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Baixar áudioOs Estados Unidos anunciaram, nesta quinta-feira (23), uma tarifa adicional de 12,5% sobre exportações brasileiras, sob a alegação de que o Brasil não combate adequadamente o trabalho forçado. A medida se soma à sobretaxa de 25% que entrou em vigor na quarta-feira (22), após uma investigação do governo norte-americano concluir que o país adota práticas consideradas desleais de comércio em relação aos EUA.
Diante do aumento das barreiras comerciais, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que a principal estratégia para reduzir os impactos sobre a indústria brasileira é manter abertas as negociações entre os dois países.
Após reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, nesta quinta-feira, Alban reforçou que o setor produtivo continuará apoiando os esforços do governo brasileiro para buscar uma solução negociada.
“Saímos daqui muito satisfeitos com a afirmação categórica do ministro de que o Brasil vai continuar negociando. Essa é a opção número um que existe neste momento: continuar negociando”, disse o presidente da CNI em entrevista coletiva.
Segundo Alban, governo e setor produtivo definiram uma estratégia em duas frentes: medidas emergenciais e ações estruturantes.
No curto prazo, a proposta é oferecer apoio imediato às empresas prejudicadas, em parceria com o MDIC, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a CNI, por meio do Serviço Social da Indústria (SESI), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL).
Já a frente de longo prazo prevê a criação de uma nova missão do programa Nova Indústria Brasil (NIB) para fortalecer a inserção internacional da indústria brasileira e mitigar os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
“Começamos uma discussão de — dentro da política industrial — constituir uma sétima missão voltada para as cadeias produtivas internacionais, de forma que possamos ter um projeto contínuo e sempre atualizado de apoio à internacionalização das nossas indústrias no Brasil”, explicou Alban.
Atualmente, a Nova Indústria Brasil está estruturada em seis missões estratégicas, voltadas para:
A proposta da CNI é criar uma sétima missão, de caráter transitório, destinada a apoiar os setores industriais afetados pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos e fortalecer a competitividade da indústria brasileira nos mercados internacionais.
Para isso, segundo Alban, será criado um grupo de trabalho coordenado pela CNI, reunindo os setores industriais mais impactados e as federações estaduais da indústria com atuação no comércio exterior. O MDIC ficará responsável por articular os órgãos públicos que participarão da iniciativa.
Em junho deste ano, o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu que práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e combate ao desmatamento seriam restritivas ao comércio estadunidense.
Com base nessa avaliação, o governo norte-americano decidiu aplicar a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, preservando uma lista de 2.126 códigos tarifários. Entre os itens isentos da medida estão café, suco de laranja e carne.
Mesmo com as exceções, a CNI estima que cerca de 4 mil produtos brasileiros foram atingidos pela medida, afetando cerca de US$ 12,4 bilhões em exportações para os Estados Unidos, um dos principais destinos das vendas externas da indústria nacional.
Sobre a nova tarifa de 12,5%, anunciada nesta quinta-feira, Alban afirmou que a entidade ainda avalia seus impactos. “Essa tarifa cria uma falta de competitividade total. E isso, óbvio, se torna mais crítico, principalmente para os produtos manufaturados”, pontuou.
O presidente da CNI informou ainda que a entidade enviou uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendendo a manutenção das negociações entre os dois governos, com participação dos setores industriais dos dois países.
"Tem muitos interesses americanos que podem convergir com nossos interesses. Estamos falando de IA, data centers, recursos que envolvem agregação de valor aqui no Brasil. Ninguém vai exportar minerais críticos como se exporta minério de ferro. Obviamente, tem que haver beneficiamento", destacou.
Dados da CNI mostram que 60,3% das exportações brasileiras atingidas pela tarifa adicional de 25% são compostas por bens intermediários — matérias-primas e componentes utilizados pela própria indústria norte-americana na fabricação de outros produtos.
"Nós temos pontos para convergir. Os dois países, que são players mundiais, poderão convergir para que essas políticas públicas sejam mais assertivas", concluiu Alban.
A entrevista coletiva completa está disponível no canal da CNI no Youtube.
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Baixar áudioNo primeiro semestre de 2026, 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas exportações para os Estados Unidos, reflexo das tarifas adicionais impostas pelo governo norte-americano desde o ano passado. A retração foi impulsionada pela redução de 8,7% nas vendas de produtos industriais, sobretudo de semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e semimanufaturados de outras ligas de aço. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Na última quarta-feira (15), o governo dos Estados Unidos anunciou uma nova tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, que passa a valer a partir do próximo dia 22 de julho, decorre de uma investigação iniciada em julho de 2025 com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
Em junho deste ano, o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu que práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e combate ao desmatamento seriam restritivas ao comércio estadunidense.
