último domingo (27), na Mercedes-Benz Arena, em Xangai.
Entre os destaques da delegação brasileira estão os medalhistas de prata e bronze e os competidores que receberam medalhas de excelência.
Medalhas de prata
Medalhas de bronze
Medalhas de excelência
A medalhista de prata Myllena Vitória de Arruda Nogueira venceu na categoria Tecnologia da Moda. Para ela, essa vitória é resultado de anos de preparação.
“Essa medalha representa todos os meus três anos de treinamento. Representa a minha família, toda a equipe do SENAI, de todos os estados, que ajudaram no meu treinamento, a minha professora, a minha expert, o meu intérprete. Representa esse trabalho duro que eu tive e, ainda mais, representa o Brasil.”
Na ocupação Integração de Sistemas Robóticos, Alexandre Isaque Almeida Rodrigues e Bruno Gabriel Soares de Oliveira também conquistaram a medalha de prata. Para os dois competidores, a conquista é resultado de “esforço, dedicação, legado e paixão pelo que fazem”.
“Treinamos durante quase três anos, tanto durante o processo nacional quanto mundial. Próximo ao mundial, já começamos sábado e domingo treinando de oito a doze horas por dia. Então, foi bem cansativo, mas valeu todo o esforço”, conta Alexandre.
O medalhista de bronze Alisson Gabriel Genova de Oliveira, da ocupação Fresagem CNC, também destaca a intensidade da preparação para a competição internacional.
“Passamos por três anos de treinamento e emendávamos manhã, tarde e noite, para resolver problemas, descobrir como fazer da maneira correta e passar por muitas peças. Eu fiz mais de 300 peças para poder estar aqui e fazer só as três que o mundial pede. Foram muitos anos de treino e agora tudo foi recompensado. Conseguimos mostrar que o Brasil tem o empenho para estar entre os melhores.”
A próxima edição da WorldSkills, prevista para 2028, será realizada em Aichi, no Japão.
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Baixar áudioA atividade da indústria da construção perdeu força em agosto. O índice que mede o desempenho do setor caiu 2,6 pontos na comparação com julho, passando de 47,3 para 44,7 pontos. O resultado ficou 2,9 pontos abaixo da média registrada para o mês.
Os dados, divulgados no último dia 23 de setembro, fazem parte da Sondagem Indústria da Construção, elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
A redução do ritmo também apareceu na utilização da capacidade operacional (UCO), que passou de 66% para 65%. Trata-se da segunda queda seguida do indicador, que ficou 1 ponto percentual abaixo do registrado em agosto de 2025. Apesar disso, a utilização da capacidade continuou acima da média histórica para o mês de agosto, de 63%.
O número de empregados também recuou. O índice de evolução do emprego teve redução de 2,5 pontos em relação a julho, ao cair de 48,3 para 45,8 pontos. O resultado ficou 0,7 ponto abaixo da média para agosto e foi o menor registrado para o mês desde 2017.
Na avaliação do gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, a combinação de juros elevados, custos maiores e um ambiente de incerteza tem afetado as decisões das empresas do setor ao longo do ano. Segundo ele, esse cenário ajuda a explicar a perda de ritmo observada na construção no último mês.
“O setor já vinha refletindo os impactos de uma taxa de juros elevada, isso já vinha trazendo algumas dificuldades para o setor, uma pressão de custos importante. Isso tudo vinha pressionando a atividade do setor, então os resultados foram perdendo força ao longo de 2026. Há também, adicionalmente, um quadro de incerteza bastante elevado com a proximidade das eleições, que também podem estar influenciando a atividade no mês de agosto”, avalia Azevedo.
As perspectivas para os próximos seis meses também pioraram. Os quatro índices de expectativas da indústria da construção recuaram em setembro. Confira:
Com os resultados, as expectativas para a quantidade de empregados, o nível de atividade e as compras de insumos e matérias-primas, que estavam acima da linha divisória de 50 pontos, passaram para abaixo desse patamar. Essa movimentação indica expectativa de queda dessas variáveis nos próximos seis meses.
Já as perspectivas para novos empreendimentos e serviços ficaram ainda mais negativas em relação a agosto.
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A intenção de investimentos também diminuiu. O índice caiu 2,7 pontos, de 42,4 para 39,7 pontos. Esse é o menor nível registrado para o mês de setembro desde 2019.
Ainda de acordo com o levantamento, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Construção recuou 1,7 ponto em setembro, de 47,2 para 45,5 pontos. A queda ocorreu em meio à piora na avaliação dos empresários sobre as condições atuais e sobre as perspectivas para as empresas e para a economia.
A edição da Sondagem Indústria da Construção ouviu 313 empresas entre 1º e 11 de setembro. Do total, 120 eram pequenas, 128 médias e 65 grandes.
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Baixar áudioA reforma tributária vai obrigar micro e pequenas empresas a rever a forma como calculam impostos, administram créditos e tomam decisões sobre o regime tributário. A transição para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) também coloca os pequenos negócios diante de uma escolha: permanecer no Simples Nacional ou avaliar a migração para o chamado regime híbrido.
As mudanças foram discutidas nesta quarta-feira (23), durante o seminário “Pense nas Pequenas Primeiro”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Especialistas, empresários e representantes do setor público também debateram acesso ao crédito, produtividade, competitividade e redução do Custo Brasil.
Uma das mudanças apresentadas durante o evento foi a chamada apuração assistida. Segundo a auditora de Curitiba (PR) e integrante do Comitê Gestor do IBS, Clarissa Mendes, informações dos documentos fiscais serão integradas aos sistemas de apuração.
A proposta, segundo ela, é reduzir o trabalho manual das empresas e automatizar parte do processo de declaração.
“A apuração assistida para o Simples Nacional é justamente a declaração do PGDAS. Os valores apresentados nos documentos fiscais vão automaticamente, por meio de integrações de sistema, ser apresentados no PGDAS”, explicou.
