Brasil Mineral

07/11/2026 04:00h

São até R$ 500 milhões em subvenção para minerais críticos, mineração urbana, ímãs de terras raras e descarbonização; projetos da Clark e da Valpa já foram contratados

A FINEP prorrogou o prazo de inscrição na segunda rodada do programa Finep Mais Inovação – Transformação Mineral até 30 de novembro. O programa destinará até R$ 500 milhões em recursos não reembolsáveis (subvenção econômica) para atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação (PD&I) em projetos inovadores, com risco tecnológico associado. O foco da chamada são minerais críticos e estratégicos e o objetivo tem como meta o adensamento das cadeias de transformação desses insumos para a descarbonização e a transição energética seguras e sustentáveis. As inscrições devem ser feitas pelo site da Finep (www.finep.gov.br). “Em função da importância do tema e seu crescente reconhecimento como prioridade, vide a recente aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), foi decidido pela prorrogação do prazo e suplementação do orçamento desta chamada”, explica Henrique Vasquez, gerente do Departamento de Indústria de Base e Extrativa Sustentáveis da Finep.

O programa apoiará projetos que contribuam com as temáticas 1) Minerais e Materiais Críticos e Estratégicos para Transição Energética e Descarbonização, 2) Mineração Urbana, 3) Ímãs de Terras Raras, 4) Tecnologias Sustentáveis para Mineração e 5) Descarbonização da Transformação Mineral. A seleção busca incentivar o desenvolvimento tecnológico de insumos, compostos, metais, ligas, materiais, componentes, produtos intermediários e finais com aplicações essenciais para a transição energética e descarbonização. Entre os destaques estão projetos relacionados à reciclagem de baterias e a separação e refino de terras raras, considerados temas essenciais para a transição energética global e para o desenvolvimento de cadeias produtivas de minerais críticos. Também figuram iniciativas voltadas ao monitoramento avançado de barragens de rejeitos, com foco em segurança operacional, gestão de riscos e uso intensivo de tecnologias digitais. O conjunto de oportunidades inclui ainda soluções para descarbonização da produção de cimento.

Entre os projetos já contratados está a Unidade Piloto de Sistema de Redução Direta com Hidrogênio (H-DR) para Produção de Aço Verde da Clark Tecnologia na cidade de São Paulo, com apoio de quase R$ 11 milhões. A iniciativa propõe uma solução inovadora e descentralizada para a produção de ferro de baixo carbono, integrando diretamente a geração local de hidrogênio verde ao processo industrial, o que reduz a necessidade de grandes infraestruturas logísticas e aumenta a flexibilidade operacional. A tecnologia foi concebida para operar adaptada à disponibilidade de energia renovável, aproveitando excedentes energéticos e contribuindo para maior viabilidade econômica e sustentabilidade do processo produtivo. Alinhada às metas globais de descarbonização da siderurgia, a iniciativa aproveita as vantagens competitivas do Brasil, como a oferta de minério de ferro de alta qualidade e o potencial de geração de energia renovável, fortalecendo o desenvolvimento da cadeia de aço verde no país.

Outro projeto já contratado é o de Implementação de Rota Eletroquímica para Independência Tecnológica Brasileira na Cadeia Fotovoltaica, da Valpa Mineração e Terraplanagem, localizada no município paulista de Jacareí. Com apoio de cerca de R$ 20 milhões, o projeto desenvolve uma rota eletroquímica de baixa emissão de carbono para produzir silício grau solar com pureza de 99,9999% (6N), utilizando eletrólise e energia renovável como alternativa às rotas convencionais intensivas em carbono. A iniciativa contempla a construção e operação de um protótipo com validação de materiais, parâmetros de processo, estratégias de purificação e indicadores técnicos e econômicos para apoiar sua futura escalabilidade industrial. Além de contribuir para a descarbonização da cadeia fotovoltaica, o projeto fortalece a independência tecnológica do Brasil ao viabilizar uma rota nacional para produção de um insumo estratégico para a transição energética.

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02/11/2026 04:20h

No Dia Nacional da Reciclagem do Alumínio, a ABAL lembra que 54% do metal consumido no Brasil em 2025 veio da reciclagem, num mercado global em déficit de oferta

A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) comemorou, em 28 de outubro, o Dia Nacional da Reciclagem do Alumínio, data instituída pela entidade há 23 anos para reconhecer uma das cadeias mais bem estruturadas do país. Segundo o International Aluminum Institute (IAI), a demanda global por alumínio deve crescer 40% até 2030, impulsionada pela transição energética em setores como transporte, construção civil e geração de energia, todos fortemente dependentes do metal e engajados na redução de emissões.

Para atender a esse aumento, a reciclagem será fundamental pelo fato do alumínio ser um material que pode ser reciclado infinitas vezes sem perder suas propriedades, permitindo ampliar a oferta sem depender exclusivamente da produção primária. Atualmente, o mercado global do alumínio vive momento de forte tensão entre oferta e demanda, e a reciclagem surge como uma das respostas mais eficientes para enfrentá-la. A guerra no Golfo Pérsico, região que responde por cerca de 10% da produção mundial, e a escalada tarifária promovida pelos Estados Unidos desorganizaram rotas e fluxos comerciais, pressionando ainda mais a oferta. Segundo a CRU, consultoria global de inteligência de mercado focada em commodities como mineração e metais, o déficit global de alumínio estimado alcançou 647 mil toneladas no segundo trimestre de 2026.

Nesse contexto, o Brasil ganha destaque com a reciclagem das latinhas de alumínio, que já batem recordes há mais de 15 anos, com índices de reciclagem acima de 96%, o que mantém o Brasil entre os líderes mundiais e o consolida como referência em economia circular. Em 2025, 54% de todo o alumínio consumido no país vieram da reciclagem. Além das latinhas, entram nessa conta resíduos de diferentes produtos, dos segmentos de construção civil, transporte e bens duráveis, incluindo as aparas da indústria. Essa estrutura diversificada garante segurança de suprimento como fonte complementar ao alumínio primário, no momento em que a oferta internacional está sob pressão.