Com base nessa avaliação, o governo norte-americano decidiu aplicar a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, preservando uma lista de 2.126 códigos tarifários. Entre os itens isentos da medida estão café, suco de laranja e carne.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos já são percebidos pela indústria brasileira e tendem a se intensificar com a nova sobretaxa.
“Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, afirma.
Apesar da queda nas exportações, os Estados Unidos seguem como o principal destino dos produtos da indústria de transformação brasileira no primeiro semestre de 2026. Por isso, a CNI avalia com preocupação o anúncio da nova tarifa de 25%, que tende a ampliar os impactos sobre a competitividade da indústria nacional e sobre os estados mais dependentes do mercado norte-americano.
Confira as unidades federativas mais afetadas pela tarifa adicional de 25% e a parcela das exportações do setor sujeito à nova tarifa:
| Estado | Valor exportado aos EUA de Jan a Jun de 2026 (US$) | Variação 26-25 | % dos EUA nas exportações do estado |
|---|---|---|---|
| São Paulo | 6,0 bi | -4,3% | 17,1% |
| Rio de Janeiro | 2,9 bi | 15,4% | 10,3% |
| Minas Gerais | 1,9 bi | -18,9% | 8,6% |
| Espírito Santo | 1,4 bi | -19,2% | 27,5% |
| Rio Grande do Sul | 744,3 mi | -22,6% | 7,6% |
| Santa Catarina | 582,9 mi | -32,9% | 9,5% |
| Paraná | 499,6 mi | -32,9% | 4,2% |
| Goiás | 462,5 mi | 42,1% | 6,6% |
| Pará | 416,7 mi | -31,4% | 3,2% |
| Bahia | 373,2 mi | -14,0% | 6,3% |
| Mato Grosso do Sul | 371,0 mi | 13,7% | 6,3% |
| Ceará | 349,8 mi | -36,9% | 33,4% |
| Maranhão | 332,9 mi | -0,6% | 14,8% |
| Mato Grosso | 209,6 mi | 25,8% | 1,1% |
| Rondônia | 127,9 mi | 49,1% | 6,2% |
| Sergipe | 94,3 mi | -35,9% | 52,3% |
| Pernambuco | 35,9 mi | -33,4% | 3,6% |
| Amazonas | 35,8 mi | -2,6% | 6,1% |
| Rio Grande do Norte | 27,0 mi | -72,0% | 4,2% |
| Tocantins | 19,0 mi | -52,1% | 1,0% |
| Alagoas | 15,5 mi | -64,9% | 4,4% |
| Piauí | 11,6 mi | -17,7% | 2,4% |
| Paraíba | 10,3 mi | 5,9% | 15,8% |
| Distrito Federal | 5,5 mi | 34,2% | 3,0% |
| Amapá | 2,8 mi | -41,2% | 4,0% |
| Acre | 1,5 mi | -62,8% | 2,4% |
| Roraima | 0,2 mi | -33,7% | 0,2% |
A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, afirma que a ampliação da lista de produtos isentos da tarifa adicional reflete o trabalho conjunto realizado pelos setores privados brasileiro e norte-americano ao longo da investigação conduzida pelos Estados Unidos.
"Por um lado, a ampliação das isenções trouxe alívio para os setores contemplados. Mas do ponto de vista geral da indústria, ainda está longe do cenário ideal, porque uma série de setores continuarão sendo taxados com uma alíquota adicional bem maior do que eles enfrentam hoje em dia”, diz.
Segundo Negri, mais de 50% das exportações brasileiras dos setores de madeira, minerais não metálicos e produtos químicos, por exemplo, passaram a enfrentar tarifas adicionais de, no mínimo, 25%.
A especialista alerta que os impactos vão além do comércio exterior. “Se levarmos em consideração que as exportações brasileiras para os Estados Unidos são aquelas que mais geram emprego no Brasil, estamos diante de um cenário no qual a competitividade da indústria brasileira será colocada em risco e sob uma pressão adicional”, avalia.
Para a gerente da CNI, a prioridade deve ser intensificar o diálogo entre os dois países para buscar uma solução negociada. "É necessário intensificar o diálogo para se atingir um consenso com os Estados Unidos, para que possa ser revertido esse cenário atual, onde são gerados prejuízos para o lado brasileiro e os Estados Unidos”, orienta.
Negri acrescenta que a indústria brasileira segue atuando em parceria com o governo federal, fornecendo análises técnicas sobre os impactos das tarifas e discutindo alternativas para reduzir os efeitos da medida sobre a competitividade das exportações brasileiras.
O governo brasileiro repudiou a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, o governo afirma que não reconhece a legitimidade da investigação que embasou a medida e argumenta que o processo não encontra respaldo nas regras do sistema multilateral de comércio. O texto também sustenta que não há justificativa para a adoção de medidas unilaterais contra o Brasil.
“O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”, afirma a nota.