Clarissa também destacou que uma calculadora será integrada aos documentos fiscais para fazer o cálculo do IBS e da CBS. A medida busca facilitar a adaptação das empresas à variação das alíquotas durante o período de transição.
O consultor e ex-auditor fiscal da Fazenda de São Paulo, Ângelo de Ângelis, chamou atenção para outro aspecto da tributação das pequenas empresas: os impostos pagos indiretamente na compra de insumos.
Segundo ele, a cumulatividade tributária pode comprometer uma parcela significativa do capital de giro das empresas do Simples Nacional.
“Existem os impostos invisíveis. Então aquilo que a empresa do Simples paga na compra, muitas delas não enxergam isso como pagamento de imposto — e é pagamento de imposto”, afirmou.
De Ângelis disse que simulações feitas com dados reais de empresas indicaram casos em que essa cumulatividade chega a comprometer quase 40% das necessidades de capital de giro.
Durante o seminário, o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Mário Sérgio Telles, refletiu sobre os efeitos da reforma tributária na economia e no dia a dia do setor produtivo. Ele apontou que, embora as projeções gerais possam parecer abstratas no presente, a real dimensão das mudanças no crescimento do país e nos negócios só será sentida a médio e longo prazo.
"Eu sei que muitas vezes os empresários desprezam esse efeito — 'eu quero saber o que vai acontecer na minha empresa' —, mas o efeito sobre o crescimento econômico, que hoje é teórico, está no modelo. Daqui uns cinco, seis anos, nós vamos conversar sobre o efeito econômico que essa reforma tributária vai ter, e aí vai ser mais palpável, porque nós vamos estar vendo o que aconteceu", afirmou Telles.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o fortalecimento das pequenas e médias empresas é necessário para ampliar a competitividade das cadeias produtivas brasileiras.
Segundo Alban, a estratégia não deve se concentrar apenas nas grandes empresas, mas integrar negócios de diferentes portes aos mercados nacional e internacional.
“Não adianta a gente focar na competitividade das grandes empresas, porque senão nós vamos ficar a reboque das cadeias produtivas internacionais e de outros concorrentes”, afirmou.
O acesso ao financiamento também esteve entre os temas discutidos. Especialistas analisaram as dificuldades enfrentadas pelas empresas para obter crédito e mecanismos públicos que podem reduzir os riscos das operações.
O representante da Jornada Nacional de Inovação da Indústria, Carlos Bork, defendeu maior integração entre o Sebrae e as federações estaduais das indústrias para ampliar o atendimento às empresas.
“Se nós juntarmos o Sebrae e a capilaridade das federações, a gente impacta e chega em muito mais pessoas, muito mais empresários lá na ponta”, disse.
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Já a representante da Agência Brasileira de Gestão de Fundos Garantidores e Garantias, Mayra Madri, destacou o Seguro de Crédito à Exportação como mecanismo de redução de risco para operações destinadas ao mercado externo.
A produtividade foi outro ponto levantado durante o evento. O economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), José Ronaldo de Souza, afirmou que o país precisará elevar a produtividade para sustentar taxas de crescimento econômico nas próximas décadas.
“Para crescer 2%, nós vamos ter que crescer 1% em média nas próximas décadas a produtividade, sendo que a gente ficou com ela estagnada por décadas”, afirmou.
O debate também tratou da participação das pequenas empresas nas cadeias produtivas. O gerente de Competitividade do Sebrae Nacional ressaltou que o aumento da competitividade industrial depende da integração entre negócios de diferentes portes.
“Quando a gente olha para o processo produtivo de uma empresa, às vezes a gente pensa o que é mais importante: máquinas, pessoas ou o que está na frente? O mais importante é o fluxo. Quando a gente fala sobre o pequeno e leva esse raciocínio de um processo produtivo para uma lógica de desenvolvimento de cadeia produtiva, a gente tem que 92% das empresas industriais são pequenas empresas”, afirmou.
O encerramento do evento foi dedicado ao Custo Brasil. Segundo a CNI, os custos associados a entraves como infraestrutura e outros fatores que reduzem a competitividade chegam a R$ 1,7 trilhão por ano, o equivalente a 20% do Produto Interno Bruto (PIB).
O diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Mário Sérgio Telles, afirmou que esse diferencial de custos dificulta tanto a inserção das empresas brasileiras nas cadeias globais quanto a competição no mercado doméstico.
O economista e professor da UnB, Jorge Arbache, defendeu que a estratégia de reindustrialização aproveite vantagens competitivas brasileiras, como a geração de energia renovável e a biomassa.
Copiar o textoIndicador chega ao menor nível desde agosto de 2020, durante a pandemia
Baixar áudioA intenção de investimento da indústria caiu pelo quarto mês consecutivo em setembro e chegou ao menor nível desde agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19.
O índice recuou 1,3 ponto, de 52,6 para 51,3 pontos. Os dados fazem parte da Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (21).
A sequência de quedas começou em maio. Desde então, o indicador acumula recuo de 3,5 pontos. Para o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, o resultado está relacionado à perda de ritmo da atividade industrial e ao aumento das incertezas.
“Há um aumento da incerteza associada, que também reduziu a expectativa. Num quadro, portanto, de uma queda da atividade, que já vem de algum tempo, e de expectativas também moderadas, a intenção de investimento vem caindo e agora em setembro consolidou esse patamar bastante baixo de intenção de investimento. De uma forma geral, o que os indicadores de expectativa do empresário industrial mostram é um quadro de moderação das expectativas”, afirma.
A perspectiva para os próximos seis meses também piorou. Em setembro, os quatro indicadores de expectativa da indústria apresentaram queda.
A expectativa de demanda por produtos recuou 1,4 ponto, para 51,2 pontos. A previsão de compra de insumos e matérias-primas caiu 0,8 ponto, para 50,4. Já a expectativa para a quantidade exportada diminuiu 0,6 ponto, para 48,9 pontos. O indicador relacionado ao número de empregados teve queda de 0,2 ponto, chegando a 49,2 pontos.
