22/10/2021 17:45h

Após um aumento estimado de 48% em 2021

A última previsão do Banco Mundial para os mercados de commodities é de que os preços de energia – com média de 80% mais alta em 2021, especialmente no terceiro trimestre – devem permanecer elevados em 2022. A expectativa é que ocorra uma queda na segunda metade do próximo ano à medida que as restrições de oferta diminuam. Os preços não energéticos, incluindo agricultura e metais, deverão diminuir em 2022, após fortes ganhos este ano. 

“O aumento nos preços da energia apresenta riscos significativos de curto prazo para a inflação global e, se sustentada, também pode pesar no crescimento dos países importadores de energia”, disse Ayhan Kose, economista-chefe e diretor do Grupo de Perspectivas do Banco Mundial, que produz o Relatório Commodities Outlook.

“A forte recuperação dos preços das commodities está se revelando mais pronunciada do que o projetado anteriormente. A volatilidade recente dos preços pode complicar as escolhas de políticas, já que os países se recuperam da recessão global do ano passado.”

Em 2021, alguns preços de commodities subiram ou ultrapassaram os níveis não vistos desde o pico de 2011. Por exemplo, os preços do gás natural e do carvão atingiram níveis recordes em meio a restrições de oferta e recuperação da demanda por eletricidade, embora devam cair em 2022 à medida que a demanda reduzir e a oferta for ampliada. No entanto, picos de preços adicionais podem ocorrer no curto prazo em meio a estoques muito baixos e gargalos de fornecimento persistentes.

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Os preços do petróleo bruto (uma média de Brent, WTI e Dubai) devem atingir a média de US$ 70 em 2021, um aumento de 70%. Eles estão estimados em US$ 74 o barril em 2022, conforme a demanda por petróleo se fortalece e atinge níveis pré-pandêmicos. O uso de petróleo bruto como substituto do gás natural apresenta um grande risco de alta para as perspectivas de demanda, embora os preços de energia mais altos possam começar a pesar no crescimento global.

À medida que o crescimento global enfraquece e as interrupções no fornecimento são resolvidas, os preços dos metais devem cair 5% em 2022, após um aumento estimado de 48% em 2021. Após um aumento projetado de 22% em 2021, os preços agrícolas devem cair modestamente no próximo ano, as condições de abastecimento melhoram e os preços da energia se estabilizam. 

“Os altos preços do gás natural e do carvão estão impactando a produção de outras commodities e representam um risco de alta para as previsões de preços”, disse John Baffes, economista sênior do Grupo de Perspectivas do Banco Mundial. “A produção de fertilizantes foi reduzida pelos preços mais altos do gás natural e do carvão, e os preços mais altos dos fertilizantes aumentaram os custos de insumos para as principais safras de alimentos. A produção de alguns metais, como alumínio e zinco, também foi reduzida devido aos altos custos de energia.”

De forma mais ampla, os eventos deste ano destacaram como as mudanças climáticas são um risco crescente para os mercados de energia, afetando tanto a demanda quanto a oferta. De uma perspectiva de transição energética, as preocupações sobre a natureza intermitente da energia renovável destacam a necessidade de uma carga de base confiável e de geração de eletricidade de reserva. 

Porém, cada vez mais, eles precisarão ser de fontes de baixo carbono, como energia hidrelétrica ou nuclear, ou de novos métodos de armazenamento de energia renovável. Ao mesmo tempo, o aumento dos preços do gás natural e do carvão este ano tornou a energia solar e eólica ainda mais competitiva como fonte alternativa de energia. Os países podem se beneficiar da aceleração da instalação de energia renovável e da redução de sua dependência de combustíveis fósseis.

O relatório observa que as previsões estão sujeitas a riscos substanciais - incluindo clima adverso, recuperação irregular da Covid-19, ameaça de mais surtos, interrupções na cadeia de suprimentos e políticas ambientais. Além disso, os preços mais altos dos alimentos, junto com o recente aumento nos custos de energia, estão elevando a inflação dos preços dos alimentos e aumentando as preocupações com a segurança alimentar em várias economias em desenvolvimento.

Foco especial: urbanização e demanda de commodities

À medida que a mudança global da vida rural para a urbana continua, a seção Foco especial do relatório explora o impacto da urbanização na demanda por commodities. Embora as cidades sejam frequentemente associadas ao aumento da demanda por commodities de energia (e, portanto, às emissões de gases de efeito estufa), o relatório conclui que as cidades de alta densidade, especialmente nas economias avançadas, podem ter uma demanda de energia per capita menor do que as cidades de baixa densidade. 