Cada tonelada de alumínio reciclado economiza cerca de 95% da energia utilizada na produção primária, o que contribui diretamente para a redução de emissões de carbono e para a descarbonização das cadeias que utilizam o metal. “Em um cenário de demanda crescente, déficit de oferta e instabilidade geopolítica, a sucata de alumínio deixa de ser apenas um resíduo e se consolida como insumo estratégico. O Brasil tem uma cadeia de reciclagem eficiente e consolidada, e nosso desafio é garantir que esse diferencial continue sendo competitivo e atenda em primeiro lugar a economia nacional”, afirma Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL.

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29/10/2026 04:00h

Produto obtido em laboratório na Austrália a partir das argilas iônicas do depósito Woolrich tem 54,4% de óxidos de terras raras e teores muito baixos de urânio e tório

A Axel REE Limited anunciou com sucesso a produção de um carbonato de terras raras misto (MREC) de alta qualidade como parte do programa contínuo de testes metalúrgicos em seu depósito de elementos de terras raras iônicos Woolrich de 265 milhões de toneladas (Inferido e Indicado), dentro do Projeto Caladão, 100% de propriedade da empresa, em Minas Gerais. O teste de laboratório MREC04, realizado pela CORE Resources na Austrália, produziu 54,4% de TREO MREC, com 97% de TREO e 99% de precipitação de MREO da solução de lixiviação rica (PLS) obtida sem um estágio dedicado de remoção de impurezas no circuito MREC04.

O teste utilizou uma alimentação mista composta por soluções de lixiviação ricas dos testes de coluna CLT-03 e CLT-04, juntamente com o filtrado do teste de precipitação MREC03 anterior. Os resultados representam um importante passo em frente na avaliação das características do processamento a jusante da Woolrich e destacam o potencial para desenvolver um fluxograma simplificado de recuperação de terras raras usando lixiviação com sulfato de magnésio e precipitação com bicarbonato de magnésio. “A produção bem-sucedida de um carbonato de terras raras misto de alta qualidade é um marco importante para a Woolrich e demonstra o progresso contínuo do nosso programa de desenvolvimento metalúrgico. O que é particularmente encorajador é que alcançamos um produto com 54,4% de TREO com excelente desempenho de precipitação, sem a necessidade de uma etapa dedicada à remoção de impurezas neste circuito de teste. Esses resultados destacam as vantagens potenciais da química da solução de lixiviação da Woolrich e fornecem uma base promissora para o desenvolvimento de uma rota de processamento downstream mais simples e eficiente à medida que avançamos para testes em escala de campo”, disse Patience Mpofu, Diretora Administrativa da Axel REE. Para Mpofu, as concentrações excepcionalmente baixas de urânio e tório no produto final são particularmente significativas, pois demonstram os benefícios potenciais do regolito mineralizado naturalmente tamponado da Woolrich, que tem consistentemente mostrado mobilização limitada de impurezas durante a lixiviação com sulfato de magnésio.

Os testes laboratoriais bem-sucedidos tornam a Axel a primeira empresa conhecida em Minas Gerais a desenvolver um processo de recuperação *in situ* a partir de argilas de adsorção iônica. O carbonato misto de terras raras da Axel foi produzido por meio de um método que simula a recuperação *in situ*, sob condições de testes em coluna realizados em um laboratório independente, a CORE Resources. O método utilizou argilas de adsorção iônica (IAC) provenientes da jazida Woolrich, no Projeto Caladão — uma área que conta com infraestrutura próxima, incluindo acesso a água, energia hidrelétrica, estradas pavimentadas e instalações de transporte. A solução de lixiviação rica (PLS, na sigla em inglês) gerada oferece uma possibilidade operacional que dispensa uma etapa dedicada à remoção de impurezas — um procedimento padrão na maioria dos circuitos de processamento de terras raras, que geralmente exige um investimento de capital elevado e gera custos operacionais significativos.

A CORE Resources obteve sucesso na produção de um carbonato misto de terras raras (MREC) de alto teor, contendo 54,4% de óxidos totais de terras raras (TREO, na sigla em inglês). Esse feito representa um marco importante no programa de desenvolvimento metalúrgico da Axel para a jazida Woolrich. O teste de precipitação MREC04 resultou em 15,11 g de MREC seco, a partir de uma carga composta por soluções de lixiviação em coluna (contendo sulfato de magnésio) provenientes dos ensaios CLT-03 e CLT-04, combinadas com o filtrado do teste de precipitação anterior, MREC03. O produto foi obtido sem a necessidade de uma etapa específica para a remoção de impurezas no circuito MREC04, o que demonstra o potencial para simplificar o processamento subsequente e reduzir o número de etapas de tratamento necessárias para a recuperação de terras raras.

O MREC final apresenta 35,9% de óxidos de terras raras para ímãs em relação ao teor total de óxidos de terras raras (TREO). Esse montante inclui 34,1% de NdPr (neodímio-praseodímio) e 1,75% de DyTb (disprósio-térbio) dentro da composição total, confirmando uma contribuição expressiva dos quatro elementos de terras raras essenciais para a fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho. O produto apresentou, ainda, concentrações muito baixas de urânio e tório — 0,78 ppm e 0,10 ppm, respectivamente —, além de baixos teores de alumínio e ferro. Altas taxas de recuperação por precipitação evidenciam potencial para simplificação do processamento de Woolrich. O teste MREC04 alcançou 97% de recuperação de TREO (óxidos de terras raras totais) e 99% de MREO (óxidos de terras raras magnéticas) por meio de precipitação com bicarbonato de magnésio, demonstrando uma eficiência elevada na precipitação de terras raras a partir de soluções provenientes da lixiviação de Woolrich, sob condições laboratoriais. O teste obteve esses resultados sem a necessidade de uma etapa específica para a remoção de impurezas no circuito MREC04. A empresa afirma que é um resultado promissor para o programa de desenvolvimento metalúrgico de Woolrich e destaca o potencial para simplificar o fluxograma de processamento subsequente.

