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Cientista político analisa os fatores que podem justificar o resultado e a tendência para as eleições deste ano
Baixar áudioLer ao vivoJá no cenário nacional, presidente aparece com 44% das intenções de voto, ante 39% do candidato do PL. Lula também é testado contra Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos
Baixar áudioLer ao vivoLOC.: Faltam menos de 2 meses para as eleições de 2026 e os resultados das eleições presidenciais de 2022 podem ajudar a traçar os caminhos nesse período. Há 4 anos, tanto o então candidato Luís Inácio Lula da Silva quanto o presidente em exercício na época, Jair Bolsonaro, registraram aumento de votos do primeiro para o segundo turno. O crescimento do petista foi de mais de 3 milhões de votos, enquanto o adversário que buscava a reeleição angariou mais de 7 milhões de votantes.
O desempenho de Bolsonaro não foi suficiente para impedir o terceiro mandato de Lula na presidência da República. No entanto, conforme o mapa eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral, o candidato do Partido Liberal conseguiu reverter a derrota na primeira etapa do pleito em 259 municípios onde o petista havia sido o mais votado.
Em nenhuma outra cidade, o inverso aconteceu. Ou seja, os votos em candidatos que ficaram pelo caminho, como Simone Tebet, Ciro Gomes, Soraya Thronicke, entre outros, migraram em maioria para o representante da extrema-direita.
Arthur Bezerra Júnior, cientista político e doutor em Direito Político e Econômico pela Universidade Mackenzie, destaca que a virada não significa mudança de viés ideológico dos munícipes.
TEC./SONORA: Arthur Bezerra Júnior, cientista político e doutor em Direito Político e Econômico pela Universidade Mackenzie
“É diferente a dinâmica do primeiro para o segundo, porque o segundo é marcado pela redistribuição dos votos dos candidatos eliminados, de Simone Tebet e Ciro Gomes em 2022. Também existe uma maior polarização, há a atuação de lideranças locais e há campanhas muito direcionadas aos municípios que as estratégias consideram decisivos para o pleito”.
LOC.: Se o cenário de um turno para o outro, realizado em um espaço de 3 semanas, muda, o que dizer de eleições separadas por 4 anos. A primeira diferença no momento são os candidatos em si. Lula segue como nome hegemônico tanto no PT quanto na centro-esquerda brasileira, mas Jair Bolsonaro está inelegível até 2030 por abuso de poder político e econômico, e escolheu o filho Flávio para levar o nome da família nas urnas.
Segundo, a vantagem nas pesquisas: Lula lidera a corrida com 40,7% das intenções de voto para o primeiro turno contra 32,5% de Flávio Bolsonaro, de acordo com o agregador de pesquisas eleitorais do UOL. Em agosto de 2022, Lula também liderava as pesquisas contra Jair, mas com uma diferença menor: 40% x 37%.
Por fim, agora é o petista o incumbente contra um Bolsonaro postulante ao cargo. Para Bezerra Júnior, o sucesso na atual campanha passa por atrair o eleitorado moderado e conquistar os municípios mais competitivos.
TEC./SONORA: Arthur Bezerra Júnior, cientista político e doutor em Direito Político e Econômico pela Universidade Mackenzie
“Agora, ele [Lula] pode apresentar os resultados do seu governo, usar a máquina, mas também não podemos deixar de falar que ele está enfrentando o desgaste natural de quem ocupa o poder. Agora do outro lado, o adversário é o Flávio Bolsonaro e não mais Jair, que sim herda parte do capital político e de eleitorado identificado com o pai, mas que também precisa construir uma candidatura própria e ampliar a sua base para além do núcleo mais fiel do bolsonarismo, porque eu vejo que essa é a maior dificuldade de Flávio.”
LOC.: O primeiro turno das eleições deste ano está previsto para ocorrer no dia 4 de outubro.
Reportagem, Álvaro Couto.
LOC.: Pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (5), mostra que Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, lidera as intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, do PL, no cenário nacional e também entre os eleitores do Nordeste.
De acordo com o recorte regional do levantamento, 64% dos entrevistados no Nordeste afirmam que votariam em Lula, contra 25% em Flávio Bolsonaro, em eventual segundo turno entre os dois candidatos.
No resultado geral do país, o petista aparece com 44% das intenções de voto, enquanto o candidato do PL tem 39%.