Para o economista Carlos Eduardo Oliveira Jr., a queda da intenção de investimento ocorre em um cenário de juros elevados, que encarece o crédito e acende um alerta por parte das empresas nas tomadas de decisões.
“Isso impacta muito, gerando um custo mais caro do crédito e uma maior cautela dos empresários diante dessas incertezas econômicas, visto também que você tem uma redução no consumo das famílias. Apesar disso, o resultado não significa uma paralisação dos investimentos, mas sim uma postura mais prudente por parte das empresas que estão aguardando os próximos meses, principalmente com relação à movimentação moderada da indústria”, considera.
Mesmo com as quedas, as expectativas de demanda por produtos e de compra de insumos e matérias-primas permaneceram acima dos 50 pontos. Isso indica que os empresários do setor ainda projetam aumento desses dois itens nos próximos seis meses, embora em ritmo menor do que o previsto em agosto.
Já os indicadores de quantidade exportada e número de empregados ficaram em uma situação mais delicada.
A produção industrial também apresentou queda em agosto. O índice de evolução da produção recuou 4,7 pontos, de 51 para 46,3 pontos. Com o resultado, o indicador passou para abaixo dos 50 pontos, sinalizando redução da produção em relação a julho.
De acordo com a pesquisa, esse foi o menor resultado para um mês de agosto desde 2015, quando a economia brasileira enfrentava uma recessão. Considerando os últimos 11 anos, o índice ficou abaixo dos 50 pontos em agosto apenas em 2025 e agora, em 2026.
“Esse resultado tão atípico passa pela queda contínua da demanda por bens industriais, mas também por um quadro de incertezas, tanto externas quanto internas. Não dá para negar que a proximidade das eleições traz um certo grau de imprevisibilidade, fazendo com que as empresas se tornem mais cautelosas na hora de investir, produzir e contratar”, destaca Azevedo.
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A Utilização da Capacidade Instalada também diminuiu. A UCI caiu 1 ponto percentual em agosto e chegou a 69%, ficando 2 pontos percentuais abaixo da média para agosto.
O emprego acompanhou o movimento. O índice de evolução do número de empregados ficou em 48,2 pontos, após queda de 0,4 ponto em relação a julho.
Os estoques de produtos finais também recuaram. O índice de evolução do nível de estoques passou de 51 para 49,5 pontos, uma redução de 1,5 ponto. Como ficou abaixo dos 50 pontos, o indicador aponta queda dos estoques na passagem de julho para agosto.
Apesar disso, os estoques permaneceram próximos do nível projetado pelas empresas. O índice de estoque efetivo-planejado avançou 0,2 ponto, para 50,4 pontos.
A Sondagem Industrial de setembro ouviu 1.403 empresas entre os dias 1º e 11 de setembro. Do total, 587 eram pequenas empresas, 487 médias e 329 grandes.
Copiar o textoConvênio prevê oito ações internacionais e atendimento a 400 empresas em 12 meses
Baixar áudioUm novo convênio entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) vai destinar R$ 7,103 milhões a ações para levar empresas brasileiras a novos mercados. Com duração de 12 meses, a parceria pretende atender 400 empresas em oito iniciativas na América Latina e no Caribe, Europa, Ásia e África.
O acordo foi firmado na quarta-feira (16), em Brasília, pelos presidentes da ApexBrasil, Laudemir Muller, e da CNI, Ricardo Alban. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, participou da cerimônia. ApexBrasil e CNI investirão R$ 3,551 milhões cada.
Além disso, foi assinado ao longo do evento um Acordo de Cooperação Técnica entre o MDIC e a CNI para ampliar a competitividade internacional das empresas brasileiras.
As ações ocorrem em um momento de busca por novos destinos para as exportações brasileiras. O convênio integra o Plano de Diversificação de Exportações e prevê iniciativas para aproximar empresas nacionais de compradores de outros mercados.
A ApexBrasil e a CNI vão combinar a atuação da Agência em promoção comercial e inteligência de mercado com a estrutura da Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios (Rede CIN), presente nas federações das indústrias dos 26 estados e do Distrito Federal.
Segundo Laudemir Muller, a parceria também deve atender empresas afetadas pelas medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.
"Além de defender a indústria brasileira, nós vamos continuar promovendo esse setor para diversificar mercados e, principalmente, para apoiar aquelas empresas que estão sendo impactadas pelo tarifaço norte-americano. Nós vamos colocar R$ 7 milhões para atender em torno de 400 a 500 empresas para trabalhar a promoção internacional, para participarmos com missões internacionais, principalmente para que a indústria brasileira possa sentar e encontrar compradores internacionais de mercados alternativos”, destacou Muller.
Muller disse ainda que a parceria entre as instituições deve aproximar as empresas brasileiras das oportunidades identificadas no exterior.
“A ApexBrasil se coloca como uma parceira ativa para ajudar naquilo que nos compete e, junto com todos, olhar para o cenário internacional e promover aquilo que o Brasil tem de melhor: nossas empresas e nossos produtos, sempre com o objetivo de diversificar a pauta exportadora”, enfatizou.
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Já Ricardo Alban destacou que a estratégia não deve se limitar ao aumento das vendas externas, mas também buscar produtos e serviços de maior valor agregado.
“Nosso objetivo vai muito além de enviar produtos para o exterior. Queremos exportar o nosso alto valor agregado: a inteligência tecnológica, a bioeconomia e a sustentabilidade brasileira, consolidando o protagonismo nacional nas vitrines mais exigentes do mercado mundial”, disse.
O presidente da CNI afirmou ainda uma atuação que leve em conta as cadeias produtivas de forma integrada, com agregação de valor, complementaridade entre parceiros e ganhos mútuos. A estratégia deverá reunir instrumentos do governo federal, da ApexBrasil, da CNI, das federações das indústrias e de entidades como SESI, SENAI e IEL.
Para o ministro Márcio Elias Rosa, a aproximação entre governo e setor produtivo é essencial diante de um ambiente internacional com maior concorrência e adoção de medidas comerciais unilaterais.