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28/10/2026 04:40h

Análise apresentada no fórum da Project Blue, em Londres, indica que Pequim pode, no máximo, aliviar parte dos controles de exportação montados ao longo de duas décadas

O Project Blue Critical Materials Forum London 2026, realizado em 20 de outubro na capital britânica, consolidou-se como um dos principais pontos de encontro globais para analistas de mercado, traders, produtores e formuladores de políticas dedicados às cadeias de suprimentos de materiais críticos. Sob o tema central “The Shifting Critical Material World Order”, o evento apresentou um diagnóstico estrutural de como seis vetores — desenvolvimento econômico, eletrificação e segurança energética, novas tecnologias, geopolítica, reindustrialização e fluxos de capital — estão redefinindo simultaneamente a oferta e a demanda de dezenas de commodities estratégicas.

Os dados apresentados pelos analistas da Project Blue e pelo convidado Jan Giese, fundador da Critera GmbH, mostram uma bifurcação sem precedentes nos preços de terras-raras: o óxido de disprósio negociado em armazém em Rotterdam atingiu US$ 4.500/kg em 15 de outubro de 2026, contra US$ 1.265/kg no FOB China, uma diferença de 1.700% derivada dos controles de exportação chineses reintroduzidos em abril de 2025. A dependência global, embora atenuada a montante (de 97% em 2010 para 69% hoje na mineração), deslocou-se downstream: 84% do refino de ímãs de terras-raras permanece na China.

Terras-raras: ecos de 2010 e controles de 2025

O caso do óxido de disprósio (99,5% min.) ilustra com nitidez a volatilidade que define o mercado de terras-raras. Em julho de 2010, a redução das cotas de exportação chinesas — que então abasteciam cerca de 97% do mercado global — detonou um movimento de compra de pânico. Entre janeiro de 2009 e agosto de 2011, o preço subiu aproximadamente 2.500%, atingindo US$ 2.377/kg. A correção foi igualmente dramática: entre agosto de 2011 e dezembro de 2015, o preço caiu 91%, vitimando produtores ocidentais como a Molycorp, cuja falência em junho de 2015 simbolizou o colapso do modelo de negócio construído sobre o pico.

Em abril de 2025, em meio à disputa tarifária com os Estados Unidos, a China reintroduziu controles de exportação — desta vez por meio de licenciamento, sobre sete terras-raras pesadas. A expansão de outubro de 2025 (suspensa até novembro de 2026) consolidou um mercado de dois níveis: dentro da China, os preços mal se moveram; no mercado spot fora da China, o disprósio saltou para US$ 4.500/kg em 15 de outubro de 2026 — 1.700% acima do FOB China de US$ 1.265/kg.

A comparação entre 2010 e 2026 revela, contudo, diferenças estruturais importantes. A dependência a montante recuou (de 97% para 69% na mineração), mas migrou downstream: hoje 84% do refino de ímãs de terras-raras permanece na China. A reação política fora do país também foi mais forte e mais diligente — os US$ 250 milhões que o Japão aportou na Lynas em 2011 (empréstimo e participação acionária) tornaram-se US$ 400 milhões em participação acionária americana na MP Materials, com preço mínimo garantido (price floor) por 10 anos.

A China que reintroduziu os controles de exportação em 2025 não é mais a fornecedora de commodities da virada do milênio. Os dados do Banco Mundial mostram que a participação chinesa no valor adicionado da manufatura mundial subiu de 18%, em 2010, para 28%, em 2024. O peso do PIB chinês no total mundial saltou de 9% para 16% no mesmo período, e a relação PIB China/EUA passou de 41% para 63%. Esse ganho de peso muda a alavanca geopolítica de Pequim em qualquer disputa de cadeias de suprimentos.

Essa transformação reflete-se na pauta exportadora. Os planos estatais para os veículos elétricos, tratados como indústria estratégica desde 2010, funcionaram: o valor das exportações chinesas de carros de passeio (HS 8703) cresceu 50 vezes entre 2010 e 2025, saltando de US$ 1,4 bilhão para US$ 110 bilhões, com mais valor adicionado permanecendo no país.

O dado mais revelador dessa estratégia vem das estatísticas alfandegárias chinesas: em 2026 (jan-ago, anualizado) versus 2024, as exportações de ímãs permanentes cresceram 8% (atingindo 2,7 vezes o volume de 2015), enquanto as exportações de disprósio despencaram 54% e as de térbio, 78%. A China exporta o produto acabado e retém a matéria-prima — uma arquitetura que maximiza a captura de valor e minimiza a exposição a controles externos.

A consolidação do controle sobre o setor foi longa e deliberada. Em 2012, as licenças de mineração foram cortadas de 113 para 67. Em 2016, o “Big Six” consolidou a indústria. Em 2021, formou-se o China Rare Earth Group (CREG). Em fevereiro de 2024, apenas dois grupos estatais detinham cotas de mineração e fundição. Em outubro de 2024, entrou em vigor regulamento que impõe propriedade estatal, controle de volume e rastreabilidade. Os controles de exportação de 2025 não foram surpresa: foram preparados ao longo de mais de duas décadas.

Os padrões de comércio de concentrado de cobre estão se redesenhando. As rotas chinesas e não-chinesas divergem: em 2024, 39% do concentrado seguiu para um destino e 26% para outro, contra 35% e 25% anteriormente — números que refletem tanto a expansão da capacidade de fundição chinesa quanto a busca de diversificação por compradores ocidentais. A descoberta de preços, antes unificada em torno de um benchmark global liderado pela China, fragmenta-se em quatro camadas: índice global, mercado spot dominado pela China, índice de preço, mercado bilateralmente negociado e índices regionais.

A perspectiva de tarifas americanas ampliou o spread entre COMEX e LME, sustentando uma arbitragem de importação e provocando uma redistribuição anormal dos estoques globais — com estoques americanos fora da bolsa (off-exchange) crescendo enquanto estoques de outras regiões nas bolsas recuam. A reciclagem ganha espaço: 26% em 2020, 37% em 2025. Mas a política pode reverter essa tendência — a UE aprovou novas regulações de embarque de resíduos e os EUA emitiram proclamação sobre cobre de sucata, o que pode restringir 375 kt de cobre em sucata exportados da Europa para a China.