Como a proporção de pessoas que vivem em áreas urbanas deve continuar a aumentar, esses resultados destacam a necessidade de um planejamento urbano para maximizar os elementos benéficos das cidades e mitigar seus impactos negativos. As cidades estão na vanguarda das mudanças climáticas, e o planejamento estratégico, especialmente para ligações de transporte, pode ajudar a reduzir o consumo de recursos e, principalmente, as emissões de gases de efeito estufa.
 

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13/10/2021 18:30h

Relatório de Progresso do Plano de Ação para o Avanço das Mulheres na Indústria de Mineração mostra que 15% da força de trabalho na indústria mineral é composta por mulheres, um crescimento de 2% na comparação com 2020

Realizado pela Women in Mining Brasil (WIM Brasil), o primeiro Relatório de Progresso do Plano de Ação para o Avanço das Mulheres na Indústria de Mineração mostra que 15% da força de trabalho na indústria mineral é composta por mulheres, um crescimento de 2% na comparação com 2020. Além disso, a presença feminina em Conselhos Executivos está em 11%, enquanto em Conselhos Administrativos, esse índice é de 16%. 

O relatório teve a coordenação e construção da consultoria EY e conta com dados colhidos em janeiro de 2021 junto a 16 empresas signatárias do WIM Brasil, movimento que atualmente reúne 26 integrantes. O levantamento avalia quatro pilares: Estratégia e Oportunidades de Carreira, Ética e Autonomia, Desenvolvimento e Capacitação, Impacto Social. 

“Este é um processo de amadurecimento. As mulheres representam mais de 50% dos cérebros e talentos do país, mas ainda não alcançam um quinto de representação nas empresas mineradoras, sendo que em cargos de liderança os números são mais tímidos. O WIM enxerga que há avanços e iniciativas em curso que são exemplos de inclusão e diversidade, mas precisamos caminhar rumo a um cenário de maior representatividade no setor”, analisa a presidente do WIM Brasil, Patrícia Procópio.

De março de 2020 a setembro de 2021, houve crescimento de 2 para 26 integrantes na adesão de empresas ao WIM Brasil, o que demonstra um crescimento na valorização da agenda de Diversidade, Equidade e Igualdade (DE&I) nas companhias. No painel da Exposibram onde o relatório foi apresentado, quatro delas estiveram representadas: RHI Magnesita, Anglo American, Kinross e Jaguar Mining, oportunidade em que apresentaram políticas e ações voltadas para DE&I. 

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Segundo o relatório, 88% dos respondentes declararam que comunicam o compromisso com DE&I; 69% possuem programa de Diversidade e Inclusão; e 63% destacaram um executivo responsável por DE&I. Por outro lado, 50% delas não integram a pauta de DE&I a políticas e processos organizacionais e 56% não possuem comitê ou orçamento para DE&I, além de 49% não reportarem indicadores de Ética e Autonomia.  

“Mais do que processos, é necessário avançar também para as práticas, com orçamento, equipes e metas definidas, como em qualquer outra prioridade estratégica da empresa. Existe um compromisso público das empresas, mas detectamos que esse compromisso, muitas vezes, ainda não está integrado à governança”, avalia Jamile Cruz, diretora do WIM Brasil e especialista na área de DE&I que mediou o painel na Exposibram. 

O documento e os próprios participantes do painel destacaram a importância da mensuração de resultados, ferramenta indispensável para se atestar a maturidade das organizações e para se encontrar novos caminhos para o aprimoramento da agenda DE&I dentro das empresas. 

“Na RHI Magnesita, estamos nesse caminho. Realizamos um censo de diversidade que vai permitir entender o nosso público, o que resultará em propostas de ações mais aderentes. Não existem saltos nessa jornada. Ela é construída passo a passo, sendo que nosso compromisso é chegar a 2025 com 33% de mulheres em cargos seniores dentro da companhia”, ressalta o diretor de Compras América do Sul da RHI Magnesita, Marcus Vinícius Magalhães, uma das lideranças à frente do Comitê de Diversidade e Inclusão da empresa.
 
Na Kinross, o censo já é uma ferramenta consolidada e o público interno está mapeado. “Saímos do zero para um momento em que temos um censo de diversidade. Fizemos esse trabalho para entender quem nós éramos e sugiro que seja feito por todas as empresas. Temos metas definidas a partir dos resultados e uma delas é aumentar em 25% a força de trabalho feminino até 2030”, expõe a diretora de Relações Governamentais, Responsabilidade Social, Comunicação e Relações Comunitárias da mineradora.