“Nós, que estamos envolvidos com o setor produtivo, temos a responsabilidade de conceber, executar e contribuir para a definição de políticas públicas. Mais do que nunca, precisamos estar próximos e juntos para encontrar soluções que mantenham o país forte e o fortaleçam com o passar do tempo”, pontuou.
O convênio prevê atividades em quatro áreas: aproveitamento de acordos comerciais e diversificação de parceiros; bioeconomia e indústria sustentável; indústria do futuro e transformação digital; e mulheres na indústria.
Ao todo, estão previstas cinco ações comerciais e três prospectivas. O planejamento inclui missões para mercados da Ásia, África, América Latina e Caribe e Europa, além da participação na feira Hannover, na Alemanha, de uma rodada internacional voltada a produtos amazônicos e de iniciativas de comércio eletrônico e geração de negócios para empresas lideradas por mulheres.
A parceria entre ApexBrasil e CNI começou em 2008. Desde então, foram realizadas 200 ações, com 7.039 empresas beneficiadas e expectativa acumulada de US$ 2,686 bilhões em negócios.
Entre 2024 e 2026, 847 empresas participaram das iniciativas. A quantidade ficou acima da meta estabelecida, de 760 companhias. A expectativa de negócios chegou a US$ 208 milhões. Empresas lideradas por mulheres representaram cerca de 40% da base ativa no período.
Copiar o textoSegundo a entidade, juros altos pressionam crédito, consumo e investimentos
Baixar áudioO Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, que passou para 13,75% ao ano. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a decisão é acertada, mas ainda excessivamente cautelosa. A entidade defende a continuidade do ciclo de flexibilização monetária.
Segundo a CNI, o excesso de prudência adotado pelo Copom não se justifica diante da desaceleração da inflação, que acumulou alta de 4,22% em 12 meses até agosto. A entidade também destaca a melhora das expectativas do mercado, que apontam para uma convergência gradual da inflação em direção à meta de 3% ao ano no horizonte relevante para a política monetária.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que o Banco Central deve dar continuidade ao ciclo de redução da Selic. “Manter a taxa básica em patamar tão restritivo por período prolongado significa impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade de preços. Há espaço para avançar no ciclo de cortes sem comprometer a convergência da inflação para a meta”, defende.
A entidade ressalta que a Selic está 3,45 pontos percentuais acima da taxa considerada ideal, calculada em 10,3% com base na Regra de Taylor. Este parâmetro permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia.
Já a taxa real de juros, próxima de 9%, permanece muito acima da taxa neutra estimada pelo próprio Banco Central, em torno de 5%. Esse nível é considerado compatível com uma política que não estimula nem freia a atividade econômica. Para a CNI, esse diferencial indica que há margem para cortes mais expressivos da Selic sem comprometer o processo de convergência da inflação para a meta.
A entidade chama atenção para os efeitos da taxa de juros elevada sobre o custo do crédito. Em julho de 2026, a taxa média das operações com recursos livres chegou a 47,7% ao ano, alta de 1,8 ponto percentual em 12 meses. O avanço foi mais intenso entre as pessoas físicas, cuja taxa média alcançou 60% ao ano. Entre as empresas, os juros médios chegaram a 25,4% ao ano.
O encarecimento do crédito também tem pressionado a capacidade de pagamento dos tomadores. Nas operações com recursos livres, a inadimplência atingiu 7,8% entre as pessoas físicas, o maior nível da série histórica, e 4,2% entre as pessoas jurídicas.
Entre as famílias, o endividamento correspondia a 49,8% da renda em junho, próximo ao recorde da série histórica, de 49,9%. Já o comprometimento da renda com o serviço da dívida chegou a 28,9%, também o maior nível da série. Para a CNI, os indicadores mostram que o aperto monetário continua impondo custos elevados às famílias e às empresas.
O superintendente de Economia da CNI, Marcio Guerra, afirma que a manutenção dos juros em níveis elevados pode contribuir para uma desaceleração maior da economia, mesmo diante da perda de ritmo da inflação.
“O consumo das famílias vem retraindo. Então, pelo lado do consumo, existe uma tendência de desaquecimento da inflação. Por outro lado, esse patamar elevadíssimo de juros vem trazendo consequências diretas sobre as famílias e sobre as empresas”, avalia.
Segundo Guerra, o custo elevado do crédito também afeta as empresas que precisam de recursos para manter as operações ou realizar investimentos.
“Investimento esse que tem um papel importantíssimo se nós estamos pensando em crescimento econômico. Ou seja, a taxa de juros hoje, nesse patamar, faz com que ocorra um desestímulo significativo do investimento e, com isso, a economia anda de lado”, afirma.
A indústria está entre os setores diretamente afetados pelo custo elevado do crédito, segundo a nova edição da Consulta Empresarial sobre Juros, Crédito e Custos Financeiros, realizada pela CNI.
Para os próximos três meses, as empresas projetam aumento da necessidade de capital de giro e encarecimento do crédito. A pressão é maior sobre as obrigações correntes:
Entre as empresas que projetam demandar mais crédito, cerca de 60% também esperam aumento das taxas cobradas.
O cenário tende a pressionar as margens das empresas. Segundo a pesquisa, 57% projetam redução da margem líquida, enquanto cerca de um terço prevê aumento do endividamento bancário.
No entanto, a possibilidade de repassar os custos aos preços é limitada. Mais da metade das empresas (53%) pretende manter os preços inalterados para preservar a competitividade, enquanto 35% planejam reajustá-los para cima.
Para a CNI, o resultado indica que uma parcela relevante da indústria deverá absorver o aumento dos custos financeiros, com impacto sobre a rentabilidade e a capacidade de investimento.
Os dados mais recentes da atividade econômica também apontam desaceleração do crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, abaixo da expansão de 1,1% registrada nos três primeiros meses do ano.