Os preços e a política têm, finalmente, apoiado novos investimentos. O fórum identificou 640 kt de capacidade em projetos estratégicos privados e 725 kt adicionais provenientes de investimento governamental direto — um sinal de que a resposta de oferta, embora lenta, está em curso. A questão colocada por Pickens é se essa resposta será rápida e geograficamente diversificada o suficiente para acompanhar a demanda de eletrificação, ou se reproduzirá a dinâmica de dois níveis já vista nas terras-raras.

Novos drivers: inteligência artificial e defesa

Jessica Roberts, da Project Blue, mapeou os novos drivers de demanda que ganharam peso desde a LME Week 2025. A inteligência artificial lidera a lista: chips, data centers, infraestrutura de energia, armazenamento e máquinas habilitadas por IA puxam, cada um, uma cesta distinta de materiais críticos.

Um dos pontos mais relevantes da apresentação foi o estudo de caso de High Purity Alumina (HPA): chips de IA exigem matérias-primas de pureza substancialmente maior do que as demandadas pela eletrônica convencional, abrindo uma janela de oportunidade para produtores capazes de atender a essas especificações. Os atrasos na conexão de data centers à rede elétrica, por sua vez, estão impulsionando a demanda por turbinas a gás aeroderivativas — e os materiais que as compõem.

A defesa emergiu como o segundo grande driver. Fuselagens e motores de aeronaves, inclusive militares, utilizam muitos dos mesmos materiais da cadeia de IA: titânio, alumínio e ligas de níquel-cobalto. O estudo de caso do tungstênio mostrou os Estados Unidos buscando ativamente garantir cadeias domésticas de suprimento — um movimento que deve se repetir para outros materiais.

Os semicondutores foram apresentados como ativos críticos de defesa nacional e segurança estratégica, e não apenas como insumos industriais. Wafers de 12 polegadas ganham participação ano a ano, consolidando uma tendência de densidade crescente. A pergunta deixada no ar — “can the West stand alone in critical minerals?” — sintetiza a tensão central: a reindustrialização pretendida pelo Ocidente depende de materiais cujas cadeias ainda passam majoritariamente pela China.

Conclusão e implicações

A análise consolidada por Jan Giese, da Critera, em colaboração com a Project Blue, concluiu que um retorno pleno às condições de mercado de 2010 é improvável. Os reflexos são os mesmos — pico de preço, medo no mercado, financiamento estatal fora da China e dependência persistente em relação à China. Mas a situação subjacente mudou em quatro dimensões críticas: o controle foi construído desde 2002; a China responde por 16,5% do PIB mundial, não mais 9%; o país exporta produtos acabados e retém matérias-primas; e os rivais pagam mais, enquanto a China captura valor downstream.

A avaliação probabilística apresentada no encerramento do fórum atribui baixa probabilidade a um retorno total ao cenário de 2010 e probabilidade possível a uma flexibilização parcial e seletiva dos controles — ou seja, Pequim pode aliviar restrições em materiais específicos quando isso atender aos seus interesses comerciais, sem desmontar a arquitetura de controle construída ao longo de duas décadas. Para produtores, consumidores e investidores, a recomendação é única: planejar explicitamente para segurança de suprimento, diversificando fontes, antecipando contratos de price floor e monitorando continuamente os sinais de política chinesa.

Para o Brasil, as implicações são duplas. De um lado, o país é parte do esforço de diversificação — com projetos em terras-raras, nióbio, lítio, grafita e cobre que se beneficiam da reindustrialização ocidental. De outro, a volatilidade dos preços de materiais críticos e a fragmentação dos mercados regionais exigem inteligência de dados sofisticada para tomar decisões de investimento e de comercialização.

A Project Blue é uma provedora de inteligência de mercado para mais de 50 cadeias de suprimentos de materiais críticos. Em 2027, promove conferências em Munique (veículos elétricos e baterias, 23 e 24 de fevereiro) e em Washington (aeroespacial e defesa, 17 e 18 de maio). A Brasil Mineral e a Project Blue mantêm parceria editorial. Mais informações em www.projectblue.com.

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27/10/2026 04:00h

Decreto leva 23 cargos para o MDIC, que vai analisar mudanças de controle de mineradoras e projetos estratégicos, mas não define quais operações passam pelo conselho

O Governo Federal criou três subsecretarias e remanejou 23 cargos e funções para estruturar o funcionamento do CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos), criado em setembro para coordenar a política brasileira para o setor. A medida consta de decreto assinado pelo presidente Lula em 16 de outubro e publicado no Diário Oficial da União, no dia 19 de outubro.

A nova estrutura terá como base o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), responsável pela secretaria-executiva do conselho. O colegiado, vinculado à Presidência da República, foi instituído pela Lei nº 15.506, sancionada em 16 de setembro, com o objetivo de ampliar a participação brasileira nas cadeias globais de minerais críticos, como terras raras, lítio e níquel, e estimular o processamento desses recursos no país. Entre suas atribuições estão a aprovação de projetos considerados estratégicos e a análise de determinadas operações empresariais, incluindo mudanças de controle de mineradoras, transferências de direitos minerários e acordos internacionais de fornecimento.

Uma das três novas estruturas será a Subsecretaria de Análise de Operações, responsável por receber e examinar requerimentos, elaborar relatórios técnicos e preparar propostas de decisão sobre negócios submetidos ao conselho. A área também poderá instruir a abertura de procedimentos por iniciativa do próprio governo, além de preparar propostas de medidas cautelares e acompanhar o cumprimento das condições impostas às empresas. Já a Subsecretaria de Projetos ficará encarregada de analisar pedidos de enquadramento de empreendimentos nos instrumentos da política mineral, organizar o cadastro de projetos estratégicos e monitorar sua execução. A terceira área, de Gestão e Assessoramento ao Pleno, será responsável pela organização das reuniões, preparação de documentos e acompanhamento da PNMCE (Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos).

Ao todo, o decreto remaneja 23 cargos comissionados e funções de confiança do Ministério da Gestão para o MDIC, incluindo os postos de secretário-executivo, três subsecretários, coordenadores e assessores. A medida não representa, necessariamente, a contratação de novos servidores. Pelas regras estabelecidas o conselho poderá homologar operações sem restrições, impor condições ou impedir determinados negócios envolvendo minerais críticos e estratégicos. A decisão caberá ao Comitê Executivo do CIMCE, formado por representantes de nove ministérios e presidido pelo MDIC.