O WIM Brasil afirma que um dos gargalos apontados pelo relatório está nas oportunidades de desenvolvimento de carreira para as mulheres. Conforme mostra o relatório, apenas um terço das contratações em nível de entrada e gerência é ocupado por mulheres. Segundo o trabalho, somente 18% dos participantes de programas de desenvolvimento de lideranças são do público feminino, ao passo que 31% das contratações para cargos de comando envolvem esse gênero. “É importante garantir a equidade de participação em programas de preparação de novos líderes. Assim, mulheres estarão aptas a serem consideradas para funções de liderança”, defende a presidente do WIM Brasil, Patrícia Procópio.

A diretora jurídica da Anglo American, Carolina Lobato, citou a importância de a empresa ter sido liderada por uma mulher globalmente, fato que acelerou o movimento de mudança dentro da companhia.  

“Hoje a Anglo está mais madura nessas discussões em termos de envolvimento da liderança e incorporação desses valores no dia a dia e nas estratégias de negócio. Temos quase 80% do público feminino preenchendo os planos de carreira e antes esse índice era de 59%”, salienta. Carolina Lobato acrescenta que a meta da empresa é chegar a 33% de força de trabalho feminina até 2033. 

Para Eric Duarte, vice-presidente de operações na Jaguar Mining, o caminho é esse. “Percebemos, a partir de avaliações internas, que as mulheres em geral trazem mais resultados positivos, planejam melhor e fazem entregas mais consistentes. Nosso próximo passo, além de seguir as metas estabelecidas pelo IBRAM, é alcançar 34% de mulheres na companhia até 2030”, reforça.
 
O relatório do WIM Brasil ainda apresenta um sumário dos impactos positivos nos negócios, publicados em estudos da Catalyst e outras organizações que focam no tema, os quais comprovam que a diversidade de gênero em equipes executivas têm 25% a mais de probabilidade de alcançar maior rentabilidade. Continuando, organizações com cultura inclusiva tem 57% mais chances de melhorar a sua reputação e, por fim, equipes diversas tomam melhores decisões em 87% dos casos, aspecto responsável por 95% da performance do negócio. O download do relatório completo pode ser feito pelo link https://wimbrasil.org/indicadores-wim-brasil/
 

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13/10/2021 16:30h

Um crescimento de 23,5% sobre o mesmo período de 2020 e 2,7% acima na comparação com os sete meses iniciais de 2019

A Alacero divulgou que a produção de aço bruto entre janeiro e julho de 2021 somou 37.670,7 milhões de toneladas, um crescimento de 23,5% sobre o mesmo período de 2020 e 2,7% acima na comparação com os sete meses iniciais de 2019. No caso dos aços laminados, a produção alcançou 32.798,9 milhões de toneladas, um incremento de 30,4% em comparação com o mesmo período de 2020, e 8,1% superior aos níveis de 2019. 

Apenas em julho, a produção de aço – bruto e laminado – caiu 2,2% e 0,7%, respectivamente, enquanto em junho houve redução do déficit de 8,5% na comparação com o mês anterior. Apesar disso, o acumulado se mantém crítico e o déficit é 64,2% superior ao do primeiro semestre de 2020. A queda do déficit mensal se deve à retração limitada das importações e ao aumento das exportações. 

As importações intrarregionais cresceram 1,2% em junho, em relação a maio passado, atingindo 7,4% das importações totais. As exportações extrarregionais representaram 30,8% das exportações totais. No que diz respeito ao consumo, o acumulado nos seis primeiros meses de 2021 foi 37,8% maior do que o de 2020, refletindo a recuperação dos setores demandantes de aço. O segundo trimestre deste ano ficou 64,3% acima do mesmo período do ano anterior e 9,6% acima do primeiro trimestre de 2021. “Esses números, além de serem positivos para o setor, se traduzem em resultados tangíveis para o desenvolvimento dos países latino-americanos”, diz Alejandro Wagner, diretor executivo da Alacero. 

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Segundo ele, o setor colabora com mais de 1,2 milhão de postos de trabalho de alta qualidade, entre diretos e indiretos, e com salários superiores aos do restante da indústria manufatureira. “Além disso, a região tem a vantagem de produzir um aço muito mais limpo e sustentável do que os seus principais concorrentes. (A América Latina emite 1,6 tonelada de CO2 por tonelada de aço bruto produzido na atmosfera, contra 2,1 toneladas da China)”, comenta Wagner.

