Pandemia

Economia
19/06/2022 04:00h

Representante das agências de viagens atribui melhora à cobertura vacinal e à queda de mortes por Covid-19

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O Índice de Atividades Turísticas cresceu 85,7% em abril de 2022, na comparação com o mesmo mês do ano passado. A pesquisa foi divulgada nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O indicador, que mede a movimentação econômica do setor de turismo, subiu sobretudo porque as empresas que atuam nos segmentos de transporte aéreo, restaurantes, hotéis, locação de automóveis, transporte rodoviário coletivo de passageiros, serviços de bufê e agências de viagens tiveram mais receita. 

Segundo o IBGE, o indicador avançou em todos os 12 estados que fazem parte do levantamento. Ceará (135,8%), Minas Gerais (132,7%), Espírito Santo (123,3%), Distrito Federal (108,0%), Bahia (105,7%) e Rio Grande do Sul (104,5%) se destacaram. 

Em 2022, o Índice de Atividades Turísticas acumula alta de 51,3% em relação a 2021. Representantes do setor estão confiantes com a retomada do crescimento, um dos mais afetados pelas medidas restritivas no combate à pandemia da Covid-19. 

Para Ana Carolina Dias,  vice-presidente administrativa da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV), a melhora dos indicadores está associada à cobertura vacinal contra o novo coronavírus e à queda do número de internações e mortes pela Covid-19. 

“As pessoas estão se contaminando com Covid-19, mas as mortes caíram de forma vertiginosa. Isso nos dá uma certa tranquilidade de que estamos voltando ao normal e de que esse número vai crescer cada vez mais. Estamos investindo e acreditamos nesse aquecimento”, aposta. 

As empresas de agências de viagens faturaram cerca de R$ 19,2 bilhões em 2021, resultado 37,6% maior do que em 2020, segundo a ABAV. Apesar da retomada, Ana Carolina diz que o setor de turismo ainda não está no mesmo patamar de antes da pandemia e que as perdas, sobretudo no ano de 2020, são irrecuperáveis. “Em alguns segmentos muito pontuais, como os restaurantes, a recuperação ocorre de forma mais rápida, mas o turismo, de forma geral, teve muitas perdas e elas ainda não foram reparadas na sua totalidade. E acredito que a gente nem consiga recuperar, se a gente for fazer um cálculo financeiro específico de forma fria”, avalia. 

Expectativas

Ana Carolina ressalta que o brasileiro gosta de viajar e que, com o arrefecimento da pandemia, as atividades turísticas vão crescer e contribuir para o desenvolvimento das cidades que dependem do setor. “Acreditamos nesse crescimento. Mesmo com a economia ruim, a inflação deteriorando muita coisa, o câmbio muito alto, as pessoas se reinventam. O turismo tem sido precursor de uma retomada financeira das cidades muito mais rápida”, diz.

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17/06/2022 20:30h

Imunizante da Janssen é de dose única, mas doses de reforço também devem ser aplicadas nessa população

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A população brasileira que recebeu a vacina da Janssen contra a Covid-19 deve se atentar para a aplicação das próximas doses. O imunizante é de dose única, mas precisa de um reforço para ampliar a proteção. Para esclarecer possíveis dúvidas, o Ministério da Saúde divulgou uma nota técnica detalhando o esquema para esse público.

Quem explica essa orientação é a médica infectologista Ana Helena Germoglio. “A dose de reforço é também recomendada para quem tomou a vacina da Janssen. Só que, diferente das outras, você faz apenas uma dose de reforço a mais. Idealmente, ela deve ser feita com o mesmo imunizante, ou seja, quem tomou Janssen toma dose de reforço com a Janssen. Mas pode, sim, ser feito ou com a vacina da Pfizer ou com a vacina da Astrazeneca”, diz.

O Ministério da Saúde ressalta que não há a aplicação da chamada segunda dose da Janssen. Mas quem se vacinou com esse imunizante deve tomar a dose de reforço dois meses depois da dose única. Para pessoas acima de 50 anos, há ainda mais uma imunização. Esse público deve tomar uma segunda aplicação, quatro meses depois da primeira dose de reforço. Portanto, o esquema vacinal da Jansen é:

  • Dose única inicial + dose de reforço + segunda dose de reforço (que vale para o público prioritário acima de 50 anos)

Vacina da Janssen contra a Covid-19 precisa de duas doses; entenda

Covid-19: quem tomou vacina da Janssen precisa de uma terceira dose?