O comunicado informa ainda que o Brasil recorrerá aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e voltará a acionar o mecanismo de solução de conflitos da Organização Mundial do Comércio (OMC).
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Copiar o textoEntidades sugerem agenda de curto e longo prazo para ampliar a cooperação bilateral
Baixar áudioCarta conjunta assinada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) e pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos (U.S. Chamber) propõe uma agenda de negociação em duas etapas para evitar a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
A iniciativa ocorre após a intensificação do diálogo bilateral, marcada pela reunião entre os presidentes dos dois países, em maio deste ano, e em meio às investigações conduzidas pelo governo americano com base na Seção 301 da legislação comercial estadunidense.
A carta foi encaminhada ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa; ao ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira; ao representante de Comércio dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer; e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Para fortalecer a confiança entre as duas economias, as entidades propõem um plano dividido em duas fases: uma voltada para medidas de curto prazo e outra para ações estruturais de longo prazo.
Como prioridade imediata, o setor privado defende uma solução para a investigação conduzida com base na Seção 301 que impeça a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Entre as medidas sugeridas estão:
A longo prazo, a proposta é ampliar o diálogo para temas estruturais, como minerais críticos, resiliência das cadeias globais de suprimentos, facilitação do comércio e segurança alimentar e energética.
A investigação contra o Brasil foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. Em junho deste ano, o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu que práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e combate ao desmatamento seriam restritivas ao comércio dos Estados Unidos.
Como consequência, foi proposta uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções para 1.698 códigos tarifários, entre eles, café, suco de laranja e carne.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, contesta os fundamentos da investigação e afirma que não há evidências de discriminação contra os Estados Unidos.
"Um dos pontos levantados é o desmatamento. Em 2025, o Brasil registrou uma redução de cerca de 61% no desmatamento. É óbvio que, lamentavelmente, poderá ter um contexto geopolítico envolvido nessa decisão. Por isso, esperamos que nossos representantes consigam sensibilizar [as autoridades americanas] com argumentos técnicos", diz.
Paralelamente, o USTR concluiu uma investigação sobre trabalho forçado envolvendo quase 90 países. O Brasil foi incluído entre as nações que, segundo o órgão, não adotam ou não aplicam de forma efetiva restrições à importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
Nesse caso, a proposta é aplicar uma tarifa adicional de 12,5%, com isenção para 1.655 códigos tarifários. Quando as duas medidas incidem simultaneamente sobre determinados produtos, a sobretaxa pode chegar a 37,5%.
"Queremos que o governo brasileiro faça sua parte de forma competente e técnica, sem envolver aspectos políticos, para que possamos manter uma relação comercial normal, estável e crescente com os Estados Unidos", destacou o presidente da CNI.
A expectativa é de que a decisão final seja anunciada até 15 de julho. Mesmo em caso de resultado desfavorável, Alban afirma que a CNI continuará atuando junto ao governo brasileiro e às autoridades americanas para revisar as medidas e ampliar a lista de produtos isentos das tarifas.
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Baixar áudioUm total de 4.187 produtos brasileiros, equivalentes a US$ 14,9 bilhões em exportações, poderão ser afetados, caso o governo dos Estados Unidos confirme novas tarifas de importação sobre o Brasil. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Atualmente, esses produtos já estão sujeitos a uma tarifa adicional de 10%, aplicada com base na Seção 122 da legislação comercial norte-americana e válida até 24 de julho.
Antes de decidir sobre novas medidas, o governo dos Estados Unidos realizará, nesta semana, audiências públicas para discutir duas propostas que podem ampliar a tributação sobre produtos brasileiros. A primeira decorre da investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da legislação comercial americana e prevê uma tarifa adicional de 25%. A segunda faz parte de uma investigação sobre trabalho forçado, que abrange diversos países, incluindo o Brasil, e propõe uma sobretaxa de 12,5%.
Se ambas forem implementadas, os produtos sujeitos às duas medidas passarão a enfrentar uma tarifa total de 37,5% — um acréscimo de 27,5 pontos percentuais em relação à alíquota atualmente em vigor. Dos itens potencialmente atingidos, 62% são bens intermediários utilizados como insumos em cadeias produtivas.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que a medida atingirá principalmente produtos manufaturados, com impactos sobre a indústria brasileira e também sobre empresas norte-americanas que utilizam esses bens.
“Repor produtos manufaturados sempre é muito mais complexo do que repor commodities no mercado internacional, porque tem especificações de cada país, de cada região e de cada demanda. Isso nos preocupa bastante e, por isso, estamos colocando todos os esforços possíveis para termos o melhor resultado”, afirma.
Segundo Alban, a expectativa da indústria é reverter as propostas ou ampliar a lista de exceções para reduzir significativamente o universo de mais de 4 mil produtos afetados.