62° Congresso da Alacero ocorre em novembro

A Associação Latino-Americana de Aço (Alacero) promove, nos dias 17 e 18 de novembro, o 62° Congresso da entidade, com o título “O futuro da indústria em um mundo sustentável”. O evento será totalmente virtual e terá a participação de palestrantes e de especialistas da região e do mundo, que apresentarão suas visões sobre a atualidade e os próximos desafios e oportunidades para que o setor do aço continue trabalhando para ser uma indústria inovadora, responsável com o meio ambiente, geradora de empregos de qualidade e promotora do desenvolvimento integral para as suas comunidades em toda a região. 

Como foi anunciado no recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) da ONU, a sustentabilidade do meio ambiente se encontra em um ponto de inflexão e a indústria siderúrgica já começou a trilhar o caminho para, novamente, estar na vanguarda. O evento irá debater para o setor tomar um rumo e liderar este novo desafio global.

Maiores informações sobre o Congresso podem ser obtidas no https://summit2021.alacero.org/?lang=pt-br

Sobre a Alacero

A Alacero – Associação Latino-americana do Aço – é uma entidade civil sem fins lucrativos que reúne a cadeia de valor do aço da América Latina para fomentar os valores de integração regional, inovação tecnológica, excelência em recursos humanos, segurança no trabalho, responsabilidade empresarial e sustentabilidade socioambiental. Fundada em 1959, é integrada por mais de 60 empresas produtoras e afins cuja produção é de cerca de 60 milhões de toneladas anuais. A Alacero é reconhecida como Organismo Consultor Especial pelas Nações Unidas.

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08/10/2021 19:20h

Invest Mining é lançada durante a Exposibram 2021

Várias entidades do setor privado e governamental lançaram, no dia 7 de outubro, durante a Exposibram 2021, a Invest Mining, uma rede focada “na promoção do financiamento das atividades de mineração no Brasil, bem como na expansão e diversificação da produção mineral e no aumento da quantidade de empresas mineradoras que atuam no País, fomentando ações que resultem em investimentos”. 

Em seu lançamento, a rede reúne instituições como ABPM, Ibram, BCCC, Adimb e Comin, representando o setor privado, e BNDES, SGM, MME e ANM, pelo lado do setor governamental. A ideia é que, depois do lançamento, a rede atraia outros participantes, tanto do setor privado quanto estatal. 

De acordo com Miguel Cedraz Nery, diretor executivo da ABPM, dentre os objetivos da rede Invest Mining, estão: promover a cultura de investimentos em mineração, contribuir para a formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da mineração, especificamente no que diz respeito ao acesso ao crédito e outras formas de financiamento; contribuir para um ambiente de negócios seguro e sustentável, focado na atratividade do setor; promover instrumentos alternativos de investimento e mecanismos de captação de recursos no mercado de capitais; aproximar as mineradoras de práticas adequadas de governança corporativa e sustentabilidade; além de outros. 

Em sua estrutura organizacional, a rede terá um Plenário, um Comitê Gestor, uma Coordenação e uma Secretaria, que atuará em quatro frentes de trabalho: aprimoramento da regulação, mecanismos de financiamento, ASG & Mineração e Hub de Projetos.
 

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07/10/2021 19:50h

O resultado já supera o faturamento do setor em todo o ano passado

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Mesmo com a baixa nos preços do minério de ferro, principal produto mineral do País, nos oito primeiros meses de 2021 o valor da produção mineral brasileira teve aumento de 112%, em comparação a igual período de 2020, alcançando R$ 219 bilhões, contra R$ 103,7 bilhões registrados de janeiro a agosto do ano passado, de acordo com números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). 

Os investimentos projetados para o setor, no período 2021-2025, também aumentaram de US$ 38,0 bilhões para US$ 41,3 bilhões, sendo 47% em projetos já em execução e 53% programados. A maior parte dos investimentos será destinada ao estado de Minas Gerais, que terá 25% ou US$ 10,0 bilhões, seguido pela Bahia (US$ 7,3 bilhões) e Pará (mesmo valor). Em termos de substâncias minerais, a liderança fica com o minério de ferro, para o qual estão previstos US$ 12,8 bilhões, vindo em seguida a bauxita (US$ 6,484 bilhões) e os fertilizantes (US$ 6,338 bilhões). Os projetos socioambientais, por sua vez, receberão US$ 6,084 bilhões, segundo o Instituto. 