A demanda interna perdeu força no período. O consumo das famílias recuou 0,4%, enquanto a indústria de transformação ficou estagnada. O crescimento da atividade industrial foi concentrado na indústria extrativa, que avançou 3,4%. Os dados são do IBGE.
Para a CNI, o enfraquecimento da demanda doméstica, especialmente nos segmentos mais sensíveis ao custo do crédito, reforça a necessidade de continuidade da flexibilização monetária.
O PMI Industrial do Brasil, elaborado pela S&P Global, também apontou deterioração das condições da indústria de transformação. O índice caiu de 47,5 pontos em julho para 46,3 em agosto, o menor nível em 40 meses.
Apesar da resiliência do mercado de trabalho, com ocupação e renda em níveis elevados, o desempenho não tem se traduzido em aumento da demanda doméstica. O consumo das famílias recuou 0,4% no segundo trimestre, indicando que a transmissão dos ganhos de renda para o consumo tem sido limitada, entre outros fatores, pelo elevado custo do crédito.
Na avaliação da CNI, a resistência do mercado de trabalho, isoladamente, não caracteriza um quadro de excesso de demanda que justificaria a interrupção do ciclo de cortes da Selic.
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Baixar áudioNesta quinta-feira (17), 71 jovens brasileiros, com idades entre 18 e 24 anos, embarcam para a China para representar o país na WorldSkills Shanghai 2026, considerada a maior competição de educação profissional do mundo. O evento será realizado de 22 a 27 de setembro e reunirá mais de 1.400 competidores de 70 países, em 64 ocupações oficiais.
Preparados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), esses jovens integram a maior delegação brasileira da história da competição, com representantes em todas as 64 ocupações disputadas.
Ao todo, a comitiva brasileira é composta por 209 pessoas: 71 competidores — 62 do SENAI e nove do Senac —, 64 experts (profissionais responsáveis pela orientação técnica e pela arbitragem das provas), seis team leaders, que coordenam os grupos e os processos burocráticos, 46 intérpretes e tradutores, além de equipes de apoio técnico e comunicação.
O gerente de Soluções Educacionais do SENAI, Luiz Eduardo Leão, afirma que a delegação está preparada para representar o Brasil em Xangai.
“Investimos muito forte para que o Brasil tivesse essa representação massiva mesmo. Estamos muito motivados e esperançosos de alcançar excelentes resultados em Xangai. Eu acho que levamos uma delegação grande e que representa a grandiosidade do nosso país. É representar a indústria, o comércio, a área de serviços também. Então eu entendo que o SENAI e o SENAC vão fazer um excelente trabalho em Xangai”, destaca.
A viagem para Xangai é resultado de um longo processo seletivo, com provas baseadas em desafios semelhantes aos enfrentados no mercado de trabalho. A seleção é dividida em quatro etapas: escolar, estadual, nacional e internacional.
Cerca de 66% dos competidores são beneficiários da gratuidade regimental, que garante vagas gratuitas em cursos de educação profissional financiados pelo SENAI. Além disso, 76% vieram da rede pública de ensino e 18% são mulheres.
Segundo o SENAI, os números reforçam o papel do ensino técnico como instrumento de inclusão e de mobilidade social no Brasil.
Brasil e China são os únicos países com delegações completas, com representantes nas 64 ocupações da WorldSkills Shanghai 2026. Para o SENAI, a participação em todas as modalidades evidencia a abrangência da formação profissional brasileira e sua conexão com as demandas da indústria.
As provas da competição simulam situações reais do ambiente de trabalho e demonstram o alinhamento da formação profissional do SENAI com as ocupações do futuro, como Energia Renovável, Indústria 4.0, Cibersegurança e Robótica Móvel Autônoma.
O superintendente de Educação Profissional e Superior do SENAI, Carlos Braguini, destaca que a preparação dos competidores começou muito antes da competição.
“A presença do Brasil entre as maiores delegações reforça a força da educação profissional brasileira e o potencial desses estudantes para transformar conhecimento em oportunidades e soluções para o futuro”, afirma.
O competidor Lucas Eduardo Mortari, de Bauru (SP), foi aluno de um curso técnico do SENAI e recebeu dos professores de funilaria o convite para participar da WorldSkills. Depois de seis meses de treinamento, ele se destacou na etapa nacional e garantiu a vaga na equipe brasileira.
“A expectativa para Xangai está bem alta. Os treinamentos foram bem intensos, os simulados também foram bem intensos para a gente conseguir atingir o maior nível de perfeição dentro da nossa modalidade. Então, a nota já está bem boa e acho que o pensamento positivo é para trazer o ouro para o Brasil”, afirma.
De Minas Gerais, Gabrielle dos Santos compete na ocupação de Jardinagem e Paisagismo. Ela entrou no SENAI por meio do projeto Trilhas de Futuro, quando recebeu o convite para participar das primeiras etapas da competição.
“O processo é difícil, mas tudo vai valer a pena. Eu sempre levo isso para mim: o que é difícil é porque tem algo bom esperando no final. E hoje eu sou a primeira mulher a representar o Brasil em Jardinagem e Paisagismo. Eu já sou funcionária do sistema FIEMG, então já tenho uma trilha de carreira dentro do sistema do SENAI. Pretendo atender naquilo que a minha escola precisar e no que vier pela frente”, destaca.
De Jaboatão dos Guararapes (PE), o competidor Luiz Fernando Barbosa disputa na ocupação de Infraestrutura de Redes. Ele cursou técnico de Desenvolvimento de Sistemas integrado ao ensino médio e foi durante a formação que conheceu a WorldSkills.
“Eu sempre gostei muito da parte de tecnologia, então sempre tive essa pretensão de ir para uma área mais voltada para TI. E foi um presente muito grande, tanto ter participado da WorldSkills quanto ter vindo para a minha modalidade”, afirma.
Esta será a 48ª edição da WorldSkills. O Brasil participou de 20 edições da competição e já conquistou 130 medalhas e 187 certificados de reconhecimento.
