CNI

24/10/2026 04:50h

Pesquisa avalia reservas, capacidade de extração e desafios industriais para orientar políticas públicas e estimular a agregação de valor à produção nacional

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Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) busca identificar oportunidades para ampliar a participação do Brasil na cadeia produtiva de baterias elétricas, a partir de um diagnóstico da capacidade nacional de extração e processamento de minerais críticos. A análise, ainda em andamento, mapeia os segmentos em que o país já é competitivo, aqueles em que sua inserção ainda é nascente e os que enfrentam desafios estruturais mais profundos.

A pesquisa identifica as reservas minerais brasileiras e a capacidade de extração desses recursos, além de analisar os diferentes elos da cadeia produtiva de baterias, desde o fornecimento de matérias-primas até a fabricação do produto final. O levantamento também examina as políticas públicas e os instrumentos existentes para estimular o desenvolvimento do setor.

A iniciativa é resultado de um acordo de cooperação técnica entre a CNI, o Net Zero Industrial Policy Lab, da Universidade Johns Hopkins, e o Instituto E+ Transição Energética. A parceria prevê a realização de estudos e a elaboração de propostas de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento de cadeias produtivas relacionadas aos minerais críticos.

O especialista em Políticas e Indústria da CNI, Rodrigo Curi, explica que o trabalho começou com a análise de dados e o diagnóstico dos diferentes elos da cadeia produtiva de baterias no Brasil. A próxima etapa envolve entrevistas com representantes de diversos segmentos do setor.

“Essa entrevista tende a enriquecer o trabalho, porque, no final, o que se propõe é que consigamos estabelecer uma série de recomendações de políticas e instrumentos para o desenvolvimento dessa cadeia, a partir da visão dos próprios participantes dessa cadeia”, afirma.

Segundo o superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, as recomendações devem considerar as capacidades reais da indústria brasileira para extrair minerais críticos e transformá-los em produtos de maior valor agregado. O objetivo é identificar oportunidades concretas abertas pela transição energética, em alinhamento com o programa Nova Indústria Brasil (NIB).

“O Brasil detém reservas relevantes a nível global de minerais críticos e terras raras, elementos centrais para diversas cadeias produtivas ligadas à digitalização e transformação ecológica, dentre elas a de baterias elétricas. Essa é uma oportunidade que se apresenta ao país”, explica.

Para Silveira, o desafio é evitar que o Brasil se limite à exportação de commodities e à importação de produtos acabados. Na avaliação do superintendente, o país precisa identificar os caminhos e as políticas necessárias para avançar nas etapas de processamento e transformação dos minerais, agregando valor à produção nacional e fornecendo insumos para o desenvolvimento de outros setores industriais.

Minerais críticos são estratégicos para a indústria

Os minerais críticos têm aplicações em setores considerados estratégicos para a economia, como transição energética, digitalização, defesa e alta tecnologia. Esses recursos são utilizados na fabricação de baterias, veículos elétricos, semicondutores, turbinas eólicas, painéis solares, entre outros equipamentos e produtos industriais.

Rodrigo Curi destaca que a importância desses minerais cresce à medida que avança a transição energética global. Segundo ele, o desenvolvimento das cadeias produtivas associadas a esses recursos pode gerar efeitos positivos em diferentes segmentos da indústria.

“Eles representam insumos para diversos equipamentos que fazem parte da transição energética, como as baterias elétricas. Então, o desenvolvimento dos diversos setores que dependem dos minerais críticos pode gerar efeitos encadeados em outros setores industriais, além de ganhos para a sociedade. Não é à toa que o mundo inteiro tem olhado para eles como importantes instrumentos para essa transformação industrial”, afirma.

Parceria busca orientar políticas industriais e investimentos

As instituições parceiras foram selecionadas pela experiência em projetos relacionados à transição energética e à política industrial. Com a cooperação, a CNI também pretende abrir novas frentes de trabalho, com o objetivo de ampliar a participação da indústria nacional nas diferentes etapas de produção, aumentando a integração entre fornecedores, fabricantes e setores consumidores.

Segundo Tim Sahay, co-diretor do Net Zero Industrial Policy Lab, a colaboração com a CNI busca oferecer uma avaliação atualizada das cadeias globais de valor de minerais críticos e baterias, caracterizadas pela elevada competitividade, além de analisar as possibilidades de inserção do Brasil nesses mercados.

“A agenda de políticas para minerais críticos no Brasil tem se concentrado na segurança do abastecimento, na capacidade de refino e processamento no país, no desenvolvimento de projetos de mineração, como terras raras, lítio, níquel, etc., e na política de transferência de tecnologia com parceiros internacionais. Nosso trabalho destina-se a servir como subsídio técnico para esse processo”, explica.

Sahay destaca que o laboratório reúne análises técnicas de cadeias de suprimentos de energia limpa e estudos de políticas industriais para estimular parcerias estratégicas entre governos e empresas.

“O laboratório apoia formuladores de políticas e empresas na elaboração de estratégias industriais ‘verdes’ inteligentes e direcionadas. Nossas ferramentas baseadas em dados ajudam a mitigar riscos, orientando esses atores a evitar investimentos ineficientes em áreas pouco competitivas ou a adesão a setores ‘da moda’ — práticas que frequentemente levam a excesso de capacidade, cancelamento de projetos e iniciativas frustradas logo no início”, destaca o pesquisador.

Já o Instituto E+ é um centro de estudos estratégicos independente que conecta governos, indústria, sociedade civil e academia. A instituição atua na promoção da transição energética e da transformação verde da indústria como vetores do desenvolvimento socioeconômico brasileiro.

A diretora-executiva do instituto, Rosana Santos, ressalta que o avanço da transição energética aumenta a demanda por minerais críticos e exige uma compreensão detalhada das cadeias produtivas associadas a cada recurso. Segundo ela, essa análise permite identificar em quais etapas o país tem melhores condições de agregar valor à produção.

“O Brasil dispõe de uma base industrial diversificada, que pode fortalecer sua posição nas negociações internacionais. Construir esse diagnóstico com dados e em parceria com a indústria é fundamental para formular políticas públicas mais robustas”, afirma.

A iniciativa também está alinhada à Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, instituída pela Lei nº 15.506/2026. A CNI integra o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República, com direito a voto como representante do setor privado.

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23/10/2026 04:55h

Índice recuou para 42,2 pontos, enquanto estoques elevados e demanda interna insuficiente reforçam sinais de enfraquecimento da atividade, aponta CNI

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A insatisfação dos empresários industriais com a lucratividade dos negócios atingiu o pior nível desde a pandemia. Segundo a Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice de satisfação com a margem de lucro recuou 1,3 ponto no terceiro trimestre de 2026, para 42,2 pontos. É o menor patamar desde o segundo trimestre de 2020.

O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, atribui o resultado à pressão dos custos de produção e à redução da demanda, que compromete o faturamento das empresas.

“Isso é o resultado do acúmulo de uma pressão de custos, entre algumas razões está a guerra no Oriente Médio. E, adicionalmente, há uma redução da demanda e, naturalmente, uma redução do faturamento das empresas, o que afeta a saúde financeira e a lucratividade”, afirma.

A insatisfação também aumentou em relação ao acesso ao crédito e à situação financeira das empresas. Os respectivos índices recuaram 0,5 e 0,2 ponto no terceiro trimestre, para 39,4 e 47,4 pontos.

Já o índice de evolução do preço médio dos insumos e das matérias-primas utilizados pela indústria caiu 3,6 pontos, para 60,5 pontos, ficando abaixo da média histórica para o terceiro trimestre. Apesar da desaceleração, o indicador permanece acima da linha divisória de 50 pontos, o que sinaliza aumento dos preços, ainda que em ritmo menor.

Estoques elevados refletem frustração da demanda

Pelo terceiro mês consecutivo, o índice que compara o nível efetivo dos estoques ao planejado pelos empresários avançou. Em setembro, o indicador subiu 0,4 ponto, para 50,8 pontos, alcançando o maior patamar em quase três anos.

Segundo Azevedo, o resultado reflete a frustração dos industriais com a demanda. As empresas esperavam manter ou reduzir a produção, mas as vendas ficaram abaixo do previsto, dificultando o escoamento dos produtos armazenados.

“O problema é que normalmente, para se ter um avanço ou retomada da produção, primeiramente o empresário vai precisar queimar esses estoques. E é custoso manter os estoques, para que, até lá, haja uma melhora eventual da demanda e comece a refletir de fato em aumento da atividade industrial”, pontua.

Outros indicadores também apontam para o enfraquecimento da atividade industrial. O índice de evolução da produção ficou em 46,7 pontos em setembro. Abaixo da linha divisória de 50 pontos, o resultado indica retração da produção em relação a agosto.

O indicador de evolução do número de empregados também permaneceu abaixo desse patamar, ao fechar o mês em 48 pontos, sinalizando percepção de redução do emprego industrial.

“A produção costuma apresentar um índice bem mais próximo da linha de 50 pontos em meses de setembro. E o índice do número de empregados varia muito pouco, mas também continua abaixo da linha divisória de 50 pontos, mostrando uma percepção de queda do número de empregados da indústria a partir da visão dos empresários”, avalia Azevedo.

Na contramão dos demais indicadores, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) aumentou 1 ponto percentual, para 70%, igualando o resultado registrado no mesmo período de 2025.