A mineração ainda aumentou sua participação no saldo da balança comercial brasileira, passando de 49% para 69% do total, atingindo US$ 36,1 bilhões. As exportações minerais, puxadas pelo minério de ferro, aumentaram 93,6% em valor, somando US$ 40,91 bilhões, contra US$ 21,1 bilhões no mesmo período de 2020. 

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Já a CFEM (Contribuição Financeira pela Exploração Mineral) registrou crescimento de 120%, totalizando R$ 6,7 bilhões, contra R$ 3,0 bilhões de janeiro a agosto de 2020, enquanto outros tributos e taxas cresceram 111,4%. A estimativa do Ibram é que o valor da CFEM no ano de 2021 alcance a cifra de R$ 10 bilhões. Os dois principais estados mineradores do País (Pará e Minas Gerais), arrecadaram, respectivamente, R$ 3,099 bilhões e R$ 3,018 bilhões. Em termos de municípios, a liderança ficou com Parauapebas (PA), com R$ 1,573 bilhão e Canaã dos Carajás (PA), que obteve R$ 1,207 bilhão. A substância mineral que mais pagou CFEM foi o minério de ferro, aportando R$ 5,653 bilhões.

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06/10/2021 19:50h

Perfuração pode ter sido gatilho para tragédia. Obra teria provocado a liquefação que causou a ruptura, matando 270 pessoas. Estudo foi contratado pelo MPF e custeado pela Vale por meio de acordo com o órgão

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O Ministério Público Federal (MPF) solicitou à Universitat Politécnica de Catalunya (UPC), por meio do Centro Internacional de Métodos Numéricos en Ingenieria (CIMNE), relatório final dos serviços de análise, modelagem e simulação computacional para esclarecer os motivos – prováveis ou determinantes e/ou concorrentes do rompimento da Barragem I, da Vale, na Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro de 2019. 

O relatório final é um documento de mais de 500 páginas, desenvolvido sob a supervisão de consultores técnicos independentes e acompanhado por peritos da Polícia Federal. Em 4 de outubro, esses profissionais entregaram ao MPF a análise do relatório e referendaram a qualidade técnica do trabalho feito pelo CIMNE/UPC, que indica que a ruptura da barragem em Brumadinho aconteceu por causa do fenômeno da liquefação. “É incontroverso que o rompimento da Barragem I envolveu o fenômeno do fluxo por liquefação. A liquefação é um processo associado ao aumento da poropressão, pelo qual a resistência ao cisalhamento é reduzida à medida que a tensão efetiva no solo se aproxima de zero. Apenas materiais contráteis estão sujeitos à liquefação. A liquefação está intrinsecamente relacionada ao comportamento frágil não drenado do solo”, diz o relatório.

O CIMNE/UPC realizou diversas simulações, desenvolveu um modelo numérico o mais próximo possível da realidade e as informações disponíveis da barragem foram examinadas criticamente, o que inclui a história de construção da barragem, registros pluviométricos (com extensão de mais de 40 anos) e movimentações de superfície da barragem nos anos imediatamente anteriores ao rompimento. 

O documento revela que a maior parte dos rejeitos da barragem I de Brumadinho eram fofos, contráteis, saturados e mal drenados e, portanto, altamente suscetíveis à liquefação. A caracterização geotécnica dos rejeitos foi considerada essencial para viabilizar um modelo computacional verossímil, razão pela qual foi realizada uma nova e abrangente campanha de coleta de amostras e testes de laboratórios, cujos resultados foram considerados em conjunto com os dados obtidos anteriormente. 

O relatório também avaliou operações realizadas em 2018 – ano anterior ao acidente -, que envolveram perfuração horizontal para instalação de drenos e perfuração de furos verticais para instalação de piezômetros. O documento também cita o grave incidente ocorrido durante a instalação de um dreno, em junho de 2018, que resultou em vazamentos visíveis de lama em vários pontos da barragem, mas que foram contidos. Esse incidente provocou um aumento local e temporário nas pressões piezométricas da água e algum abatimento na barragem. Além disso, registros sismográficos sugerem que uma liquefação contida pode ter ocorrido na época. 