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Baixar áudioO Brasil precisa mais que dobrar os investimentos em infraestrutura para superar o déficit histórico do setor e se aproximar dos padrões internacionais. A conclusão é do estudo Financiamento dos Investimentos em Infraestrutura no Brasil, da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Em 2024, os investimentos em infraestrutura somaram R$ 266,8 bilhões, o equivalente a 2,27% do Produto Interno Bruto (PIB). No entanto, segundo o levantamento, o país precisa elevar esse volume para cerca de 4,65% do PIB — aproximadamente R$ 550 bilhões — e manter esse patamar por pelo menos duas décadas para superar o hiato histórico de investimentos.
O estudo aponta que nenhuma fonte de recursos, isoladamente, é capaz de financiar as necessidades de infraestrutura do país. Para alcançar o volume necessário, será preciso combinar diferentes instrumentos financeiros, ampliar a participação do capital privado e criar um ambiente econômico e institucional que ofereça mais segurança aos investidores.
Para o especialista em infraestrutura da CNI, Ramon Cunha, a experiência internacional mostra que um salto dessa magnitude exige mais do que aperfeiçoar os atuais instrumentos de financiamento.
“É fundamental que o país consiga alcançar um ambiente econômico e institucional sólido, com regras previsíveis e com instrumentos de financiamento que reflitam as reais necessidades do mercado, amparadas em projetos de qualidade com maturação no médio e longo prazo”, afirma.
Do total investido em infraestrutura em 2024, R$ 188,1 bilhões — ou 70,5% — vieram do setor privado. Os investimentos públicos somaram R$ 78,6 bilhões, impulsionados principalmente pelos governos estaduais e municipais.
Os dados também mostram uma mudança na origem dos recursos destinados ao setor ao longo dos últimos anos. O financiamento privado passou de uma média de R$ 88,6 bilhões entre 2010 e 2014 para R$ 184,5 bilhões em 2024. No mesmo período, os recursos públicos recuaram de R$ 208,5 bilhões para R$ 107 bilhões. Já a participação das instituições multilaterais passou de R$ 7,9 bilhões para R$ 8,4 bilhões.
Em termos percentuais, a composição das fontes de financiamento também mudou:
Em 2024, as debêntures foram a principal fonte de financiamento da infraestrutura, com participação de 40%. Em seguida aparecem o capital próprio, com 17,3%, e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com 16,3%. Na sequência estão:
A participação do financiamento privado também varia entre os segmentos da infraestrutura. Em 2024, o setor privado respondeu por 91% do financiamento em telecomunicações e por 82,1% na energia elétrica. No saneamento, a participação foi de 65,2%, enquanto nos transportes ficou em 36,1%.
Para Ramon Cunha, os números mostram uma transformação na forma de financiar a infraestrutura brasileira, marcada pelo avanço da participação privada. No entanto, segundo ele, essa mobilização ainda precisa ganhar escala.
“É preciso que o país consiga criar condições para mobilizar mais recursos e diversificar as fontes de financiamento, de modo que os recursos disponíveis tenham a escala necessária para alcançar o salto de investimentos que o país tanto necessita”, afirma.
Durante o lançamento do estudo, a superintendente de Crédito Grandes Empresas do Itaú, Ana Paula Silva da Cruz, avaliou que o aumento da participação privada nos investimentos em infraestrutura está relacionado, entre outros fatores, à expansão das concessões.
“Com esse movimento de expansão das concessões, houve também uma importante evolução regulatória. O arcabouço regulatório é algo que exige contínuo aprimoramento, mas, sem dúvida, em determinados setores da economia do mercado de infraestrutura houve evolução. Isso faz com que atraia mais financiadores e investidores. E quanto mais a gente tem uma base extensa de investidores, mais a gente propicia um aumento de bancabilidade privada como um todo”, explicou.
A publicação defende a construção de um novo regime de financiamento para ampliar os investimentos em infraestrutura. Segundo a CNI, esse modelo deve estar apoiado na estabilidade macroeconômica e fiscal, considerada fundamental para reduzir incertezas e o custo do capital.
Outro eixo é o fortalecimento do mercado de capitais, com maior participação de investidores institucionais e a ampliação de instrumentos de financiamento de longo prazo, como fundos de pensão, por exemplo.
O estudo também aponta a necessidade de expandir o crédito privado e o project finance, com estruturas capazes de distribuir os riscos de forma mais eficiente entre os participantes dos projetos.
A proposta inclui ainda a ampliação da carteira de projetos bem estruturados, fortalecendo a capacidade de planejamento e preparação de concessões e parcerias. Nesse processo, instituições como o BNDES e a Caixa podem atuar na estruturação e viabilização dos empreendimentos.
Segurança jurídica, previsibilidade regulatória e autonomia técnica das agências reguladoras também aparecem entre os pilares apontados pela CNI. A avaliação é de que esses fatores precisam funcionar de forma integrada para permitir a mobilização de recursos na escala necessária.
O estudo destaca que o BNDES e outras instituições públicas de desenvolvimento continuam relevantes nesse processo. Segundo a publicação, o desafio é fortalecer sua atuação em um modelo no qual essas instituições contribuam para reduzir riscos, estruturar projetos e ampliar a capacidade de atrair recursos privados de longo prazo.
A análise da CNI também reúne experiências de países como Reino Unido, Chile, Austrália, México, Espanha, Índia e França. Apesar das diferenças entre os modelos adotados, o estudo identifica alguns fatores comuns entre os países com maior capacidade de mobilizar recursos para infraestrutura:
As experiências analisadas também mostram que os recursos públicos permanecem importantes, mas podem ser utilizados de forma estratégica para reduzir riscos, viabilizar projetos e atrair capital privado, em vez de apenas substituir investimentos do mercado.
Durante o lançamento do estudo, o sócio-fundador da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios, Cláudio Frischtak, citou o México como um dos exemplos de mudanças institucionais voltadas à ampliação do financiamento de longo prazo.