O novo decreto não amplia esses poderes, mas estabelece a estrutura técnica responsável pela análise dos processos que serão submetidos ao colegiado. Apesar do avanço administrativo, a norma não apresenta novos critérios para determinar quais operações deverão passar pela análise do conselho, nem detalha as condições que poderão ser exigidas das empresas. O decreto também prevê que o regimento interno do CIMCE, responsável por disciplinar seu funcionamento, será proposto pelo Comitê Executivo. (CNN)

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24/10/2026 04:00h

Evento de 12 de novembro, no Rio de Janeiro, junta pesquisa e mercado para discutir financiamento, minerais críticos e empreendedorismo científico

O Núcleo de Inovação Tecnológica do Centro de Tecnologia Mineral (NIT-CETEM), com o apoio da PUC-Rio, da Petrobras, da InovaUFRJ, da Incubadora COPPE, da FINEP e do BNDES, convida pesquisadores, bolsistas e estudantes de graduação e pós-graduação para o seminário “Inovação sem Muros: Conectando Tecnologia com o Mercado”, que será realizado no dia 12 de novembro, das 9h às 16h30, no CETEM, no Rio de Janeiro.

O evento promoverá o diálogo entre pesquisa, inovação e mercado, com discussões sobre tecnologias inovadoras para a mineração, oportunidades de financiamento, investimentos em minerais críticos, programas de conexão com empresas e empreendedorismo científico. As inscrições podem ser feitas pelo formulário on-line e a programação completa pode ser conferida no site do CETEM.

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20/10/2026 04:20h

Setor cresce 8,6% e já é responsável por mais da metade de todas as contratações na área de mineração no país

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As atividades relacionadas a Minerais Críticos e Estratégicos (MCE) somam 129.423 empregos no Brasil, o equivalente a 57% dos 226.634 postos da indústria extrativa mineral. Os dados, referentes a 2025, estão no Portal de Minerais Críticos e Estratégicos da Agência Nacional de Mineração (ANM), lançado na última quarta-feira (14).

O mercado de trabalho ligado aos MCE cresceu 8,6% entre 2023 e 2025. Do total de empregos do segmento, 51.714 são de mão de obra qualificada, o que representa 23% de todos os postos da indústria extrativa mineral do país. Os trabalhadores com ensino superior somam 30.707, ou 14% do total da indústria extrativa.

Entre os trabalhadores do segmento, as mulheres ocupam 28.658 postos, o equivalente a 22% dos empregos relacionados aos MCE. Os homens respondem por 100.765 postos, ou 78%.

Remuneração e localidades

Em 2025, as remunerações medianas dos trabalhadores com ensino fundamental, médio e superior foram, respectivamente, de R$ 3.218,08, R$ 4.142,24 e R$ 11.856,16.

Os empregos estão distribuídos por diferentes estados e municípios. Entre as cidades com mais trabalhadores em atividades relacionadas aos MCE estão Parauapebas (PA), com 8.234 empregos; Nova Lima (MG), com 8.218; e Congonhas (MG), com 7.114.

Em Parauapebas, 71,4% dos trabalhadores são homens e 28,6% mulheres, e 1.851 têm nível superior. Em Nova Lima, a divisão é de 63,3% de homens e 36,7% de mulheres, e 4.776 dos 8.218 empregados possuem ensino superior. Em Congonhas, 73,2% são homens e 26,8% mulheres, e 1.234 trabalhadores têm nível superior.

Potencial

Dentro da categoria de minerais críticos estão as terras raras. Com cerca de 21 milhões de toneladas passíveis de extração, segundo o Serviço Geológico Braileiro (SGB), o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Esses minérios são bastante demandados especialmente pelas indústrias de defesa e de alta tecnologia, para produção de semicondutores e baterias de última geração.

A maior parte das reservas brasileiras de terras raras, nióbio, lítio e outros minerais estratégicos, se concentra nos estados de Goiás e Minas Gerais.

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18/10/2026 04:00h

Luis Azevedo compara as jornadas de Austrália, Canadá, Estados Unidos, Chile, Peru e Argentina e defende que o Brasil libere a negociação de escalas como 7x7 e 14x14, já usadas pelos petroleiros embarcados

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM) divulgou nota sobre a escala de trabalho semanal. O presidente do Conselho da ABPM, Luis Azevedo, comenta que na mineração a escala é definida principalmente pela localização da mina. “Minas próximas a cidades usam escalas semanais (5x2, 6x1 ou turnos rotativos), enquanto minas remotas usam escalas compensadas em blocos longos de trabalho seguidos de folga equivalente, quase sempre com turnos de 12 horas”.

Para Azevedo, a distinção entre minas a céu aberto e subterrânea se refere menos ao formato da escala e mais sobre limites legais e normas de fadiga, calor e exposição. Alguns países tratam o trabalho subterrâneo como penoso ou insalubre e impõem jornadas menores, como é o caso do Brasil.

Segundo Azevedo, a negociação foi a solução adotada em diversos países, como escalas 7x7 e 14x14 que se tornaram mais viáveis por meio da compensação por média, em que o limite semanal é calculado sobre um ciclo de várias semanas. As longas folgas dão ao trabalhador uma flexibilidade valiosa: permitem miniférias, outras atividades e, em inúmeros casos, que casais que trabalham em escala sincronizem seus períodos de descanso. “Visitando minas na Austrália, conheci vários desses casais. Os que não têm filhos combinam suas escalas para folgar juntos e vivem, na prática, metade do tempo em férias. Os que têm filhos me disseram que o relacionamento melhorou muito: Em cada período de 15 dias de trabalho na mina, o trabalhador passa cinco dias cada um por conta própria, no trabalho ou em casa, e dez dias juntos. Isso permite criar os filhos juntos metade do tempo e individualmente a outra metade”.

