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LOC.: Novos empreendimentos no sistema elétrico brasileiro não prosperam por não ter como escoar a produção de energia. O que afeta, principalmente, as fontes renováveis.

Isso ocorre porque, em determinadas regiões, o sistema está ‘estrangulado’, sem capacidade de comportar um novo projeto energético. Foi por esse motivo que a Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica, apontou como inviável um complexo privado que uma empresa norte-americana tinha intenção de construir na cidade de Buritizeiro, em Minas Gerais, com 25 usinas fotovoltaicas e mais de 1 gigawatt de capacidade instalada.

A limitação da infraestrutura de transmissão tem se tornado um dos principais desafios para novos empreendimentos de energia renovável, especialmente em regiões com elevada concentração de projetos. O Nordeste, que detém mais de um quarto da capacidade de produção de eletricidade do país, sendo 42,5% dessa carga advinda de energia eólica e solar, não dispõe de nenhuma margem de escoamento até 2030 nos 226 pontos de conexão localizados na região.

Vanderlei Martins, professor de planejamento energético da Fundação Getúlio Vargas, ressalta que a solução não passa apenas por ampliar a capacidade de escoar a eletricidade no país.

TEC./SONORA: Vanderlei Martins, prof. de Planejamento Energético da FGV
“A transmissão é a espinha dorsal da transição energética. Sem ela, a energia renovável fica represada, os projetos acabam perdendo atratividade e o sistema fica mais caro e menos eficiente. Também precisamos acelerar projetos que tragam mais flexibilidade em outros aspectos, como armazenamento de energia. As baterias, por exemplo, podem armazenar energia solar no meio do dia e deslocar essa energia para o fim da tarde, início da noite, quando a demanda costuma ser maior e a geração solar cai.”


LOC.: O governo federal promete para dezembro o primeiro leilão de baterias no Brasil, anteriormente esperado para abril. Esse certame vai permitir que empresas instalem e operem grandes sistemas de baterias capazes de armazenar energia elétrica e liberá-la quando necessário.

Quando o Operador Nacional do Sistema Elétrico identifica sobreoferta em algum trecho da rede, determina o curtailment. Ou seja, que as turbinas das hidrelétricas, as hélices dos moinhos e os painéis solares nos telhados sejam desligados.

Em 2025, esse desequilíbrio entre oferta e demanda fez com que mais de 20% da produção de eletricidade gerada pela luz solar ou força dos ventos fossem desperdiçadas, o equivalente a 10 meses da geração da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, a segunda maior do país.

Com a pulverização dos painéis fotovoltáicos, o ONS não tem controle sobre essa geração distribuída, por isso os curtailments são mais comuns nos parques eólicos, onde a produção é realizada por uma distribuidora.

A melhora da infraestrutura pode resolver parte da questão, mas Ricardo Brandão, diretor de regulação da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, destaca que o investimento público acabaria favorecendo poucas pessoas.

TEC./SONORA: Ricardo Brandão, diretor de regulação da Abradee
“Eu faço um grande investimento em energia, em transmissão, consigo acomodar essa geração produzida pelos painéis solares, dos telhados e das fazendas solares, só que quem paga por isso são justamente os consumidores que não são clientes de fazendas solares e que não tem painel solar nos seus telhados.”


LOC.: Para o Brasil aproveitar todo o potencial de sua rica matriz energética renovável, Martins entende que é preciso uma expansão coordenada da oferta, da demanda e da capacidade da rede.

TEC./SONORA: Vanderlei Martins, prof. de Planejamento Energético da FGV
“O próximo salto da transição energética brasileira não será apenas instalar mais megawatts de renováveis, como muito se fala, será sim integrar melhor esses megawatts aos sistemas, reduzindo desperdícios, evitando curtailment e direcionando investimentos para as áreas onde eles realmente agregam valor ao país.”


LOC.: O último Plano Decenal de Energia da Empresa de Pesquisa Energética indica que o Brasil vai precisar investir cerca de R$ 117 bilhões até 2035. 67% desse valor devem ser usados para ampliar em 29 mil quilômetros as linhas de transmissão brasileiras, que atualmente possuem 190 mil quilômetros. O restante deve arcar com a construção e a manutenção de subestações.

Reportagem, Álvaro Couto.

LOC.: O PIB brasileiro deve crescer 2% em 2026, segundo projeção da Confederação Nacional da Indústria, a CNI, com dados do segundo trimestre. A estimativa é sustentada por perspectivas positivas para a indústria e a agropecuária, além da resiliência do setor de serviços. 