A médica pontua que essa imunização precisa de orientações específicas, o que tem confundido algumas pessoas. “Essa questão da vacinação da Janssen sempre despertou um pouco de dúvidas, já que é uma vacina que é considerada em dose única. Uma vez que você faz uma dose, é considerado como se a pessoa já tivesse tomado duas doses das outras vacinas”, esclarece.

Davi Valdez, professor do Distrito Federal, recebeu essa vacina e buscou informações nas fontes oficiais. “Fiquei sim com dúvidas sobre a segunda dose, mas eu me informei no próprio posto, procurei na internet, procurei como era, falei com outros amigos da ciência. Se aparecer outra vacina e uma dose de reforço, eu tomo de novo”, diz. 

Segundo números do governo federal atualizados em 15 de junho, 443 milhões de doses de vacina contra a Covid-19 foram aplicadas na população. Dessas, 22 milhões são da Janssen. 

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04/06/2022 17:18h

Essa nova fase da imunização também abrange profissionais da saúde, de todas as idades. Até o momento, mais de 4,5 milhões de brasileiros tomaram a segunda dose de reforço

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O Ministério da Saúde liberou a segunda dose de reforço da vacina contra a Covid-19 para pessoas com 50 anos ou mais e trabalhadores da saúde, de todas as idades. A recomendação vale para quem já tomou a primeira dose de reforço há mais de quatro meses.

De acordo com a pasta, há uma necessidade de reforçar a imunização nessa faixa etária. Já no caso dos trabalhadores que estão na linha de frente dos serviços de saúde, o motivo é o maior risco de contaminação. Vale destacar que as vacinas da Pfizer, Janssen e Astrazeneca podem ser aplicadas, independentemente de qual foi a dose anterior.

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Até o momento, mais de 4,5 milhões de brasileiros tomaram a segunda dose de reforço. Agora, chegou a vez de Wilze da Silva, de 58 anos. Moradora de Brasília, ela conta que se sente feliz por saber que pode aumentar sua imunidade contra a Covid-19. 

“Para mim, vacina é uma coisa muito importante. Eu já tomei as outras doses e estava com uma expectativa muito grande para tomar esta. Fiquei muito contente. Nesta semana mesmo eu vou procurar um pouco de saúde para tomar a vacina”, comemora. 

O governo federal distribuiu, até agora, quase 500 milhões de doses para todo o país. De acordo com o Ministério da Saúde, isso representa a proteção de 77% da população brasileira com duas doses. Além disso, mais de 85,9 milhões de pessoas já tomaram a primeira dose de reforço.
 

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03/06/2022 19:19h

Brasileiros que tomaram apenas duas doses da Janssen se perguntam sobre a necessidade de mais um reforço, principalmente com a alta de casos. Segundo o Ministério da Saúde e especialistas, as duas doses são suficientes até o momento

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Para os brasileiros entre 18 e 60 anos, o Ministério da Saúde recomenda a vacinação contra a Covid-19 com duas doses, além do reforço. Mas quem se imunizou com a vacina da Janssen, tomou uma segunda dose do imunizante e não recebeu a terceira. Com o aumento de casos da doença, muitos se perguntam se e quando um novo reforço será autorizado. 

Ana Denise de Sousa, professora da rede pública de ensino no Distrito Federal, observa que o cenário na escola onde trabalha é de temor e o sentimento é de que os profissionais estão desprotegidos.  

“A escola já está em pânico com essa situação de estarmos sem a cobertura da Janssen. Nós tivemos a primeira dose, os colegas tiveram, entre dezembro e fevereiro, a segunda dose, e o que a gente está constatando na escola é que os professores estão bem desesperados, os casos de Covid estão aumentando, tem professores contaminados, uns três colegas”, relata a professora.

Segundo informações do Ministério da Saúde, as diretrizes não mudaram. Assim, as duas doses significam esquema vacinal completo. Em nota, a pasta informou que o esquema vacinal com o imunizante da Janssen é composto pela dose única e a dose de reforço, aplicada dois meses após a primeira. 

O infectologista Hemerson Luz corrobora a informação do Ministério da Saúde e diz que, a não ser que um estudo mude o cenário atual, ainda não há necessidade de uma terceira dose da Janssen. Ele explica que a vacina é considerada um forte indutor de imunidade contra a Covid-19, protegendo contra casos graves da doença com eficácia de até 85%, após a segunda dose.

