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Desvalorização do dólar, taxa de juros e endividamento são apontados como principais dificuldades para produtor voltar a investir
Baixar áudioLer ao vivoPesquisa também indica piora da situação financeira e da confiança do empresário industrial de pequeno porte, pressionado pelos juros altos e aumento no custo dos insumos
Baixar áudioLer ao vivoLOC.: O agronegócio brasileiro é formado por vários cenários. Desde os diferentes solos, relevos e climas, a panoramas momentâneos e financeiros. O mercado de máquinas agrícolas desenha um dos mais tristes deles. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores estima a comercialização de 46 mil e 700 unidades em 2026, uma queda de 6,2% frente a 2025 e o quinto ano consecutivo de retração.
Os dados da Abimaq, Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, corroboram com esse cenário pessimista. Nos 12 meses anteriores a março deste ano, a receita líquida total do segmento somou quase 65 bilhões de reais, queda de 1,4%, enquanto no primeiro trimestre de 2026 o recuo nas vendas de maquinário foi de 16,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da associação, atribui a situação a três principais fatores: a desvalorização do dólar, que comprime os rendimentos dos produtores; as elevadas taxas de juros, que desincentivam a alocação de recursos para investimentos; e o endividamento no campo.
TEC./SONORA: Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Abimaq
“O custo subiu porque a taxa de juros subiu muito e a rentabilidade do produtor diminuiu. Então tem um pessoal que está com dificuldade de pagar conta. Não é todo mundo, é uma parte do pessoal que se alavancou muito e que agora está com essa dificuldade porque abriu essa ‘boca de jacaré’.”
LOC.: No último ano, o dólar apresentou uma depreciação de 14,6% em relação ao real, caindo de R$ 5,72 para R$ 4,89. Isso torna as principais commodities do agro brasileiro menos rentáveis, especialmente soja e milho, já que o valor delas é fixado na moeda norte-americana. Segundo a Abimaq, 60% do mercado de máquinas é voltado para essas culturas.
Já a taxa de juros segue em patamares elevados. Apesar das duas reduções seguidas, a Selic caiu apenas 0,5 p.p. nas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o que não gerou grandes mudanças quanto à concessão de crédito no país.
O momento se refletiu na feira mais importante do agronegócio nacional: a Agrishow. A edição finalizada há algumas semanas movimentou aproximadamente 11 bilhões e meio de reais em intenção de negócios, 22% a menos do que o evento de 2025.Para o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, a FPA, o deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), o cenário atual só tende a piorar se nada for feito.
TEC./SONORA: Pedro Lupion, deputado federal (Republicanos-PR)
“É um número extremamente expressivo e muito preocupante, a dificuldade do produtor investir. Isso gera, obviamente, diminuição no índice de produtividade, dificuldade de rentabilidade, as planilhas de custo de produção cada dia mais desparelhas, mais inconsistentes, e isso faz com que o endividamento só cresça no campo.”
LOC.: A bancada estima que o endividamento do setor ultrapasse os R$ 120 bilhões, valor sugerido ao governo federal como necessário para prorrogar as dívidas dos produtores. A proposta do Ministério da Fazenda ficou aquém, em torno de 81,5 bilhões de reais. O assunto é discutido num projeto de lei em análise na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado entre o relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), a vice-presidente da FPA, senadora Teresa Cristina (PP-MS), e o ministro Dário Durigan, com expectativa de ser votado nas próximas semanas.
Reportagem, Álvaro Couto.
LOC.: O desempenho da pequena indústria brasileira atingiu o pior nível desde a pandemia de Covid-19. É o que revela o Panorama da Pequena Indústria, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria, a CNI. Segundo o levantamento, o índice que mede a performance das indústrias de pequeno porte recuou 1 ponto em relação ao primeiro trimestre de 2025 e atingiu 43,7 pontos — o menor valor desde o segundo trimestre de 2020.
A situação financeira das pequenas empresas industriais também piorou. Segundo a pesquisa, esse indicador caiu 2,5 pontos, atingindo 39 pontos — o pior resultado em cinco anos.
De acordo com a analista de Políticas e Indústria da CNI, Julia Dias, o cenário é reflexo da manutenção dos juros elevados e do aumento do preço dos insumos.
TEC./SONORA: Julia Dias, analista de Políticas e Indústria da CNI
“As pequenas indústrias sofrem mais com a questão do acesso ao crédito. Elas são vistas pelo mercado como indústrias de maior risco e, portanto, são precificadas de forma mais alta. Mas também, nesse primeiro trimestre de 2026, houve um aumento no preço dos insumos e matérias-primas, e isso causou uma pressão na margem de lucro dessas empresas.”
LOC.: Entre as pequenas indústrias de transformação, a falta ou o alto custo da matéria-prima saltou da sexta para a segunda posição entre os principais problemas enfrentados pelo setor. O item ficou atrás apenas da elevada carga tributária, que segue como líder do ranking tanto na indústria de transformação quanto na construção civil.
