06/09/2026 00:04h

Estado mineiro abriga depósitos de classe mundial, particularmente na região do Complexo Alcalino de Poços de Caldas, atraindo investimentos de empresas internacionais.

Minas Gerais consolida-se como epicentro estratégico da mineração de elementos críticos no Brasil, concentrando a maior parte dos projetos de terras raras em desenvolvimento. O estado abriga depósitos de classe mundial, particularmente na região do Complexo Alcalino de Poços de Caldas, atraindo investimentos expressivos de empresas internacionais e gerando perspectivas de transformação da cadeia de valor mineral nacional.

Complexo Alcalino de Poços de Caldas: O Epicentro

O Complexo Alcalino de Poços de Caldas, localizado no sul de Minas Gerais, representa o maior polo de concentração de projetos de terras raras em desenvolvimento no Brasil.

A região abriga depósitos de argila iônica de classe mundial, com potencial para atender até 20% da demanda global.

É justamente nesse Complexo Alcalino que estão localizados os três projetos de terras raras mais avançados em Minas Gerais, conduzidos pela Viridis Mining, Meteoric Resources e Mosaic/Rainbow

Viridis avança com o projeto Colossus

A Viridis tem o projeto Colossus, que visa o aproveitamento de um depósito do tipo Argila de Adsorção Iônica (IAC), com recursos de 493 milhões de toneladas a 2.508 ppm de óxidos totais de terras raras (TREO). Esta é a categoria que domina a oferta global de terras raras pesadas. A reserva inaugural tem 200,6 milhões de toneladas, com vida útil superior a 40 anos, segundo estimativa, e contém elementos estratégicos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, que são insumos críticos para ímãs permanentes.

A Viridis inaugurou, em maio de 2026, seu Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras (CPTR) em Poços de Caldas, marcando um divisor de águas na cadeia ocidental de suprimentos de terras raras. A instalação, com investimento de aproximadamente R$ 25 milhões (US$ 5 milhões), ocupa 5 mil metros quadrados no Distrito Industrial, sendo a maior planta de demonstração de carbonato de terras raras mistas (MREC) em operação no Brasil.

A empresa produziu seu primeiro lote de MREC na planta de demonstração após comissionamento bem-sucedido, validando em escala demonstrativa a tecnologia de processamento de depósitos de argila iônica. O produto entregue é um MREC enriquecido com elementos de alto valor: disprósio (Dy), térbio (Tb), neodímio (Nd), praseodímio (Pr), samário (Sm), ítrio (Y) e gadolínio (Gd). A planta atingiu 78,8% de recuperação de óxidos magnéticos (MREO) e 64% de óxidos totais (TREO). A recuperação de MREO chegou a 80,9% em alguns testes.

A empresa também assinou carta de intenções com a Solvay S.A., líder mundial em separação de terras raras, para fornecimento de MREC a partir do Colossus. O acordo combina compra garantida da produção (offtake) com pacote tecnológico, visando maximizar a industrialização das terras raras no Brasil até 2028. A Solvay levará ao Colossus tecnologia de processamento e conhecimento de separação reconhecidos mundialmente, agregando valor antes da metalização e fabricação de ímãs.

A Viridis já protocolou o pedido de LI (Licença de Instalação), junto à FEAM (MG), necessária para o início das obras e desenvolve atividades de preparação para o financiamento, como a due diligence, sendo esperada para breve a decisão sobre o investimento. A conclusão do Estudo Definitivo de Viabilidade (DFS) e do previstos para agosto de 2026. Uma atualização dos Recursos e Reservas também está sendo finalizada, para incorporação ao DFS. A primeira produção comercial no projeto Colossus está prevista para 2028. A previsão de investimento no projeto Colossus é de US$ 356 milhões.

Meteoric Resources viabiliza o projeto Caldeira

A Meteoric Resources está desenvolvendo o Projeto Caldeira, localizado em Caldas, Minas Gerais, que se consolidou como um dos empreendimentos mais relevantes da cadeia de terras raras no Brasil, com avanços técnicos, comerciais e regulatórios que o posicionam entre os depósitos de argilas iônicas de maior qualidade do mundo. A empresa tem demonstrado capacidade operacional comprovada e estrutura de financiamento em construção para viabilizar a implantação industrial.

A Meteoric elevou a Estimativa Global de Recursos Minerais do Projeto Caldeira para 1,6 bilhão de toneladas em julho de 2026, representando expansão significativa da base técnica do empreendimento. Os Recursos Medidos — categoria com maior grau de confiança geológica — cresceram 246%, passando de aproximadamente 37 milhões para 128 milhões de toneladas, resultado de campanha ampla de sondagens que forneceu informações precisas sobre localização, continuidade e características do minério.

A reserva de minério atualizada totaliza 151 milhões de toneladas com teor de 3.524 ppm de TREO (óxidos de terras raras totais), sustentando todo o plano de lavra do Estudo de Viabilidade Definitivo. O projeto possui teor médio de alimentação superior a 5.000 ppm de TREO nos anos 1 e 2, com mais 100 milhões de toneladas a teor médio superior a 4.000 ppm de TREO.

Mais de 80% da área da concessão não foi considerada no DFS, confirmando potencial significativo de expansão e extensão da vida útil do projeto. Adicionalmente, a Meteoric identificou áreas de alto teor no Prospecto Agostinho, com zonas enriquecidas de MREO (elementos de terras raras magnéticos) com média de até 30,4%, comparado com conteúdo médio de 23,1% para a Estimativa de Recursos Global existente.

O Estudo de Viabilidade Definitivo (DFS), concluído em agosto de 2026, proporciona confiança nos fundamentos de desenvolvimento baseado em mais de 55.500 amostras analisadas provenientes de 90.000 metros de perfuração. Os ensaios metalúrgicos em escala de bancada e piloto foram realizados na ANSTO ao longo de três anos, com produção em planta-piloto realizada nos últimos sete meses. Os estudos de engenharia foram concluídos pela Ausenco com precisão de Classe 3 da AACE (+/- 10%).

A produção total de NdPr (neodímio e praseodímio) projetada é de 88.829 toneladas, permitindo produção média anual de 3.862 toneladas. A produção total de DyTb (disprósio e térbio) é de 2.926 toneladas, com produção média anual de 127 toneladas. A recuperação de terras raras magnéticas atinge 71%.

O projeto oferece volumes significativos de elementos de terras raras estratégicos leves e pesados, incluindo Y, Pr, Nd, Sm, Gd, Tb, Dy e Yb. O objetivo original era produzir 14 mil toneladas/ano de óxidos de terras raras totais a partir do processamento de argilas iônicas.

Carbonato de terras raras da Viridis

A Meteoric inaugurou, em dezembro de 2025, a planta-piloto de processamento de terras raras no Centro de Inovação e Pesquisa (CIP) em Poços de Caldas, com capacidade para processar 25 kg de argila iônica por hora. A planta inclui todas as etapas necessárias para transformar o minério em carbonato misto de terras raras, incluindo lixiviação, remoção de impurezas, circuito CCD, precipitação e filtração. A unidade recebeu investimento de aproximadamente 1,5 milhão de dólares australianos e produz 455 kg de carbonato de terras raras por ano.

O investimento previsto para o projeto industrial é de US$ 450 milhões, com estimativa anterior de R$ 2,2 bilhões. A construção deve demorar de 18 a 24 meses, com produção esperada a partir do segundo semestre de 2028.

A Meteoric obteve aprovação da Licença Prévia (LP) em dezembro de 2025, reconhecendo a viabilidade ambiental do projeto nesta etapa do licenciamento. A empresa protocolou o pedido de Licença de Instalação (LI) junto à Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) em março de 2026, com previsão de concessão para o 4º trimestre de 2026.

A documentação apresentada inclui o Plano de Controle Ambiental (PCA) com 27 programas socioambientais contemplando propostas de mitigação de impactos e gestão responsável das atividades nas fases de construção, operação e encerramento. A empresa cumpriu integralmente os requisitos legais e manteve diálogo permanente com a comunidade de Caldas.

Parcerias Comerciais e Financiamento

A Meteoric assinou, em julho de 2026, Memorando de Parceria Estratégica com a POSCO International Corporation, uma das maiores empresas industriais da Coreia do Sul. O memorando prevê que a POSCO adquira até 30% do material de terras raras produzido pelo Projeto Caldeira por período de até sete anos. Os testes metalúrgicos confirmaram que o concentrado possui baixo nível de impurezas e pode ser processado diretamente pela POSCO sem etapas adicionais de refino.

A Meteoric firmou também Memorando de Entendimento com a Ucore Rare Metals, em agosto de 2024, para fornecimento de 3 mil toneladas métricas de TREO para a unidade de produção em Alexandria, Louisiana. Quando em produção, a Ucore comprará quantidade mínima de 3 mil toneladas de TREO anualmente de Caldeira.