Carga tributária e demanda insuficiente lideram preocupações

A elevada carga tributária permaneceu na primeira posição do ranking de principais problemas enfrentados pela indústria. No terceiro trimestre de 2026, 37,2% dos empresários apontaram o peso dos impostos entre os maiores entraves ao setor, alta de 3,9 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.

A demanda interna insuficiente subiu da quarta para a segunda colocação no ranking, após ser mencionada por 29,6% dos empresários. O percentual representa um avanço de 3 pontos percentuais na comparação trimestral.

Para Azevedo, o aumento da preocupação com a demanda interna está alinhado aos sinais de enfraquecimento da atividade e ao acúmulo de estoques nas empresas.

“Desde o terceiro trimestre de 2025 a demanda interna insuficiente não ficava na vice-liderança do ranking de principais problemas enfrentados pela indústria. E esse percentual registrado agora no terceiro trimestre de 2026 é o maior percentual de assinalação desde o primeiro trimestre de 2024”, destaca.

As taxas de juros elevadas ocuparam a terceira posição, citadas por 24,3% dos empresários, um aumento de 0,6 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.

Expectativas seguem abaixo das médias históricas

Os índices de expectativas dos industriais apresentaram poucas mudanças na passagem de setembro para outubro. Apesar das pequenas variações, todos permaneceram abaixo das respectivas médias históricas.

  • Índice de expectativa de demanda: subiu 0,3 ponto, para 51,5 pontos;
  • Índice de expectativa de compras de insumos e matérias-primas: continuou em 50,4 pontos;
  • Índice de expectativa de evolução do número de empregados: caiu 0,5 ponto, para 48,7 pontos;
  • Índice de expectativa de quantidade exportada: avançou 0,3 ponto, para 49,2 pontos. 

Os resultados apontam perspectivas de crescimento da demanda por produtos industriais e das compras de insumos e matérias-primas nos próximos seis meses. Em contrapartida, os indicadores sinalizam expectativa de redução do número de empregados e do volume exportado.

Após quatro quedas consecutivas e de atingir o pior nível desde a pandemia, a intenção de investimento dos empresários industriais apresentou recuperação em outubro. O indicador subiu 1,3 ponto, para 52,6 pontos. Apesar da alta, acumula queda de 3,3 pontos em 2026.

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22/10/2026 04:55h

Rede de educação tem oportunidades da Educação Infantil ao Ensino Médio e EJA; confira as oportunidades por estado

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A Rede SESI de Educação está com matrículas abertas para o ano letivo de 2027 em diferentes estados brasileiros. As oportunidades incluem bolsas de estudo de até 100%, vagas gratuitas e descontos nas mensalidades para dependentes de trabalhadores da indústria, conforme os critérios estabelecidos por cada departamento regional.

A oferta varia de acordo com a unidade e pode abranger Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Os interessados devem consultar os canais oficiais do Serviço Social da Indústria (SESI) em cada estado para verificar a disponibilidade de vagas, os prazos de inscrição, os documentos exigidos e as condições para obter bolsas e gratuidade.

Também é importante conferir a duração dos benefícios e se despesas como material didático, alimentação e transporte estão incluídas.

Ensino com foco em ciência, tecnologia e inovação

A proposta pedagógica das escolas do SESI inclui atividades nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática, abordagem conhecida pela sigla STEAM. A metodologia combina conteúdos dessas áreas com atividades práticas e projetos interdisciplinares.

Os estudantes também podem participar de projetos de robótica e utilizar laboratórios maker, espaços destinados à criação e à experimentação. Em algumas unidades, o Ensino Médio é integrado a cursos técnicos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).

Segundo o superintendente de Educação do SESI, Wisley Pereira, a metodologia busca preparar crianças e jovens para os desafios do futuro do trabalho.

“São escolas que têm a metodologia STEAM — Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática —, que preparam as crianças, os adolescentes e os jovens para o futuro do trabalho, com resoluções de problemas complexos, e que têm muita tecnologia embarcada, com infraestrutura excelente”, afirma.

Confira as oportunidades por estado

  • Alagoas

As Escolas SESI Alagoas já iniciaram o processo de matrícula e anunciaram a ampliação da unidade Benedito Bentes, em Maceió, que passará a atender estudantes a partir do 3º ano do Ensino Fundamental.

A rede oferece descontos para matrículas antecipadas: até 25% na primeira parcela e 30% para ingressantes na 1ª série do Ensino Médio. O material didático está incluído na mensalidade.

Outras informações estão disponíveis no site das Escolas SESI Alagoas.

  • Bahia

A Escola SESI Bahia abriu inscrições para 295 bolsas integrais destinadas a novos estudantes da 1ª série do Ensino Médio com Formação Técnica e Profissional em 2027. As oportunidades estão distribuídas em 11 escolas de nove municípios baianos.

Desse total, 35 bolsas são destinadas à unidade de Jequié, que será inaugurada em 2027. A escola terá 216 vagas, do 6º ano do Ensino Fundamental à 1ª série do Ensino Médio, com atividades de robótica educacional e incentivo à iniciação científica.

Podem concorrer às bolsas candidatos cuja renda familiar líquida seja de até 2,5 salários mínimos. As inscrições são gratuitas e vão até 22 de outubro, às 23h59, no horário de Brasília. O prazo pode ser encerrado antecipadamente caso seja atingido o limite de inscritos por curso. A prova presencial está prevista para 22 de novembro.

Consulte o edital e faça sua inscrição no site da Escola SESI Bahia.

  • Tocantins

O SESI Tocantins abriu inscrições para 38 vagas gratuitas em 2027, com isenção das taxas de matrícula e das mensalidades, além de material didático gratuito. Todas as vagas são para o turno vespertino, com aulas das 13h às 18h20.

Em Araguaína, são oito vagas para a 1ª série do Ensino Médio. Em Palmas, há oito vagas para a 2ª série, no itinerário de Ciências Humanas e Linguagens. Já Gurupi oferece 14 vagas para a 1ª série do Ensino Médio e oito para o Ensino Fundamental, sendo duas para cada ano, do 6º ao 9º.

As oportunidades priorizam dependentes de trabalhadores da indústria e também contemplam famílias de baixa renda, conforme os critérios socioeconômicos e escolares previstos nos editais. A seleção inclui análise documental, provas de Linguagens e Matemática e redação.

As inscrições terminam em 22 de outubro em Palmas e Araguaína. Em Gurupi, as inscrições já encerraram no dia 21. As provas serão realizadas em 3 de novembro, em Gurupi, e em 13 de novembro, nas outras duas cidades.

As matrículas regulares também estão abertas à comunidade, conforme a disponibilidade de vagas. 

Consulte os editais de Gurupi, Palmas e Araguaína.

  • Distrito Federal

A Rede SESI-DF atende estudantes no Gama, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), em Sobradinho e em Taguatinga. A rede também conta com unidades reconhecidas como Microsoft Showcase Schools. No Ensino Médio, os estudantes podem optar por cursos técnicos do SENAI.

As matrículas antecipadas para a rede regular oferecem descontos de até 30%. Além disso, o SESI-DF anunciou 360 vagas gratuitas remanescentes destinadas a estudantes de baixa renda, sendo 284 para a 1ª série do Ensino Médio e 76 para o 6º ano do Ensino Fundamental. O edital prevê isenção das mensalidades e fornecimento gratuito de material didático.

Consulte as condições de matrícula e os editais no site do SESI-DF.

  • Goiás

O SESI Goiás abriu 13.390 vagas na educação básica. Para 2027, um dos destaques é a inauguração da Escola SESI SENAI Senador Canedo, na região metropolitana de Goiânia. O complexo recebeu investimento superior a R$ 70 milhões e terá capacidade para atender 1,3 mil novos alunos.

A rede também disponibiliza 800 bolsas de estudo, com foco no Ensino Médio, e 3.994 vagas gratuitas na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Outra opção oferecida é o exame internacional de proficiência em inglês TOEFL.

Saiba mais em sesigoias.com.br/matriculas2027.

  • Mato Grosso do Sul

A Escola SESI ampliará sua presença em Mato Grosso do Sul e chegará a dez unidades em 2027, com a abertura de escolas em Rio Verde de Mato Grosso e Paranaíba.

A rede integra recursos tecnológicos e ações voltadas ao desenvolvimento socioemocional às atividades pedagógicas. Dependentes de trabalhadores da indústria têm acesso a condições especiais.

Consulte as opções de matrícula no site da Escola SESI de Mato Grosso do Sul.

  • Rio Grande do Sul

O SESI-RS oferece oportunidades da Educação Infantil ao Ensino Médio, além de atividades no Contraturno Tecnológico.

Entre os destaques estão as bolsas de estudo de até 100% para o Ensino Médio em turno estendido e para o contraturno. A prioridade é destinada a dependentes de trabalhadores da indústria.

Saiba mais em educacao.sesirs.org.br ou pelo WhatsApp: (51) 9226-3846.

  • Santa Catarina

O SESI-SC abriu matrículas para a nova Escola de Referência em Jaraguá do Sul, com inauguração prevista para fevereiro de 2027. Na primeira etapa, serão oferecidas 701 vagas, da Educação Infantil ao Ensino Médio.

O prédio terá quatro pavimentos, 32 salas de aula, cozinha experimental e espaços destinados a oficinas de contraturno escolar nas áreas de robótica, games e invenções.

