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LOC.: Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira, dia 1º de outubro, pela Confederação Nacional da Indústria, a CNI, revela que 29% das indústrias brasileiras já utilizam a cabotagem no transporte de cargas.
Entre as empresas que ainda não usam esse tipo de transporte, uma em cada cinco afirmou que poderia adotar o modal se houvesse melhores condições de infraestrutura.
O levantamento também mostra que a maioria dos empresários que conhecem o programa BR do Mar, criado para estimular a cabotagem, enxerga vantagens na nova regulação. Nove em cada dez acreditam que o principal benefício é a redução de custos. Essa expectativa foi citada por 85% das indústrias que já utilizam a cabotagem e por 70% daquelas que ainda não usam.
A cabotagem é o transporte de mercadorias feito entre portos de um mesmo país. Entre os pontos positivos estão o menor custo em relação ao transporte terrestre, o baixo índice de roubos, o menor impacto ambiental — já que o modal é seis vezes menos poluente que o rodoviário — e a capacidade de movimentar grandes volumes.
A analista de Infraestrutura da CNI, Paula Bogossian, explica o objetivo da pesquisa.
TEC/SONORA: Paula Bogossian, analista de Infraestrutura da CNI
“O principal objetivo da consulta é trazer o panorama da utilização do transporte de cabotagem no Brasil e, para além disso, a perspectiva do setor industrial em relação à regulamentação do programa BR do Mar, que é o programa de transporte do estímulo da cabotagem”.
LOC.: Hoje, o modal representa apenas 11% da matriz nacional de transporte, com predominância de petróleo e derivados. Entre os obstáculos para ampliar o uso do modal, foram apontados a incompatibilidade geográfica, falta de rotas, maior tempo de trânsito e distância até os portos.
Para o professor do Departamento de Administração da Universidade de Brasília, Aldery Silveira Júnior, o Brasil tem enorme potencial inexplorado para o modal aquaviário.
TEC/SONORA: Aldery Silveira Júnior, professor do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB)
“Cada viagem de navio tira da estrada 170, 180 caminhões. O ganho é muito grande em termos de segurança nas rodovias, em termos de proteção das margens das rodovias, em termos de controle de poluição”.
LOC.: O interesse no modal é maior no Rio Grande do Sul, por 17% dos entrevistados, seguido por Bahia, Rio Grande do Norte e Santa Catarina, por 13% em cada estado. Na sequência, estão Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe, com 8% em cada, e Maranhão, Pará e Paraná, com 4% dos empresários em cada estado.
Entre as empresas de grande porte, 44% utilizam a cabotagem. Entre as médias empresas, o índice é de 22%, enquanto apenas 7% das pequenas recorrem à cabotagem. Para 79% dos que utilizam a cabotagem, a redução de custos foi o principal fator de escolha. Segundo a CNI, a adoção poderia reduzir os custos logísticos do país em até 13%.
Participaram da consulta 195 empresas de 29 setores da indústria, distribuídas em todas as regiões do país.
Reportagem, Cristina Sena