A empresa também assinou memorando com a MTM Critical Metals em junho de 2025 para colaboração exclusiva na ampliação do downstream e separação do Concentrado Misto de Terras Raras (MREC). O desenvolvimento inclui aplicação da tecnologia FJH da Rice University para refino à base de cloreto, com potencial para elevar o teor de REO Magnético do MREC para 72% do TREO.

No que se refere ao lado financeiro, a Meteoric Resources recebeu, em janeiro de 2026, Carta de Apoio não vinculativa da Export Finance Australia (EFA) para financiamento indicativo de até US$ 50 milhões. Este apoio, juntamente com a carta de intenções de US$ 250 milhões do Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos (EXIM), recebida em março de 2024, fornece base sólida para o financiamento do projeto.

A empresa continua em discussões ativas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outras agências de crédito à exportação, além de diversos potenciais investidores estratégicos.

Mosaic produzirá a partir de resíduos das operações

A Mosaic Fertilizantes tem um projeto de terras raras desenvolvido em parceria com a mineradora britânica Rainbow Rare Earths cuja proposta central é extrair elementos de terras raras a partir de subprodutos e resíduos das operações industriais de fertilizantes de fosfato da Mosaic.

O projeto está localizado em Uberaba, na região do Triângulo Mineiro e utiliza como matéria prima as pilhas de fosfogesso decorrentes do processamento de rocha fosfática para obtenção de ácido fosfórico e fertilizantes. Isso elimina a necessidade de novas operações de mineração pesada, o que reduz o Capex. A capacidade de processamento prevista é de 2,7 milhões de toneladas/ano de fosfogesso, podendo gerar 1.900 toneladas de óxidos separados de Neodímio e Praseodímio (NdPr), minerais críticos para a fabricação de ímãs permanentes de alta performance (usados em motores de veículos elétricos e turbinas eólicas) e 600 toneladas de um concentrado de terras raras médias e pesadas (Samário, Európio e Gadolínio – SEG+).

No modelo de negócio, a Rainbow entra com a expertise tecnológica de extração proprietária (desenvolvida em parceria com a K-Tech, já testada no projeto de Phalaborwa, na África do Sul), enquanto a Mosaic fornece o insumo de fosfogesso e a infraestrutura operacional existente em Uberaba. A Rainbow conta com o apoio financeiro da TechMet Limited, fundo estratégico investido pela Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC).

A previsão é que os estudos de Pré-Viabilidade (PFS) e Viabilidade Definitiva (DFS) sejam concluídos até o final de 2026 e a construção do empreendimento possa ser iniciada em 2027, com expectativa de início das operações comerciais em 2030.

Os pontos positivos do projeto, segundo as empresas, é a Sustentabilidade e Economia Circular, já que transforma um passivo industrial/ambiental (o fosfogesso) em uma fonte de minerais estratégicos e o fato de fortalecer o papel do Brasil na cadeia global de suprimentos de minerais críticos fora do domínio chinês, impulsionando transições energéticas e tecnologias de defesa.

St. George aposta no Projeto Araxá

A St. George Mining está desenvolvendo o Projeto Araxá em Minas Gerais, tido como um dos maiores depósitos de terras raras e nióbio do mundo. Recentemente, a empresa informou um aumento de 57% na estimativa total de recursos, totalizando 111,2 milhões de toneladas com 3,57% de TREO e 0,57% de Nb2O5 (óxido de nióbio) e que houve um crescimento de 155% nas categorias de recursos Medidos e Indicados, que agora totalizam 75,2 milhões de toneladas a 364% de TREO). O MRE inclui um subconjunto de alto teor contendo 830 mil toneladas de TREO acima de 6,29% e 120 mil toneladas de Nb2O5 acima de 0,90%. O projeto também contém elementos pesados estratégicos: 173 toneladas de Samário, 176 toneladas de Gadolínio, 10 toneladas de Lutécio e 1.160 toneladas de Ítrio.

O investimento no projeto é estimado em R$ 2 bilhões e desde a aquisição dos direitos minerários da Itafós, em fevereiro de 2025, a empresa acelerou significativamente os estudos de viabilidade, atraindo investimentos estratégicos de players globais como Hancock Prospecting (Gina Rinehart), ATL (fabricante japonesa de baterias) e a siderúrgica chinesa Fangda, consolidando Araxá como um ativo estratégico para as cadeias de suprimentos de minerais críticos.

O acordo envolveu pagamento inicial de US$ 10 milhões em caixa, transferência de 266,78 milhões de ações (10% do capital social) e compromissos futuros de US$ 6 milhões em 9 meses e US$ 5 milhões em 18 meses. O projeto está localizado na região do Alto Paranaíba, em Araxá, uma área consolidada de mineração com infraestrutura adequada, mão de obra qualificada e logística favorável.

A St. George captou A$ 72,5 milhões (aproximadamente R$ 255 milhões) em outubro de 2025 para financiar os estudos de viabilidade. Em junho de 2026, a empresa levantou US$ 60 milhões adicionais em duas tranches, sendo US$ 20 milhões da Hancock Prospecting (elevando sua participação para 10,5%) e US$ 40,4 milhões de investidores institucionais. A Hancock Prospecting, empresa de Gina Rinehart, havia investido inicialmente US$ 22,5 milhões em outubro de 2025.

Em junho de 2026, a japonesa Amperex Technology Limited (ATL), produtora mundial de baterias de íons de lítio controlada pela TDK Corporation, ingressou como acionista da St. George através da reestruturação da joint venture Lithium Star, passando a deter ações diretas da mineradora [5]. Esses investimentos refletem o reconhecimento internacional do potencial de Araxá como fornecedor de minerais críticos para a transição energética.

Em junho de 2026, a St. George anunciou resultados encorajadores de testes de flotação conduzidos pelo CIT-SENAI em Belo Horizonte. Os testes produziram concentrado de nióbio de alta qualidade com recuperações e teores consistentes com operações de pirocloro tipo Araxá (40-60% de recuperação esperada, 40-50% Nb2O5 em flotação, 50-60% após refino). Para terras raras, a flotação reversa em rejeitos de nióbio recuperou 82% de TREO, com concentrado atingindo 15,7% TREO (aumento de 1,6x sobre a amostra original de 9,8%) [10].

Em abril de 2026, a St. George firmou parceria com a Boston Metal para avaliar tecnologia de eletrólise de óxido fundido (MOE) no processamento de nióbio, com potencial de reduzir custos operacionais, resíduos e emissões de carbono ao eliminar fases de refino hidrometalúrgico e conversão aluminotérmica. A Boston Metal está comissionando sua primeira planta comercial em Minas Gerais.

Parcerias Comerciais e Downstream

A St. George assinou acordo offtake com a siderúrgica chinesa Fangda em janeiro de 2025, concedendo direitos exclusivos de adquirir 20% dos produtos de nióbio por cinco anos, com suporte financeiro via pré-pagamento e consultoria técnica. A Fangda, 16ª maior produtora de aço do mundo (20 Mt/ano, expandindo para 50 Mt/ano), é grande consumidora de nióbio para aços de alta resistência [9].

Em março de 2026, a St. George assinou memorando com a Nanum Nanotecnologia para desenvolvimento de tecnologias de aproveitamento do cério em escala nanométrica, visando compostos avançados para catalisadores, revestimentos e materiais avançados [7]. Em setembro de 2025, a empresa firmou aliança estratégica com a REALLoys, líder americana em processamento de terras raras e fornecedora de materiais magnéticos para agências governamentais dos EUA.

Em outubro de 2025, a St. George firmou memorando com o CEFET-MG Campus Araxá para implantação de Centro Tecnológico com planta-piloto de processamento mineral e refino hidrometalúrgico, com capacidade de 200-300 kg/hora de minério [13]. A empresa financia construção e equipamentos; o CEFET fornece área e expertise. O centro operará linhas de P&D em beneficiamento de nióbio, titânio e terras raras, lixiviação, separação, refino e economia circular [13].

A St. George planeja iniciar trabalhos preliminares no local até o final de 2026 (acampamentos, melhorias de estradas, infraestrutura auxiliar). A meta operacional é atingir capacidade de aproximadamente 20 mil toneladas anuais de produtos de nióbio e terras raras.

Outros projetos em perspectiva

A Power Minerals, listada na bolsa australiana, concluiu em 24 de abril de 2026 a aquisição da Mineração Terras Raras S.A., detentora do depósito Morro do Ferro em Poços de Caldas. O valor total foi de 22,5 milhões de dólares australianos (aproximadamente US$ 16 milhões), com pagamento em cinco anos e royalty de 2,5% sobre valor de produção.