Entre os 13 principais produtos brasileiros que poderão ser atingidos pela tarifa acumulada de 37,5%, o Brasil é o principal fornecedor do mercado norte-americano em 11 deles.
| Produto sujeito a sobretaxa de até 37,5% | Principais exportadores para os EUA (Market Share) |
|---|---|
| Ferro-gusa não ligado | 1 - Brasil (73,3%) 2 - Ucrânia (17,9%) 3 - África do Sul (2,9%) |
| Açúcar de cana em forma sólida, bruto | 1 - Brasil (52,9%) 2 - México (31,6%) 3 - El Salvador (5,5%) |
| Sebo não comestível | 1 - Brasil (37,5%) 2 - Canadá (21,3%) 3 - Austrália (19,1%) |
| Álcool etílico não desnaturado | 1 - Brasil (72,3%) 2 - Canadá (18,5%) 3 - África do Sul (6,9%) |
| Molduras de madeira padrão de pinho | 1 - Brasil (59,4%) 2 - México (13,5%) 3 - Vietnã (8,6%) |
| Tabaco curado por fumaça ou processado | 1 - Brasil (72,0%) 2 - Zimbábue (17,6%) 3 - Filipinas (3,2%) |
| Peptonas e seus derivados | 1 - Brasil (33,1%) 2 - União Europeia (23,2%) 3 - China (20,5%) |
| Compensado de pinus | 1 - Brasil (99,6%) 2 - Chile (0,4%) |
| Granito monumental ou de construção | 1 - Brasil (48,9%) 2 - Índia (23,9%) 3 - União Europeia (15,7%) |
| Estacas, paliças, postes e trilhos de madeira | 1 - Brasil (57,8%) 2 - China (30,9%) 3 - Canadá (5,3%) |
| Hidróxido de alumínio | 1 - Brasil (47,5%) 2 - União Europeia (18,0%) 3 - Canadá (17,0%) |
Fonte: elaborado pela CNI com base em estatísticas da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC). A análise utiliza dados de 2024 como ano-base para capturar a estrutura das exportações brasileiras aos EUA antes das alterações nos fluxos comerciais decorrentes das medidas tarifárias.
Para Alban, isso demonstra que as medidas também poderão prejudicar a economia dos Estados Unidos.
“O Brasil é deficitário na balança comercial com os Estados Unidos. Nós temos uma relação de complementaridade importante para ambos os lados. Em 11 dos 13 maiores produtos de exportação que serão afetados, o Brasil é o principal fornecedor para os Estados Unidos. Ou seja, a medida também afeta os interesses norte-americanos”, destaca.
O embaixador brasileiro Roberto Azevêdo representará a CNI na audiência pública marcada para esta terça-feira (7), em Washington (EUA), sobre a proposta de tarifa adicional de 25%. Dos 80 inscritos para participar, 66 deverão se manifestar contra a medida.
A investigação foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. Em junho deste ano, o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu que práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e combate ao desmatamento seriam restritivas ao comércio dos Estados Unidos.
Como resultado, foi proposta uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções para 1.698 códigos tarifários, entre eles, café, suco de laranja e carne.
Alban contesta os fundamentos da investigação e afirma que não há evidências de discriminação contra os Estados Unidos.
"Um dos pontos levantados é o desmatamento. Em 2025, o Brasil registrou uma redução de cerca de 61% no desmatamento. É óbvio que, lamentavelmente, poderá ter um contexto geopolítico envolvido nessa decisão. Por isso, esperamos que nossos representantes consigam sensibilizar [as autoridades americanas] com argumentos técnicos", diz.
Paralelamente, o USTR concluiu uma investigação sobre trabalho forçado envolvendo quase 90 países. O Brasil foi incluído entre as nações que, segundo o órgão, não adotam ou não aplicam de forma efetiva restrições à importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
Nesse caso, a proposta é aplicar uma tarifa adicional de 12,5%, com isenção para 1.655 códigos tarifários. Quando as duas medidas incidem simultaneamente sobre determinados produtos, a sobretaxa pode chegar a 37,5%.
Alban defende que o governo brasileiro conduza as negociações de forma técnica, sem politizar o debate.
"Queremos que o governo brasileiro faça sua parte de forma competente e técnica, sem envolver aspectos políticos, para que possamos manter uma relação comercial normal, estável e crescente com os Estados Unidos."
A expectativa é de que a decisão final seja anunciada até 15 de julho. Mesmo em caso de resultado desfavorável, Alban afirma que a CNI continuará atuando junto ao governo brasileiro e às autoridades americanas para revisar as medidas e ampliar a lista de produtos isentos das tarifas.
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Baixar áudioCerca de um terço (31,6%) das exportações brasileiras podem enfrentar uma tarifa adicional de 37,5% para entrar nos Estados Unidos, caso seja aprovado pelo governo norte-americano. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Atualmente, esses produtos estão sujeitos a uma tarifa adicional de 10%. Se as novas medidas forem implementadas, o aumento será de 27,5 pontos percentuais. Outros 3,6% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano teriam a taxação elevada de 10% para 12,5%.