Nas demais regiões, Flávio Bolsonaro aparece à frente. No Norte/Centro-Oeste, o senador soma 44%, contra 40% de Lula. No Sudeste, a diferença é menor: 40% para Flávio Bolsonaro e 38% para o petista. A maior vantagem regional de Flávio está no Sul, onde alcança 56%, ante 29% de Lula.
A pesquisa também testou outros cenários de segundo turno. No balanço nacional, contra Ronaldo Caiado, do PSD, Lula lidera com 45% das intenções de voto, contra 37% do adversário. No recorte regional, o presidente tem vantagem no Nordeste, com 64%, e no Sudeste, onde aparece com 40%. O candidato do PSD lidera no Norte/Centro-Oeste e no Sul, com 46% das intenções de voto dos respondentes da pesquisa.
Contra Romeu Zema, do Novo, Lula também aparece na frente no cenário nacional, com 46%, contra 34% de Zema. Regionalmente, o petista lidera no Nordeste, com 65%, e no Norte/Centro-Oeste, com 43%. No Sudeste, há empate em 39%. No Sul, Zema aparece à frente, com 43%, contra 35% de Lula.
Já contra Renan Santos, do Missão, Lula tem 45% das intenções de voto, contra 35% do adversário. No recorte regional, o petista lidera no Nordeste, com 65%, e no Sudeste, com 39%, contra 35%. Renan Santos aparece à frente no Norte/Centro-Oeste, com 43%, e no Sul, com 45%.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores presencialmente em todo o país entre os dias 31 de julho e 3 de agosto. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06591/2026.
A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.
Reportagem, Bianca Mingote
LOC.: Nos últimos dias, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS, Imposto sobre Bens e Serviços, alteraram regras e cronogramas da Reforma Tributária. Os atos conjuntos permitem a prorrogação da obrigatoriedade de destaque tanto do IBS quanto da CBS, a Contribuição sobre Bens e Serviços, na emissão de Documentos Fiscais Eletrônicos e também suspendem a rejeição de notas fiscais sem os novos campos.
Sendo assim, as notas fiscais Eletrônica, de Consumidor Eletrônica, de Energia Elétrica Eletrônica, Fatura de Serviço de Comunicação Eletrônica, o Conhecimento de Transporte Eletrônico e Bilhete de Passagem Eletrônico não serão recusados pelo sistema se não tiverem os espaços preenchidos.
Por outro lado, diversos outros comprovantes terão um calendário progressivo para permitir a adaptação dos contribuintes e dos sistemas emissores de documentos fiscais. A implementação será dividida em quatro etapas, nas datas de 1º de outubro, 15 de novembro, 1º de dezembro e, ainda, em 1º de janeiro de 2027, como é o caso de contribuintes optantes pelo Simples Nacional, entre outros. A relação completa você encontra no portal Brasil 61.
Apesar do prazo estendido, o advogado e membro do Instituto Brasileiro de Direito Tributário, Gabriel Gravena, esclarece que o momento deve ser utilizado como adaptação pelos empreendedores.
TEC./SONORA: Gabriel Gravena, advogado e membro do Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBDT Jovem)
“Ainda que exista uma postura cooperativa, não é um momento de deixar para depois, de se acomodar, e sim de aproveitar a forma que o próprio governo vem tratando esse período, para adaptar a rotina da própria empresa, a forma que a empresa trabalha, e as emissões dos documentos fiscais. Esse é o objetivo de 2026 para a empresa: sair de 2026 sabendo como que a Reforma Tributária funciona, sabendo cumprir suas novas obrigações acessórias, para chegar em 2027 e iniciar o período de transição, aí sim, com tributo sendo recolhido, mas da forma mais eficiente possível, sem correr risco de autuação, com segurança.”
LOC.: A decisão ocorre após publicação de manifesto por mais de 40 associações empresariais, endossado pela Associação Comercial de São Paulo e pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, solicitando o adiamento das exigências. Ulisses Ruiz de Gamboa, economista-sênior da ACSP, alerta que a grande preocupação é com inconsistências no sistema e encarecimento dos custos operacionais, que têm maior impacto nas empresas de menor porte.