O depósito Morro do Ferro tem concentrações excepcionais de óxidos de terras raras magnéticos (MREO), que representam mais de 80% do valor de mercado de todos os ETR. O resultado histórico máximo já obtido é de 35.332 ppm (3,53% da rocha total) de MREO em intervalo de 2 m (furo MFSR-47). Outros resultados indicaram 100,2 m com 6.103 ppm de MREO; 100,44 m com 9.485 ppm (0,95%) de MREO; 60,6 m a 13.129 ppm (1,31%) de MREO.

A Power Minerals iniciará perfuração RC profunda e perfuração diamantada no depósito principal de alto teor, além de perfuração com ar comprimido para testar depósitos satélites.

A Cabo Verde Mineração identificou novo alvo de detalhe denominado Alvo Botelhos e iniciou trabalhos de sondagem na borda do Complexo Alcalino de Poços de Caldas em janeiro de 2026. O projeto amplia significativamente o escopo de um empreendimento com potencial superior a 500 milhões de toneladas de argilas iônicas mineralizadas.

A empresa possui um total de 57 direitos minerários abrangendo aproximadamente 91 mil hectares distribuídos nos municípios de Cabo Verde, Muzambinho, Botelhos, Campestre (em Minas Gerais) e em Caconde (na divisa de MG com SP).

Os resultados técnicos até agora indicaram Intervalos de 16 metros com teor médio de 2.425 ppm de TREO, incluindo 4.302 ppm de TREO e 854 ppm de MREO. Testes metalúrgicos de lixiviação apresentaram recuperações de TREO até 81,7% e MREO superiores a 60%. A empresa acredita que o potencial em suas áreas pode ultrapassar 500 milhões de toneladas de argilas enriquecidas com ETRs. A Cabo Verde firmou parceria técnica com o CIT SENAI e CIT SENAI ITR para aprimorar métodos metalúrgicos de extração e recuperação.

Como se vê, Minas Gerais abriga a maior concentração de recursos de terras raras em desenvolvimento no Brasil. O Complexo Alcalino de Poços de Caldas tem potencial, segundo especialistas, para atender até 20% da demanda global e a região de Poços de Caldas, com múltiplos projetos, tem recursos identificados superiores a 1 bilhão de toneladas com teor acima de 0,25% de TREO. Mas há os desafios regulatórios, como os projetos de leis sobre minerais críticos que estão no Congresso Nacional e ações do Ministério Público, que tentam interferir no licenciamento ambiental.

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22/08/2026 04:00h

Relatório da Vale em colaboração com a Accenture projeta R$ 535 bilhões em produção mineral brasileira até 2035 e propõe diretrizes para políticas públicas visando o protagonismo global do setor.

A Vale lançou, em 18 de agosto, o relatório "Destravando o Potencial da Mineração no Brasil", elaborado com a colaboração da Accenture. O documento é uma proposta para acelerar o crescimento da mineração e posicionar o Brasil como um protagonista global no setor, alavancando o desenvolvimento industrial e socioeconômico do País. O relatório será entregue a todos os candidatos à Presidência em 2026 como uma contribuição para orientar políticas públicas que ajudem a fortalecer e modernizar os fundamentos da mineração brasileira, além de ampliar a atratividade do país para novos projetos minerários. “Em um momento em que se discutem caminhos para impulsionar o crescimento do País, a Vale contribui para o debate a partir de uma proposta concreta para que o Brasil aproveite a janela de oportunidade global e destrave nosso enorme potencial minerário”, disse Gustavo Pimenta, CEO da Vale. “Com uma agenda propositiva, a mineração pode se tornar uma plataforma poderosa de compartilhamento de valor com geração de emprego, renda, crescimento econômico e proteção ambiental”.

A versão executiva está disponível no https://vale.com/documents/d/guest/destravando-mineracao-executiva e engloba 15 iniciativas estratégicas, divididas em quatro agendas prioritárias, para alavancar o potencial da mineração nos próximos anos:

FORNECEDORES

A Metso anuncia investimento de 45 milhões de euros vários centros de serviços na América Latina, incluindo em um novo centro de serviços em Minas Gerais.
19/08/2026

Licenciamento e Fundamentos da Mineração – Conhecimento geológico, gestão de títulos minerários e previsibilidade no licenciamento;

Cadeia Mineral Integrada – Infraestrutura, disponibilidade de energia, processamento mineral e domínio tecnológico ao longo da cadeia;

Ambiente de Negócios e Segurança Institucional – Aspectos regulatórios, institucionais, financeiros (em um setor intensivo em capital) e tributários; e

Valor Compartilhado – Agenda de impacto positivo e geração de valor social e ambiental para as comunidades/ territórios.

Produzido pela Accenture, o estudo reúne dados independentes sobre o setor mineral brasileiro e projeta ganhos de crescimento, renda e competitividade para o Brasil a partir do crescimento da produção mineral no País. A expectativa é que a contribuição do setor em arrecadação fiscal, que na última década foi de R$ 750 bilhões, suba para R$ 1,3 trilhão no próximo ciclo, entre 2026 e 2035, e amplie o impacto social positivo, além de contribuir para o equilíbrio das contas públicas. Caso seja convertido em investimento público, o montante equivale à criação de 23,1 milhões de vagas em escola integral, 17,2 milhões de vagas em creches, 478 mil km de vias asfaltadas ou 870 mil leitos em hospitais.

Apenas 28% do território brasileiro já foi mapeado geologicamente em escala adequada para orientar decisões de investimento em pesquisa mineral, o que limita a identificação de novas fronteiras exploratórias no País. O levantamento projeta que uma agenda coordenada entre governo, setor privado e sociedade pode alavancar a produção mineral anual do Brasil de cerca de R$ 300 bilhões atualmente para até R$ 535 bilhões em 2035. No cenário considerado pelo relatório, o impacto total do setor sobre o emprego, hoje em cerca de três milhões, pode contribuir para chegar a até 5,3 milhões de postos de trabalho diretos, indiretos e induzidos no país no mesmo período.

O estudo estima ainda que minerais essenciais produzidos no Brasil para veículos elétricos, painéis solares e turbinas eólicas podem ajudar a evitar emissões entre 1,6 e 2 gigatoneladas de CO2 equivalente por ano no mundo até 2050. Este volume é comparável a quase toda a emissão anual do Brasil hoje. O lançamento do relatório integrou o fórum “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, realizado dia 18 de agosto pela Editora Globo e a Vale, em Brasília, com a participação de representantes do governo federal, do setor produtivo mineral e especialistas em infraestrutura e competitividade. A programação incluiu apresentações e debates sobre o potencial da mineração no Brasil e sobre infraestrutura e competitividade do setor.

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06/08/2026 04:00h

O estudo utiliza projeções já feitas em outros trabalhos globais e internos no Brasil para estimar a demanda por esses minerais e elementos de terras raras e de uma carteira de projetos de investimentos previstos

A expansão dos investimentos na cadeia de minerais críticos e terras raras poderá adicionar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e gerar 750 mil novos empregos até 2050, segundo estudo inédito que será lançado pela Amcham Brasil durante encontro sobre o tema, realizado nesta terça-feira, 4 de agosto, em Belo Horizonte. O estudo compara dois caminhos para o desenvolvimento da cadeia de minerais críticos e terras raras no Brasil, sendo que, no primeiro, os investimentos são financiados majoritariamente por capital interno e a produção permanece voltada predominantemente à exportação, com baixa agregação de valor no país. Desta forma, o impacto acumulado sobre o PIB alcança R$ 128,7 bilhões, com geração estimada de 304 mil empregos. 

O segundo cenário prevê maior participação do investimento estrangeiro, expansão do processamento dos minerais no Brasil e utilização crescente desses insumos pela indústria nacional. Nessa hipótese, os investimentos crescem R$120,9 bilhões, com impacto acumulado sobre o PIB de R$ 192,1 bilhões e geração estimada de 750 mil empregos. O estudo utiliza projeções já feitas em outros trabalhos globais e internos no Brasil para estimar a demanda por esses minerais e elementos de terras raras e de uma carteira de projetos de investimentos previstos. São considerados os minerais cobalto, cobre, grafita, lítio, níquel e elementos de terras raras. "O Brasil reúne algumas das maiores reservas de minerais críticos do mundo e tem todas as condições para se tornar um protagonista global nesse mercado. Quanto maior a capacidade de atrair investimentos, maior será a transformação dessa riqueza mineral em valor, tecnologia, empregos e desenvolvimento industrial e econômico", afirma o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto.  