Ao todo, 35,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos ficariam sujeitas às novas tarifas. Quando consideradas também as medidas setoriais previstas na Seção 232 da legislação norte-americana, já em vigor, a parcela das vendas brasileiras submetidas a algum tipo de sobretaxa pode alcançar 54,1%.

A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, afirma que a eventual adoção das medidas preocupa a indústria brasileira.
“Quedas nas exportações brasileiras para os Estados Unidos, como já aconteceram diante desse cenário de aumentos de tarifas, preocupam não só a indústria, mas a economia e o Brasil como um todo. Os efeitos multiplicadores das exportações de alto valor agregado são importantíssimos para o país. Um cenário de aumento de tarifas significa perda de empregos de qualidade e de retornos econômicos importantes para o país”, explica.
Em junho deste ano, o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) divulgou os resultados de duas investigações conduzidas com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana que afetam diretamente o Brasil.
Na investigação específica aberta contra o país em julho de 2025, o órgão concluiu que práticas relacionadas ao comércio digital, às tarifas preferenciais, ao combate à corrupção, à propriedade intelectual, ao acesso ao etanol e ao combate ao desmatamento seriam restritivas ou onerosas ao comércio dos Estados Unidos.
Como resultado, foi proposta uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções para 1.698 códigos tarifários, entre eles café, suco de laranja e carne.
Ao mesmo tempo, o USTR concluiu uma investigação sobre trabalho forçado envolvendo quase 90 países. O Brasil foi incluído entre as nações que, segundo o órgão, não adotam ou não aplicam de forma efetiva restrições à importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
Nesse caso, a proposta é aplicar uma tarifa adicional de 12,5%, com isenção para 1.655 códigos tarifários. Quando as duas medidas incidem simultaneamente sobre determinados produtos, a sobretaxa pode chegar a 37,5%.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, alerta que a adoção das medidas tende a gerar efeitos negativos sobre as cadeias produtivas.
"A eventual imposição de novas tarifas não beneficia nenhum dos lados. Elas aumentariam custos para empresas, reduziriam a competitividade e criariam incertezas para investimentos. O caminho mais eficiente é o diálogo, baseado em critérios técnicos e na busca de soluções que preservem uma parceria econômica estratégica para ambos os países”, afirma.
Entre os produtos que podem ser atingidos pela tarifa de 37,5% está o ferro gusa não ligado, que atualmente está sujeito a uma sobretaxa de 10%. Em 2024, o produto respondeu por US$ 1,5 bilhão das exportações brasileiras para os Estados Unidos.
Outros itens que podem ser afetados pela tarifa de 37,5% são:
Já entre os produtos sujeitos à tarifa adicional de 12,5% estão:
As propostas ainda não têm efeito imediato. Antes de uma decisão final do governo norte-americano, será realizada uma consulta pública e audiências para discutir as medidas. As audiências serão promovidas pelo USTR nos dias 6 e 7 de julho, para receber contribuições de empresas, entidades e governos.
Para a CNI, essa etapa representa uma oportunidade para que o Brasil apresente informações e evidências técnicas demonstrando que as medidas são injustificadas e prejudiciais à relação econômica entre os dois países.
“A indústria entende que é momento de continuar e aumentar os esforços na negciação entre o Brasil e os Estados Unidos. Não só para continuar trazendo evidência de quão injustificadas essas medidas restritivas são, mas também para demonstrar os efeitos negativos e nocivos para ambos países em duas economias tão integradas e complementares”, afirma Constanza Negri.
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Baixar áudioA Confederação Nacional da Indústria (CNI) premiou, na última segunda-feira (11), 18 lideranças empresariais e institucionais do Brasil e dos Estados Unidos (veja lista abaixo) que contribuem de forma estratégica para o fortalecimento das relações econômicas bilaterais.
A primeira edição do Brasil–U.S. Industry Award fez parte da programação do Brasil-U.S. Industry Day, evento que reuniu mais 500 lideranças empresariais, em Nova York, para discutir sobre a ampliação da integração produtiva entre setores estratégicos.
A premiação reconhece iniciativas do setor privado, universidades e instituições de ciência e tecnologia (ICTs), tanto brasileiras quanto estadunidenses, que impulsionam a integração produtiva, a inovação e a transformação industrial. Os homenageados foram divididos em três categorias: Integração Econômica Brasil–Estados Unidos, Inovação e Transformação Industrial e Diplomacia Institucional.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que o prêmio marca um novo capítulo na relação entre Brasil e EUA.