Consulte as condições de matrícula no site do SESI-SC.

  • Rio de Janeiro

As Escolas Firjan SESI estão com inscrições abertas para o processo de admissão de novos estudantes em 2027. A seleção é composta por três etapas: visita à escola, Avaliação Diagnóstica de Ingresso e preenchimento de questionário sobre a trajetória acadêmica e familiar do candidato.

Para participar, as famílias devem agendar uma visita à unidade de interesse e consultar a disponibilidade de vagas para a série desejada. A rede também oferece desconto de 40% para quem antecipa o pagamento da mensalidade de janeiro de 2027, conforme as condições estabelecidas pela escola.

Saiba mais em escolafirjansesi.com.br ou pelo telefone: 0800 0231 231.

  • São Paulo

O SESI-SP abriu as inscrições para beneficiários em 6 de outubro e para o público em geral em 19 de outubro. A participação de não beneficiários depende da disponibilidade de vagas nas unidades e nos anos escolares em que não houver demanda de candidatos das categorias prioritárias.

As novas vagas para o 1º ano do Ensino Fundamental estão distribuídas em 127 escolas. Para os demais anos escolares, a oferta depende da disponibilidade em cada uma das 137 unidades da rede.

Têm prioridade os filhos de trabalhadores de empresas industriais contribuintes do SESI-SP e os dependentes legais de funcionários do SESI-SP, SENAI-SP, FIESP, CIESP e IRS. Os demais candidatos podem ser atendidos conforme a disponibilidade de vagas após o atendimento das categorias prioritárias.

O ingresso na Educação Infantil e no 1º ano do Ensino Fundamental é definido por sorteio. Do 2º ao 9º ano do Ensino Fundamental e na 1ª e 2ª séries do Ensino Médio, o preenchimento das vagas ocorre por processo seletivo.

Saiba mais em hotsite.sesisp.org.br/processoseletivo.

Rematrícula para 2027

Os estudantes que já frequentam as escolas do SESI devem realizar a rematrícula, preferencialmente, pelo Portal do Aluno ou pela plataforma indicada pela unidade em que estão matriculados. Em algumas escolas, o procedimento também pode ser feito presencialmente.

A mudança de turno ou de unidade depende da existência de vagas. Por isso, as famílias devem consultar a secretaria da escola pretendida para verificar a disponibilidade e os procedimentos necessários.

O material didático integra a proposta pedagógica da rede, mas as condições de fornecimento podem variar conforme o estado e a unidade. A orientação é confirmar, diretamente com a escola, as regras de matrícula e as eventuais despesas adicionais.

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19/10/2026 04:20h

Pesquisa mostra que pequenas empresas têm mais dificuldades para obter crédito adequado

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Duas em cada três indústrias (65,3%) que buscaram crédito entre fevereiro e julho de 2026 recorreram a bancos comerciais tradicionais para obter financiamento de curto e médio prazo, com vencimento em até cinco anos. O percentual supera o registrado em 2025, quando 61% das empresas apontaram essas instituições como principal fonte de recursos. Os dados são da Sondagem Especial nº 107 – Condições de Acesso ao Crédito em 2026, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

No financiamento de longo prazo, com vencimento superior a cinco anos, os bancos comerciais tradicionais também foram a principal fonte de recursos, citados por 49,5% das empresas industriais que buscaram essa modalidade de crédito. Em 2025, o percentual havia sido de 51%.

Para a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, recorrer aos bancos comerciais tradicionais não é, por si só, um problema. O desafio é encontrar financiamentos com custos, volumes e prazos compatíveis com as necessidades das empresas.

Nesse contexto, a diversificação das fontes de financiamento é importante para ampliar as possibilidades de acesso a recursos adequados às diferentes demandas do setor produtivo.

“O ideal é que as empresas tenham acesso a diferentes fontes de financiamento para financiar suas atividades. Isso permitiria a elas encontrarem, com um pouco mais de facilidade, fontes de financiamento que atendam de fato às suas necessidades em relação a prazo, custo e montante desses financiamentos, permitindo não só o pagamento de despesas correntes, mas também a expansão da capacidade produtiva”, afirma Colusso.

Capital próprio como fonte de financiamento

O capital próprio foi a segunda fonte de financiamento de curto e médio prazo mais citada pelas empresas industriais que buscaram crédito no período, com 23,6% das menções. Os bancos de desenvolvimento ficaram em terceiro lugar, com 18,5%.

No crédito de longo prazo, a ordem foi inversa: os bancos de desenvolvimento foram citados por 29,5% das empresas, enquanto o capital próprio foi mencionado por 23,1%.

Segundo Colusso, o uso de recursos próprios pode representar uma decisão estratégica, mas merece atenção quando ocorre por falta de alternativas de financiamento.

“Utilizar o capital próprio como fonte de financiamento pode ser uma escolha estratégica dessa empresa industrial. Mas isso passa a ser algo relevante quando deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade da empresa, porque o custo do crédito está muito elevado ou porque ela está tendo dificuldade de acesso a esse financiamento”, destaca.

Pequenas empresas enfrentam mais dificuldades para obter crédito adequado

Para a maioria das empresas industriais que contrataram ou renovaram crédito, o valor aprovado correspondeu ao montante solicitado. No financiamento de curto e médio prazo, 62,1% receberam o volume de recursos de que necessitavam. No crédito de longo prazo, o percentual foi de 61%.

Por outro lado, cerca de uma em cada quatro empresas relatou ter recebido menos recursos do que precisava. Entre as que contrataram ou renovaram crédito de curto e médio prazo, 24,9% afirmaram que o valor aprovado foi menor ou muito menor do que o solicitado. No financiamento de longo prazo, o percentual chegou a 26,4%.

Já a aprovação de valores superiores aos necessários foi menos frequente: ocorreu em 11,1% das operações de curto e médio prazo e em 10,8% das de longo prazo.

A análise por porte mostra que as pequenas empresas enfrentam as maiores dificuldades para obter o volume de crédito necessário. Nessa categoria, 33,3% receberam recursos inferiores às suas necessidades no financiamento de curto e médio prazo. No longo prazo, o percentual foi ainda maior, de 34,4%.

Entre as médias e grandes empresas, os percentuais de insuficiência dos valores aprovados variaram de 21% a 27,7%, conforme o porte e a modalidade de financiamento.

Maria Virgínia Colusso ressalta que as empresas menores enfrentam obstáculos tanto para conseguir crédito quanto para obter o montante considerado adequado ao financiamento de suas atividades.

“Essas dificuldades podem estar relacionadas ao fato de as pequenas empresas terem maiores dificuldades de apresentar as garantias exigidas pelas instituições financeiras para conceder o crédito, comprovar capacidade de pagamento, além de terem menor poder de barganha para negociar as condições de financiamento”, explica.

Maioria mantém condições semelhantes na renovação do crédito

A pesquisa também avaliou as condições de acesso ao crédito e de renovação das operações. Entre as empresas industriais que renovaram linhas de curto e médio prazo no período, 53,9% afirmaram que as condições gerais permaneceram semelhantes às anteriores.

Para 24,8% das empresas, as condições de renovação foram piores ou muito piores. Já 19,7% relataram condições melhores ou muito melhores.

No financiamento de longo prazo, 53,2% dos entrevistados disseram que as condições de renovação permaneceram semelhantes. Outros 17,8% avaliaram que elas ficaram piores ou muito piores, enquanto 26,9% apontaram melhora nas condições de financiamento.

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18/10/2026 04:55h

Estudo destaca a tecnologia como alternativa para garantir a continuidade da produção diante das mudanças climáticas

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A dessalinização da água do mar pode reduzir  riscos operacionais, assegurar a continuidade da produção e fortalecer a sustentabilidade do setor produtivo. É o que defende a Confederação Nacional da Indústria (CNI) em estudo apresentado durante o Congresso ALADYR Brasil 2026, realizado pela Associação Latino-Americana de Dessalinização e Reúso de Água, em São Paulo. 

Intitulada "Segurança Hídrica Industrial: O Papel da Dessalinização no Brasil", a publicação analisa o estágio de desenvolvimento da tecnologia, os custos de implantação, os impactos ambientais e as oportunidades de financiamento para ampliar a segurança do abastecimento de água no setor industrial.

A dessalinização consiste na remoção de sais e outros minerais da água do mar ou salobra, tornando-a adequada para diferentes usos, inclusive o consumo humano e as atividades produtivas. A técnica mais utilizada atualmente é a Osmose Reversa (OR), processo em que a água passa sob pressão por membranas semipermeáveis que retêm sais e outras substâncias dissolvidas.

Para o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto de Oliveira Muniz, a segurança hídrica tornou-se um fator estratégico para a competitividade industrial.

"Para a indústria, a água deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ser uma variável estratégica, que define onde se investe, como se produz e se a operação resiste a uma crise. Reúso e dessalinização são respostas concretas de adaptação à mudança do clima", afirma.

O gerente de Recursos Naturais da CNI, Mário Cardoso, explica que a água é um insumo essencial para a atividade industrial, utilizada tanto como matéria-prima quanto nos processos de produção, como resfriamento, lavagem e geração de vapor. A falta do recurso pode levar à redução do ritmo de produção ou até à paralisação das fábricas, com impactos que se estendem por toda a economia.