No relatório do CIMNE/UPC são analisados os potenciais gatilhos da liquefação. Segundo o documento, foram examinados os registros sismográficos e excluída a hipótese de um carregamento dinâmico, seja por terremotos ou atividades de mineração, como gatilho provável do rompimento. O fenômeno do creep (deformações internas contínuas, que se desenvolvem com o tempo, sob determinada carga) - apontado como um dos gatilhos para a liquefação em estudo anterior contratado pela Vale - foi analisado de forma mais aprofundada, mas não foram encontradas evidências de qualquer situação significativa de cimentação nos rejeitos. “Para avaliar o comportamento de creep, os efeitos da taxa de deformação dos rejeitos foram sistematicamente medidos em três diferentes materiais reconstituídos usando testes triaxiais de controle de taxas de deformação. A magnitude dos efeitos da taxa de deformação medidos nos rejeitos foi sempre pequena e não indicou um papel relevante do processo de creep no rompimento.”

Após a calibragem do modelo computacional, cujos parâmetros foram determinados usando todas as fontes de informação relevantes obtidas a partir dos testes in situ e testes de laboratório, um conjunto de análises numéricas foi executado para auxiliar na interpretação do rompimento. “As simulações da história da barragem não mostram sinais de colapso iminente da barragem no momento da ruptura, mesmo quando fenômenos de creep e de aumento de precipitação são incorporados na análise. Na verdade, a estabilidade também é obtida mesmo que a análise seja continuada por um período de mais 100 anos. Este resultado sugere que algum fator ou evento adicional foi necessário para que a barragem rompesse.”

Desta forma, a equipe de pesquisa examinou outras possibilidades de gatilho, como, por exemplo, a simulação da sobrepressão de água associada à perfuração do furo B1-SM-13, que, de fato, estava ocorrendo no momento da ruptura. “Sob condições de tensão e hidráulicas semelhantes às do fundo do furo B1-SM-13 durante a perfuração, as análises numéricas mostram que, usando o modelo constitutivo e os parâmetros adotados para os rejeitos, pode ocorrer à liquefação local devido à sobrepressão de água e sua propagação pela barragem.”

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Nas simulações numéricas (em 2D e 3D) da perfuração do furo B1-SM-13, constatou-se que: “As características geométricas da ruptura e o padrão de deslocamentos resultantes são consistentes com as observações visuais. Em particular, o mecanismo de colapso obtido mostra uma ruptura dentro da barragem começando na crista e se estendendo até um local logo acima do dique de partida. O padrão de deslocamentos apresenta abatimentos na crista da barragem e protuberâncias para fora na base, conforme observado no início do rompimento.”

O estudo realizou simulações em diversos pontos, mas em nenhum deles ocorreu a ruptura geral da barragem; a zona de liquefação permanece contida, apresentando apenas um progresso limitado. Segundo o relatório, “os exames de testes de CPTu perto da localização dos furos verticais mostram que o perfil do solo no local do furo B1-SM-13 era especialmente desfavorável em relação ao início e propagação da liquefação.”

O relatório constata que: “O conjunto de análises numéricas realizadas permite concluir que a perfuração do furo B1-SM-13 é um potencial gatilho da liquefação que ocasionou o rompimento da barragem. As análises realizadas não foram capazes de identificar outros gatilhos de liquefação. Em particular, os cálculos realizados incorporando apenas os efeitos de aumento da precipitação e do creep, isoladamente ou em combinação, não resultaram em um rompimento geral da barragem”. 

A contratação do CIMNE/UPC é fruto do acordo celebrado entre o MPF e a Vale, que assumiu os custos para a realização das atividades da instituição espanhola, consideradas fundamentais para a conclusão das investigações sobre as causas do rompimento da barragem. A escolha da UPC para a realização do estudo ficou a cargo exclusivo do MPF, com o auxílio da PF.

As premissas básicas para a procura de instituições com expertise internacional para o desenvolvimento dos trabalhos foram a detenção de inquestionável capacidade técnica e a ausência de potencial conflito de interesse relacionado a organizações ligadas à Vale, aspecto fundamental para a apreciação isenta a respeito das circunstâncias do evento sob investigação.

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05/10/2021 19:00h

O programa ‘Reforma Que Transforma’, tem o objetivo de fomentar a transformação do panorama da habitação das famílias de baixa renda no Brasil

No ano em que comemora 120 anos de existência, a Gerdau lançou o programa ‘Reforma Que Transforma’, com o objetivo de fomentar a transformação do panorama da habitação de baixa renda no Brasil. Em uma primeira etapa, o programa abrangerá mais de 13 mil habitações vulneráveis brasileiras por um período de dez anos, a começar a partir de 2022. 

A Gerdau investirá R$ 40 milhões no projeto e oferecerá às famílias duas opções: crédito a juros abaixo do mercado e doação. "O ‘Reforma Que Transforma’ foi estruturado a partir da identificação de três problemas que cercam a habitação no Brasil: obras sem assessoria técnica, qualificação da mão-de-obra e falta de acesso a crédito", diz Paulo Boneff, líder de responsabilidade social da Gerdau. 