“Os dados atuais indicam que as pessoas que foram vacinadas com a primeira e segunda doses da vacina da Janssen têm uma proteção muito boa contra a Covid-19, contra as formas mais graves, por isso devem ficar tranquilos e seguir, com certeza, todas as estratégias e medidas preventivas que forem estipuladas pelas autoridades sanitárias”, ressalta o especialista.

Segundo dados do Localiza SUS, quase 20 milhões de doses da vacina da Janssen foram aplicadas durante a campanha de vacinação contra a Covid-19 no Brasil. Diferentemente dos imunizantes de outros laboratórios, a vacina é aplicada em apenas uma dose. E quem a tomou precisa de apenas mais uma dose de reforço, segundo as atuais orientações do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO), do Ministério da Saúde.

Ainda segundo a pasta, pessoas que receberam dose de reforço com outro imunizante, que não a Janssen, também já estão com o esquema vacinal completo e não devem receber outra dose de Janssen ou de outro imunizante.

No total, mais de 435,3 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 já foram aplicadas, levando em conta todos os imunizantes disponibilizados. Até o momento,  666,9 mil mortes ocasionadas pela doença foram registradas.
 

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De acordo com o Serasa, a quantidade de MPEs devedoras cresceu e chega a 5,51 milhões de empresas. O setor que mais tem pessoas jurídicas devedoras é o de Serviços, com 52,3%

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Com o intuito de apoiar os pequenos negócios que tomaram empréstimos com garantia do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe) e se encontram com parcelas em atraso, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) lançou, nesta sexta-feira (3), a Campanha Nacional de Renegociação de Dívidas.

A expectativa é de que cerca de 14 mil empresas entre Microempreendedores Individuais (MEI), Microempresas e Empresas de Pequeno Porte sejam beneficiadas. O gerente de Capitalização e Serviços Financeiros do Sebrae, Caetano Minchillo, explica que a proposta da iniciativa é disponibilizar melhores condições a esses empresários para renegociar suas dívidas e voltar à normalidade dos fluxos de pagamento. 

“Na média, 59% de MEIs e MPEs estão com comprometimento do seu faturamento com dívidas. Mas, o que queremos com essa campanha é manter a adimplência. Queremos alongar essas dívidas, e que esse impacto frente ao seu faturamento mensal seja menor. Isso vai dar um fôlego no fluxo de caixa e uma melhor condição nesse momento de retomada”, considera. 

A campanha, que se estenderá pelo mês de junho, contará com parcerias de algumas das principais instituições financeiras do país, como Caixa Econômica, BDMG, BRDE, AGERIO, ACCREDITO, Desenvolve SP, Goiás Fomento, Banco Original e Banco do Brasil.

Clique aqui para ter acesso às condições de renegociação dos débitos 

Betânia Couto é microempreendedora individual e, há 10 anos, tem a Flor da Nega Floricultura e Gestão de Eventos, em Itabira-MG. Ela conta que, devido aos efeitos negativos da pandemia, sofreu com a redução do faturamento, principalmente porque seu ramo de atuação exigia a realização de eventos com grande número de pessoas. 

Para superar a situação, ela tomou empréstimo via Fampe. No entanto, Betânia encontra dificuldades para pagar o débito. A empreendedora reclama dos juros e ressalta que a retomada de eventos está acontecendo de forma gradual. Mas, ao saber da campanha de renegociação de dívidas, ela criou esperanças. 

“Recebo essa informação com alegria e alívio, porque é sinal de que estão percebendo que existe uma necessidade de renegociação daquilo que foi acordado inicialmente. As regras do jogo precisam mudar porque o período de pandemia ainda não acabou e provavelmente as medidas restritivas vão voltar. Por isso, recebemos essa notícia com muita alegria e satisfação”, comemora. 

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A Campanha Nacional pela Renegociação vai contar com uma ampla programação de palestras. Por meio do canal oficial do Sebrae no Youtube, os empreendedores interessados em renegociar suas dívidas poderão conhecer mais sobre as condições de cada instituição financeira.

Inadimplência 

De acordo com dados disponibilizados pelo Sebrae, em dezembro de 2021, o saldo da carteira de crédito para pequenos negócios foi de R$ 358,4 bilhões, enquanto a taxa de inadimplência, ou seja, operações vencidas a partir de 90 dias, chegou a 4,5%. O total de empréstimos vencidos ou atrasados ficou em aproximadamente R$ 16 bilhões.