“Quando a fábrica para, quem sente primeiro é o trabalhador, depois a cadeia de fornecedores e o município”, afirma. Segundo Cardoso, mesmo antes de um eventual desabastecimento, a insegurança hídrica já eleva os custos das empresas, que precisam recorrer a caminhões-pipa, buscar fontes emergenciais de captação e manter estoques para evitar interrupções.

O gerente também alerta para os efeitos da escassez de água sobre o setor elétrico. No Brasil, a dependência da geração hidrelétrica faz com que as crises hídricas também possam comprometer a produção de energia, ampliando os riscos para a atividade econômica.

“Com eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, ter água garantida passou a ser fator de competitividade. O investidor escolhe onde instalar uma fábrica, olhando também para a segurança hídrica. Por isso, a CNI trata o tema como estratégia de adaptação à mudança do clima, e não apenas como uma questão ambiental”, afirma.

Mudanças climáticas ampliam desafios para a segurança hídrica

Mário Cardoso apresentou o estudo a especialistas latino-americanos durante o painel “Mudanças climáticas e segurança hídrica: desafios para a economia latino-americana”. O debate contou com a participação do assessor da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Tibério Pinheiro, e foi moderado pelo diretor da ALADYR, Eduardo Pedroza.

Na apresentação, Cardoso destacou os impactos dos eventos climáticos sobre a população e a economia brasileira. Segundo o Atlas Digital de Desastres no Brasil, eventos climáticos atingiram 83% dos municípios do país entre 2014 e 2023, afetaram 177 milhões de pessoas e provocaram prejuízos de R$ 421 bilhões.

Os efeitos econômicos podem ser ainda maiores no longo prazo. Um estudo do Ministério do Planejamento e Orçamento, elaborado no âmbito da Estratégia Brasil 2050, estima que a falta de medidas para enfrentar as mudanças climáticas pode custar até R$ 17,1 trilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro até 2050, além de eliminar 4,4 milhões de empregos.

Na América Latina, cerca de 150 milhões de pessoas vivem em situação de escassez hídrica, segundo relatório do Banco Mundial.

No Brasil, apesar da disponibilidade hídrica elevada em termos agregados, a distribuição da água é desigual. Segundo a ANA, a Região Hidrográfica Amazônica concentra cerca de 81% da disponibilidade de águas superficiais do país, enquanto o semiárido nordestino enfrenta escassez recorrente.

Nesse cenário, a indústria precisa buscar alternativas para reduzir a dependência de fontes convencionais de abastecimento e enfrentar períodos de restrição hídrica. Dados do relatório Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil 2025, da ANA, indicam que a demanda de água do setor industrial chegou a aproximadamente 175 m³/s em 2025.

Tecnologia avança e reduz custos de dessalinização 

O estudo da CNI destaca os ganhos de eficiência da Osmose Reversa nas últimas décadas. O consumo de energia necessário para dessalinizar a água, que inicialmente podia chegar a 20 quilowatts-hora por metro cúbico (kWh/m³), caiu para uma faixa de 2,0 a 4,0 kWh/m³ nas instalações modernas de grande porte.

Apesar dos avanços tecnológicos, a eletricidade ainda representa entre 40% e 60% dos custos operacionais de uma usina de dessalinização. No Brasil, os custos de produção de água para uso industrial variam, conforme os parâmetros apresentados no estudo, entre US$ 0,50 e US$ 0,80 por metro cúbico.

Já o investimento médio global em projetos de dessalinização de grande escala é estimado em aproximadamente US$ 900 por metro cúbico diário de capacidade instalada.

A localização da população e dos polos industriais também favorece a avaliação da tecnologia como alternativa de abastecimento. Cerca de 111,27 milhões de brasileiros, o equivalente a 54,8% da população, vivem a até 150 quilômetros da costa, onde também estão concentrados importantes centros industriais.

No entanto, a proximidade do mar não elimina os desafios relacionados ao custo da energia, à infraestrutura necessária e aos impactos ambientais do processo. Por isso, a viabilidade dos projetos depende das características de cada região e das necessidades de consumo de água.

Fundo Clima pode financiar projetos industriais

Para estimular a implantação de novos projetos, o estudo destaca a disponibilidade de linhas de crédito do Fundo Clima – Indústria Verde, operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo a CNI, além do acesso ao financiamento, o avanço da dessalinização depende de maior segurança jurídica para os investimentos. Entre os pontos que precisam de clareza estão as regras de licenciamento ambiental para o descarte da salmoura — resíduo concentrado em sais gerado no processo — e a tributação de equipamentos e insumos utilizados nas instalações.

A definição dessas condições pode contribuir para reduzir incertezas e ampliar a escala dos projetos no país.

Desafios para a dessalinização

Segundo Mário Cardoso, o principal entrave à expansão da dessalinização no Brasil não é tecnológico nem financeiro, mas regulatório.

“A tecnologia já está madura e já funciona no Brasil em algumas situações. O custo de operação para a indústria já é competitivo e existe financiamento pelo Fundo Clima no BNDES. O que falta é segurança jurídica. Não temos regras nacionais claras para o licenciamento das usinas, nem para o descarte da salmoura”, aponta.

De acordo com Cardoso, a falta de diretrizes claras faz com que cada projeto seja avaliado de forma isolada, o que pode prolongar os processos de licenciamento e aumentar a incerteza para os investidores. Esse cenário, segundo ele, dificulta a expansão da tecnologia no país.

Para as pequenas empresas, uma das alternativas é investir em soluções compartilhadas. Segundo o gerente da CNI, distritos e polos industriais podem implantar centrais de reúso de água para atender a várias empresas, dividindo os custos de investimento e operação.

“A pequena empresa também pode comprar a água como serviço. Ela paga pelo metro cúbico entregue e não precisa imobilizar um capital na planta”, afirma.

Outra medida é adotar regras de licenciamento proporcionais ao risco ambiental de cada iniciativa. “Uma empresa que reaproveita a própria água dentro da fábrica, sem impacto para ninguém, não deveria enfrentar a mesma burocracia de um grande projeto. Regra simples também é redução de custo”, defende Cardoso.

O gerente também destaca a importância de ampliar o acesso ao crédito para pequenas e médias indústrias, com linhas de financiamento de menor valor, operadas por bancos regionais e instituições financeiras parceiras. Além disso, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) pode contribuir com diagnósticos e assistência técnica para identificar oportunidades e orientar a implementação de soluções de reúso de água.

Projetos brasileiros demonstram viabilidade da tecnologia

O levantamento da CNI reúne experiências nacionais de dessalinização para diferentes finalidades, desde o abastecimento de grandes complexos industriais até o fornecimento de água potável para comunidades rurais.

Entre os exemplos apresentados estão:

  • ArcelorMittal Tubarão (ES): maior usina de dessalinização de água do mar do Brasil, recebeu investimento de R$ 50 milhões e possui capacidade inicial de 500 m³/h (suficiente para abastecer 80 mil pessoas). A planta conta com sistema de recuperação de energia de alta pressão que reduz em 50% o consumo elétrico e realiza o descarte de salmoura diluído no canal de água do mar da própria usina (800 m³/h diluídos em 48.000 m³/h). 
  • Fortaleza (CE): Parceria Público-Privada (PPP) de 30 anos com a Cagece e o Consórcio Águas de Fortaleza, envolvendo R$ 3,1 bilhões em valor total e R$ 526 milhões em investimentos diretos para construir uma usina com capacidade de 1 m³/s (31,5 milhões de m³/ano). 
  • Fernando de Noronha (PE): O investimento de R$ 22 milhões da Compesa na usina do arquipélago gerou um ganho de 85,7% na receita da concessionária e acabou com o racionamento hídrico na ilha. 
  • Programa Água Doce (PAD): Focado no semiárido, atende mais de 200 mil pessoas em comunidades rurais. Em pregões recentes da Codevasf, foram contratados sistemas comunitários de 400 L/h com custo unitário de instalação entre R$ 423 mil e R$ 445 mil. 
  • Ilhabela (SP): Projeto da Sabesp com capacidade para 30 L/s, que aumentará em 22% a oferta de água potável para cerca de 7.000 famílias, com previsão de início de operação em 2026. 
  • CPFL (RN): Sistema fotovoltaico integrado à dessalinização que leva água potável a mais de 800 famílias no semiárido potiguar.

CNI amplia agenda de reúso de água e adaptação climática

O estudo sobre dessalinização integra uma estratégia da CNI voltada à segurança hídrica industrial, iniciada em 2017. Em parceria com federações industriais e o Centro Internacional de Referência em Reúso de Água da Universidade de São Paulo (Cirra/USP), a entidade já produziu dez estudos sobre o reúso de efluentes.

As projeções reunidas pela confederação indicam que o Brasil pode ampliar em até 13 vezes sua capacidade de reúso industrial. Para isso, seriam necessários investimentos estimados em R$ 1,89 bilhão, com potencial de gerar retorno econômico direto de R$ 5,9 bilhões para o setor.

A iniciativa também resultou na elaboração de um manual metodológico para avaliar a viabilidade do reúso industrial em países da América do Sul, lançado recentemente pela CNI.

Outra publicação da entidade é o Guia da Indústria para Adaptação à Mudança do Clima, lançado em 2026. O material reúne diagnósticos, metodologias e medidas práticas para orientar empresas na identificação de riscos climáticos e na adoção de estratégias de adaptação.