A comparação entre os dois cenários demonstra que a atração de capital internacional e o adensamento das cadeias produtivas podem adicionar R$ 63,4 bilhões ao PIB, R$ 32,3 bilhões ao consumo das famílias, R$ 16,1 bilhões aos investimentos e 446 mil empregos, além dos efeitos já proporcionados pela expansão da mineração. O estudo mostra que os maiores impactos sobre o PIB ocorrem nos estados mineradores, com destaque para Pará (16,0%), Bahia (10,3%), Goiás (10,0%), Piauí (4,0%) e Minas Gerais (3,8%). Ao mesmo tempo, o fortalecimento do processamento interno amplia os benefícios para estados com maior presença industrial. Em comparação com o primeiro cenário, os maiores ganhos adicionais são observados em Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, evidenciando que a agregação de valor amplia os efeitos econômicos para além das regiões produtoras.  

Na análise setorial, a indústria de transformação apresenta crescimento acumulado de 1,8% no segundo cenário, quase três vezes superior ao observado no primeiro. Também se destacam a construção civil (4,5%) e a indústria extrativa (4,2%). Entre os segmentos industriais, os maiores impactos são registrados em máquinas e equipamentos elétricos (16,7%), máquinas para extração mineral (9,8%), automóveis (5,5%) e máquinas e equipamentos mecânicos (2,9%). “A maior atração de investimentos e a agregação de valor no Brasil ampliam os benefícios econômicos da cadeia de minerais críticos para além dos estados produtores, impulsionando também as regiões industriais e fortalecendo a inserção do país nas cadeias globais de tecnologia e da transição energética”, afirma Abrão Neto. 

O estudo foi elaborado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com apoio da U.S. Chamber of Commerce e de empresas do setor e abrangeu as cadeias de cobre, grafita, lítio, níquel e terras raras, minerais considerados essenciais para a transição energética e para tecnologias como baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos. A Amcham defende uma agenda de políticas públicas voltada ao fortalecimento da cadeia de minerais críticos e terras raras para que o Brasil possa aproveitar ao máximo todo o seu potencial. Entre as prioridades estão a aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, o fortalecimento dos instrumentos de financiamento e mitigação de riscos, a ampliação da atração de investimentos, o incentivo ao processamento e à industrialização no país e o aperfeiçoamento do ambiente regulatório para estimular investimentos de longo prazo e maior agregação de valor.  

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03/08/2026 04:00h

Setor surpreende com crescimento de 8,2% na receita, impulsionado por ouro e cobre, e responde por 48% do superávit da balança comercial do país; Ibram alerta para ameaças do Imposto Seletivo, crise do enxofre e insegurança jurídica sobre posse de terras.

O setor mineral brasileiro abriu 2026 com um desempenho que surpreendeu até mesmo os analistas do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O faturamento do primeiro semestre atingiu R$ 150,7 bilhões, ante R$ 139,2 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior — crescimento de 8,2% que desafia a sazonalidade historicamente desfavorável dos primeiros meses do ano. Os dados foram apresentados em coletiva de imprensa realizada pelo Ibram, com detalhamento conduzido pelo presidente da entidade, Pablo Cesário.  

 "Esse é um resultado realmente surpreendente e curioso, porque o primeiro semestre, em geral, tem mais incidência de chuvas e outros fatores operacionais que limitam, que têm menos impacto. Então é um resultado muito forte", afirmou o presidente do Ibram durante a apresentação.  

Faturamento recorde e superávit histórico 

O crescimento da receita foi acompanhado por uma performance igualmente expressiva no comércio exterior. O valor das exportações minerais brasileiras avançou 24% no período, alcançando US$ 25 bilhões, mesmo diante de uma queda de 2,4% no volume físico exportado. A explicação está na valorização das commodities — especialmente ouro e cobre —, que mais do que compensaram a redução nas quantidades embarcadas. 

 As importações minerais também cresceram, registrando alta de 18,99% em valor. Ainda assim, o saldo da balança comercial exclusivamente mineral chegou a R$ 20,3 bilhões, colocando o setor na posição de principal contribuinte para o superávit comercial do país. "A mineração é responsável por 48% do saldo da balança comercial brasileira, incluindo todos os produtos", destacou o presidente do Ibram. 

A arrecadação de tributos acompanhou o ritmo. O setor recolheu R$ 52 bilhões em impostos e contribuições no primeiro semestre, crescimento de 8,2% em relação ao mesmo intervalo de 2024, dos quais R$ 3,8 bilhões correspondem à Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem). 

Ferro cede, ouro e cobre avançam 

Em meio ao cenário positivo, o minério de ferro — ainda a principal commodity do setor — apresentou queda de 3,1% no faturamento, apesar do aumento na produção física. O presidente do Ibram contextualizou a razão: a variação negativa de preço no mercado internacional foi o principal fator, e ela foi amplamente compensada pelo desempenho de outras commodities. 

Ouro e cobre foram os protagonistas dessa compensação. O ouro, em particular, tem se beneficiado de uma mudança estrutural na forma como bancos centrais ao redor do mundo reservam valor. "Há uma tendência de longo prazo de retomada do preço, de aumento do valor, simplesmente porque a oferta não vai conseguir acompanhar a demanda", analisou o presidente do Ibram. Ele acrescentou que o destino das exportações brasileiras do metal precioso está fortemente concentrado na China — com a maior parte do volume adquirido pelo Banco Central chinês para formação de reservas. 

O cobre, por sua vez, foi descrito como um mineral de demanda crescente e insubstituível no processo de eletrificação global. "Ele é absolutamente necessário em todo o processo de eletrificação, seja de transporte, de processamento de dados. Se tem um daqueles minérios que realmente acompanhamos num mercado de commodity, é o cobre", afirmou o presidente do Ibram. A perspectiva de longo prazo é de pressão contínua sobre os preços, dado o ritmo de exaustão de minas ativas e a lentidão na entrada de novas reservas em operação.   

Empregos em trajetória consistente   

O mercado de trabalho do setor registrou variação positiva sutil no semestre: 421 novas vagas, levando o total para 229.614 postos de emprego direto. O número não inclui trabalhadores em empresas prestadoras de serviço à mineração, o que, segundo o Ibram, tornaria o impacto da atividade ainda mais expressivo ao longo de toda a cadeia. 

O presidente da entidade destacou que o emprego é um indicador mais lento do que o faturamento. "O emprego é um indicador de atividade econômica que é mais lento. Primeiro a receita aumenta, depois isso vai sendo acompanhado ao longo do tempo. E da mesma forma, quando a receita diminui, o emprego reage mais devagar", explicou. Nos últimos cinco anos, o setor gerou 785 mil novos postos de trabalho, saindo de um patamar mais baixo para os atuais 229 mil empregos diretos — trajetória descrita como "crescimento relevante e consistente ao longo dos anos." 

Minas Gerais segue na liderança do emprego setorial, com 38,2% das vagas, seguida pelo Pará (34,6%) e pela Bahia (5%). O Ibram, entretanto, projeta que o Pará assumirá a liderança da produção mineral nacional nos próximos anos, dada a velocidade com que a província mineral vem se expandindo. 

Crise do enxofre: alerta máximo 

Entre as preocupações apresentadas pelo Ibram, a crise de abastecimento de enxofre ocupou posição de destaque. O mineral, insumo básico para a fabricação de ácido sulfúrico — presente em fertilizantes, saneamento básico, mineração e indústria química —, saiu de uma faixa histórica de US$ 100 por tonelada para ser negociado a US$ 1.200 por tonelada, alta de aproximadamente 1.100%. 

O problema, segundo o Ibram, não é apenas de preço, mas de disponibilidade física. Boa parte da produção mundial de enxofre é subproduto do refino de petróleo proveniente do Oriente Médio e de regiões do leste europeu, como o Cazaquistão — áreas em que os conflitos armados interromperam cadeias logísticas e destruíram capacidade produtiva. "Cinquenta por cento do enxofre do mundo passa pelo Estreito de Ormuz. Esse trânsito continua impedido e não se tem ideia de quanto da capacidade de produção de enxofre do mundo foi destruída nos conflitos", detalhou o presidente do Ibram. 

 A situação já provoca a interrupção de plantas de ácido sulfúrico no Brasil, e os estoques nacionais foram descritos como "bastante preocupantes". "Isso afeta a mineração, não é apenas a agricultura, a indústria química também não funciona sem isso", alertou o presidente da entidade. 

Imposto Seletivo: equívoco técnico e risco competitivo 

Outro ponto de forte crítica do Ibram foi a inclusão da mineração no escopo do Imposto Seletivo, previsto no bojo da reforma tributária. Para a entidade, trata-se de um erro conceitual e técnico que pode comprometer a competitividade do setor no longo prazo. 

"Não existem exemplos no mundo de imposto seletivo que afetam a mineração e o petróleo. Esse imposto, quando criado, tem como objetivo desincentivar o consumo de produtos que tenham externalidades negativas de saúde, de ambiente. E, portanto, incide apenas naqueles produtos destinados diretamente ao consumo", argumentou o presidente do Ibram. 