O programa realizará reformas urgentes em moradias insalubres a partir da identificação do cômodo da casa com maior vulnerabilidade. A execução é feita com um kit reforma que entrega a obra em sete dias, permitindo o controle do tempo e dos custos para ganhar escala. A companhia permitirá também acesso a um crédito subsidiado, com taxas de juros abaixo do mercado para efetuar a reforma - os recursos arrecadados retornam para o programa, beneficiando outra família e assim por diante.
 
Para a Gerdau, tornar a residência digna, segura e saudável tem um poder transformador e impacta de forma transversal e positiva a sociedade, melhorando saúde, educação, segurança alimentar e física e as relações sociais e familiares. 

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A ação também consiste em preparar todo o ecossistema, com capacitação de lojas de materiais de construção e mão de obras locais, gerando impacto econômico em cada cidade onde o projeto será executado e de forma continuada. "Temos a satisfação de estruturar um programa transformacional para a sociedade. Ao contribuímos para a dignificação das residências das populações mais necessitadas, transformando-as em lar, estamos não apenas reformando casas, mas sonhos, perspectivas de futuro e novas oportunidades. Estamos unindo a nossa expertise de gestão e conhecimento no setor de habitação, com a nossa vocação de ser parte dos dilemas da sociedade brasileira. Esse é o começo de um projeto que tem a ambição de transformar o panorama da moradia no Brasil", completa o CEO da Gerdau, Gustavo Werneck.

Os beneficiados serão identificados com o apoio das prefeituras e do parceiro executor Nova Vivenda, com base em critérios definidos junto com as secretarias de assistência social de cada município, no final deste ano. A ideia é fazer a reforma no aposento com maior insalubridade, de forma que o projeto alcance um maior número de casas impactadas. O projeto ocorrerá nos municípios de Ouro Preto (MG), Ouro Branco (MG), Itabirito (MG), Barão de Cocais (MG), Divinópolis (MG), Maracanaú (CE), Recife (PE), Charqueadas (RS), Sapucaia do Sul (RS), Araçariguama (SP), Pindamonhangaba (SP) e Rio de Janeiro (RJ).

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29/09/2021 15:30h

O novo CCTT compreende quatro plataformas tecnológicas complementares: Flotação, Separação Magnética, Desaguamento e Modificação de Reologia

A Clariant inaugurou o Centro de Competência para Tratamento de Rejeitos (CCTT – Competence Center for Tailings Treatment), um local para trabalho técnico em Belo Horizonte (MG) e voltado exclusivamente ao desenvolvimento de soluções e tecnologias químicas para o processamento de rejeitos da mineração. 

 “A Clariant está na vanguarda da oferta de soluções sustentáveis para a mineração. O CCTT utilizará sua excelente capacidade técnica para demonstrar como nossas inovações podem aprimorar o processamento de rejeitos e a redução de resíduos”, comenta Wagner Silva, Global Head of Technology, Clariant Mining Solutions.

O novo CCTT é um pilar central do Programa de Gestão de Rejeitos da Clariant (TMP – Tailings Management Program), que compreende quatro plataformas tecnológicas complementares: Flotação, Separação Magnética, Desaguamento e Modificação de Reologia. As soluções químicas para flotação aplicadas em lamas, por exemplo, ajudam a recuperar minerais de interesse que atualmente não são aproveitados, bem como permitem reprocessar rejeitos antigos. Além disso, auxiliares de filtragem ajudam no melhor desaguamento dos rejeitos, gerando filtrados mais secos e aumentando a produtividade. 

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Segundo George Nunes, Global Head of Clariant Mining Solutions: “O novo Centro de Competência é um importante marco na estratégia de apoiar a sustentabilidade da indústria global de mineração. Com esse recurso adicional, seguiremos trabalhando em conjunto com nossos clientes para desenvolver soluções importantes e práticas, que resolvam seus maiores desafios de sustentabilidade.”

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22/09/2021 19:07h

Licitação aberta pelo governo de Minas Gerais vai dar mais transparência ao processo. Empresas interessadas podem protocolar habilitação, propostas técnica e comercial até 6/10

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) tornou público o edital para empresas interessadas na elaboração do Plano Estadual de Mineração (PEM). A data limite para protocolar envelopes de habilitação, proposta técnica ou proposta comercial expira em 6 de outubro, às 16h, com a abertura da documentação prevista para o dia seguinte, 7 de outubro.