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17/10/2026 04:55h

CNI, INTA e instituições públicas discutem mecanismos para transformar marcas, patentes e outros bens intangíveis em garantias para financiar a inovação

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O desenvolvimento de métodos confiáveis, acessíveis e padronizados para avaliar ativos de propriedade intelectual é um dos desafios do Brasil para ampliar o acesso ao crédito e estimular o financiamento da inovação. A valoração desses bens pode permitir que marcas, patentes e outros ativos intangíveis sejam utilizados como garantia em operações financeiras.

O tema foi debatido na quarta-feira (14), em São Paulo, durante o workshop Propriedade Intelectual & Financiamento: Integrando Valor, Investimento e Competitividade. O evento foi promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela International Trademark Association (INTA), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Durante um dos painéis, o coordenador-geral do INPI, Rodrigo Ventura, discutiu caminhos para ampliar as possibilidades de financiamento da inovação no país. Segundo ele, a falta de mecanismos consolidados de avaliação dificulta o reconhecimento desses ativos nas negociações com instituições financeiras.

“Na hora de pedirem financiamento, o que o banco pede é patrimônio, aval pessoal. Então, ter o INPI, o escritório de propriedade intelectual ao seu lado, na mesa de negociação, com uma estimativa, com um laudo de valor defensável para o seu ativo, é fundamental para que o processo de negociação se desenvolva em bases concretas”, afirmou.

Ventura ressaltou que não há impedimento legal no Brasil para o uso da propriedade intelectual como garantia financeira. O principal desafio, segundo ele, é desenvolver ferramentas confiáveis e padronizadas para determinar o valor desses ativos.

“O INPI tem trabalhado e, a partir do ano que vem, estará se estruturando para começar a oferecer esses serviços de valoração de ativos”, disse.

Valoração de marcas e patentes pode aproximar conhecimento e mercado

O encontro discutiu como ampliar a visibilidade e a credibilidade dos ativos intangíveis — como marcas, patentes, desenhos industriais, softwares, dados e know-how — para que eles possam ser mais bem aproveitados pelas empresas, inclusive como garantias em operações de crédito.

O Brasil reúne marcas consolidadas, um setor de tecnologia e startups em expansão e um mercado de capitais em desenvolvimento. 

A especialista em Desenvolvimento Industrial da CNI, Denise Gregory, destacou que a posição brasileira no registro de marcas não se traduz, necessariamente, em uma gestão estratégica desses ativos. Embora o país esteja entre os líderes mundiais em registros, ainda há espaço para avançar na avaliação e na exploração econômica das marcas.

“Não basta registrar a marca, mas fazermos a gestão estratégica dessa marca para que ela tenha valor, seja percebida como tal dentro e fora da empresa, no mercado. É preciso criar mecanismos que possam realmente fazer com que essa marca seja valorada e sirva como garantia de financiamento, de crédito no mercado”, afirmou.

Ventura também chamou a atenção para a distância entre a produção de conhecimento e sua transformação em inovação comercial. Segundo ele, apesar da presença brasileira nos indicadores internacionais de marcas e patentes, o país ainda enfrenta dificuldades para converter esse potencial em resultados de mercado.

“Nesse processo de inovação, monetizar é essencial; é o que faz o conhecimento circular, da universidade para a empresa, da empresa para o mercado, do mercado de volta para o laboratório”, ressaltou.

Micro e pequenas empresas podem se beneficiar da valoração de ativos

A propriedade intelectual também pode representar uma oportunidade de acesso a crédito para micro e pequenas empresas (MPEs), que nem sempre dispõem de patrimônio físico suficiente para oferecer como garantia em operações financeiras.

Segundo Rodrigo Ventura, cerca de 80% dos titulares de marcas são micro e pequenas empresas ou pessoas físicas. No caso dos depósitos de patentes realizados por residentes no Brasil, aproximadamente 70% têm como origem micro e pequenas empresas ou inventores individuais.

Para esses empreendedores, a marca ou a patente pode representar um dos principais ativos do negócio. 

“Precisamos cada vez mais sensibilizar os detentores desses ativos de que o que eles têm é um ativo estratégico que tem que ser colocado no centro das suas estratégias corporativas", afirmou Ventura.

A consultora para a América Latina e Caribe da INTA, Renata Lisboa, ressaltou que o nível de maturidade das empresas brasileiras em relação à propriedade intelectual é heterogêneo. Por isso, segundo ela, as iniciativas para estimular a valoração desses ativos precisam considerar diferentes estágios de conhecimento e preparação.

“Em alguns casos, a nossa conversa vai ser inspiracional. Em outros vamos construir uma agenda para fazer com que os ativos intangíveis estejam, de fato, no dia a dia das decisões centrais das empresas”, disse.

Instituições públicas e setor privado têm papel estratégico

Um dos paineis também explorou o papel de instituições públicas e de agentes financeiros no fortalecimento da confiança na economia intangível brasileira. Entre os desafios estão o aprimoramento dos métodos de valoração, a melhoria da qualidade dos dados, o fortalecimento da governança e a construção de condições regulatórias que ampliem a confiança no uso desses ativos em operações financeiras.

Em entrevista, Denise Gregory destacou iniciativas e responsabilidades de diferentes atores nesse processo:

  • Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES): trabalha na valoração das empresas e no aperfeiçoamento dos mecanismos relacionados a essa avaliação.
  • INPI: desenvolve iniciativas de valoração de marcas, incluindo capacitação, mentorias e ferramentas metodológicas para avaliar marcas, patentes e outros ativos intangíveis.
  • Governo federal: deve tratar a valorização da propriedade intelectual como uma política de Estado, a exemplo de iniciativas adotadas por países como Estados Unidos e China.
  • Estratégia Nacional de Propriedade Intelectual: prevê um grupo de trabalho voltado à relação entre propriedade intelectual e financiamento.
  • Setor privado: precisa ampliar o conhecimento sobre o sistema de propriedade intelectual e se preparar para utilizar melhor esses ativos como instrumentos de competitividade e acesso a crédito.

Perspectivas para 2027

A ampliação do debate sobre propriedade intelectual como ferramenta de negócios é um dos próximos passos para avançar na agenda de financiamento da inovação. Segundo Renata Lisboa, a parceria entre INTA e CNI contribuiu para abrir espaço para essas discussões, que também integram a agenda do MDIC.

De acordo com a consultora, no âmbito do ministério, o Grupo Interministerial de Propriedade Intelectual conta com um subgrupo dedicado a estudar o suporte regulatório necessário para avançar no reconhecimento e na incorporação desses ativos aos negócios.

A iniciativa busca contribuir para a criação de condições que permitam utilizar marcas, patentes e outros ativos de propriedade intelectual na obtenção de financiamento, ampliando as alternativas de crédito para empresas e empreendedores.

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16/10/2026 04:50h

Gestores de 21 estados discutiram estratégias para adaptar o programa aos desafios das empresas e ampliar a competitividade do setor produtivo

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Gestores de 21 estados brasileiros se reuniram na última semana, durante o Encontro Nacional de Gestores do Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias (Procompi), iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com as federações estaduais.

O encontro ocorreu durante a transição entre o encerramento do ciclo atual do programa e a estruturação de sua próxima fase. A etapa vigente entra na reta final, com prestação de contas prevista até março de 2027. Nesse contexto, um dos principais desafios é adaptar a iniciativa à realidade de empresas que cresceram, incorporaram novas tecnologias e passaram a enfrentar demandas diferentes das que tinham quando ingressaram no programa.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Ricardo Cavalcante, defendeu que as instituições mantenham o foco nas necessidades reais do setor produtivo.

“Precisamos compreender que, mesmo diante de tantas dificuldades, temos uma indústria que está crescendo. Há alguns anos, uma pequena empresa cearense do setor de sorvetes ingressou no Procompi. O negócio avançou e hoje é a maior fábrica do Nordeste e a quarta maior produtora de sorvetes do país. Essa empresa cresceu e agora precisa apoiar seus fornecedores para que cresçam juntos. Precisamos colocar nas prateleiras o que o mercado procura hoje e criar soluções novas para problemas novos”, pontuou.

A especialista de Política Industrial da CNI, Suzana Peixoto, destacou que a troca de experiências entre os gestores permite disseminar soluções e acelerar a adoção de boas práticas nos estados.

“Quando trazemos diversos gestores do Brasil todo contando sobre as experiências com o trabalho de diferentes setores, com características bem peculiares, podemos aprender e trazer essas inovações para a nossa indústria, para a nossa cidade. Podemos fazer a gestão do conhecimento e encurtar cada vez mais o caminho dos nossos aprendizados”, afirmou.

Desde o início da iniciativa, nos anos 2000, o Procompi investiu quase R$ 104 milhões em cerca de 8,9 mil empresas. 

Estratégia adaptada às necessidades locais

A próxima fase do Procompi prevê planos setoriais e territoriais que combinem diretrizes nacionais com diagnósticos das realidades locais. A proposta é identificar as prioridades tecnológicas e produtivas de cada região e direcionar o apoio aos principais desafios enfrentados pelas empresas.

O superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, defendeu uma atuação flexível e integrada com outras instituições do Sistema Indústria e com o Sebrae.

“Precisamos de uma atuação versátil o suficiente para acolher as demandas reais trazidas pelos sindicatos e territórios, conectando essas necessidades locais a um portfólio integrado com as forças do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), do Sebrae e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL)”, destacou.