A crítica vai além da estranheza conceitual. O Ibram aponta que, na prática, o Imposto Seletivo sobre mineração funciona como um imposto de exportação disfarçado, com efeitos sobre a cumulatividade tributária que a própria reforma pretendia eliminar. "O que o Imposto Seletivo faz, ao incidir na mineração, é criar cumulatividade tributária e destruir ou diminuir a nossa capacidade competitiva", afirmou. 

 Para reforçar o argumento, o presidente do Ibram recorreu ao exemplo argentino: "A incidência de um imposto de exportação sobre a pecuária argentina levou à destruição de um dos setores mais competitivos da economia argentina em 30, 40 anos." Com a regulamentação das alíquotas ainda em discussão, o Ibram defende que a alíquota aplicável à mineração seja zero — ou que, ao menos, sejam reconhecidas diferenciações dentro do próprio minério de ferro, premiando, por exemplo, produtos com menor intensidade de carbono. 

Insegurança jurídica sobre posse de terras 

Um terceiro alerta do Ibram diz respeito ao julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade da Lei nº 5.709/1971, que restringe a posse de terras por empresas com capital estrangeiro. O STF julgou a lei constitucional, mas o acórdão ainda não foi publicado na íntegra, gerando uma zona cinzenta jurídica que afeta diretamente empresas mineradoras — que necessitam de grandes extensões de terra não apenas para lavra, mas sobretudo para projetos de compensação ambiental e social. 

"Nossas empresas hoje não têm clareza se os ativos que elas têm, podem manter. E caso elas não tenham, as operações podem ser profundamente impactadas", afirmou o presidente do Ibram. A entidade acompanha com atenção um projeto de lei em tramitação no Senado que tenta equacionar a questão. A indefinição, porém, já é suficiente para gerar insegurança entre investidores estrangeiros — em um momento em que o Brasil tenta justamente atrair mais capital externo para o setor. 

Minerais críticos e o papel geopolítico do Brasil 

Na pauta legislativa, o Ibram manifestou apoio ao avanço do PL 2.780, que institui uma política nacional para minerais críticos e estratégicos, e acompanha com expectativa o PL 4.443, de autoria do senador Renan Calheiros, relatado pelo senador Esperidião Amin na Comissão de Assuntos Econômicos e em debate na Comissão de Infraestrutura do Senado. "O regime que se encontrou é maduro. Há mudanças, ajustes, mas que são ajustes relevantes que precisam ser feitos, e que ele seja aprovado no menor prazo possível", defendeu Cesário.  

 O ponto central do debate gira em torno da composição e dos poderes do Conselho de Minerais Críticos e Estratégicos previsto nos projetos. "O grande debate ao redor desse texto é sobre qual é o papel desse conselho e quais poderes ele terá", resumiu o presidente do Ibram, que relatou ter percebido, em reunião recente, um raro consenso bipartidário: senadores de situação e oposição concordaram que o tema é prioritário e precisa avançar. A expectativa é de que a pauta retorne à Comissão de Infraestrutura na semana do dia 10 de agosto. 

 No plano geopolítico, o presidente do Ibram defendeu que o Brasil aproveite sua posição de "não alinhamento automático" para liderar um arranjo plurilateral de fornecimento de minerais críticos. "O Brasil tem uma característica de autonomia internacional. Nós somos vistos por todas as grandes potências — americanos, europeus, chineses, japoneses — como confiáveis, ao mesmo tempo", disse. Para ele, o país deve exigir, em contrapartida ao fornecimento seguro de minerais, acesso a tecnologias, mercados previsíveis e mecanismos de cofinanciamento. "Nós podemos liderar um arranjo global ou pelo menos plurilateral em que haja ganha-ganha", afirmou. 

Investimentos e financiamento  

A estimativa de investimentos do setor para o período 2026–2030 permanece em US$ 76,9 bilhões, monitorada anualmente pelo Ibram. A curva projetada é crescente e, segundo a entidade, reflete tanto a realocação de cadeias produtivas globais quanto a transição energética em curso — que coloca a mineração no centro da demanda por insumos para energias limpas, eletrificação e processamento de dados. 

Para sustentar esse crescimento, o Ibram identificou como uma das principais fragilidades estruturais do setor a escassez de mecanismos de financiamento adequados às características da atividade mineral. Hoje, mais de 130 empresas com operações no Brasil estão listadas em bolsas estrangeiras, enquanto apenas cinco mineradoras têm ações negociadas em território nacional. A entidade já iniciou discussões com o Ministério da Fazenda para criar um instrumento similar ao existente na Austrália e no Canadá — um mecanismo que permita que investimentos em pesquisa mineral sejam reconhecidos como despesas dedutíveis no Imposto de Renda. 

Mineração ilegal e crime organizado 

Em resposta a perguntas de jornalistas, o presidente do Ibram reforçou o alerta sobre a infiltração do crime organizado na mineração ilegal. Com o ouro em patamares recordes, o incentivo econômico para a atividade ilícita cresceu proporcionalmente — e as barcas utilizadas no garimpo ilegal, que custam entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões, passaram a ser financiadas por organizações criminosas. A presença de armas de alto calibre e a resistência armada em operações de fiscalização do Ibama e da Polícia Federal são, segundo o Ibram, evidências concretas dessa infiltração. 

 "O crime organizado se tornou investidor na mineração ilegal porque ela é muito rentável, mas também porque presta outro serviço: lavagem de dinheiro", afirmou o presidente do Ibram. A entidade mantém programas de cooperação com a Polícia Federal e o Ministério Público e trabalha, junto ao Sebrae e ao Ministério de Minas e Energia, em medidas para estimular a formalização de pequenos garimpeiros que desejam sair da clandestinidade. 

Perspectiva: crescimento estrutural, não conjuntural 

O quadro geral desenhado pelo Ibram aponta para uma trajetória de expansão sustentada, lastreada em fundamentos de longo prazo. A transição energética global, a realocação de cadeias industriais, a valorização de minerais críticos e o potencial ainda subexplorado de províncias como o Pará e o interior da Bahia e de Goiás compõem um cenário favorável. A participação da mineração no PIB, na arrecadação e no saldo comercial tende a crescer. 

Os riscos, contudo, são reais e urgentes: o imposto seletivo mal calibrado, a crise do enxofre, a insegurança jurídica sobre terras e o avanço do garimpo ilegal podem comprometer investimentos e competitividade. O setor chega ao segundo semestre de 2025 mais forte em números — e mais exigente em políticas públicas à altura do papel que já demonstra desempenhar na economia brasileira. (Equipe Brasil Mineral) 

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01/08/2026 04:00h

O Brasil escolheu o oposto. Cobrar de forma cega, sobre o faturamento, sem enxergar a margem.

Formalmente, não há bitributação. O Supremo Tribunal Federal já assentou, no RE 228.800/DF e no RE 1.342.665/MG, que a CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) não tem natureza tributária. É receita patrimonial originária da União, decorrente da exploração de bens públicos. O Imposto Seletivo é imposto. São coisas diferentes. Contudo, a distinção formal não paga a conta. Ela não muda o fato de que ambas as exações incidem sobre a mesma grandeza econômica, o faturamento bruto da venda do bem mineral. Some.  

No minério de ferro, único mineral hoje na lista do Imposto Seletivo, a CFEM é de 3,5% e o IS, de 0,25%. Total: 3,75% sobre a receita bruta, antes de qualquer consideração sobre lucratividade. Se o Anexo XVII vier a ser ampliado por lei ordinária, o nióbio chegaria a 3,25% (3% de CFEM) e o lítio e as terras raras, a 2,25% (2% de CFEM). A isso acrescentem-se IRPJ, CSLL, IBS e CBS. O Fundo Monetário Internacional já advertiu, em estudo de referência sobre regimes fiscais de indústrias extrativas, que exações sobre receita bruta são particularmente nocivas na mineração. A razão é econômica, não ideológica. Trata-se de setor de capital intensivo, longa maturação e margens cíclicas. Tributo sobre lucro se ajusta ao ciclo. Tributo sobre faturamento incide igual na alta e na baixa, e é justamente na baixa que ele inviabiliza projetos marginais e mata a exploração de novas jazidas.  

O Chile, que endureceu seu royalty mineral em 2023, entendeu isso. Aumentou a arrecadação sobre cobre e lítio, mas por meio de alíquotas progressivas sobre a margem operacional. Quem lucra muito paga proporcionalmente mais e quem lucra pouco continua viável. A Austrália foi além. O Minerals Resource Rent Tax  incidia apenas sobre o lucro excedente e ainda assim foi revogado em 2014, por ser considerado insustentável do ponto de vista competitivo.  