"O Brasil-U.S. Industry Award evidencia a excelência e a visão estratégica de lideranças que fazem a diferença na nossa indústria. É um reconhecimento fundamental para aqueles que promovem a integração econômica e a inovação, garantindo que a parceria bilateral seja um motor de desenvolvimento tecnológico e de transformação para o setor industrial", destaca.
A gerente de comércio e integração internacional da CNI, Constanza Negri, ressalta que o reconhecimento surge em um cenário decisivo para as relações entre Brasil e EUA, diante das transformações globais.
“A premiação nasce em um momento em que a parceria bilateral ganha ainda mais relevância diante dos desafios do atual contexto internacional, um contexto marcado por transformações econômicas, tecnológicas, energéticas e geopolíticas, que vem redefinindo prioridades e exigindo maior cooperação entre países e setores produtivos”, reforça.
Integração Econômica Brasil-Estados Unidos
Inovação e Transformação Industrial
Diplomacia Institucional
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Baixar áudioMais de 500 empresários, investidores e autoridades participaram, na última segunda-feira (11), em Nova York, do Brasil-U.S. Industry Day, encontro voltado à ampliação da cooperação econômica entre Brasil e Estados Unidos e ao fortalecimento da integração produtiva entre setores estratégicos.
Promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara de Comércio dos Estados Unidos, o evento estreou na programação da Brazilian Week — agenda anual que reúne lideranças globais para debater tendências econômicas e oportunidades de investimento.
Em entrevista coletiva, o presidente da CNI, Ricardo Alban, disse que a expectativa é reforçar a ligação entre as empresas brasileiras e estadunidenses em áreas consideradas estratégicas.
“O assunto de terras raras sempre esteve na mesa. Nós temos temas tradicionais, como o etanol, que precisamos discutir para encontrarmos novos mercados e não disputarmos os nossos próprios mercados. O Brasil tem muita demanda de investimento em infraestrutura. E nós temos também a área de data centers e inteligência artificial, que também vão demandar [investimentos]”, afirmou.
Alban também destacou a importância da complementaridade entre as cadeias produtivas dos dois países para ampliar o comércio bilateral de forma sustentável.
“Complementaridade é fundamental para que possamos ter, efetivamente, uma relação de ganha-ganha, com comércio sustentável e encadeamentos produtivos. Isso é algo estratégico para que nós possamos ter alternativas de dependências, não só tecnológicas, mas também relacionadas a riscos geopolíticos”, disse.
Segundo o dirigente, o objetivo não é inverter a balança comercial em favor do Brasil, mas ampliar as relações econômicas bilaterais. Ele destacou que o mercado brasileiro é um importante importador de serviços estadunidenses.
Para Alban, o fortalecimento da parceria entre os dois países pode ampliar a segurança no fornecimento de insumos, estimular investimentos e impulsionar setores como minerais críticos, energia, saúde e inovação.
O vice-presidente e diretor internacional da U.S. Chamber of Commerce, John Murphy, afirmou que “o melhor da parceria entre Brasil e Estados Unidos ainda está por vir”. Segundo ele, esse é o momento de olhar para o futuro e aproveitar as novas oportunidades de cooperação entre os dois países.
A programação foi dividida em dois painéis temáticos. No primeiro, “Prioridades para o fortalecimento econômico Brasil-EUA”, os participantes defenderam o aprofundamento do diálogo bilateral e a construção de novas parcerias, destacando que Brasil e EUA têm potencial para ampliar ganhos se caminharem mais juntos.
No segundo painel, “Financiando o futuro: oportunidades de investimento no Brasil”, os debatedores ressaltaram a necessidade de criar cenários seguros e reduzir a burocracia para atrair investimentos e destravar o crescimento econômico brasileiro.
Segundo os organizadores, mais de 30% dos inscritos no evento eram estadunidenses, o que mostra o interesse dos dois países em fortalecer a parceria bilateral.
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Baixar áudioO setor industrial brasileiro elencou um conjunto de mais de 30 medidas estratégicas para fortalecer a parceria entre Brasil e Estados Unidos (EUA). Elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Agenda Estratégica da Indústria Brasileira para os Estados Unidos 2026 foi debatida nesta segunda-feira (11), em Nova York, durante o Brasil-U.S. Industry Day, encontro que reúne representantes dos setores público e privado dos dois países.
Atualmente, os EUA são o principal destino das exportações industriais brasileiras e o maior investidor estrangeiro no Brasil. Segundo a CNI, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o estoque de investimentos estadunidenses no país alcançou US$ 232,8 bilhões em 2024.
Além disso, na última década, a indústria brasileira exportou um total de US$ 253,7 bilhões para os EUA. Desse total, 81,7% correspondem a produtos da indústria de transformação, de acordo com levantamento da CNI com base em dados do governo brasileiro e do U.S. Bureau of Economic Analysis.