Parceria com o movimento Juntos pela Indústria

A nova fase do Procompi será estruturada em sintonia com o movimento Juntos pela Indústria, aliança estratégica entre o Sebrae e o Sistema Indústria voltada ao enfrentamento de desafios relacionados à competitividade empresarial.

A iniciativa contempla cinco frentes:

  • produtividade, transformação digital e inovação; 
  • sustentabilidade; 
  • desenvolvimento humano e bem-estar; 
  • acesso a mercados; 
  • ambiente de negócios e econômico.

Para Fábio Krieger, do Sebrae Nacional, o diferencial do Procompi está na capacidade de desenvolver soluções específicas para as necessidades de cada cadeia produtiva, sindicato e território.

“O Procompi precisa ser reforçado nas necessidades específicas, nos fatores críticos e nos gargalos de cada cadeia produtiva, sindicato e território, em vez de focar apenas em frentes nacionais e comuns onde já temos programas estruturados”, ressaltou.

Três experiências mostram resultados do Procompi

Durante o encontro, gestores apresentaram projetos apoiados pelo programa em áreas como digitalização, gestão da inovação e sustentabilidade. Os exemplos mostram como iniciativas direcionadas a desafios específicos podem contribuir para melhorar processos e ampliar a competitividade das empresas.

  • Conecta Alimentos amplia oportunidades de negócios

No setor de alimentos, André Siqueira apresentou a plataforma Conecta Alimentos, criada para reduzir as diferenças de presença digital entre pequenos negócios e facilitar o acesso a novos mercados.

“Com o apoio do Procompi, criamos uma plataforma simplificada e eficiente que funciona como vitrine digital e aproxima as micro, pequenas e médias empresas de novas oportunidades de negócios”, explicou. 

O canal reúne vitrines virtuais de produtores de rações, temperos, proteínas animais e polpas de frutas, ampliando a visibilidade dos empreendimentos e facilitando a conexão com potenciais clientes.

  • Participação dos funcionários impulsiona inovação nas fábricas

Outra experiência apresentada no encontro mostrou como a participação dos trabalhadores pode contribuir para aprimorar processos industriais. Paulo Rabelo Pinheiro, presidente do SindRoupas e diretor de Inovação da FIEC, detalhou os resultados de um projeto de gestão da inovação que envolveu diretamente as equipes das fábricas na identificação e na solução de problemas.

Com a criação de comitês internos, costureiras, cortadores e operadores passaram a contribuir com decisões sobre os processos produtivos. Em uma das empresas participantes, uma costureira que havia trabalhado profissionalmente em Portugal sugeriu melhorias operacionais que ainda não tinham sido identificadas pela gestão.

Os resultados também apareceram no desempenho financeiro. Uma das indústrias dobrou o faturamento, enquanto outra, que operava no vermelho, conseguiu reequilibrar as contas e voltar a apresentar resultados positivos.

  • Gestão ESG transforma compromissos em resultados mensuráveis

A incorporação de práticas ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) também esteve entre os temas discutidos. Dani Tavares, fundadora da We Seed, apresentou uma experiência de estruturação dessas práticas com o apoio do Procompi.

“O Procompi trouxe esse chão de estruturas, sobretudo na perspectiva do ESG”, afirmou. Para ela, a governança é fundamental para organizar evidências, dar transparência às iniciativas e medir os resultados efetivamente alcançados pelas empresas.

Visita técnica mostra como reduzir o consumo de água na indústria têxtil

A programação do encontro incluiu uma visita técnica à fábrica da Benatêxtil, em Fortaleza, onde os participantes conheceram tecnologias voltadas à redução do consumo de água, à diminuição do uso de produtos químicos e ao aumento da eficiência dos processos de produção de jeans.

Uma das soluções apresentadas reduziu em 83% o consumo de água em uma etapa do processamento das peças. A técnica utiliza espuma no tratamento do jeans e foi proposta pela gerente da fábrica. Antes da mudança, uma carga de 60 quilos consumia 1.800 litros de água. Com a adoção da tecnologia, o volume caiu para 300 litros.

A empresa também utiliza laser para criar desenhos e efeitos de desgaste no tecido, substituindo a aplicação de produtos químicos em parte do processo. Entre os acabamentos estão os chamados “bigodes”, marcas que reproduzem as dobras normalmente formadas pelo uso da calça na região das coxas.

Outra tecnologia empregada é o ozônio, utilizado nos processos de lavagem para reduzir a necessidade de agentes químicos.

A Benatêxtil também busca alternativas para diminuir a dependência da lenha em suas operações. A fábrica já utiliza resíduos de madeira e briquetes de algodão como fontes de energia, mas continua em busca de soluções para reduzir o consumo de lenha.

A busca por maior eficiência produtiva e pelo uso sustentável dos recursos naturais esteve entre os temas discutidos no Encontro Nacional de Gestores do Procompi.

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15/10/2026 04:55h

ENAJI 2026 reuniu novas lideranças da indústria para discutir inovação, transição energética, exportações e os rumos do setor para os próximos anos

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O avanço da tecnologia, as oportunidades da transição energética e a busca por novos mercados abrem caminhos para ampliar a competitividade da indústria brasileira. Esses temas marcaram o Encontro Nacional dos Jovens Industriais (ENAJI) 2026, realizado no mês de outubro, em Natal, no Rio Grande do Norte.

Ao longo de três dias, empresários, sucessores, gestores e empreendedores de diferentes regiões do país trocaram experiências e discutiram estratégias relacionadas ao planejamento empresarial, à liderança feminina, à inteligência artificial, à descarbonização, às exportações e à Nova Indústria Brasil (NIB).

O estado potiguar serviu de cenário para as discussões por reunir oportunidades em áreas como energias renováveis e produção de sal marinho, setor responsável por cerca de 95% do volume nacional, segundo informações apresentadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Planejamento e gestão orientam a sucessão empresarial

A programação do evento contou com a palestra Planejamento estratégico, cultura e gestão, de Marcos Marques, fundador e CEO do Grupo Acelerador. Ao questionar o público com a frase “Você está planejando falhar?”, o executivo chamou a atenção para os riscos de conduzir uma empresa sem metas definidas, indicadores de desempenho e ações relacionadas às prioridades do negócio.

Na avaliação de Marques, estabelecer objetivos não basta, já que também é necessário envolver os profissionais e transformar as estratégias em ações concretas. “O grande desafio é mobilizar as pessoas”, afirmou.

A discussão também se dirigiu aos sucessores de empresas familiares, que precisam demonstrar capacidade de gestão e assumir responsabilidades com foco em resultados mensuráveis.

Participação feminina vai além da representatividade

Os desafios enfrentados pelas mulheres na indústria foram tema de uma mesa-redonda mediada por Déborah Sayonara, gestora de Oportunidades e CEO da Matersol. O debate contou com Lua Andrade, CEO da Elas Vida Leve; Mônica Monteiro, presidente do Fórum da Mulher Empresária da Confederação Nacional da Indústria (CNI); Polyanna Alves, superintendente da Neoenergia Cosern; e Conceição Praxedes, CEO da Refimosal e presidente do Simorsal.

As participantes discutiram a conciliação entre desempenho financeiro, inovação, propósito empresarial e gestão de equipes. Polyanna destacou a necessidade de integrar essas áreas, enquanto Lua Andrade defendeu que os valores de uma organização precisam estar acompanhados de resultados que garantam sua continuidade. “O propósito é importante, mas o propósito por si só não adianta”, disse.

Já Mônica Monteiro chamou a atenção para a importância de aproveitar oportunidades profissionais e assumir riscos. Ela também pontuou que a presença feminina em eventos e registros institucionais não significa, necessariamente, participação nas decisões. “Colocar a mulher em fotografias é uma coisa; ouvir a mulher e sentar à mesa é outra”, ressaltou.

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Conceição Praxedes destacou o conhecimento técnico como elemento fundamental para consolidar a autoridade das mulheres no ambiente industrial. “É preciso provar conhecimento com o dobro de precisão para impor autoridade”, enfatizou.

As discussões apontaram que a ampliação da liderança feminina depende de reconhecimento profissional, autonomia econômica e acesso efetivo aos espaços de decisão.

Inteligência artificial pode melhorar processos industriais

As possibilidades de aplicação da inteligência artificial e os cuidados necessários para sua adoção foram discutidos por Gustavo Sant’ana, engenheiro em Inteligência Artificial da Oracle, e Alberto Kastro, estrategista em Inteligência Artificial Aplicada, no painel “Inteligência Artificial e Novas Tendências”.

Sant’ana apresentou a evolução da tecnologia, desde os modelos preditivos até os agentes capazes de planejar ações e executar tarefas de forma automatizada.

No setor industrial, essas ferramentas podem ser utilizadas em inspeções visuais com drones, controle de qualidade, manutenção, gestão de suprimentos e planejamento logístico. “O ganho mesmo está quando você consegue colocar qualidade, diminuir o tempo e melhorar o custo do seu processo”, explicou Gustavo.

Os especialistas também alertaram para a necessidade de proteger informações e estabelecer regras para o uso das ferramentas. Entre os cuidados destacados estão a classificação dos dados, o controle de acessos, a soberania das informações e a rastreabilidade das operações.