O Brasil escolheu o oposto. Cobrar de forma cega, sobre o faturamento, sem enxergar a margem. Há, ainda, uma dimensão federativa incômoda. A CFEM é repartida, 60% aos municípios produtores, 15% aos estados, 15% aos municípios afetados, 10% à União. O Imposto Seletivo é federal e não tem qualquer vinculação com a compensação dos impactos locais. Quem convive com a mina, com a pressão sobre a infraestrutura e com o passivo ambiental são o município e o estado produtores. Quem arrecada o novo imposto é a União. Cria-se, assim, um tributo cobrado em nome do meio ambiente cujo produto não retorna ao território que suporta o impacto ambiental. É difícil sustentar que isso seja extrafiscalidade. (Por Henrique Costa de Seabra, advogado, sócio do Seabra Advogados, mestre em Direito pela Faculdade Milton Campos e doutorando em Direitos Difusos e Coletivos pela PUC-SP, com ênfase em Direito Minerário e Ambiental).  

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27/07/2026 04:00h

A Terradot une geologia, agronegócio e ciência do clima para capturar carbono da atmosfera usando pó de rocha — e enxerga no setor mineral brasileiro um aliado estratégico ainda pouco consciente do próprio potencial

O planeta já sabe como remover carbono da atmosfera. Faz isso há milhões de anos, em silêncio, por meio do intemperismo de rochas silicatadas — processo pelo qual minerais se dissolvem em contato com água e solo, liberando cátions que capturam dióxido de carbono e o transportam, na forma de bicarbonato, até os oceanos. O desafio que a startup brasileira Terradot se propôs a resolver é aparentemente simples de enunciar e extraordinariamente complexo de executar: comprimir esse ciclo geológico de milhões de anos para a escala de uma safra agrícola — e provar, com rigor científico, que a captura aconteceu. 

A empresa tem quatro anos de existência, opera comercialmente em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná, mantém projetos de pesquisa e desenvolvimento no Maranhão e no Rio Grande do Sul e, recentemente, expandiu sua atuação para os Estados Unidos com a aquisição de uma concorrente americana. Em entrevista exclusiva à Brasil Mineral, a equipe da Terradot apresentou o modelo de negócio, a arquitetura científica por trás da tecnologia e, sobretudo, o papel central que o setor de mineração ocupa nessa equação. 

O problema que nenhuma árvore resolve 

O ponto de partida da Terradot é uma constatação que incomoda boa parte do mercado de carbono: a maioria das soluções de remoção disponíveis hoje não é permanente. Reflorestamento, por exemplo, captura carbono enquanto a floresta existe — mas o estoque pode ser revertido por incêndio, seca ou mudança de uso do solo. 

"Se a gente está colocando uma tonelada de CO₂ no ar, isso é um passivo permanente, então a gente vai precisar de uma solução que consegue capturar esse carbono de forma permanente", afirmou Julia Sekula, CEO da Terradot. "Infelizmente muitas das soluções, que são muito boas, que a gente mais conhece no Brasil, por exemplo, reflorestamento, trazem uma série de benefícios em termos de biodiversidade, mas não capturam o carbono de forma permanente. Elas não resolvem justamente essa equação: se o nosso passivo é permanente, o nosso ativo tem que ser permanente." 

Foi buscando uma resposta para essa equação que a empresa chegou ao intemperismo acelerado de rocha — ou intemperismo avançado, como também é chamado na literatura científica. A natureza, argumenta Sekula, já oferece o modelo. A Terradot o operacionaliza. 

A ciência por trás do pó 

Laísa de Assis Batista, geóloga e responsável pela coordenação científica da empresa, explica que o processo se apoia em um mecanismo geoquímico já bem estabelecido. As rochas silicatadas — especialmente basaltos — são ricas em minerais como olivinas, feldspatos e piroxênios. Quando moídas em granulometria fina e aplicadas ao solo agrícola, essas rochas interagem com a água da chuva e com o sistema hidrológico local, dissolvendo-se e liberando cátions alcalinos. 

"Estamos interessados nos elementos alcalinos: sódio, magnésio e cálcio principalmente", explicou Laísa. "Cada um desses óxidos, no que é solubilizado na solução ali, no ambiente do solo, vai ter o potencial de capturar duas moléculas de carbono para cada molécula de óxido que liberamos do silicato." 

O mecanismo de permanência está no destino desse carbono capturado. O CO₂ atmosférico é convertido em bicarbonato, que migra pelo sistema hidrológico até os oceanos, onde fica sequestrado — seja dissolvido na água do mar, seja precipitado na forma de conchas. É esse caminho que confere ao processo a característica de captura permanente, diferenciando-o de outras metodologias. 

A analogia com práticas agrícolas já existentes é intencional e estratégica. "É muito semelhante com o que acontece hoje, por exemplo, com o espalhamento de calcário, com o espalhamento de fertilizante no campo", comparou Laísa. "Você tem aquela área, aquele solo, quer melhorar a saúde do solo, e então aplica aquele material para interagir ali, fazer o melhoramento do solo, aumentar a capacidade de nutrientes." 

Por que o Brasil é um território privilegiado 

A combinação de fatores que torna o Brasil especialmente adequado para o intemperismo acelerado não é coincidência geológica — é uma vantagem estrutural que a Terradot identificou como central em sua estratégia. 

O primeiro elemento é geológico. A Bacia do Paraná abriga os derrames basálticos que formam o terceiro maior depósito basáltico do mundo. "Se a gente for comparar com os outros dois: o primeiro são as armadilhas na Sibéria, que é um lugar super frio, então não é tão adequado para o favorecimento do processo de intemperismo; e na Índia, que são as Deccan Traps, que já é um basalto mais alterado", contextualizou Laísa. O basalto da Bacia do Paraná, rico em cálcio e magnésio, está inserido em uma das maiores áreas agrícolas do planeta — o que elimina o problema logístico de distância entre fonte e ponto de aplicação. 

O segundo fator é industrial e regulatório. O Brasil possui uma cultura consolidada de remineralização de solos, com produção de pó de rocha regulamentada pelo Ministério da Agricultura desde a década de 1980. A instrução normativa dos remineralizadores estabelece granulometria abaixo de dois milímetros, exatamente a faixa mais favorável ao processo de intemperismo acelerado. "Existe uma produção em escala desse pó de rocha fino, e isso é uma característica nacional", ressaltou a geóloga. 

O modelo de negócio: quem paga, quem recebe e quem lucra 

A arquitetura comercial da Terradot envolve três elos principais: as pedreiras e mineradoras fornecedoras de rocha, os produtores rurais que recebem o material aplicado em suas áreas, e as grandes empresas compradoras de créditos de carbono — hoje, principalmente corporações de tecnologia como Microsoft e Google. 

O produtor rural ocupa posição singular nessa cadeia: ele não paga pelo insumo. Ao contrário, recebe gratuitamente o pó de rocha, que atua como corretivo de solo, reduzindo a acidez de maneira análoga ao calcário. Em contrapartida, cede à Terradot os direitos de amostragem e monitoramento necessários para a geração e certificação dos créditos de carbono. 

"O produtor não paga para receber essa rocha", confirmou Julia Sekula. "A gente faz a aplicação do pó de rocha em sua área, em troca ele dá para nós os direitos de fazer toda a amostragem que a gente precisa para então poder gerar o crédito de carbono e vender esse crédito para as grandes compradoras. Os contratos que temos com as empresas de tecnologia nos ajudam a financiar todo esse processo." 

Sekula acrescentou que a economia gerada para o produtor pode representar cerca de 10% do custo de produção — número relevante em um setor que atravessa anos de pressão sobre margens. 

Do lado das mineradoras, a relação é de compra e venda convencional. A Terradot adquire o pó de rocha — historicamente um subproduto sem destinação adequada — e assume os custos de transporte, aplicação e monitoramento. "As pedreiras de basalto têm um core business voltado para a produção de agregados para o mercado de construção civil. Inevitavelmente, essa produção de agregados gera finos", explicou Fabrício Pinheiro, estrategista de mineração da empresa. "No passado, esses finos acabavam sendo um passivo para eles, um material que ficava estocado e não tinha uma destinação." 

A mineração como aliada — e ainda desconhecida do tema 

Fabrício Pinheiro tem longa trajetória no setor mineral e é o responsável por mapear e desenvolver as parcerias com pedreiras e mineradoras. Sua leitura sobre o momento atual do setor é direta: há um desconhecimento generalizado sobre o potencial dessa tecnologia dentro da própria indústria. 

"No ano passado estive na Exposibram e é uma ciência que ainda é muito desconhecida dentro da área de mineração", relatou. "Acho que é importante a gente apresentar, trazer esse conhecimento para o setor de mineração, que existe uma possibilidade de ter um viés totalmente diferente do que só ter aquela visão muito ainda de que minerais e rochas não têm só essa pegada industrial, mas também pode ter esse caminho de ação ambiental." 