Segundo ele, a reforma previdenciária realizada em 1997 ampliou o papel dos fundos de pensão no financiamento de longo prazo no país. Em 2009, também foram criados os CKDs, instrumentos destinados à mobilização de recursos privados para investimentos em infraestrutura e parcerias público-privadas (PPPs).
“Na América Latina, a taxa de investimento de países como México e outros é da ordem de 23%, 24%, 25% do PIB. Ou seja, cerca de 9% a 10% acima da nossa taxa de investimento. O México sofreu uma crise macroeconômica de primeira grandeza no início dos anos 1980. E teve que fazer seu dever de casa e não se afastou da disciplina fiscal, independente do partido”, afirmou.
Frischtak também citou Austrália e Chile. Na Austrália, a participação privada ganhou força a partir do início dos anos 1990, com privatizações nos setores de energia, transportes e comunicações. O modelo passou a contar com forte presença de investidores institucionais e fundos de pensão.
No Chile, consolidou-se um ambiente de estabilidade macroeconômica e previsibilidade regulatória. A primeira PPP foi aprovada em 1993 e o marco legal do modelo foi consolidado em 1997, com participação relevante dos fundos de pensão no financiamento da infraestrutura.
“Austrália talvez seja o caso mais clássico de como mobilizar recursos e fundos de pensão, mas não é o único. O Chile faz a mesma coisa. Por que os nossos fundos de pensão ainda estão muito grudados no curto prazo? Porque o investimento de curto prazo é muito rentável. Investir no Tesouro Nacional é muito atraente”, afirmou.
O estudo Financiamento dos Investimentos em Infraestrutura no Brasil está disponível na íntegra no Portal da Indústria.
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Baixar áudioO Instituto Euvaldo Lodi (IEL) realizou, na última sexta-feira (11), o primeiro Congresso de Carreira. A iniciativa faz parte do programa Jornada de Carreira e busca apoiar estudantes do ensino médio na construção de projetos de vida e de carreira.
Realizado em formato digital, o evento foi transmitido para 25 escolas da rede do Serviço Social da Indústria (SESI) em 23 estados. A programação incluiu palestras e conversas sobre escolhas profissionais, mercado de trabalho, indústria, inovação e novas carreiras.
A proposta foi ampliar o contato dos jovens com diferentes possibilidades profissionais e aproximá-los de experiências de profissionais que já atuam no mercado. Os palestrantes participaram presencialmente na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.
Para contemplar os estudantes dos dois turnos, o congresso teve duas transmissões, uma pela manhã e outra à tarde, com o mesmo conteúdo.
Segundo a gerente de Carreiras e Educação Executiva do IEL, Michelle Queiroz, a programação foi pensada para ampliar o repertório dos estudantes e ajudá-los a refletir sobre as próprias escolhas.
“Nós trouxemos especialistas para falar sobre autoconhecimento, diferentes possibilidades de carreira, tanto no setor privado quanto na universidade, soft skills e tendências sobre profissões futuras. Falamos também sobre construir uma carreira e, ao longo do tempo, poder mudar os rumos, independentemente da formação. A nossa ideia era trazer uma visão de inspiração, para que os alunos pensem e comecem a se conectar com as suas escolhas, trilhar o seu caminho, para depois pensar no desenvolvimento profissional”, afirmou.
A programação foi aberta pela mentora de carreira e criadora de conteúdo Camila Croz, com a palestra “Talentos, sonhos e escolhas: como começar a construir seu caminho”. Ela abordou temas como identidade, interesses e potencialidades e ressaltou que uma escolha profissional não precisa determinar toda a trajetória de uma pessoa.
“Hoje, no congresso, foi muito importante mostrar para os estudantes como funciona a vida real. Mostrar, através de histórias reais, que a jornada pode ser muito divertida, com muitos desafios, principalmente quando o estudante entende que não é hoje que ele vai escolher qual é o futuro. Porque o futuro não se escolhe, o futuro se constrói”, disse.
Segundo Camila, planejar o futuro não significa definir uma única profissão, mas conhecer possibilidades e entender que os caminhos podem mudar ao longo da trajetória. A partir de exemplos e experiências, a palestra mostrou que uma carreira pode ser construída por etapas, com espaço para testes, mudanças de direção e novas descobertas.
Nesse processo, a experimentação contribui para ampliar o repertório dos jovens e ajudá-los a identificar interesses, habilidades e ambientes nos quais podem se desenvolver.
“Hoje, temos estudantes com uma visão muito deturpada da realidade. Estão muito ligados às redes sociais. Precisamos fazer esse papel de orientar e proporcionar opções de visão de futuro, para que eles possam articular o que existe no mundo e o que encaixa no perfil pessoal”, destacou.
Na sequência, o talk show “Indústria, inovação e futuro: as novas possibilidades de carreira para jovens” promoveu uma conversa sobre as transformações no mundo do trabalho, as oportunidades na indústria e os caminhos de formação para as profissões do futuro.
A superintendente nacional do IEL, Sarah Saldanha, mediou o debate com Ana Lúcia Vargas Arigony, responsável pelas áreas de Sustentabilidade e Comunicação Corporativa e Científica e de Pesquisa & Inovação da L'Oréal na América Latina, e com a professora e pesquisadora em Administração da Universidade de Brasília (UnB) Helena Costa.
As convidadas compartilharam experiências profissionais e apresentaram aos estudantes diferentes possibilidades de atuação. Ana Lúcia também falou sobre a própria trajetória e sobre as diferentes frentes de atuação da L'Oréal, incluindo indústria, serviços, pesquisa e desenvolvimento.
Durante o debate, Sarah destacou que a Jornada de Carreira oferece atividades estruturadas para o desenvolvimento de competências e a preparação dos estudantes para as escolhas profissionais. Ao abordar a insegurança que pode surgir diante da primeira experiência no mercado de trabalho, a superintendente pediu às convidadas orientações para os jovens que ainda não se sentem preparados para ingressar no ambiente profissional.