A recomendação apresentada no painel foi integrar a inteligência artificial à rotina das empresas a partir de necessidades concretas, com participação das lideranças e dos profissionais de diferentes áreas. O objetivo é evitar a adoção da tecnologia sem uma finalidade definida e concentrar esforços em aplicações que gerem valor para o negócio.

Transição energética depende de competitividade

O potencial brasileiro para desenvolver soluções de baixo carbono esteve no centro da mesa-redonda sobre descarbonização. O debate abordou oportunidades em eficiência energética, armazenamento de energia, biocombustíveis, economia circular e modernização dos processos industriais.

Mediada por Lorena Roosevelt, head do Polo Sebrae de Energias Renováveis, a discussão contou com a participação de Rodrigo Mello, diretor regional do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), e de Jansen Martins Lopes, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Energias da Petrobras.

Rodrigo Mello defendeu que a disponibilidade de recursos naturais precisa vir acompanhada de condições econômicas que permitam sua utilização. “Além de ser renovável, a energia precisa ser competitiva”, afirmou.

Jansen, por sua vez, apresentou iniciativas da Petrobras relacionadas a biocombustíveis, baterias, captura de carbono, geração renovável e eletrificação de operações. Para ele, a transição energética não dependerá de uma única solução, mas da combinação de diferentes tecnologias. “Não existe bala de prata. A gente pesquisa várias formas e entende quais vão se compor”, pontuou.

A discussão também destacou o papel da pesquisa, da qualificação profissional e da cooperação entre empresas, universidades e instituições de inovação. A expectativa é que a redução das emissões venha acompanhada de ganhos de eficiência, diminuição de custos, fortalecimento de fornecedores e acesso a novos mercados.

Exportações exigem planejamento e novos destinos

As estratégias para ampliar a presença do Rio Grande do Norte no mercado internacional foram discutidas no painel “Mercado externo: como RN atua e as tendências de crescimento”. O debate contou com a presença de Ulisses Medeiros, da ApexBrasil; Arimar França Filho, da Produmar e do SindiPesca RN; Luiz Eduardo Simas, da Sam’s; e Antônio Carlos Osório, da Salinor.

Entre os pontos abordados estiveram a preparação das empresas para exportar, a obtenção de certificações, a diversificação dos destinos e a adaptação às exigências comerciais de cada mercado.

Simas destacou a procura por novos destinos diante das mudanças tarifárias. Já Osório apresentou a trajetória de crescimento da Salinor: segundo ele, a empresa passou de aproximadamente 50 mil toneladas de sal exportadas no início dos anos 2000 para cerca de 1 milhão de toneladas por ano.

“Talento é importante, mas não é suficiente. Quem quer exportar ou ampliar os negócios no exterior precisa trabalhar duro, pensar grande e cuidar dos detalhes”, disse Osório.

Neoindustrialização exige inovação e novas lideranças

A relação entre mudanças tecnológicas, cenário geopolítico e questões climáticas também esteve presente na palestra de encerramento, Liderança para os desafios inéditos da NIB, conduzida por Alex Marson, idealizador da Neolideranças.

O especialista defendeu mudanças nos modelos de gestão para acompanhar as transformações que afetam a indústria. Segundo ele, a neoindustrialização não se limita à retomada da produção, pois também envolve inovação, desenvolvimento de competências tecnológicas e cooperação entre empresas.

Marson ressaltou ainda o potencial brasileiro em energias renováveis e a necessidade de agregar conhecimento e tecnologia aos recursos naturais para gerar desenvolvimento. Nesse cenário, a preparação de lideranças capazes de conduzir mudanças é parte dos desafios do setor.

Fórum anuncia mudança de nome e próxima edição em Cuiabá (MT)

O encerramento do ENAJI 2026 reuniu representantes das entidades organizadoras e lideranças industriais para avaliar os resultados do encontro e anunciar os próximos passos do movimento.

O presidente do Sistema FIERN, Roberto Serquiz, destacou o papel da troca de experiências na preparação de empresários e sucessores para os desafios da indústria. “Essa ligação entre as lideranças fortalece a preparação de todos e aumenta a eficiência e a competitividade da indústria”, afirmou.

Djalma Júnior, presidente da FIERN Jovem e anfitrião do evento, atribuiu a realização da edição potiguar ao trabalho conjunto dos envolvidos. Ele também ressaltou a importância de compartilhar conhecimentos entre as lideranças estaduais. “Conhecimento tem que ser ensinado, conhecimento é para compartilhar. Talvez esse seja o maior propósito desse movimento nacional: a integração dos estados e a troca de experiências”, afirmou.

“O ENAJI é um momento de conexão, de buscar conhecimento e, naturalmente, disseminar o desenvolvimento da indústria brasileira. Evidentemente que nenhuma empresa se desenvolve se não tiver todo um trabalho desenvolvido pela formação da governança, mas também com novas tecnologias, com incremento do seu parque fabril e, naturalmente, com o desenvolvimento das pessoas”, complementou.

Apoiando a iniciativa e destacando a visão institucional do Sistema, Sarah Saldanha, superintendente nacional do IEL, afirmou que a indústria do futuro contará com novos líderes que pensam temas de fronteira, descarbonização, inovação, como transformar a inteligência artificial em um vetor para o crescimento da indústria.

“É por isso que eventos como o ENAJI contribuem para essa reflexão. Juntos, novos líderes de todos os estados brasileiros se reúnem para discutir experiências, ouvir casos, trocar conexões e experiências e, de fato, discutir como podem pensar a indústria de amanhã”, disse.

A presidente do Fórum Nacional dos Novos Líderes Industriais, Diana Castro, destacou as conexões estabelecidas durante a programação. O encontro reuniu representantes de 17 estados, enquanto o fórum conta com 50 membros e 25 federações das indústrias.

“O ENAJI é muito mais do que uma agenda de capacitação networking. É um momento de construção coletiva com novas lideranças de todo o Brasil, onde a gente tem muitos momentos de troca de experiências e de fortalecimento dessas novas lideranças que vão ser as responsáveis por desenvolver a indústria brasileira nas próximas décadas”, destacou.

A dirigente também anunciou que, a partir de 2027, o evento passará a se chamar Encontro Nacional das Novas Lideranças Industriais. A mudança acompanha a proposta de ampliar a participação de profissionais que assumem posições de liderança no setor. “Não estamos aqui apenas para observar as transformações acontecerem, estamos aqui para liderar as transformações”, enfatizou.

A próxima edição será realizada em Cuiabá, sob organização da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (FIEMT). Thayla Trentin, representante do conselho de novas lideranças da federação, convidou os participantes a manter a articulação nacional.

Com o encerramento da edição de Natal, o movimento segue com a proposta de aproximar lideranças de diferentes estados, compartilhar experiências e preparar empresários e sucessores para os desafios da indústria brasileira.
 

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13/10/2026 21:20h

Iniciativa do CMEC e da CACB une parlamentares e setor produtivo para destravar projetos voltados ao financiamento de negócios liderados por mulheres, incentivo a negócios e combate à violência patrimonial

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Parlamentares e representantes do setor produtivo lançaram nesta terça-feira (13), em São Paulo, a Rede Parlamentar Mista de Políticas Femininas, com o objetivo de articular o avanço de projetos sobre crédito para empresárias, incentivo ao empreendedorismo feminino e combate à violência patrimonial.

A iniciativa foi apresentada pelo Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), ligado à Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), em conjunto com o Fórum Nacional da Mulher Empresária (FNME) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O grupo reúne congressistas e lideranças do comércio, da indústria e do agronegócio para acompanhar o trâmite de projetos no Congresso Nacional. Segundo a presidente do CMEC, Ana Cláudia Badra Cotait, a criação da rede é essencial para unir forças de diferentes setores produtivos e parlamentares em torno de um propósito comum, transformando demandas em políticas públicas efetivas.

"A criação dessa rede é extremamente importante para unir forças por um único propósito. Estamos juntando a classe empresarial de serviços, comércio e livre iniciativa com as parlamentares, para que possamos ter mais força no nosso propósito", destacou Ana Cláudia Badra Cotait, ressaltando que o objetivo é destravar projetos em andamento no Congresso.

Projetos prioritários no Congresso

A agenda prioritária do grupo abrange três projetos de lei em tramitação:

  • PL 2.632/2026 (da deputada Soraya Santos - PL-RJ): integra a iniciativa Mulheres em Movimento e estabelece diretrizes para expansão de crédito e capacitação de empreendedoras.
  • PL 674/2022 (da senadora Eliziane Gama - PT-MA): cria o Fundo de Empreendedorismo Feminino (FEE-Mulher) para financiamento de negócios liderados por mulheres.
  • PL 4.248/2025 (do deputado Jorge Goetten - Republicanos-SC e relatado pela deputada Delegada Adriana Accorsi - PT-GO): aborda a responsabilização por crimes de violência patrimonial em contexto doméstico.

Para a deputada federal eleita Júlia Nunes (PSD-AL),  a atuação do grupo é fundamental para garantir espaços de poder e converter pautas como o enfrentamento à violência patrimonial e o apoio ao empreendedorismo em realidade jurídica.

"Nós, mulheres, precisamos ocupar esses espaços de poder para fazer a diferença nas áreas em que sentimos falta", afirmou Júlia Nunes, reforçando a importância de fortalecer a legislação e dar suporte financeiro e institucional às empreendedoras. “Precisamos trazer uma penalidade efetiva e trazer políticas públicas que garantam também o acolhimento das mulheres”, disse.