Já dados do Banco Central, referente ao ano passado, revelam que é possível estimar que a taxa de inadimplência, em março de 2022, chegou a 5%. Diante disso, o total de empréstimos vencidos seria de aproximadamente R$ 20 bilhões.

Dados do Serasa, por sua vez, apontam que a quantidade de MPEs devedoras cresceu e chega a 5,51 milhões de empresas. O setor que mais tem pessoas jurídicas devedoras é o de Serviços, com 52,3%. O comércio aparece na sequência, com 38,5%. Já a indústria conta com uma taxa de 8%. 
 

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23/05/2022 19:20h

Em entrevista ao portal Brasil61.com, a infectologista Dra. Joana D'arc afirmou que algumas variantes do vírus produzem o chamado escape imunológico. Mesmo que pegou a doença ou tomou a vacina poderá ser novamente acometido, porém, sem maiores complicações

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Dados da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) revelam que o Brasil pode estar passando por um novo avanço na disseminação da Covid-19. De acordo com o órgão, entre a última semana de abril e a primeira semana de maio houve uma tendência de propagação da doença no país.  

Em relação à semana anterior, entre os dias 24 de abril e primeiro de maio, foi notado um salto de 26% no número de exames realizados e de 12,9% na taxa de positividade. Na semana seguinte, de dois a oito de maio, a elevação na quantidade de testes para detecção foi para 8,4% e a taxa de positividade para 17,1%.

Em entrevista exclusiva ao portal Brasil61.com, a infectologista Dra. Joana D'arc, afirmou que algumas variantes do vírus produzem o chamado escape imunológico. Isso quer dizer que a pessoa que já tenha pego a doença ou tomado a vacina, terá chances de ser novamente acometida, porém, sem maiores complicações.  

Confira a entrevista

Brasil61: Por que, mesmo depois do avanço da vacinação contra Covid-19, os casos da doença continuam aumentando?

Dra. Joana Dra. Joana D'arc, infectologista: “Sabemos que algumas variantes produzem o que chamamos de escape imunológico. Então, mesmo após você ter se infectado ou ter se vacinado, você pode se infectar outras vezes. A diferença é que a gravidade, letalidade ou possibilidade de hospitalização vão ter reduzido muito, porque seu organismo responde melhor à infecção. Não impede totalmente de se infectar, mas impede de complicações.”

Brasil61: É possível afirmar que essa época do ano é propícia para Covid-19? Ou isso não é algo que temos que levar em conta?

Dra. Joana Dra. Joana D'arc, infectologista: “Em determinadas épocas do ano, principalmente quando faz frio, tendemos a aglomerar mais. Ou seja, preferimos ficar em ambientes mais fechados e a ficar mais próximos uns dos outros, até mesmo quando saímos, vamos a restaurantes ou outros ambientes. Isso predispõe a propagação de todas as doenças respiratórias, não apenas Covid-19. Também temos o caso da influenza, gripe, resfriado e outras doenças que você pode se infectar por proximidade.”

Brasil61: Casos seguidos de adoecimento por covid-19 em um curto intervalo de tempo vêm aparecendo nos últimos meses, em meio à alta de infecções provocada pela chegada da variante Ômicron. Mas, como isso acontece, se, até o ano passado, a literatura dizia que, após ter Covid-19, o corpo produzia anticorpos suficientes para proteger o indivíduo por no mínimo 90 dias? 

Dra. Joana Dra. Joana D'arc, infectologista: “Com relação a esse vírus, temos visto que alguns erros foram cometidos. Vimos em alguns estudos que muita coisa não chegou a se concretizar. O comportamento do vírus não foi o esperado. No início da pandemia achávamos que em três meses estaria tudo bem, e já estamos há mais de dois anos nesse cenário de pandemia. Com relação às novas variantes, elas são mais transmissíveis sim. O nosso organismo consegue produzir uma quantidade de anticorpos, mas não chega a ser protetora por um período prolongado. Essa titulação de anticorpos cai mais rápido que o esperado. As vacinas também não protegem tanto quanto gostaríamos em relação à durabilidade de anticorpos, e o comportamento do vírus é um pouco diferente. Ele tem a capacidade de produzir o que chamamos de escapes imunológicos. Ele vai buscando meios de driblar nossa imunidade, mesmo após a vacina. Ele busca portas onde possa penetrar, escapando dos anticorpos produzidos pelas vacinas. Isso tem feito com que, mesmo vacinados tenhamos um número acentuado de pessoas reinfectadas.”

