Foto: Yze Alves / Mercy For Animals
Foto: Yze Alves / Mercy For Animals

Sociedade civil pede que Lula sancione PL que põe fim à alimentação forçada de animais

Após aprovação no Congresso, projeto de lei que proíbe a produção e a comercialização do foie gras no Brasil segue para o presidente

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O Projeto de Lei 90/2020, que proíbe a produção e a comercialização de produtos obtidos por meio da alimentação forçada de animais, está a uma assinatura presidencial de se tornar realidade. Após sua aprovação integral pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados em abril, o texto seguiu nesta terça-feira (7) para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

De acordo com a organização Mercy For Animals, a alimentação forçada utilizada principalmente na produção de foie gras (expressão em francês para "fígado gordo") provoca intenso sofrimento aos animais. Na prática conhecida como gavagem, patos e marrecos são alimentados à força por meio de um tubo metálico inserido da boca até o esôfago. As aves recebem diariamente cerca de cinco vezes mais alimento do que o normal até desenvolverem esteatose hepática, condição que pode aumentar o fígado em até dez vezes. O produto comercializado é justamente esse órgão doente. Considerado uma iguaria da culinária francesa, o foie gras tem pouca expressão nutricional, econômica e cultural no Brasil. Segundo a organização, o produto custa, em média, R$ 1,2 mil o quilo, podendo ultrapassar R$ 5 mil. Atualmente, apenas três produtores atuam no país, dos quais dois estão embargados pelo Ibama, e a maior parte do foie gras comercializado no mercado brasileiro é importada. 

A sociedade civil vem há muitos anos se mobilizando contra a prática de maneira reiterada, e a recente inclusão do PL 90/2020 para votação no Congresso Nacional fez o assunto reverberar ainda mais. Entre março e abril deste ano, parlamentares receberam mais de um milhão de e-mails pedindo a aprovação integral do projeto durante sua tramitação na Câmara. O apelo da sociedade funcionou, o PL foi aprovado e agora a Presidência da República decidirá se sancionará o projeto. 

Logo após o envio do PL à Presidência, as organizações de proteção animal ABRAESCA, Alianima, AMPARA, Animal Equality, Arca Animal, Associação Nacional de Advogados Animalistas, FEBRACA, Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Gaia Libertas, Humane World for Animals, Mercy For Animals, Proteção Animal Mundial, Sinergia Animal e Sociedade Vegetariana Brasileira divulgaram uma carta aberta ao presidente Lula pedindo a sanção completa do projeto de lei.

“Com a sanção presidencial do PL 90/2020, o Brasil se juntará a dezenas de países que reconheceram o sofrimento animal inerente à produção de foie gras e decidiram agir. Nós estamos a uma decisão de assumir uma posição de vanguarda no tratamento ético dos animais. Agora, isso só depende da assinatura do Presidente da República", afirma George Sturaro, Diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da Mercy For Animals no Brasil.

Na carta, as organizações pedem a sanção do PL levando em consideração: sua conformidade com as regras e a jurisprudência da Organização Mundial do Comércio; seu alinhamento ético com avanços globais em bem-estar animal, diante das evidências de sofrimento extremo causado pela produção de foie gras e do crescente número de países que proibiram a prática da alimentação forçada; e seu diminuto impacto econômico, uma vez que o foie gras representa um mercado de nicho, com produção limitada no Brasil e possibilidade de substituição por alternativas éticas, preservando a liberdade econômica em consonância com princípios de responsabilidade social e ambiental. Agora, a presidência tem até 15 dias úteis para sancionar o projeto.

Confira a carta completa aqui
 

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LOC:  Você sabe o que é foie gras?

Considerado uma iguaria da culinária francesa, o produto é feito a partir do fígado doente de patos e marrecos submetidos à alimentação forçada. Mas essa prática pode estar com os dias contados no Brasil.

O Projeto de Lei 90 de 2020 que proíbe a produção e a comercialização do foie gras, termo em francês para “fígado gordo", já foi aprovado no Senado e na Câmara dos Deputados e agora aguarda a sanção presidencial. 

Para produzir o foie gras, os animais são alimentados à força por um tubo metálico que vai da boca até o esôfago, injetando uma quantidade muito grande de alimento – cinco vezes mais do que o normal, o que leva o fígado do animal a aumentar em até 10 vezes.

Esse fígado doente é o que chamam de foie gras. No Brasil, é considerado um produto de luxo, chegando a custar até 5 mil reais o kilo e não tem expressão nutricional, econômica ou cultural significativas.

A sociedade civil vem se mobilizando há anos pelo fim dessa prática, que causa extremo sofrimento animal, e agora pede que o presidente Lula sancione o projeto de lei. As organizações da causa animal destacam que a proposta está alinhada a avanços internacionais em bem-estar animal: países como Índia, Reino Unido, Argentina, Alemanha e Itália já proibiram sua produção e o Brasil pode ser o próximo. 

George Sturaro, Diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da Mercy For Animals, comenta o assunto:

TEC./SONORA: George Sturaro:

“Com a sanção deste projeto de lei, o Brasil vai dar um passo histórico. Nós estamos a uma decisão de assumir uma posição de vanguarda no tratamento ético dos animais. Agora, isso só depende da assinatura do Presidente. A sociedade brasileira não tolera crueldade contra os animais".
 


LOC.: Atualmente, apenas três produtores atuam no território nacional, sendo que dois estão embargados pelo Ibama. Atualmente, essa produção vem de produtos importados. A presidência tem até 15 dias úteis para sancionar o projeto.

Locução, Sophia Stein