A Terradot enxerga potencial além das pedreiras de basalto. A empresa avalia o uso de outros subprodutos minerais, como rejeitos de lavra e escórias industriais. "A gente também tem um caminho de estudo e avaliação de outros subprodutos de mineração para também dar essa destinação para o intemperismo acelerado", confirmou Pinheiro. 

Como se prova que o carbono foi capturado 

A questão da verificação é o ponto mais sensível de toda a cadeia — e onde reside o diferencial competitivo da Terradot. Sem comprovação robusta, não há crédito de carbono. E sem crédito, não há receita. 

O protocolo de monitoramento desenvolvido pela empresa é essencialmente geoquímico e se estende por até cinco anos após a aplicação. Antes de qualquer intervenção, a equipe realiza uma caracterização completa do baseline: composição do solo, assinatura geoquímica das drenagens e composição detalhada do pó de rocha a ser utilizado. Após a aplicação, amostragens sistemáticas rastreiam a evolução das concentrações de cátions no solo, na água e nas plantas. 

"Eu sei qual é a composição do meu basalto, qual a composição do meu solo naquela área, qual é a composição dos dois misturados e, conforme o intemperismo vai acontecendo, sei que vou ter um empobrecimento nos cátions que estou contando para gerar essa exportação de carbono", detalhou Laísa. "Então é essa mudança de sinal que vou pegando com o tempo e, pelo balanço estequiométrico de massa entre essas diferentes fases, consigo mostrar a remobilização dos cátions e essa captura do dióxido de carbono." 

A amostragem de plantas é componente essencial do protocolo. Parte dos cátions liberados pelo intemperismo é absorvida pela cultura, e essa fração precisa ser descontada do cálculo de captura de carbono para evitar superestimativas. "A gente pega também as amostras de planta, porque precisamos saber quanto desses cátions, quanto dessa geoquímica que colocamos no solo, está sendo incorporado pela planta, para também não superquantificarmos o carbono que estamos capturando", explicou a geóloga. 

Em termos de preferência de área, a empresa favorece solos arenosos levemente ácidos. A porosidade facilita a exportação de bicarbonato para o sistema hidrológico, acelerando a resposta mensurável. Mas o protocolo pode ser adaptado a outras condições. O portfólio atual da Terradot inclui áreas de pastagem, cana-de-açúcar, soja e milho. 

A escala potencial: bilhões de toneladas 

Quando a conversa chegou ao potencial de escala da tecnologia no Brasil, os números apresentados são expressivos — e acompanhados dos devidos asteriscos científicos. 

Estudos acadêmicos independentes estimam que o Brasil tem potencial de remover uma gigatonelada de carbono por ano por meio do intemperismo acelerado. Para contextualizar: o País emite aproximadamente 2,4 gigatoneladas de CO₂ equivalente por ano. O processo poderia, em tese, neutralizar quase metade das emissões nacionais. 

Em termos de volume de rocha, Julia Sekula esboçou um cálculo preliminar: "Se você pega essa gigatonelada e pensa só em basalto, para gerar uma tonelada de captura de carbono, você tem que aplicar mais ou menos 4 a 5 toneladas de basalto. São 5 bilhões de toneladas." Rochas com maior concentração de minerais reativos reduzem essa relação — de 1 para 4 para algo próximo de 1 para 2 ou mesmo 1 para 1 —, o que altera significativamente o volume necessário. 

A CEO reconhece que o número bruto da gigatonelada carrega simplificações. "A gente colocaria um asterisco e falaria: esse número provavelmente não é tudo isso, mas dá um indicativo de dimensão", ponderou Sekula. A lógica de distribuição geográfica reforça essa ressalva: com mais de mil pedreiras ativas no Brasil, cada uma delas representando um raio potencial de aplicação, a soma fragmentada pode ser expressiva — mas dificilmente atingirá o limite teórico calculado em escala nacional. 

Um mercado em formação — e que vai se tornar regulado 

O mercado comprador dos créditos gerados pelo intemperismo acelerado ainda é predominantemente voluntário. As grandes empresas de tecnologia globais lideram as aquisições, motivadas por metas de descarbonização e por exigências crescentes de seus investidores e reguladores. O valor desses créditos é significativamente superior ao de créditos convencionais, precisamente pela permanência da captura e pelo rigor científico exigido para sua certificação. 

Mas o horizonte regulatório está se redesenhando rapidamente. "A União Europeia saiu com uma definição muito clara de que o mercado de emissões local vai aceitar a remoção permanente de carbono", apontou Sekula. "Então em breve esse mercado também vai ser um mercado regulado em algumas jurisdições." 

Essa perspectiva transforma o intemperismo acelerado de uma solução de nicho voluntário em um instrumento potencial de compliance regulatório — o que tende a ampliar substancialmente a demanda e a base de compradores ao longo da próxima década. 

O setor mineral diante de um novo papel 

A Terradot representa, em essência, uma proposta de reposicionamento do setor mineral brasileiro. Pedreiras que hoje enxergam o pó de basalto como um passivo operacional — custo de armazenamento, sem receita — são convidadas a enxergá-lo como a matéria-prima de um mercado emergente e de alto valor agregado. 

Mas o caminho exige investimento. Fabrício Pinheiro destacou que o desenvolvimento de equipamentos com capacidade e escalabilidade adequadas para a produção de finos com granulometria compatível é um dos grandes desafios técnicos do setor. A demanda por pó de rocha fino em volumes industriais, caso a tecnologia se consolide na escala projetada pelos estudos acadêmicos, exigirá adaptações significativas nos processos produtivos das pedreiras — e pode abrir uma nova fronteira de negócios para fabricantes de equipamentos de beneficiamento. 

A mensagem que a Terradot leva ao setor mineral é, no fundo, uma inversão de narrativa: a mineração, frequentemente posicionada como antagonista nas discussões sobre clima, pode se tornar protagonista de uma das soluções mais escaláveis e permanentes de captura de carbono já identificadas pela ciência. O pó que sobra do britador pode ser, literalmente, a resposta que o planeta está procurando. (Exclusivo Brasil Mineral)  

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25/07/2026 04:00h

98 PLGs apresentaram irregularidades e concentraram 25,3 toneladas de ouro declarado, o que equivale a R$ 18,4 bilhões entre 2018 e 2026

O Ministério Público Federal (MPF) comunicou, no dia 17 de julho, que apresentou uma ação civil pública contra a Agência Nacional de Mineração (ANM) com base em investigação feita a partir do relatório produzido pelo Greenpeace Brasil. O documento ‘Lavagem de ouro na Amazônia: anatomia de uma fraude’, publicado pelo Greenpeace Brasil em julho, aponta graves falhas na fiscalização da ANM e revela como as Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs) têm sido usadas para dar aparência legal ao ouro extraído ilegalmente da Amazônia, inclusive de Terras Indígenas (TI) e Unidades de Conservação (UC).  

O Greenpeace analisou187 processos minerários no Pará, Mato Grosso e Rondônia por cerca de um ano, dos quais 98 PLGs apresentaram irregularidades e concentraram 25,3 toneladas de ouro declarado, o que equivale a R$ 18,4 bilhões entre 2018 e 2026. Com base nessas informações, a ação do MPF pede que o Poder Judiciário determine que a ANM crie um grupo de trabalho para elaborar estudos para uma nova regulamentação do regime de PLG, fechando as brechas que permitem a lavagem de ouro ilegal. Além disso, requer que a ANM reavalie e suspenda cautelarmente todas as PLGs irregulares, acionando os órgãos como a Polícia Federal nos casos de indícios de crimes. “Esta ação é crucial para enfrentar uma omissão sistêmica da ANM que há anos alimenta a lavagem de ouro na Amazônia. Trata-se de uma oportunidade histórica para corrigir as falhas regulatórias nas PLGs e fechar o cerco contra o garimpo ilegal no Brasil. Espera-se que o Poder Judiciário assegure a efetividade do dever constitucional de proteção ambiental, determinando a adoção das medidas necessárias para coibir esse cenário de ilegalidade. A ação representa um passo essencial para a garantia do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e do pleno respeito aos direitos constitucionalmente assegurados aos povos indígenas e seus territórios”, explica Daniela Jerez, advogada do Greenpeace Brasil.  