Na Austrália são 38h/semana mais horas extras “razoáveis” (National Employment Standards), com média permitida pelo Mining Industry Award e por acordos coletivos, enquanto em minas subterrâneas não há limite específico, mas a fadiga é regulada por códigos estaduais de saúde e segurança (ex.: WA, Queensland). As escalas típicas adotadas são o Regime FIFO (fly-in fly-out, onde trabalhadores são levados de avião ao local): 2x1 (14x7), 8x6, 4x4, 7x7; turnos de 12h. Já no Canadá, a Competência provincial em Ontário é de 8h/dia e 48h/semana, com extras a partir de 44h. BC: 8h/40h. Quebec: extras a partir de 40h. Média permitida por acordo. Para minas subterrâneas, Ontário tem regra própria para minas subterrâneas (8h/dia, 48h/semana), com exceções por acordo e as escalas são nos modelos 7x7, 14x14, 4x4 em minas remotas com acampamento; turnos de 10 a 12h. Os Estados Unidos não têm limite especial para adultos (FLSA); apenas adicional de horas extras acima de 40h/semana. A MSHA, agência federal de segurança em minas, não fixa jornada; Sobre a mineração subterrânea, alguns estados mantêm leis históricas de 8h para minas subterrâneas (ex.: Montana) e as escalas são definidas em 4x4 (12h), 5x2, 7x7; 14x14 em locais remotos, como Alasca e Nevada.

Entre os países da América do Sul, o Chile tem Lei 21.561 (Lei das 40 Horas): 44h desde abril/2024, 42h desde abril/2026 e 40h em abril/2028. Máximo de 12h/dia e não possui regime legal distinto para mineração subterrânea. As escalas excepcionais autorizadas pela Dirección del Trabajo: 7x7, 4x4, 10x10, 14x14 com turnos de 12h. O 7x7 de 12h equivale a 42h/semana em média. Já o Peru prevê 8h/dia e 48h/semana; jornadas atípicas acumulativas permitidas se a média do ciclo não exceder 48h; também não tem regime legal distinto para operação subterrânea e as jornadas são de 14x7, 20x10, 21x7 com turnos longos. O Tribunal Constitucional (caso Toquepala, 2005/2006) restringiu jornadas de 12h que ultrapassem a média legal e exigiu condições de segurança, o que gerou muita litigância. Por último, a Argentina determina 8h/dia e 48h/semana (Lei 11.544) e trabalho subterrâneo é tratado como insalubre: 6h/dia e 36h/semana. As escalas são definidas em 7x7, 14x14 e 4x4 com turnos de 12h, via convenções coletivas (sindicato AOMA). Na mineração subterrânea, as escalas precisam respeitar o limite reduzido.

Para Azevedo, o regime brasileiro está entre os mais restritivos do mundo, e talvez seja este um dos motivos pelos quais a mineração nacional ainda não alcançou sua plenitude. A CLT fixa 8h/dia e 44h/semana. No subsolo, o art. 293 limita a jornada a 6h/dia e 36h/semana, e o art. 295 permite estendê-la até 8h mediante acordo ou convenção coletiva e autorização da autoridade competente em segurança e saúde do trabalho. Em turnos ininterruptos de revezamento, a jornada é de 6h, ampliável a 8h por negociação coletiva (Súmula 423 do TST). Escalas como 12x36 e regimes compensados dependem de negociações coletivas complexas, frequentemente questionadas na Justiça.

Por isso, escalas consagradas no Chile, no Peru e na Austrália, como 7x7 ou 14x14 com turnos de 12 horas, enfrentam no Brasil elevado risco jurídico e raramente são adotadas.

O próprio Brasil, aliás, já tem a prova de que esse caminho funciona. Os petroleiros embarcados da Petrobras trabalham em regime de confinamento, com turnos de 12 horas, e cumprem escalas de 14 dias embarcados por 21 dias de folga, amparadas na Lei nº 5.811/1972 e consolidadas em acordos coletivos. É um modelo negociado e amplamente aceito por trabalhadores e empresa, que combina segurança operacional, boa remuneração e longos períodos de convívio familiar. Se funciona em uma plataforma em alto-mar, não há razão para que não funcione em uma mina remota na Amazônia. “Para nós, o regime pode ser 6x1 ou 5x2. O essencial não está no número, mas na liberdade de construir, pela negociação, o arranjo que melhor atenda ao trabalhador e à empresa. Que a negociação livre e plena seja prestigiada, e que Executivo e Judiciário respeitem a vontade das partes. Basta de tutela e de autonomia vigiada. Num mundo em que a informação circula de forma ampla e imediata, já não se sustenta a premissa de que o trabalhador negocia sob pressão ou sem conhecimento de causa. Temos a convicção de que, adotada a liberdade de negociação, o país chegará a um modelo que concilie competitividade, produtividade, geração de empregos, remuneração adequada e qualidade de vida. Para onde o Brasil decidir ir, a mineração irá junto, desde que se respeitem, em igual medida, o trabalhador e o minerador”, conclui Azevedo.

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16/10/2026 04:00h

Alta de 23,5% foi puxada pelo cobre, cujas vendas externas cresceram 75,3%; a mineração respondeu por 66,7% de tudo o que o estado exportou, segundo o Simineral

Segundo números do Panorama da Mineração do Estado do Pará – 1º Semestre de 2026, divulgado pelo Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (SIMINERAL), a mineração paraense exportou US$ 8,67 bilhões em produtos minerais na primeira metade do ano, um aumento de 23,5% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado foi superior ao crescimento das exportações totais do estado, que ficou em torno de 18%. Com isso, a mineração passou a representar 66,7% de tudo o que o Pará vendeu para outros países. O estado também respondeu por 34,6% das exportações minerais de todo o Brasil. O levantamento reúne dados oficiais da Agência Nacional de Mineração (ANM), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e do Ministério do Trabalho e Emprego. “Esses números mostram a importância que a mineração tem para o Pará e para o Brasil. É uma atividade que gera empregos, movimenta a economia, fortalece empresas fornecedoras e contribui diretamente para a arrecadação dos municípios e do estado. O crescimento do cobre também mostra que a mineração paraense está avançando e ganhando ainda mais espaço no mercado”, afirma Emerson Rocha, presidente executivo do SIMINERAL.