Paula Belmonte, deputada distrital pelo DF, destacou a relevância do associativismo e da união entre o Legislativo e o setor produtivo para reorientar a lógica das leis voltadas às mulheres.

"É fundamental. Quando cheguei ao mandato como deputada federal, percebíamos que as leis não eram exatamente para valorizar os empreendedores e o setor produtivo; era o contrário, penalizar. Precisamos mudar a estrutura do pensamento para mostrar que o setor produtivo é o que gera tributos e leva a economia para a frente", afirmou Paula Belmonte, ressaltando a importância do acesso ao crédito.

A deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP) ressaltou que a ampliação da representação feminina no Congresso precisa resultar em pautas concretas de autonomia financeira.

"Temos uma bancada que aumentou, o que é muito ótimo, e vemos a força da mulher na política, em torno de 20%. Mas é importante que isso realmente se converta em pautas que deem autonomia e independência para as mulheres, porque muitas vezes a bancada feminina se ocupa de assuntos que não têm a ver com independência", destacou Adriana Ventura.

Presenças e representatividade no Senado e na Câmara

O evento contou com a participação de parlamentares e lideranças públicas, como a senadora eleita Gracinha Caiado (União-GO), as deputadas federais Marussa Boldrin (Republicanos-GO), Rosana Valle (PL-SP), Coronel Fernanda (PL-MT) e Priscila Costa (PL-CE), entre outras.

A senadora eleita Gracinha Caiado destacou a relevância histórica da bancada feminina e a união entre o Legislativo e as pautas de apoio às mulheres.

"Sem dúvida nenhuma, no Congresso Nacional temos uma representação histórica. São 109 mulheres eleitas na Câmara dos Deputados, representando 21% da Casa. No Senado, são 12 eleitas e agora somos 18 na bancada. A mulher, quando põe o pé em alguma coisa, faz diferente, porque coloca o coração e a família", frisou.

Paola Batistella, que é presidente da Faciap Mulher (Paraná), destacou  a importância  de debater o impacto das taxas de juros e o fomento aos negócios liderados por mulheres.

"É uma honra estarmos aqui representando o Paraná e o CMEC. Trazemos para este evento grandes pautas do empreendedorismo feminino, como a questão dos juros: por que a mulher paga mais juros hoje no Brasil? Há muitas coisas importantes para serem discutidas", enfatizou.

Cenário econômico e político

O lançamento da rede ocorre em um momento de expansão da presença feminina na política e na economia. Na Câmara dos Deputados, 109 parlamentares ocupam cadeiras (21,2% do total), enquanto o Senado conta com 12 senadoras, com estimativa de chegar a 18 integrantes em 2027.

No âmbito empresarial, dados do Sebrae apontam que o país registra 10,4 milhões de negócios liderados por mulheres. Em 2025, empreendedoras responderam por 41,7% das novas micro e pequenas empresas abertas no Brasil. A proposta da Rede Parlamentar Mista é manter um canal contínuo entre a classe empresarial e o Congresso para acompanhar e propor pautas ligadas ao setor.
 

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12/10/2026 04:55h

Juros elevados foram citados por 76% das empresas com dificuldades em operações de curto e médio prazo e por quase 69% no longo prazo

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Cerca de 76% das empresas industriais que enfrentaram dificuldades para obter crédito de curto ou médio prazo, com vencimento em até cinco anos, apontaram os juros elevados como o principal obstáculo ao financiamento. Nas operações de longo prazo, acima de cinco anos, o problema foi mencionado por quase 69% dos empresários. 

É o que revela a Sondagem Especial nº 107 - Condições de Acesso ao Crédito em 2026, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento ouviu 1.701 empresas industriais, sendo 692 de pequeno porte, 612 de médio porte e 397 de grande porte. As informações se referem ao período de fevereiro a julho de 2026. 

Embora a proporção de empresas que apontaram os juros como principal dificuldade tenha diminuído em relação à edição anterior da pesquisa, o custo do crédito continua liderando o ranking de obstáculos ao financiamento industrial. Na sondagem anterior, 80% dos entrevistados relataram dificuldades com os juros nas operações de curto e médio prazo, enquanto 71% apontaram o problema no crédito de longo prazo. 

A analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, destaca que a taxa básica de juros (Selic) começou 2026 em 15% ao ano e que o Banco Central tem adotado uma postura cautelosa no processo de redução. Atualmente, a taxa está em 13,75% ao ano. 

“Esses cortes levam um tempo para chegar a uma diminuição dos juros desse crédito. Então, temos um processo de defasagem entre esses movimentos que o Banco Central adota e o custo do crédito de fato. Como a Selic, mesmo após esse processo de flexibilização, ainda está muito elevada, o custo do capital ainda tem chegado bastante elevado para as empresas também”, afirma. 

Garantias e burocracia também dificultam o acesso ao crédito

O segundo principal obstáculo à contratação de crédito de curto e médio prazo é a exigência de garantias reais pelas instituições financeiras, como bens imóveis, por exemplo. A dificuldade foi mencionada por 33,4% das empresas que enfrentaram problemas para acessar essas operações. No financiamento de longo prazo, o percentual foi de 31,5%. 

A burocracia aparece como a terceira barreira mais citada para o crédito de curto e médio prazo, mencionada por 13,6% das empresas. Já nas operações de longo prazo, o terceiro entrave é o prazo de carência inferior ao necessário, apontado por 18,9% dos entrevistados. O resultado indica que parte dos empresários gostariam de ter mais tempo para começar a pagar as linhas de crédito pretendidas. 

Uma em cada quatro empresas não consegue crédito de curto prazo 

A sondagem mostra que metade (49,9%) das empresas industriais não buscou contratar ou renovar operações de crédito de curto e médio prazo no período analisado. Apenas 22,9% conseguiram contratar um financiamento ou renovar uma operação existente, enquanto 7,5% tentaram obter os recursos, mas não tiveram sucesso. 

No crédito de longo prazo, a parcela de empresas que não buscou contratar ou renovar financiamentos foi ainda maior, de 54%. Outros 15,5% conseguiram obter um novo financiamento ou prorrogar uma operação existente. Já 9,2% tentaram acessar os recursos, mas não conseguiram. 

Colusso explica que não buscar crédito, por si só, não representa necessariamente um problema. Em alguns casos, a empresa não precisou de financiamento no período ou optou por utilizar recursos próprios para custear as operações. 

“Mas isso começa a soar como um alerta quando a gente olha em conjunto com outras informações da pesquisa. O elevado percentual de frustração, que é quando essas empresas buscam contratar novas operações ou renovar operações já existentes e não conseguem. Isso começa a ser um alerta”, ressalta. 

Levando-se em conta apenas as empresas que buscaram contratar ou renovar crédito de curto/médio prazo, quase uma em cada quatro (24,7%) não tiveram sucesso. Nas operações de longo prazo, o índice chegou a 37,2%. 

O recorte por porte mostra que as pequenas empresas registraram os maiores índices de frustração no acesso ao financiamento. Confira os percentuais: 

  • Crédito de curto e médio prazo: 32% nas pequenas empresas, 28,4% nas médias e 20,3% nas grandes. 
  • Crédito de longo prazo: 48,2% nas pequenas empresas, 48,1% nas médias e 29,9% nas grandes. 

Capital de giro lidera a demanda por financiamento

O capital de giro foi a principal finalidade do crédito industrial, inclusive nas operações de longo prazo. Segundo a pesquisa, 28,7% das empresas que buscaram, contrataram ou renovaram esse tipo de financiamento apontaram a necessidade de capital de giro como motivo para recorrer a recursos de longo prazo. 

Na sequência, aparecem os investimentos na expansão da capacidade produtiva, como a aquisição de máquinas e equipamentos, citada por 23,6% das empresas, e os aportes em construção e instalações, mencionados por 11,6%. 

Nas operações de curto e médio prazo, o capital de giro teve participação ainda maior: quase 60% das empresas indicaram essa finalidade. Os investimentos em máquinas e equipamentos foram citados por 13,2%, enquanto os aportes em construção e instalações corresponderam a 5,8%. 

A analista da CNI ressalta que o capital de giro é usado para pagar despesas operacionais, como folha de pagamento, materiais e insumos. Por isso, é esperado o uso do crédito de curto prazo com essa finalidade. Já a busca por financiamentos de longo prazo para cobrir esses gastos chama a atenção. 

“O crédito de longo prazo voltado para o capital de giro nos chama atenção porque pode soar como uma sinalização de uma pressão também nesse financiamento. Pode soar como uma sinalização de que as empresas estão buscando o capital de longo prazo para financiar essas despesas operacionais. Então isso precisa ser analisado com cautela”, afirma Colusso. 

Redução de custos, ampliação do crédito público e simplificação

Os empresários também apontaram medidas que poderiam facilitar o acesso ao financiamento. A principal demanda é a redução dos custos tributários e administrativos, mencionada por 38,4% dos entrevistados em relação ao crédito de curto e médio prazo e por 31,2% no caso das operações de longo prazo. 

A ampliação das linhas de crédito públicas aparece em segundo lugar, com 22,8% das respostas para o financiamento de curto e médio prazo e 26,3% para o de longo prazo. 

Já a simplificação das exigências impostas pelas instituições financeiras foi apontada por 21,1% das empresas no crédito de curto e médio prazo e por 22,1% nas operações de longo prazo. 

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