A representante da indústria brasileira afirma que Brasil e Estados Unidos possuem forte complementaridade produtiva e potencial de cooperação em setores estratégicos, como energia, transformação digital, saúde, defesa e tecnologias avançadas.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, as novas relações comerciais entre os dois países devem evoluir da cooperação entre empresas para uma integração mais ampla entre cadeias produtivas e de valor.
“Os Estados Unidos e o Brasil têm uma relação bilateral comercial muito de manufatura. É a mais rica entre as relações comerciais na área de produtos industrializados, onde existe o conceito — que vai vingar nas novas relações comerciais — de complementaridade. Em vez de ser hoje muito mais intercompany, que Brasil e os Estados Unidos possam ter uma complementaridade de cadeias produtivas, cadeias de valor”, avalia.
As propostas da indústria brasileira estão organizadas em nove temas:
Para reforçar a importância da parceria bilateral, a CNI e a Câmara de Comércio dos Estados Unidos realizaram nesta segunda-feira, no The Glasshouse, em Nova York, a primeira edição do Brasil-U.S. Industry Day.
O encontro reuniu cerca de 500 lideranças empresariais, investidores e autoridades governamentais para discutir temas considerados prioritários e de comum interesses para o setor industrial dos dois países.
Ricardo Alban destaca o papel da participação dos presidentes das federações da indústria de 17 estados brasileiros.
“O que nós queremos não é interatividade, o que nós queremos é atrair parceiros e formar novas cadeias produtivas. Então, cada um na sua federação, no seu estado, participando, interagindo, conhecendo, fazendo essa interlocução, é fundamental. Nossa responsabilidade é cada vez maior, e nossa vontade de acertar também aumenta a cada instante”, ressalta.
A programação contou com dois painéis principais. O primeiro sobre como a relação Brasil e EUA pode tornar cadeias de valor de áreas estratégicas mais resilientes e competitivas, especialmente em meio às mudanças nas políticas tarifárias e ao realinhamento global das cadeias produtivas. Já o segundo vai debater a agenda econômica e oportunidades de médio e longo prazo com os investimentos em transição energética, infraestrutura e desenvolvimento industrial no Brasil.
O evento também contou com uma cerimônia de reconhecimento a empresas, entidades e lideranças que contribuíram para o fortalecimento da relação econômica entre os dois países nos últimos anos.
Os detalhes estão disponíveis no site da CNI.
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Baixar áudioO governo de Goiás firmou um memorando de entendimento com os Estados Unidos sobre minerais críticos. O objetivo é ampliar a colaboração em pesquisa, capacitação e na construção de um ambiente regulatório transparente e competitivo.
O documento foi assinado pelo governador Ronaldo Caiado (PSD) e pelo encarregado de Negócios da Embaixada e Consulados dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, nesta quarta-feira (18). Segundo Caiado, a medida vai estimular parcerias entre instituições governamentais, acadêmicas e do setor privado, além de apoiar o desenvolvimento do processamento e da manufatura de maior valor agregado em Goiás.
“Ao invés de ser apenas um exportador de minério bruto, como Pará e Minas Gerais, estamos pegando as terras raras e evoluindo a tecnologia, que hoje quem tem são os chineses, junto com os japoneses. Uma técnica que os americanos têm e que nós ainda temos numa fase muito rudimentar”, justificou Caiado.
“Esse acordo, do ponto de vista geoeconômico, é o mais importante que nós já assinamos em toda a história de Goiás. Um marco na geoeconomia, que demonstra a capacidade e a riqueza mineral do nosso estado”, completou.
O convênio é o primeiro do tipo a ser assinado no país. O ato, no entanto, não pode implicar em relações comerciais e econômicas, como exploração e exportação, pois a Constituição atribui essa competência exclusivamente à União. “O que desejamos é avançar na pesquisa e na ciência, naquilo que trará ao estado a capacidade de ser uma referência geoeconômica. Ter a oportunidade de deslanchar, do ponto de vista da qualidade de vida das pessoas, da renda per capita e sempre tendo em vista a nossa convivência harmônica e de governabilidade com o governo americano”, frisou o governador.
O governo goiano garante obedecer todas as exigências legais dentro da autonomia concedida pela Constituição. A equipe jurídica estadual diz seguir também a Lei de Minerais Críticos de Goiás (Lei nº 23.597/2025), que criou dois instrumentos centrais: as Zonas Especiais de Minerais Críticos (ZEMCs), áreas com tratamento regulatório diferenciado; e o Fundo de Desenvolvimento de Minerais Críticos (FEDMC), mecanismo de captação e alocação de recursos para fortalecer a cadeia de valor regional.
O acordo abrange cinco eixos:
O memorando prevê a negociação de incentivos fiscais e financeiros para projetos que demonstrem compromisso com produção local, geração de empregos e transferência de tecnologia. Os benefícios podem incluir reduções ou isenções de impostos estaduais, e a simplificação de procedimentos administrativos, sempre condicionados ao cumprimento das salvaguardas ambientais e sociais.