TEC./SONORA: Ulisses Ruiz de Gamboa, economista-sênior da ACSP
“Porque essas empresas não vão dar conta sozinhas. Você tem uma pequena empresa, uma mercearia, você vai ter que digitalizar as suas operações para o cumprimento tributário, saber como fazer a nota fiscal, contratar um contador e, eventualmente, até um advogado tributarista, se for o caso. Você vai ter informatizar o teu negócio, isso pode não ser trivial em termos de custo.”
LOC.: Outro ponto de atenção para o setor produtivo é a falta de definição quanto à data limite para definição sobre a manutenção no enquadramento das companhias no Simples Nacional ou migração para o regime híbrido. No período teste, que teve início em janeiro deste ano, a taxa do IBS é de 0,1% e a da CBS é de 0,9% sobre o valor do produto ou serviço comercializado. No entanto, não há perspectiva da carga tributária definitiva para que os empresários tomem a decisão sobre qual modelo fiscal escolher.
Reportagem, Álvaro Couto.
LOC.: Cerca de três em cada quatro empresas industriais compraram máquinas e equipamentos novos em 2025, enquanto 18% recorreram à compra de maquinário usado. É o que revela levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria, a CNI.
Apesar dos investimentos, a modernização tecnológica ainda ocorre de forma gradual. Entre as empresas que adquiriram máquinas e equipamentos em 2025, 72% tinham como principal objetivo ampliar a mecanização da produção. Apenas 9% investiram em robotização e 5% direcionaram recursos para automatizar a produção por meio de máquinas conectadas em rede, capazes de transmitir e processar dados de forma autônoma.
O especialista em Políticas e Indústria da CNI, Rafael Sales, afirma que os investimentos em equipamentos conectados à internet ainda são limitados.
TEC./SONORA: Rafael Sales, especialista em Políticas e Indústria da CNI
“A maior parte dos investimentos continua sendo na mecanização da produção. Mas isso não quer dizer que essas empresas não estejam buscando ganhos de produtividade. Mesmo quando uma empresa está buscando uma máquina nova para mecanizar sua produção, ela pode estar tendo ganhos de produtividade.”
LOC.: A sondagem mostra que as incertezas do ambiente macroeconômico continuam sendo o principal fator que trava os investimentos da indústria. Outros fatores apontados foram queda das receitas das empresas, entraves tributários, incertezas setoriais, falta de mão de obra e aumento dos custos dos insumos.
TEC./SONORA: Rafael Sales, especialista em Políticas e Indústria da CNI
“Estamos passando por muitas incertezas econômicas, não só no Brasil, mas no mundo. Com relação à mão de obra, outras pesquisas vêm apontando uma dificuldade dos empresários industriais em contratar e reter esses profissionais, o que, consequentemente, afeta o planejamento dos seus investimentos. E com relação aos entraves tributários, nós esperamos que, com a reforma tributária, isso diminua.”
LOC.: O levantamento também mostra que as grandes empresas conseguem acessar e incorporar tecnologias mais avançadas com maior rapidez, enquanto as pequenas enfrentam mais dificuldades.
Segundo o economista, os resultados da sondagem podem orientar políticas industriais voltadas às diferentes necessidades das empresas. Para as pequenas, o desafio é ampliar o acesso ao crédito e às tecnologias mais avançadas. Já as grandes, que se encontram em estágio mais maduro de modernização, precisam de condições para ampliar sua competitividade internacional.
Reportagem, Paloma Custódio
LOC: O Brasil deu um passo importante para fortalecer sua posição no comércio internacional de alimentos com a realização da primeira edição do Outlook Agro Brasil, promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a ApexBrasil, em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária.
O fórum reuniu representantes do governo, organismos internacionais, pesquisadores e especialistas para discutir inteligência de mercado, tendências para a safra 2026/2027 e os desafios que devem influenciar o futuro do agronegócio.
Durante o evento, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, enfatizou a forte relação entre o desempenho do comércio exterior e a conjuntura macroeconômica no Brasil.
Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil
É muito natural a Apex Brasil estar participando desse evento, estar junto com o Ministério da Agricultura aqui, porque política econômica no Brasil com estabilidade, com taxa de juros, tem a ver com exportação. Exportação tem a ver com o agronegócio brasileiro.
LOC: Ao longo da programação, os participantes debateram temas como geopolítica, segurança alimentar, mudanças climáticas, sustentabilidade, inovação e abertura de mercados, reforçando a importância do planejamento estratégico para ampliar a competitividade brasileira.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que a ampliação de mercados é resultado da credibilidade conquistada pelo agronegócio nacional e da qualidade da produção brasileira.