O Plano Estadual de Mineração de Minas Gerais visa orientar ações de longo prazo com o objetivo de promover uma atividade minerária competitiva e sustentável no estado, além de produzir cada vez mais valor para os mineiros. O PEM contemplará em seu escopo outros temas relacionados à mineração em Minas Gerais, como as cadeias produtivas minerais, os desafios que a mineração enfrenta atualmente em Minas Gerais, condicionantes e cenários futuros. Além disso, o plano irá propor políticas públicas, incluindo ações e iniciativas estratégicas que coordenarão os esforços do setor público e privado para o desenvolvimento da mineração para os próximos 20 anos. 

O PEM irá fortalecer e contribuir para a revitalização do setor mineral estadual ao tornar Minas Gerais o estado mais competitivo no setor e consolidar a sua posição como relevante player nacional e internacional no mercado de mineração. A iniciativa, inédita no contexto histórico-político do Governo de Minas Gerais, mostra que é possível enfrentar grandes desafios, socioeconômicos e ambientais, de maneira transparente, utilizando as melhores práticas para a gestão da política minerária no Estado. "O plano vai trazer uma perspectiva de longo prazo.

Questões complexas serão abordadas, entre as quais, esgotamento de jazidas mineiras, alternativas econômicas para municípios dependentes da mineração, meio ambiente e novas fronteiras da mineração no estado, como lítio, níquel, elementos de terras raras, grafita, entre outros minerais estratégicos, que são essenciais à transição energética para uma economia de baixo carbono”, disse o Superintendente de Política Minerária, Energética e Logística da Sede, Marcelo Ladeira, 

A sessão de lances ocorrerá no endereço conforme consta no edital (Processo de Compras nº 004/2021 – Concorrência nº 02/2021) e os interessados poderão retirá-lo no site www.compras.mg.gov.br.

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22/09/2021 18:54h

Dado é do Instituto Aço Brasil. Segundo entidade, números mostram que a indústria brasileira do aço está produzindo e atendendo seus clientes em volumes superiores àqueles verificados antes do início da pandemia do COVID-19

O Instituto Aço Brasil (IABr) divulgou que a produção nacional de aço bruto somou 24,1 milhões de toneladas entre janeiro e agosto de 2021, um aumento de 20,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. A produção de laminados atingiu 17,9 milhões de toneladas, um incremento de 31,6% em relação ao registrado no mesmo acumulado de 2020, enquanto a produção de semiacabados para vendas totalizou 5,5 milhões de toneladas até agosto, um acréscimo de 2,4% na mesma base de comparação. 

As vendas internas somaram 16 milhões de toneladas nos oito primeiros meses de 2021, um crescimento de 34,2% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. O consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos foi de 18,8 milhões de toneladas no acumulado até agosto de 2021, uma alta de 41,7% frente ao registrado no mesmo período de 2020.

As importações alcançaram 3,5 milhões de toneladas no acumulado até agosto de 2021, ou 163,9% a mais frente ao mesmo período do ano anterior. Em valor, as importações atingiram US$ 3,2 bilhões e avançaram 125,2% no mesmo período de comparação. As exportações de janeiro a agosto de 2021 atingiram 6,9 milhões de toneladas, ou US$ 5,5 bilhões, retração de 10,9% e aumento de 46,2%, respectivamente, na comparação com o mesmo período de 2020. 

Apenas em agosto, a produção brasileira atingiu 3,1 milhões de toneladas, um aumento de 14,1% sobre o mesmo mês de 2020. A produção de laminados foi de 2,3 milhões de toneladas, 25,7% superior à registrada em agosto de 2020 e a de semiacabados para vendas foi de 748 mil toneladas, um aumento de 19,1% em relação ao ocorrido no mesmo mês de 2020

As vendas internas avançaram 10,4% frente à comparação com agosto de 2020, para 2 milhões de toneladas. O consumo aparente de produtos siderúrgicos foi de 2,3 milhões de toneladas, 22,7% superior ao apurado no mesmo período de 2020.

As exportações em agosto foram de 865 mil toneladas, ou US$ 868 milhões, aumento de 2,9% e 128,3%, respectivamente, na comparação com o ocorrido no mesmo mês de 2020, enquanto as importações somaram 461 mil toneladas e US$ 463 milhões, uma alta de 254,9% em quantum e 203,7% em valor na comparação com o registrado em agosto de 2020.

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Brasil 61