Na avaliação da confederação, os juros elevados, o avanço das importações e o aumento dos custos de produção devem limitar o desempenho da economia.

A projeção de crescimento da indústria em 2026 avançou para 2,1%. A melhora é explicada, principalmente, pelo desempenho da indústria extrativa. 

Segundo o diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, o segmento foi menos afetado pelos juros elevados e segue impulsionado pelo aumento da produção de petróleo e minério de ferro. 

TEC./SONORA: Mario Sergio Telles, diretor de Economia da CNI 

"O grande destaque para esse aumento da projeção é o setor extrativo mineral, que deve crescer mais de 9% em 2026, ligado à produção de petróleo, que tem crescido muito fortemente, e também à produção de minério de ferro." 


LOC.: A expectativa para a agropecuária é de um crescimento de 1,8% em 2026. A revisão reflete a perspectiva de mais uma safra recorde, puxada pela soja, além da expansão da produção animal. 

Já o PIB do setor de serviços foi o único que teve a projeção revisada para baixo. A estimativa caiu para 1,9% em 2026. Segmentos como informação e comunicação, comércio varejista e o mercado de trabalho continuam sustentando à atividade, juntamente com medidas de estímulo ao consumo. 

TEC./SONORA: Mario Sergio Telles, diretor de Economia da CNI 

“O comércio tem tido um crescimento de 1,4% nos últimos cinco meses, em relação aos cinco meses anteriores, muito impulsionado por alguns programas de financiamento do governo, como o Carro Sustentável, o Move Brasil.”


LOC.: Por outro lado, o aumento do endividamento e da inadimplência das famílias, aliado à manutenção dos juros elevados, continua limitando a expansão do setor. 

Segundo Telles, enquanto a indústria e o comércio sofrem os efeitos da política monetária restritiva, a indústria extrativa é menos sensível aos juros e o comércio tem recebido estímulos de programas governamentais, fatores que ajudam a sustentar a projeção de crescimento do PIB. 

Reportagem, Paloma Custódio

LOC.: Mais de 88 milhões de reais foram distribuídos para municípios afetados pela atividade mineral em todo o país, entre os dias 17 e 20 de julho. Os repasses da Compensação Financeira pela Exploração Mineral, a CFEM, foram feitos pela Agência Nacional de Mineração, a ANM, e contemplam localidades impactadas pela infraestrutura da atividade, como ferrovias, portos, dutovias, barragens de rejeitos, entre outras estruturas.

Do total distribuído, mais de 71 milhões de reais foram destinados a 1.747 municípios diretamente afetados pela infraestrutura da mineração.

Os outros mais de 17 milhões foram repartidos entre 4.459 municípios vizinhos às áreas de produção mineral, além do Distrito Federal e dos 12 estados produtores, nos casos em que houve valores não destinados aos municípios diretamente afetados. Desse montante, 99% dos recursos foram destinados aos municípios. 

A destinação de parte da CFEM a municípios onde não há extração mineral, mas que sofrem impactos da atividade, foi instituída pela Lei 13.540 de 2017. A legislação estabelece que 15% da arrecadação da CFEM sejam destinados ao Distrito Federal e aos municípios afetados por instalações vinculadas aos empreendimentos minerários. 

Os recursos também contemplam os municípios limítrofes — aqueles que fazem divisa com cidades produtoras de minerais —, além do Distrito Federal e dos estados produtores, quando há valores que não  foram repassados aos municípios diretamente afetados.

A legislação determina que os valores da CFEM não podem ser usados para o pagamento de dívidas, exceto aquelas contraídas com a União ou com entidades federais. Também é proibido utilizar os recursos para custear despesas permanentes com pessoal. A principal exceção é a área da educação.

Os dados detalhados sobre a arrecadação e a distribuição da CFEM podem ser consultados no portal da ANM, enquanto o site do Banco do Brasil disponibiliza a consulta dos repasses efetuados às contas dos entes federativos.

