LOC.: Uma peça para substituir o couro animal está em desenvolvimento no Brasil. O material de origem vegetal, ou biocouro, como tem sido chamado, pode ser produzido por meio da vagem do angico. Essa árvore está presente no Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. A descoberta foi feita pela designer brasileira Marina Belintani.
TEC./SONORA: Marina Belintani, designer responsável pelo desenvolvimento do biocouro à base de angico
“Eu sou do interior do estado de São Paulo, uma cidade que se chama Matão, que tem uma grande concentração da árvore angico em praças municipais e foi aí que eu comecei a pensar: vou investigar a vargem da árvore angico para desenvolvimento de novos materiais.”
LOC.: Ela conta que começou a desenvolver a técnica para transformar o material, até então sem valor comercial, em biocouro quando retornou ao Brasil, em 2020, após terminar seu mestrado em Londres.
TEC./SONORA: Marina Belintani, designer responsável pelo desenvolvimento do biocouro à base de angico
“Acabei desenvolvendo uma técnica de produção de um material que parece couro, porém ele é feito à base de plantas e uma das plantas que é utilizada na formulação é a vargem da árvore angico, uma espécie nativa da América do Sul, encontrada em praticamente todos os biomas brasileiros. A nossa ideia é valorizar um resíduo florestal, arrancado do chão as vagens para a produção de um material com alto valor agregado, que no caso é o biocouro angico.”
LOC.: Belintani argumenta que as indústrias necessitam de novos materiais com baixo impacto ambiental. Ela relata ainda que, atualmente, é complexo e difícil desenvolver produtos sem utilizar insumos de petróleo, já que praticamente todos os materiais disponíveis no mercado são constituídos, em algum grau, de insumos derivados do combustível fóssil.
O processo de produção vai ao encontro do conceito da bioeconomia e da economia circular, que integram a proposta de “Descarbonização” da Confederação Nacional da Indústria, a CNI.
Reportagem, Fernando Alves