Brasil61: Ainda mesmo após as inovações dos testes para Covid-19, eles podem testar falso positivo?

Dra. Joana Dra. Joana D'arc, infectologista: “A questão do falso positivo é algo bem raro com os testes que chamamos de padrão ouro, com o PCR. Ele capta, inclusive, fragmentos virais que não necessariamente representam uma infecção. Ou seja, ele capta bem o vírus, mas não significa necessariamente que você está doente. Às vezes, você está portando um vírus, fez o teste e deu positivo, mas não teve nenhum sintoma. Pode ter havido uma colonização transitória sem grandes repercussões para o organismo.” 

Brasil61: Novas variantes sempre podem causar reinfecção?

Dra. Joana Dra. Joana D'arc, infectologista: “Podemos ter sim as reinfecções por essas e por outras mutações. Cada vez que o microrganismo penetra em um organismo novo, em um ser humano, ele pode passar por múltiplas mutações. Algumas são bem relevantes e outras não. Por isso, dividimos em variantes de várias classificações. Essas possibilidades de mudanças são naturais. Quando o microrganismo está se adaptando, normalmente ele não deseja matar o hospedeiro, porque ele busca um mecanismo de sobrevivência. Mas, a possibilidade existe e vamos conviver com esse vírus por um longo período de tempo. Será uma doença a mais como problema de saúde pública para estarmos sempre monitorando, vendo os riscos de infecção, sazonalidade, estudar esse comportamento viral até chegarmos em uma estabilidade.”

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23/04/2022 06:31h

Tomada de crédito precisa vir acompanhada de estratégia para pagar menos juros, recomenda Catharina Sacerdote, especialista em finanças pessoais

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Levantamento do Serasa mostrou que 65 milhões de brasileiros tinham dívidas em fevereiro. O valor médio do endividamento é de R$ 4.000,00.  Para tentar estimular a reorganização das finanças, a Caixa Econômica Federal agora realiza empréstimos para pessoas físicas ou microempreendedores individuais (MEI) que estão com o nome sujo.

Para pessoa física, o valor varia entre R$ 300,00 e R$ 1.000,00. Para MEI, a operação pode chegar a R$ 3.000,00. Mas a administradora e especialista em Finanças Pessoais Catharina Sacerdote, em entrevista ao Brasil61.com, alerta que outras taxas incidem sobre as operações de crédito, o que, ao final, pode elevar o valor da operação. A contratação é feita integralmente de modo digital, por meio do aplicativo Caixa Tem, o mesmo em que são feitos os pagamentos de benefícios sociais. Os valores podem demorar até sete dias para serem liberados. 

Catharina conta que já existiam instituições financeiras que realizavam empréstimos para pessoas com o nome sujo. Mas essa é a primeira vez em que a Caixa, o banco com maior base de clientes do país, faz uma operação como essa. A analista diz que a medida é bem-vinda tanto para a CEF, quanto para as famílias que vem enfrentando muitas dificuldades econômicas. Mas a especialista alerta que é preciso ter estratégia para a tomada de crédito: buscar sempre a opção que apresenta juros menores. 

Confira a entrevista: 

Crédito: Acervo Pessoal Brasil 61: Catarina, finanças pessoais é um tema muito importante quando se fala em crédito para negativados, tema que ganhou destaque com o anúncio dos empréstimos por meio do Caixa Tem. É a primeira vez que uma instituição financeira oficial realiza esse tipo de operação? 

Catharina Sacerdote, especialista em Finanças Pessoais: Não é a primeira vez que uma instituição financeira oficial realiza crédito para negativados. Atualmente há em torno de 800 instituições - entre instituições financeiras, fintechs, bancos. Algumas delas já ofereciam créditos para negativados e tem como o seu mote de vendas créditos para negativados. O que é a primeira vez na história? É a Caixa, que é um banco muito grande, muito conhecido, abrir mão de alguns critérios na sua análise de crédito para oferecer créditos inclusive para quem está negativado. O que a gente enxerga é que 2021 foi um ano muito duro para as pessoas. A inflação aumentou demais, o poder de compra das pessoas não acompanhou, então o preço das coisas, de tudo que a gente usa para viver subiu demais e os nossos rendimentos - seja nosso salário, faturamento - não acompanhou esse aumento tão grande. E acabou que as pessoas precisaram utilizar créditos ou outras formas de empréstimo para necessidades básicas.