Reportagem, Paloma Custódio

O Ministério da Saúde e o IBGE iniciaram a terceira edição da Pesquisa Nacional de Saúde. Até novembro, cerca de cento e quarenta mil domicílios serão visitados em todo o Brasil para levantar informações sobre hábitos de vida, doenças crônicas, acesso aos serviços de saúde e qualidade de vida.
A principal novidade desta edição é a realização, pela primeira vez, de exames de sangue e urina em parte dos participantes com 35 anos ou mais, moradores de capitais e regiões metropolitanas.
Os resultados da pesquisa vão subsidiar políticas públicas e o planejamento das ações do Sistema Único de Saúde, o SUS.
Reportagem, Sophia Muniz
 

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes determinou a interdição total da ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, em Pedro Afonso. A medida foi tomada após estudos técnicos apontarem um comprometimento irreversível nas fundações da estrutura, descartando qualquer possibilidade de reabilitação segura.

Durante a investigação, a ponte passou por uma prova de carga com caminhões pesados e teve amostras de concreto analisadas pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Os testes revelaram que parte da deformação permaneceu mesmo após a retirada dos veículos, indicando perda de capacidade de recuperação. Além disso, exames laboratoriais identificaram reações químicas internas que provocaram a deterioração do concreto nos apoios centrais. Segundo o DNIT, o desgaste é definitivo e a única solução técnica viável é a substituição integral da estrutura.

O órgão federal confirmou que uma nova ponte será construída no local. Enquanto o projeto definitivo é elaborado, a travessia permanece bloqueada. O DNIT avalia a execução de serviços preparatórios para, futuramente, liberar o tráfego apenas para veículos leves, como carros e motocicletas. Esta alternativa será reavaliada pelas equipes técnicas em um prazo de até quinze dias.

Até que haja uma nova definição, a orientação é que os motoristas utilizem rotas alternativas. A fiscalização e o bloqueio nos acessos da BR-235 estão sendo realizados em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal.

As informações são do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. 

Reportagem, Viviane Bessa.
 

LOC.: A CAIXA inicia nesta quinta-feira (23), o pagamento do Bolsa Família referente ao mês de julho para os beneficiários com o Número de Identificação Social (NIS) terminado em 4. 
Os pagamentos são realizados preferencialmente na Poupança CAIXA ou conta CAIXA Tem. Com a conta CAIXA Tem, os beneficiários podem pagar contas e fazer transferências diretamente pelo aplicativo no celular. 
O valor também pode ser movimentado com o cartão de débito da conta em comércios, Unidades Lotéricas, Correspondentes CAIXA Aqui, terminais de autoatendimento e Agências da CAIXA. Além disso, é possível realizar saques sem cartão nos terminais de autoatendimento e Unidades Lotéricas, utilizando a identificação biométrica previamente cadastrada em uma agência da CAIXA. 
Para baixar os aplicativos CAIXA Tem e Bolsa Família, basta acessar a loja de aplicativos do seu smartphone. É gratuito. 
 

O café arábica abre esta quinta-feira, vinte e três de julho, com queda de um vírgula oitenta e um por cento. A saca de sessenta quilos é negociada a mil setecentos e um reais e trinta e três centavos.
O café robusta também registra baixa, de um vírgula oitenta e quatro por cento, com a saca cotada a mil e oitenta e dois reais e vinte e nove centavos.
O açúcar cristal apresenta alta de zero vírgula sessenta por cento na capital paulista, onde a saca de cinquenta quilos é comercializada a noventa e um reais e sessenta e oito centavos. Em Santos, o produto registra queda de zero vírgula oitenta e sete por cento, com cotação de cento e seis reais e oito centavos.
Já a saca de sessenta quilos do milho é vendida a sessenta e cinco reais e vinte e sete centavos, após leve recuo de zero vírgula zero três por cento.
Os dados são do Cepea.
Reportagem, Sophia Muniz
 

A saca de 60 quilos da soja abre esta quinta-feira, vinte e três de julho, com alta no mercado paranaense e no porto de Paranaguá.
No Paraná, o grão registra valorização de zero vírgula setenta e oito por cento, com a saca negociada a cento e trinta e sete reais e oitenta e quatro centavos. Em Paranaguá, a alta é de zero vírgula oitenta e nove por cento, elevando a cotação para cento e quarenta e cinco reais e quarenta e cinco centavos.
O trigo apresenta comportamentos diferentes nos principais mercados acompanhados pelo Cepea. No Paraná, a tonelada é comercializada a mil quatrocentos e dez reais e trinta e oito centavos, após recuo no preço. Já no Rio Grande do Sul, o cereal registra alta, com a tonelada cotada a mil trezentos e seis reais e noventa e oito centavos.
Os dados são do Cepea. 
Reportagem, Sophia Muniz