O Pará registrou R$ 1,49 bilhão em arrecadação de royalties da mineração (CFEM), alta de 3,7%, e gerou 960 novos empregos formais no semestre, saldo 61,6% superior ao obtido no mesmo período de 2025. Além disso, o estado teve 30.238 trabalhadores com carteira assinada na indústria extrativa mineral em junho. O cobre foi um dos grandes destaques da mineração paraense no primeiro semestre de 2026, com as vendas externas de cobre e concentrados crescendo 75,3%, alcançando US$ 2,68 bilhões, impulsionadas tanto pelo aumento da quantidade exportada, de 20,3%, quanto pela valorização do mineral no mercado internacional, com alta de 45,7% no preço médio. O crescimento reforça a importância do Pará no mercado nacional e internacional do cobre, um dos minerais críticos e empregado na indústria para a fabricação de equipamentos elétricos e o desenvolvimento de tecnologias ligadas à transição energética.

Mesmo com o forte crescimento do cobre, o minério de ferro continua sendo o principal produto da mineração paraense. No primeiro semestre, ele representou 58,9% das exportações minerais do estado e 68,7% da arrecadação de royalties da mineração. O Pará respondeu por 43,1% das exportações brasileiras de minério de ferro não aglomerado, ficando atrás apenas de Minas Gerais, com 45,5%. Embora a quantidade exportada tenha diminuído 2,3%, o aumento de 5,8% no preço médio garantiu crescimento de 3,4% no valor das vendas.

A arrecadação ligada ao cobre cresceu 45,8%, chegando a R$ 325,9 milhões, enquanto a do minério de ferro apresentou queda de 5%. Entre os municípios, Canaã dos Carajás liderou a arrecadação, com R$ 660,4 milhões, seguido por Parauapebas, com R$ 384,6 milhões, e Marabá, com R$ 227,2 milhões. Esses recursos são destinados ao poder público e podem contribuir para investimentos em infraestrutura, saúde, educação e melhoria dos serviços oferecidos à população, respeitadas as regras de aplicação da CFEM.

Entre janeiro e junho, a indústria extrativa mineral registrou 3.057 contratações e 2.097 desligamentos, com saldo de 960 novos postos de trabalho. O resultado foi 61,6% superior ao do primeiro semestre de 2025. Ao final de junho, o setor empregava 30.238 trabalhadores com carteira assinada no Pará. Mas o impacto da mineração na geração de empregos vai muito além desse número. Segundo estimativas setoriais divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), para cada emprego direto na atividade mineral, cerca de dez outros postos de trabalho podem ser movimentados ao longo da cadeia produtiva. São oportunidades em áreas como transporte, comércio, alimentação, manutenção, construção civil e prestação de serviços.

Além dos resultados do primeiro semestre, o Panorama mostra que o Pará lidera a produção nacional de três importantes minerais. O estado respondeu por 92,7% da produção beneficiada de bauxita, utilizada principalmente na fabricação de alumínio; 75% da produção de caulim, empregado nas indústrias de papel, cerâmica e outros produtos; e 73,5% da produção de cobre. O Pará também foi responsável por 58,4% da produção brasileira de manganês e 36,9% da produção de minério de ferro. Os números reforçam a importância da mineração paraense no fornecimento de matérias-primas utilizadas em diferentes setores da indústria brasileira e mundial.

Mineração fortalece a economia e amplia oportunidades no Pará

“A mineração já tem uma contribuição muito importante para o desenvolvimento do Pará. Além dos empregos e da arrecadação, ela movimenta o comércio, contrata serviços, gera oportunidades para fornecedores e ajuda a desenvolver as regiões onde está presente. O que queremos é fortalecer cada vez mais esse trabalho, ampliar os resultados e fazer com que mais pessoas e empresas possam aproveitar as oportunidades que a mineração oferece”, destaca Emerson Rocha.

Segundo ele, o avanço também passa pelo diálogo e pelo trabalho conjunto entre empresas, governos e sociedade. “O SIMINERAL trabalha justamente para aproximar esses setores, buscar soluções e contribuir para que a mineração continue crescendo de forma responsável. Temos uma atividade forte, que já entrega resultados importantes, e queremos ampliar ainda mais sua contribuição para o desenvolvimento do Pará e para a qualidade de vida da nossa população”, conclui.

O relatório completo está disponível aqui.

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14/10/2026 04:00h

Em seminário do Instituto Diálogos, em Brasília, a senadora Tereza Cristina alertou para o risco de demora e inconsistência nas regras da política nacional de minerais críticos; para a AMC, colocá-las em prática não levará menos de um ano.

A presidente do Conselho de Administração do Instituto Diálogos, a senadora Tereza Cristina, alertou para o risco de haver inconsistência e demora na regulamentação da lei 15.506/2026, que instituiu a política nacional de minerais críticos e estratégicos, na abertura do seminário “Minerais Críticos: da Nova Lei à Transformação Industrial”, em Brasília. “A lei é um avanço e seu processo de regulamentação uma oportunidade para o estabelecimento de um marco legal moderno e flexível”. A senadora avalia que a cadeia da indústria com base nos minerais críticos “identifica na regulamentação a base para integrar a política mineral e a política industrial”, com atenção aos instrumentos favoráveis ao investimento, ao estímulo à pesquisa, desenvolvimento de tecnologia e inserção internacional.

Organizado pelo Instituto Diálogos, o encontro aconteceu dia 8 de outubro e debateu a oportunidade de industrializar os minerais críticos em território brasileiro, colocando frente a frente setor público, empresários e especialistas do setor mineral. Tereza Cristina disse que o evento levará a outros seminários em torno do mesmo tema e, ao final, “pretendemos dispor de uma interpretação madura, nascida de consensos sobre como superar os desafios e construir projetos nacionais consistentes”.