TEC./SONORA: Julia Dias, analista de Políticas e Indústria da CNI
“A preocupação com a falta ou alto custo de matéria-prima é decorrente do conflito no Oriente Médio. Isso causa uma pressão no preço dos insumos, que são extremamente importantes para a indústria, como o petróleo e seus derivados.”
LOC.: A pesquisa também revela que o Índice de Confiança do Empresário Industrial das pequenas empresas vem caindo em 2026 e atingiu 44,6 pontos — o menor nível desde junho de 2020, ano de pandemia.
Já o índice de perspectivas da pequena indústria ficou em 47,4 pontos, sinalizando expectativas moderadas para os próximos seis meses.
Reportagem, Paloma Custódio
LOC.: Beneficiários do CadÚnico de 108 cidades brasileiras têm até 13 de junho para solicitar a instalação gratuita da nova antena parabólica digital pelo programa Brasil Antenado. A iniciativa do Ministério das Comunicações em parceria com a Anatel contempla municípios da Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rondônia, que juntos reúnem mais de 222 mil famílias aptas a solicitarem o benefício.
A iniciativa busca ampliar o acesso à televisão aberta e gratuita, especialmente em regiões onde o sinal ainda é limitado ou inexistente.
A execução do programa é de responsabilidade da Entidade Administradora da Faixa, a EAF. A CEO da entidade, Gina Marques, reforça o alerta para que as famílias não deixem o agendamento para os últimos dias do prazo.
TEC./SONORA: Gina Marques, CEO da EAF
“Não deixe para a última hora. Garanta uma imagem melhor, com mais qualidade de som e continue conectado pela via aberta digital. Vamos juntos construir um Brasil cada vez mais antenado.”
LOC.: A beneficiária do Brasil Antenado, Liliana dos Santos, moradora de Mirangaba, no centro-norte da Bahia, comemora a instalação da nova antena parabólica digital.
TEC./SONORA: Liliana dos Santos, moradora de Mirangaba-BA
"Hoje foi um dia muito legal e especial pela instalação da antena, porque era muito difícil pra gente assistir [televisão]; era muito complicado. Mas agora é tudo bom e legal. A gente vai assistir filmes, vários canais... só alegria.”
LOC.: Ao longo de três fases, o Brasil Antenado atenderá 323 municípios, em 16 estados, onde há um total de 650 mil famílias aptas a receber o benefício. As duas primeiras etapas já foram concluídas.
As famílias que atendem aos critérios podem agendar a instalação pelo site brasilantenado.org.br ou pelo telefone 0800 729 24 04, que também funciona via WhatsApp.
Todo o processo é gratuito, incluindo fornecimento e instalação do kit da nova parabólica digital.
Reportagem, Paloma Custódio
LOC.: O Banco da Amazônia participa, nesta semana, da Brazil Week, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. A agenda reúne representantes do mercado financeiro e empresários em uma série de encontros voltados à atração de investimentos e à construção de parcerias internacionais.
Durante os eventos, o banco apresenta ações desenvolvidas na Amazônia Legal e busca ampliar o diálogo com investidores estrangeiros interessados em atuar na região.
Segundo o diretor de Controle e Risco do Banco da Amazônia, Fabio Maeda, a participação na Brazil Week tem como foco fortalecer relacionamentos e ampliar oportunidades de investimento ligadas à Amazônia.
TEC./SONORA: Fabio Maeda, diretor de controle e risco do Banco da Amazônia
"Realizamos um trabalho que não só traz um viés ambiental muito positivo, mas também um viés econômico que vai trazer rentabilidade para os nossos acionistas, para o governo como um todo. Então, a nossa ideia é mostrar um trabalho de impacto da forma como temos feito nos últimos anos."
LOC.: Entre os compromissos do banco, ocorrido nesta segunda-feira, esteve o Brasil-U.S. Industry Day, promovido pela Confederação Nacional da Indústria, a CNI, em parceria com a Câmara de Comércio dos Estados Unidos. O encontro discutiu medidas para ampliar a segurança jurídica e simplificar processos ligados ao ambiente de negócios no Brasil.
A programação também abriu espaço para debates sobre liderança feminina. Executivas, empresárias e representantes de diferentes setores participaram do evento Inspiring Women of the Year – New York, realizado dentro da agenda da Brazil Week.
O encontro marcou a primeira articulação estruturada da Delegação Brasileira de Liderança Feminina dentro da programação do evento internacional. O Banco da Amazônia atua como apoiador institucional da delegação, por meio do projeto Mulheres Inspiradoras.
Representando a instituição, a gerente de Marketing e Comunicação do Banco da Amazônia, Ruth Helena Lima, afirmou que a instituição considera a equidade e a diversidade pilares estratégicos e destacou ações voltadas ao incentivo do empreendedorismo feminino na Amazônia.
TEC./SONORA: Ruth Helena Lima, gerente de Marketing e Comunicação do Banco da Amazônia
"Ao apoiar iniciativas como essa, promovemos ativamente o empreendedorismo feminino e a presença de mulheres em cargos de decisão, integrando sustentabilidade e finanças. Para nós do Banco da Amazônia, isso reforça o nosso compromisso com a igualdade de gênero, conectando líderes amazônicas a líderes mundiais e debates internacionais sobre governança, economia, comunicação. Isso gera mais desenvolvimento para a Amazônia e para o Brasil."