O relatório identificou dois padrões de fraude: os garimpos fantasmas, em que áreas com PLG declaram grandes volumes de produção de ouro, mas imagens de satélite e sobrevoos de validação mostram a floresta intacta, sem qualquer sinal de atividade garimpeira; e os garimpos em escala industrial, em que um mesmo grupo obtém múltiplas PLGs em áreas vizinhas e opera como se fossem uma única mina, escapando das exigências de licenciamento ambiental mais rigoroso. Segundo o Greenpeace, o esquema existe, pois a própria legislação deixou uma brecha estrutural: o titular da PLG é quem declara quanto ouro extraiu, sem que haja qualquer parâmetro técnico para verificar se o volume declarado é compatível com o potencial real da área. A ANM, por sua vez, admitiu ao MPF que não fiscaliza a comercialização do ouro e conta com apenas 120 servidores para atuar em todo o território nacional. O relatório aponta ainda que, mesmo após a decisão do STF, em março de 2025, que derrubou a chamada “presunção de boa-fé” no comércio do metal, os mecanismos de lavagem continuam operando, o que reforça a urgência das medidas regulatórias cobradas na ação. 

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23/07/2026 04:00h

O estudo destaca o potencial associado às rochas máficas e ultramáficas, com ênfase na Bacia do Paraná, atualmente o principal foco das pesquisas nacionais sobre o tema

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicou o Fact Sheet “Mineralização de Carbono como Nova Fronteira das Rotas de CCS", terceiro volume da série dedicada aos temas de captura e armazenamento de carbono (CCS). A publicação apresenta os fundamentos da mineralização de carbono, processo que converte o dióxido de carbono (CO₂) em minerais estáveis por meio de reações naturais aceleradas em determinadas formações geológicas. O documento explora os mecanismos que tornam essa rota uma alternativa de armazenamento permanente de carbono, descreve experiências internacionais em andamento e discute as perspectivas para sua aplicação no Brasil.  

O estudo destaca o potencial associado às rochas máficas e ultramáficas, com ênfase na Bacia do Paraná, atualmente o principal foco das pesquisas nacionais sobre o tema. Além disso, o estudo aborda desafios relacionados aos custos, à demanda energética dos processos, à gestão dos recursos hídricos e à necessidade de aprofundar o conhecimento sobre formações geológicas e aquíferos que possam vir a ser utilizados em futuros projetos. A mineralização de carbono tem atraído crescente atenção como alternativa para o armazenamento permanente de CO₂. Nessa abordagem, o carbono capturado reage com minerais presentes em determinadas rochas, transformando-se em minerais carbonáticos estáveis.  

O novo Fact Sheet da EPE apresenta os principais conceitos associados a essa tecnologia, exemplos de projetos em operação no exterior e as perspectivas para seu desenvolvimento no Brasil. A publicação também discute o potencial da Bacia do Paraná, os desafios técnicos envolvidos e a importância da proteção dos recursos hídricos no planejamento de futuros projetos.  

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22/07/2026 04:42h

A incorporação da empresa permitiu à companhia ampliar sua oferta tecnológica e avançar na construção de uma linha mais abrangente de soluções voltadas ao ambiente subterrâneo

A Komatsu anuncia que está ampliando a atuação na área de mineração subterrânea no Brasil, estruturada em uma estratégia voltada ao fortalecimento de seu portfólio para operações de subsolo. Um passo importante nesse movimento foi a aquisição, em 2025, da alemã GHH, fabricante tradicional de equipamentos para mineração subterrânea. A incorporação da empresa permitiu à companhia ampliar sua oferta tecnológica e avançar na construção de uma linha mais abrangente de soluções voltadas ao ambiente subterrâneo. “No Brasil, estamos estruturando um portfólio que contempla diferentes etapas da operação subterrânea, desde carregamento e transporte até soluções voltadas à segurança operacional”, afirma Alessandro Antunes, gerente comercial de Clientes Estratégicos e da linha de Underground da Komatsu no Brasil. “A proposta é aplicar nesse segmento a experiência que a companhia acumulou ao longo de décadas no desenvolvimento e suporte de equipamentos para mineração”.  

Entre os equipamentos que passam a integrar a estratégia da Komatsu no Brasil estão o HX45 caminhão rebaixado off-road para mineração subterrânea, voltado ao transporte de material em galerias e frentes de lavra, e a WX15 carregadeira de subsolo, com capacidade de carga de 15T, utilizada nas atividades de carregamento e movimentação de minério. Para a segurança das operações, existe a linha de Bolters modelos ZB21 e ZB31, que apoiam na contenção de maciço, e os Scalers da Dux Machinery – modelo DS30RB –, utilizadas no desplacamento de rochas instáveis após detonações, contribuindo na redução de riscos e aumentando a segurança das operações. O portfólio inclui ainda soluções da linha de perfuração de desenvolvimento, como jumbo de dois braços modelos ZJ21 e ZJ32.  

Os Scalers DS30RB da DUX Machinery (fabricante canadense especializada em equipamentos utilizados na estabilização de rochas e segurança de operações subterrâneas), já operam em minas no Brasil e contribuem para a estabilização do maciço rochoso e a segurança das equipes em ambientes subterrâneos a mais de 15 anos em parceria com a Komatsu. Segundo Antunes, fatores como confiabilidade dos equipamentos, previsibilidade operacional e segurança tornam-se ainda mais críticos nesse tipo de mineração, onde as condições geológicas e o ambiente de trabalho exigem máquinas capazes de operar com alto nível de robustez e disponibilidade. “A mineração subterrânea exige equipamentos capazes de operar com alto nível de confiabilidade e segurança, mas também com eficiência operacional”, afirma. “Isso envolve desde produtividade e desempenho das máquinas até aspectos como taxa de penetração acima de 3 metros por minuto e com uma redução nos custos de manutenção de até 20% na nossa linha de equipamentos de perfuração”.  

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20/07/2026 04:00h

O processamento downstream está emergindo, particularmente, como uma oportunidade para aumentar as margens e a qualidade do perfil de crédito, mas os gargalos estruturais e os riscos ambientais e sociais continuam a impor obstáculos significativos na região

Segundo relatório da Moody's, a América Latina tem recursos consideráveis e jurisdições relativamente estáveis, mas os riscos regulatórios e de execução afetam a qualidade do crédito para empresas que buscam projetos de minerais críticos. O processamento downstream está emergindo, particularmente, como uma oportunidade para aumentar as margens e a qualidade do perfil de crédito, mas os gargalos estruturais e os riscos ambientais e sociais continuam a impor obstáculos significativos na região. Os minerais críticos estão cada vez mais consolidados como ativos estratégicos que sustentam a transição energética, a política industrial e as aplicações de defesa. A transição energética e o advento da inteligência artificial (IA) e dos data centers estão tornando a segurança do abastecimento, alinhamento geopolítico e autonomia estratégica muito mais importantes para as cadeias de abastecimento de minerais críticos. A mudança aumenta a importância da América Latina como produtora, mas seu cenário competitivo varia de acordo com custo, integração e alinhamento estratégico, com obstáculos muito maiores para fornecedores mais novos e de menor porte.

As cadeias globais de abastecimento de minerais críticos muito concentradas criam vulnerabilidades estratégicas para governos e corporações, que estão investindo em fontes de abastecimento diversificadas, mesmo com custos mais altos. A região apresenta vantagens geológicas significativas, custos competitivos aliados a infraestrutura consolidada e experiência operacional e mão de obra qualificada, além de risco geopolítico relativamente baixo. Os governos estão começando a adotar políticas destinadas a fortalecer as cadeias de abastecimento de minerais críticos e atrair investimentos. Apesar das vantagens, a América Latina enfrenta gargalos estruturais, complexidade técnica e riscos macroeconômicos e regulatórios dificultam o mercado de minerais críticos. Enquanto isso, a China tem décadas de investimento e experiência em cadeias de abastecimento totalmente integradas, capacidade de processamento em grande escala, mão de obra qualificada e forte coordenação entre empresas e governo.

Os novos participantes na América Latina não conseguem replicar esse ecossistema rapidamente. Chile, Argentina, Brasil e Peru apresentam, cada um, vantagens e desvantagens competitivas próprias. A matriz energética relativamente limpa do Brasil e o alinhamento com padrões ambientais de economias avançadas conferem vantagens competitivas ao processamento de minerais críticos. No entanto, a elevada intensidade de capital, as lacunas tecnológicas e a dependência de parcerias com processadores estabelecidos na Ásia e em economias avançadas representam entraves relevantes.

A incerteza regulatória e de políticas públicas continua sendo um risco central, ameaçando atrasos mesmo para projetos que, de outra forma, seriam atrativos, e os resultados de crédito dependem da estabilidade jurisdicional, da execução dos projetos e do acesso a contratos e financiamento de longo prazo. Riscos técnicos e de execução também são considerações importantes para os investidores, juntamente com considerações ambientais e sociais e riscos de preços. Projetos com contratos de offtake de longo prazo, baixos custos e balanços sólidos conseguem resistir mais facilmente aos ciclos de mercado.

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