ABRE ASPAS: "As aberturas de mercado são fruto da credibilidade dos nossos produtos e da qualidade do que produzimos”. FECHA ASPAS.
LOC: Para a coordenadora de Agronegócios da ApexBrasil, Paula Soares, iniciativas como o Outlook Agro Brasil reforçam o papel da inteligência de mercado na construção de estratégias para o futuro do setor.
PAULA SOARES, coordenadora de Agronegócios da ApexBrasil
“A gente trouxe especialistas dos Estados Unidos, da China, também trouxemos da Argentina e esse rico debate trouxe perspectivas de como o Brasil tem um papel central na questão da segurança alimentar e nós temos também um papel central quando a gente fala do tema de biocombustíveis. Então a gente é solução para diversos segmentos, somos parceiros de diversos países e essa discussão aqui está pautando um pouco, tanto com o setor público quanto com o setor privado.”
LOC: O encontro também contou com a participação de autoridades do governo federal, representantes de organismos internacionais e especialistas do Brasil e do exterior, que discutiram oportunidades para ampliar a presença dos produtos brasileiros no mercado global e fortalecer a segurança alimentar, energética e climática.
Reportagem, Juline Pogorzelski
LOC: O número de famílias brasileiras com dívidas voltou a crescer e atingiu um novo recorde histórico em julho de 2026. É o que mostra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.
Segundo o levantamento, 82% das famílias têm algum tipo de dívida a vencer.
De acordo com o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, completar seis meses seguidos de novos níveis recordes negativos no endividamento da população tem impactos que são sentidos a curto e médio prazo, não só no comércio.
ABRE ASPAS: Vemos sinais positivos de resiliência, seja pelo pagamento das dívidas com o programa Desenrola, seja com a massa de rendimentos e ocupação aumentando. Porém, os números mostram que é preciso avançar em medidas que aliviem o bolso do trabalhador e, consequentemente, estimulem uma melhora do setor produtivo. FECHA ASPAS
Apesar do aumento do endividamento, a pesquisa traz um dado positivo: a inadimplência caiu levemente após três meses do Desenrola 2.0. O percentual de famílias com contas em atraso passou de 29,9% para 29,8%, indicando que parte dos consumidores conseguiu renegociar débitos e retomar os pagamentos.
Outro indicador favorável foi a redução do tempo médio de atraso das dívidas, que caiu para 64,6 dias, o menor nível desde dezembro do ano passado.
Por outro lado, cresce a parcela de brasileiros que comprometem grande parte da renda com dívidas. Em julho, 19% das famílias destinavam mais da metade do orçamento mensal ao pagamento de empréstimos e financiamentos.
A situação é mais preocupante entre as famílias que recebem até três salários mínimos. Nesse grupo, 84,9% possuem dívidas, e 17,8% afirmam que não têm condições de quitar os débitos.
Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a redução da inadimplência é um sinal positivo, mas o elevado nível de endividamento ainda exige atenção, especialmente entre a população de menor renda.
Reportagem, Juline Pogorzelski.
O preço do café arábica abre esta sexta-feira, sete de agosto, com baixa de 0,14%. A saca de 60 quilos é negociada a R$ 1.727,89, em São Paulo.
O café robusta também recua. A saca é comercializada a R$ 1.090,51, após queda de 1,92%.
O açúcar cristal registra alta nos mercados paulista e de Santos. Na capital paulista, a saca custa R$ 93,88. Já em Santos, a cotação média chega a R$ 111,67.
O milho apresenta leve baixa de 0,03%, com a saca de 60 quilos negociada a R$ 64,84.
Os dados são do Cepea.
Reportagem, Sophia Muniz
A saca de 60 quilos da soja inicia esta sexta-feira, sete de agosto, em queda no Paraná e também no porto de Paranaguá.
No interior paranaense, a baixa é de 0,56%, com a saca cotada a R$ 137,50. Em Paranaguá, a redução é de 0,05%, e a cotação chega a R$ 144,98.
O trigo também registra queda. No Paraná, a tonelada é negociada a R$ 1.414,20. No Rio Grande do Sul, o preço é de R$ 1.314,40.
Os dados são do Cepea.
Reportagem, Sophia Muniz