Escobar ressaltou que os países possuem uma boa relação diplomática e comercial, e que o tratado vai ser benéfico para as duas partes. “É um acordo que dizemos nos Estados Unidos ser ‘win-win’ [ganha-ganha] e isso vai abrir as portas para mais investimento, mais, como disse o governador, cooperação e parceria científica, econômica e vários tipos de outros assuntos que vão sair disso”, afirmou o diplomata norte-americano.
Com 22 milhões de toneladas passíveis de extração, o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de óxidos de terras raras (OTR), atrás apenas da China. Esses minérios são bastante demandados especialmente pelas indústrias de defesa e de alta tecnologia, para produção de semicondutores e baterias de última geração.
A maior parte das reservas brasileiras de terras raras, nióbio, lítio e outros minerais estratégicos, se concentra nos estados de Goiás e Minas Gerais.
O território goiano abriga atualmente a única exploração comercial de terras raras em operação no país. Na cidade de Minaçu, a mineradora Serra Verde produz em escala industrial metais como disprósio, térbio, neodímio e praseodímio com financiamento do governo americano.
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Baixar áudioO presidente dos Estados Unidos já mostrou que não vai desistir das tarifas comerciais como arma política. Mesmo após a Suprema Corte norte-americana suspender a taxa extra de 50% sobre mercadorias estrangeiras, Donald Trump anunciou um novo imposto de importação global de 15% contra países com práticas consideradas por ele como desleais.
Mas para Lucas Portela, professor de Relações Internacionais do Centro Universitário de Brasília (CEUB), o verdadeiro motivo da guerra tarifária de Trump é a corrida por influência travada entre os Estados Unidos e a China. “Principalmente porque agora alguns comércios estratégicos acabam também sendo alvos dessa disputa. Então nós estamos falando, por exemplo, de terras raras, de minerais necessários principalmente para implementação de tecnologias, entre outros, que têm incomodado bastante os Estados Unidos”, avalia o pesquisador.
A medida tem validade por 150 dias. Após esse período, o Congresso norte-americano precisa validar a política ou então suspendê-la. Segundo Portela, a tendência é que o movimento dos Estados Unidos leve a uma nova onda de negociações de acordos bilaterais, mesmo com países que firmaram tratados recentemente. Há a possibilidade, ainda, de uma reorganização dos fluxos comerciais, com as nações procurando parceiros mais estáveis do que os Estados Unidos.
Isso se a tarifa não for derrubada judicialmente antes disso. A justificativa utilizada por Trump para impor a sanção foi o desequilíbrio da balança comercial norte-americana, ou seja, o país adquire muito mais mercadorias do que vende. Ricardo Inglez de Souza, especialista em Comércio Internacional e Direito Econômico, entende que esse é um argumento frágil. “Porque o déficit na balança comercial e de pagamentos dos Estados Unidos é um fato histórico e é assim que a balança funciona há décadas. Então, seria difícil o governo conseguir sustentar essa fundamentação, por exemplo, numa discussão perante a OMC [Organização Mundial do Comércio]”, afirma.
Até a decisão judicial da última sexta-feira (20), cerca de 20% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estavam sobretaxadas. Eram mais de mil produtos na lista, com destaque para as indústrias têxtil, de calçados, de máquinas e equipamentos, e de produtos processados de madeira, como móveis.
A queda desse imposto de importação tinha potencial bilionário sobre os embarques nacionais. Cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que a suspensão das tarifas adicionais poderia isentar os produtos brasileiros em até US$ 21,6 bilhões, considerando dados da Comissão de Comércio Internacional dos EUA (USITC, na sigla em inglês) de 2024, quando não havia incidência de sobretaxa.
Mesmo com a nova tarifa de 15%, o cenário para os exportadores brasileiros melhora significativamente. Um relatório da Global Trade Alert, organização independente que monitora políticas de comércio internacional, estima que as tarifas médias sobre produtos do Brasil caiam 13,6 pontos percentuais, a maior redução para qualquer país que faz comércio com os Estados Unidos.
Para Inglezm, o tempo também é outro ativo importante que os empresários brasileiros ganharam. “É também uma forma da indústria se preparar e tentar organizar uma ação diplomática para que, ao final dos 150 dias, não venha outra medida, ou venha uma medida modulada de uma forma mais inteligente, mais eficiente, sobre a perspectiva brasileira, obviamente.”
A avaliação também é positiva dentro do governo brasileiro. Autoridades veem as mercadorias nacionais em pé de igualdade competitiva em relação aos concorrentes, pelo menos no quesito tarifário, já que a taxa de 15% é aplicada igualmente a todos os países. Além disso, a viagem de Lula à Washington no mês que vem é tratada como oportunidade para estreitar laços e avançar nas negociações de possíveis isenções.
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