LOC.: Promovido pela Plataforma Mulheres Inspiradoras, o evento reuniu lideranças brasileiras e estrangeiras em torno do reconhecimento de trajetórias profissionais e da ampliação de conexões internacionais.
A idealizadora da iniciativa, Geovana Quadros, destacou a presença de mulheres da Amazônia na programação e afirmou que a participação feminina em espaços de liderança tem ganhado mais visibilidade no cenário internacional.
TEC./SONORA: Geovana Quadros, idealizadora da Plataforma Mulheres Inspiradoras
"A reunião de hoje é importante para reconhecer os nomes de mulheres e suas trajetórias ao longo do tempo, multisetorial – em vários setores distintos. O 'Mulheres Inspiradoras' nasceu há 11 anos para isso. Somos um movimento pioneiro de liderança a reunir mulheres de vários setores. E fazemos mensalmente edições para reforçar mulheres em condição de poder para que elas permaneçam lá e também de uma forma da gente corroborar para que mais lideranças femininas surjam."
LOC.: Em Nova Iorque, o Banco da Amazônia também participa do GRI Brazil Investment Summit, ambiente voltado à conexão entre fundos globais e lideranças dos setores de infraestrutura e ESG, sigla em inglês para práticas ambientais, sociais e de governança.
LOC.: O setor produtivo defende que a atualização dos limites de faturamento anual do microempreendedor individual, o MEI, proposto pelo Projeto de Lei Complementar 108 de 2021, seja estendida também às demais faixas de enquadramento do Simples Nacional.
O empresário e ex-deputado federal Walter Ihoshi, atual membro do conselho diretor da Associação Comercial de São Paulo, ressalta que os limites de enquadramento do Simples Nacional permanecem congelados desde 2018 e já não refletem a realidade econômica do país.
TEC./SONORA: Walter Ihoshi, membro do conselho diretor da ACSP
“Ao longo desse tempo nós tivemos inflação, aumento de custos com locação, mão de obra, folha de salários. Especialmente depois da pandemia, nós tivemos um aumento dos insumos. E o teto tanto do Simples como do MEI não teve esse aumento.”
LOC.: O deputado federal Arnaldo Jardim, do Cidadania de São Paulo, participa de articulações do setor produtivo no Congresso Nacional como vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária e membro da Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo. Para ele, a atualização dos limites de faturamento é uma questão de justiça para os empreendedores de pequeno porte.
TEC./SONORA: deputado federal Arnaldo Jardim, Cidadania-SP
“O PLP 108/2021 que reajusta esses percentuais é uma questão de justiça, de reconhecer o setor que mais gera empregos e mais cria oportunidade para o nosso país. É nossa prioridade e nós queremos urgentemente que ele seja deliberado.”
LOC.: Em março, a Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para o PLP 108 de 2021. O texto prevê o aumento do limite de faturamento anual do MEI para até 130 mil reais e autoriza esse perfil de empreendedor a contratar até dois empregados.
Com a urgência, a matéria poderia seguir diretamente para votação em plenário, sem passar pelas comissões temáticas. No entanto, os parlamentares decidiram criar uma comissão especial para aprofundar o debate, reunindo especialistas, representantes do governo e do setor produtivo antes da votação final.
Segundo Walter Ihoshi, a expectativa é que o projeto seja aprovado na Câmara ainda em 2026, apesar das eleições. Após eventual aprovação, o projeto retorna ao Senado, onde teve origem.
Reportagem, Paloma Custódio
LOC.: O preço do boi gordo nesta quinta-feira (14) apresenta queda de 0,80%; a arroba está sendo negociada a R$ 346,00, no estado de São Paulo.
Na Grande São Paulo, em São José do Rio Preto e em Descalvado, os preços do frango apresentam estabilidade. O frango congelado segue negociado a R$ 7,66, e o frango resfriado ainda é vendido a R$ 7,68.
A carcaça suína especial também apresenta estabilidade no preço, sendo negociada a R$ 8,71, por quilo, nos atacados da Grande São Paulo.
O suíno vivo registra alta em todos os estados analisados, com é o caso de São Paulo, onde o produto é comercializado a R$ 5,46.
Os dados são do Cepea.
Reportagem, Marquezan Araújo
LOC.: O preço do café arábica abre esta quinta-feira (14) em alta de 0,84%, com a saca de 60 kg negociada a R$ 1.687,47 na cidade de São Paulo.
Já o café robusta teve aumento de 3,85%, sendo comercializado a R$ 969,64.
O preço do açúcar cristal apresenta elevação nas principais praças do estado de São Paulo. Na capital, a saca de 50 kg teve aumento de 0,23% e é cotada a R$ 96,30.
Em Santos (SP), houve salto de 1,99% e a mercadoria é negociada a R$ 105,56 na média de preços sem impostos.
A saca de 60 kg do milho, por sua vez, é vendida a R$ 65,35, após queda de 0,24%.
Os valores são do Cepea.
Reportagem, Marquezan Araújo