Para Ana Lúcia, a experimentação faz parte do processo de construção de uma carreira. “O que fazer e o que não fazer, é esse o questionamento. Se ainda não existe uma certeza ou convicção, não tem problema, é possível ter a fase do experimento. Se aquela é a primeira experiência, o importante é dialogar, buscar relações, inspirações em pessoas e trajetórias, se engajar em projetos, e isso pode dar uma nova segurança e aumentar o repertório”, explicou.
Já Helena Costa incentivou os estudantes a buscarem oportunidades de forma ativa e a não terem receio de apresentar seus interesses. Segundo ela, atitudes como enviar e-mails, buscar contatos e se apresentar podem ajudar a abrir portas.
“Dar valor ao tempo que cada um tem. O tempo é limitado e a forma como o usamos é importante para o crescimento e para as perspectivas de futuro, para bater em novas portas, para dizer: olha, eu estou aqui, e me mostrar presente em um mundo de oportunidades”, destacou.
No encerramento, as alunas da rede SESI Júlia Mezzari, de Santa Catarina, e Ayla Fernanda Leal, de Manaus (AM), participaram do Painel Jovem “Nossa geração, nosso futuro: conversas reais sobre caminhos profissionais”.
As estudantes compartilharam experiências de autoconhecimento, planejamento e descoberta de possibilidades profissionais, além de relatarem como a Jornada de Carreira tem contribuído para esse processo.
Júlia destacou o impacto das mentorias no desenvolvimento pessoal e acadêmico. “Eu acho muito interessante as mentorias que fazemos e tudo que aprendemos dentro do programa Jornada de Carreira, como estudante e como pessoa também, porque é o que vamos levar para a nossa vida”, relatou. Segundo ela, o programa também tem ajudado a aprimorar competências que já possui, como a comunicação, que pode contribuir para sua escolha profissional.
Para Ayla, as atividades ajudam a lidar com as incertezas em relação ao futuro. “Esse é meu segundo ano no programa Jornada de Carreira e isso tem me auxiliado muito a controlar meus medos com relação ao futuro, com relação às minhas escolhas. Participar do congresso também me traz expectativas para novas opções para o meu futuro e para a carreira que vou escolher”, disse.
O Congresso de Carreira integra o programa Jornada de Carreira, desenvolvido pelo IEL em parceria com o SESI. A iniciativa atende alunos do 1º e 2º ano do ensino médio da rede SESI e oferece atividades como mentorias, testes vocacionais, visitas a indústrias e ações voltadas ao autoconhecimento e ao planejamento profissional.
O programa é estruturado em três eixos: olhar para si, olhar para o mundo e olhar para o futuro. As etapas propõem atividades que estimulam o autoconhecimento, a compreensão das oportunidades de carreira e o planejamento de trajetórias profissionais diante das transformações tecnológicas e sociais.
“O programa não é apenas um projeto: é uma bússola para orientar os jovens na travessia da adolescência para a vida adulta, com clareza, confiança e propósito”, conclui Sarah Saldanha.
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Baixar áudioAté o dia 14 de setembro, a Embarcação Saúde Conectada SESI – Copaíba realiza atendimentos na região do Rio Maúba, entre os municípios de Abaetetuba e Igarapé-Miri, no nordeste do Pará. A iniciativa leva serviços de atenção primária à saúde a comunidades ribeirinhas que vivem em áreas de difícil acesso e distantes dos centros urbanos.
Com estrutura adaptada à navegação pelos rios e equipamentos de conectividade que permitem a realização de consultas por telemedicina, a embarcação amplia o acesso à assistência médica e aproxima os serviços de saúde dos moradores da região.
O superintendente de Saúde da Indústria, Emmanuel Lacerda, afirma que a embarcação conta com uma estrutura completa com apoio de tecnologias de saúde.
“Temos toda uma estrutura de equipamentos de telemedicina para apoiar as empresas no cuidado remoto de profissionais de saúde. Aqui pode-se fazer testes e exames básicos, teleconsultas médicas e outros profissionais de saúde, fazendo com que — em um processo de linhas de cuidado, onde se tem as condições mais prevalentes de doenças da população — possamos ter todo um sistema montado para prestar o melhor serviço”, destaca.
O atendimento começa com o acolhimento e a triagem realizados pela equipe de enfermagem. Após a avaliação inicial, o paciente pode ser encaminhado para uma consulta médica por telemedicina. Conforme a necessidade identificada, a equipe pode solicitar exames, emitir prescrições e orientações e realizar os encaminhamentos necessários para garantir a continuidade do cuidado na rede municipal de saúde.
O acesso aos serviços é orientado por técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde que atuam nas próprias comunidades.
“Ao adentrar nessas estações, temos todos os recursos de tecnologias para testes, teleatendimento de profissionais de saúde, médicos e outros, para que façam a melhor jornada, a melhor experiência de atendimento para a população, agregando tecnologia e resultados em saúde para as pessoas”, afirma Lacerda.
A ação faz parte do trabalho desenvolvido pelo SESI Pará em parceria com a Hidrovias do Brasil para ampliar o acesso aos serviços de saúde em comunidades ribeirinhas.
Nesta etapa, a iniciativa também conta com a participação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (SEMAS), que acompanha a ação no território. A expectativa é atender cerca de 200 pessoas na região do Rio Maúba, até o fim da ação, que teve início em 2 de agosto.
O secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da SEMAS, Rodolpho Zahluth Bastos, afirma que o serviço demonstra a importância de adaptar as políticas públicas às características e às necessidades do território amazônico.
“A realidade amazônica é marcada por grandes distâncias e por comunidades ribeirinhas e pesqueiras afastadas dos centros urbanos. Por isso é muito importante levar a política pública para perto de onde essas pessoas vivem. A expedição traz o serviço de saúde até a comunidade, adaptando a prestação do serviço à realidade local”, destaca.
A articulação com as secretarias municipais de Saúde de Abaetetuba e Igarapé-Miri também integra o fluxo de atendimento. A medida permite que pacientes que necessitem de exames, consultas especializadas ou acompanhamento continuado sejam encaminhados às unidades de referência dos municípios.
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