Os painelistas e moderadores debateram os rumos para o Brasil se capacitar a industrializar minerais críticos e abordaram a necessidade de cooperação e acordos comerciais com outros países para desenvolver tecnologias e cadeias industriais, mas em um horizonte de competitividade global para as empresas produtoras. Países e blocos econômicos desenham seus próprios modelos para desenvolver cadeias industriais de minerais críticos e o Brasil precisa estabelecer o seu modelo, disseram. O avanço dos projetos de terras raras, sustentaram os participantes, depende de uma combinação entre segurança jurídica, financiamento, desenvolvimento tecnológico e uma política industrial capaz de criar demanda para os minerais produzidos no país.

Para o diretor-executivo da Associação de Minerais Críticos (AMC), Frederico Bedran, há a necessidade de conciliar o controle estatal sobre projetos considerados estratégicos com previsibilidade para investidores. “O Brasil tem diversos projetos em desenvolvimento e não pode criar um processo de análise que transforme o novo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, vinculado à Presidência da República, em um gargalo, já que poderá interferir nos investimentos e negócios da iniciativa privada”. Sobre a regulamentação da política nacional, ele avaliou que “operacionalizar as novas regras não vai ocorrer em menos de um ano ou um ano e meio”, um prazo extenso para ele, e isso gera incertezas dos investidores para a tomada de decisão de fazer aportes no Brasil. Tanto Frederico Bedran quanto Pablo Cesário, diretor de Relações Institucionais e diretor-presidente interino do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), disseram que a regulamentação precisa considerar as particularidades de cada cadeia mineral. Para Pablo Cesário, “não é a mesma coisa falar de cobre, de lítio ou de terras raras. Há negócios diferentes dentro desse conjunto e vamos ter que ter ferramentas específicas para cada um dos minerais”.

A Aclara admite a possibilidade de realizar separação de terras raras no Brasil, mas, também, cobra agilidade para a regulamentação. O vice-presidente-executivo da Aclara Resources, José Augusto Palma, afirmou que a companhia poderá implantar no Brasil uma tecnologia de separação e refino de terras raras, ainda em fase de desenvolvimento. “Essa iniciativa depende da evolução dos projetos de mineração e, posteriormente, da formação de fornecedores, qualificação de mão de obra, desenvolvimento tecnológico e conexão com o mercado consumidor. Desenvolver a tecnologia e os processos para criar uma cadeia de suprimentos e ser competitivo (no mercado global) é um processo que não ocorre da noite para o dia”, afirmou. A Aclara projeta dar início à produção comercial de terras raras em Goiás, a partir de 2028.

Marisa Cesar, diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da PLS Brasil e presidente do Conselho de Administração da AMC, ressaltou que antes de se falar em refinar a produção de minerais críticos no país, é preciso alcançar a produção mineral em escala. Sem uma escala mínima, não há como “justificar ter uma planta de midstream, porque a conta não fecha”. Midstream é a etapa da cadeia que transforma o mineral extraído em materiais processados, refinados ou separados, aptos a abastecer a indústria de produtos finais.

O governo federal foi representado por Anderson Barreto Arruda, diretor do Departamento de Transformação e Tecnologia Mineral e substituto do secretário nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia. Aos empresários que atuam com minerais críticos, Arruda disse que o governo pretende “olhar cada um dos projetos e verificar quais deles são estratégicos não só para os acionistas, mas para o país, e fazer com que esses projetos saiam do papel num prazo o mais rápido possível’. Arruda explicou que o interesse do governo federal é, de alguma forma, ter um olhar estratégico sobre os ativos minerários. “Hoje não há uma inteligência comercial do setor. O governo, o Estado brasileiro, não conhece, não detém informações sobre as transações comerciais (de minerais). Simplesmente, o governo, toma conhecimento das transações comerciais do setor mineral pela imprensa. E muitas vezes a gente perde a oportunidade, inclusive, de induzir um investimento para uma determinada cadeia que a gente gostaria”, disse.

Em resposta a Arruda, Frederico Bedran, da AMC, disse que o Estado brasileiro merece conhecer todas as transações e isso pode ser feito mediante a organização de um cadastro- base dos projetos minerários.

Para Marcos Berton, gerente de Tecnologia e Inovação e pesquisador-chefe do Instituto SENAI de Inovação em Eletroquímica, o desafio brasileiro é transformar o conhecimento e os recursos minerais em uma indústria capaz de competir em mercados específicos. Ele elogiou a programação do seminário organizado pelo Instituto Diálogos: “pela primeira vez, estamos falando de transformação industrial, de como saímos da produção mineral e transformamos esse movimento em uma indústria”. Berton destacou iniciativas para desenvolver no Brasil uma cadeia de produção de baterias de íons de lítio, mas defendeu maior coordenação dos esforços. “Falta uma coordenação nacional para conduzir isso, para direcionar. Temos que ter foco”, disse. O Brasil precisa transformar seus recursos em capacidade industrial e tecnológica.

Ao final dos debates, ficou o consenso de que o Brasil tem uma oportunidade estratégica para ampliar sua participação nas cadeias globais de minerais críticos, mas precisa transformar seus recursos em capacidade industrial e tecnológica. Para isso, são necessários investimentos de longo prazo em pesquisa, inovação e infraestrutura, além de maior coordenação entre governo, empresas e centros de pesquisa e de parcerias com países que já dominam tecnologias específicas. A criação de hubs de transformação mineral também foi apontada como uma alternativa para reunir empresas e tecnologia, ampliar a agregação de valor e acelerar o desenvolvimento dessas cadeias no país.

Também participaram do seminário Rafaela Guedes, economista, Senior Fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI); Larissa Wachholz, sócia da consultoria Vallya e Senior Fellow do CEBRI; Caique Souza, consultor da Vallya; Júlio Nery, diretor de Assuntos Minerários e Sustentabilidade do IBRAM; Rodrigo Toledo Cabral Cota, servidor público do Senado Federal especialista no setor mineral; Fernando Camargo, diretor-presidente do Instituto Diálogos e Inácio Muzzi, diretor do Instituto. Na plateia, que lotou o auditório, estavam personalidades e autoridades, como o deputado federal Arnaldo Jardim, que relatou o projeto de lei 2.780/2024 que deu origem à política pública de minerais críticos; o ex-ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, a ex-ministra Izabella Teixeira, entre outros. O seminário teve o patrocínio do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) e da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) por meio do Sistema Senar CNA.

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