Então, o que eu acho que aconteceu é uma mudança muito grande no cenário. Se as instituições financeiras não abrissem um pouquinho essa análise de crédito das pessoas talvez eles começassem a deixar de oferecer crédito, que é uma das principais fontes de receita para os bancos. Então, acho que tem muito a ver com esse momento do que aconteceu aí em 2021.

Brasil 61: Os juros que a Caixa tem oferecido são a partir de 1,95%  por mês. Do ponto de vista da finança pessoal, qual o impacto desses juros no orçamento? 

Catharina Sacerdote, especialista em Finanças Pessoais: Primeiro, que a gente tem que lembrar que quando a gente olha lá o edital, as regras desse empréstimo da Caixa, que esses juros podem variar entre 1,95 até 3% ao mês. Então, tentando simplificar: lembrando que esses juros são só do empréstimo. Junto com esse empréstimo, em geral, tem outras despesas: tem, por exemplo, o IOF - que é um imposto sobre operações  financeiras -, pode ter uma taxa de cadastro, pode ter um seguro. Porque a instituição financeira não vai ficar completamente descoberta. Ela quer receber esse dinheiro de volta. 

A gente tem que lembrar que essa taxa de juros pode chegar até 5% ao mês, aproximadamente. Vamos pensar num empréstimo de R$ 1.000,00. Da sua parcela, em torno de R$ 50,00 são juros e outras taxas que a pessoa vai pagar. Então, o que que é importante a gente lembrar? Primeiro, avaliar qual é o nosso grau de endividamento e quanto de juros eu estou pagando por esse endividamento. Então, eu gosto de comparar com o cheque especial, que é um um empréstimo fácil que está extremamente acessível para as pessoas. Muitas vezes, basta que você passe lá o cartão de débito ou faça o Pix, você já contratou (entre aspas) esse empréstimo dessa instituição que você tem conta.  Então, vamos supor, se a pessoa está frequentemente entrando no cheque especial, não está dando conta de pagar este cheque especial. E ela vai trocar essa taxa de juros de 8% ao mês para uma taxa aí de 2,3, 4% ao mês: vale muito a pena. Ela tem que ser estratégica, porque se ela está todos os meses no cheque especial, alguma coisa está acontecendo com a renda. Então, tem que avaliar exatamente o que acontece com essa renda, contrata esse empréstimo no lugar desse cheque especial. Aliás eu até recomendo: cancele o cheque especial para não entrar de novo e vai pagar um juros um pouco menor.  

Brasil 61: Você falou muito de estratégia para a tomada de crédito para manejar o orçamento. Além dessa dica, tem alguma outra que a gente possa dar? 

Catharina Sacerdote, especialista em Finanças Pessoais: É até difícil, eu me sinto até meio constrangida de tentar dar dica de orçamento num momento em que eu vejo que as coisas estão tão difíceis: que o quilo da carne está um absurdo, não é? Não dá para pedir para as pessoas comerem menos, ou que deixem de viver por causa do seu orçamento. Mas uma regra que a gente fala de orçamento está muito relacionada a entender exatamente todas as fontes de receita que essa pessoa tem, da onde que vem todos os seus recursos financeiros (se vem do meu salário, do meu emprego, então vai ter pouca variação). Se vem de alguma renda extra que se possa fazer (então eu tenho o meu salário, mas eu também consigo vender algum item de alimentação, consegue prestar algum serviço), precisa observar como que é o tamanho dessa fonte de receita e o tamanho das despesas. No cenário ideal, a gente só pode gastar o que vai entrar. 

Eu até falo que, atualmente, chegamos numa fase de colocação no mundo em que o dinheiro está muito líquido. A gente tem cartão de débito, cartão de crédito e o próprio Pix. A gente não vê dinheiro na nossa mão praticamente. Se for pensar há 20, 30, 40 anos, as pessoas tinham uma facilidade um pouco menor para se endividar, justamente porque a maioria dos pagamentos eram em dinheiro. Então, você conseguia planejar um pouco melhor. Então, acho que é tempo de a gente pensar não só nesse quanto a gente consome, mas como a gente consome também. Talvez os hábitos de consumo estão relacionados a como a gente gasta. Se a gente puder parar e observar um pouco isso, talvez isso seja significativo para as famílias poderem deixar o seu orçamento dentro daquilo que entra. 

Assista à Entrevista 


 

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22/04/2022 18:25h

De acordo com o ministro Marcelo Queiroga, na prática, não haverá muitas mudanças na rotina de combate à Covid-19

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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, assinou nesta sexta-feira (22) uma portaria que declara oficialmente o fim da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin) causada da pandemia da Covid-19. A determinação entrará em vigor 30 dias após a publicação no Diário Oficial da União, o que deve ocorrer ainda hoje.  

O estado de Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional por conta da Covid-19 passou a valer em fevereiro de 2020. A partir dos termos da norma, os governos federal, estaduais e municipais adotaram uma série de medidas. Entre elas, o uso obrigatório de máscaras e a autorização emergencial para vacinas.

"Sei que os secretários de estados e municípios pediram tempo maior. Não vejo muita dificuldade para que secretarias estaduais e municipais se adequem ao que já existe na prática. Porque o ato normativo só vem ratificar o que já existe na prática. Como falar de emergência sanitária se hoje está acontecendo carnaval em várias cidades do Brasil?", destacou o ministro

A estimativa do Ministério da Saúde é que, com o fim da emergência em saúde pública no Brasil, cerca de duas mil normas caiam em todo o país, como a possibilidade de comprar medicamentos e insumos médicos sem licitação. Entre as medidas que poderão ser afetadas a partir da decisão está o uso obrigatório de máscara.

O que muda com a portaria?

De acordo com o ministro Marcelo Queiroga, na prática, não haverá muitas mudanças na rotina de combate à Covid-19. No entanto, a medida retira parte da autonomia de prefeitos e governadores durante a pandemia.

"Não muda muita coisa já que a principal política foi a vacina. Outras ações, como a atenção primária na saúde, que foi reforçada, ela não irá diminuir. O que muda é essa questão de se restringir as liberdades individuais à mercê da opinião de um gestor municipal. Isso cria mais divergência do que uma situação efetiva de combate à situação pandêmica no Brasil", disse. 

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Em meio ao movimento para flexibilizar medidas pelo fim da emergência, o Ministério da Saúde enviou propostas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que nenhuma estratégia seja prejudicada.

Entre elas, está a solicitação para manutenção de autorização de uso emergencial dos insumos, como vacinas contra Covid-19. Também houve pedido de prioridade na análise de solicitações de registros e manutenção da testagem rápida nas farmácias.

Na última segunda-feira (18), a Anvisa informou que está revisando a vigência dos atos editados em resposta à pandemia e que a prorrogação do prazo depende de aprovação da Diretoria Colegiada da agência.
 

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18/04/2022 17:53h

Em coletiva de imprensa, ministro da Saúde afirmou que queda nos casos e óbitos, além do avanço da vacinação embasaram a decisão

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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, declarou, em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (18), que irá editar um ato normativo para disciplinar o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (Espin) por Covid-19. Queiroga já havia anunciado a medida em pronunciamento em rede nacional, na noite deste domingo (17). 

O ato normativo deverá ser publicado entre a próxima quarta-feira (20) e o final de semana, e deve entrar em vigor em 30 dias. Decretada em janeiro de 2020, a Espin autorizou o uso emergencial de vacinas e compras sem licitação, por exemplo. Com a revogação, essas autorizações vão perder a validade. 

Mesmo com o fim da Espin, o ministério anunciou que deverá manter a autorização do uso emergencial de insumos utilizados no enfrentamento à Covid-19, a priorização na análise de solicitações de registro desses materiais e a testagem rápida nas farmácias. Essas propostas foram enviadas à Agência Nacional de Vigilância (Anvisa).

Em relação à Coronavac, a pasta também pediu à Anvisa a ampliação do uso emergencial do imunizante para não afetar a vacinação no Brasil. 

Fim da Espin

Para Queiroga, o país possui as "condições necessárias" para decretar o fim do emergência em saúde pública por conta da covid. A decisão foi apoiada em três pontos: queda no números de casos e óbitos nos últimos 15 dias, o avanço da cobertura vacinal e a capacidade do SUS de atender casos da doença e de outras que foram negligenciadas durante os picos do coronavírus.

"O ministério da Saúde entende, com base nos pareceres das áreas técnicas, que nós não vivemos mais uma emergência de saúde pública nacional. Por isso, vamos editar um ato normativo que trará todos os fundamentos que embasaram a nossa decisão. Esse ato reconhece o que nós já vivemos no Brasil atualmente. Nós temos um cenário epidemiológico equilibrado e a norma precisa ser revisada", afirmou o ministro.

3 pontos que apoiaram a decisão do Ministério da Saúde

1 - Queda expressiva no números de casos e óbitos da Covid-19 nos últimos 15 dias: dados  Semana Epidemiológica 15 (10/04 a 16/04), mostram a diminuição de 0,72% de novos casos, com 26.924 registros, e queda de 19,6% de óbitos, com a ocorrência de 163 mortes. 

2 - Ampla cobertura vacinal: mais de 70% da população já completou o esquema vacinal com ao menos duas doses e 77 milhões já receberam a dose de reforço

3 - Capacidade do SUS de atender casos de covid e das doenças que foram negligenciadas durante os picos do coronavírus.

Com a revogação da Espin, um conjunto de normas deve perder a validade jurídica. Um mapeamento feito pelo Centro de Pesquisas em Direito Sanitário mostrou que, em 2021, 2.366 normas da União e dos estados estão vinculadas à portaria que decretou os estado de emergência. 

Alguns exemplos da normas que perderão a validade com o fim da Espin são a 14.125 que dispõe sobre a a responsabilidade civil relativa a eventos adversos pós-vacinação contra a Covid-19 e sobre a aquisição e distribuição de vacinas por pessoas jurídicas de direito privado, e a 14.124, que trata sobre aquisição de vacinas e de insumos.

Queiroga pontuou que nenhuma política pública de saúde será interrompida mesmo diante do atual cenário. Segundo o chefe da pasta, "foi criado um ordenamento jurídico próprio em função da decretação da emergência e é necessária que haja uma transição para que não tenhamos prejuízos na assistência à saúde".

Sobre a compra de vacinas, o secretário de atenção primária à saúde, Rafael Câmara, explicou que os contratos vigentes hoje podem substituir essas legislações. "A ideia é que se tenha previsibilidade para que todos que de alguma forma são afetados ou fizeram seus normativos com base na Espin consigam fazer essa reflexão e ajudar os normativos  para que deem continuidade que precisam ter".

Segundo o ministério da Saúde, o arrefecimento da pandemia se deve especialmente à campanha de vacinação. Até o momento, o ministério da Saúde distribuiu aos estados cerca de 477 milhões de vacinas contra a Covid-19. Dessas, 409 milhões foram aplicadas. A cobertura vacinal com as duas doses ou dose única ultrapassa 73% da população total. 
 

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08/04/2022 00:53h

Brasil chegou à média móvel de 194,3 mortes nessa quarta-feira (6), menor índice desde 21 de janeiro, quando começou a alta de casos pela nova variante

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Desde o começo da onda de casos de Covid-19 provocados pela variante Ômicron, o Brasil não tinha uma média móvel tão baixa. Nessa quarta-feira (6), o índice ficou em 194,3, abaixo do número de 195,7 registrado em 21 de janeiro deste ano. Os dados estão no mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde.


A data também marcou 60 dias ininterruptos de tendência de queda na média móvel de casos, no mesmo período. Entre 5 de fevereiro, quando a pandemia atingiu a máxima histórica de casos (183.150), e essa quarta (6) a queda foi de 86,85%. Além disso, Acre, Roraima, Amapá, Tocantins, Paraíba e Espírito Santo não tiveram registros de mortes pela doença em 24 horas.


Segundo o Ministério da Saúde, a queda se deve principalmente à ampla Campanha de Vacinação contra a Covid-19, que já aplicou mais de 403 milhões de doses desde o ano passado. A secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite de Melo, comentou o cenário na última reunião tripartite, ocorrida em 24 de março. 


“Nós estamos vivendo um momento de arrefecimento não só aqui no nosso país, mas em alguns outros países. Porém o alerta, a precaução devem estar sempre. Haja vista o que tem acontecido não só na Ásia mas em alguns países da Europa com a sub variante ômicron. Então é claro que nós caminharemos, sim, para o término dessa pandemia, a eliminação com certeza ela virá, talvez em outra geração, mas nós conseguiremos, sim, controlar”, destacou.


No evento, que reúne uma vez por mês gestores federais, estaduais e municipais de saúde, a secretária enfatizou a importância da Campanha de Vacinação para o controle da pandemia: “Há de fato luz no fim do túnel e isso é graças à colaboração de todas as instâncias. O SUS ele vem representar tudo isso, que é a união que faz com que nós consigamos, em relação principalmente à vacinação”, comemorou.


A orientação do Ministério da Saúde é que os brasileiros a partir de 18 anos que tomaram a segunda dose há mais de quatro meses tomem também o reforço. Até o momento, segundo a Pasta, 70,1 milhões receberam a terceira dose. 
 

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